ESQUERDA E «ESQUERDA»

A propósito da ofensiva em curso contra o Serviço Nacional de Saúde (SNS), o Diário Económico ouviu António Arnaut.

Arnaut teve, como é sabido, um papel destacado em todo o processo de construção e aprovação do SNS, facto que o entrevistador recorda, explicando ser essa a razão pela qual ele é considerado o «pai do Serviço Nacional de Saúde».
Por seu lado, Arnaut (diz o jornal) «aceita com orgulho a paternidade» - uma «paternidade» que, talvez por modéstia e para que se saiba que não foi ele sozinho o criador do SNS, «gosta de partilhar».
E «partilha-a» destacando «três grandes apoiantes do SNS»: «Basílio Horta, Rui Pena e Sá Machado».

O destaque é, provavelmente, justo mas certamente injusto.
Justo, talvez, porque é possível que os três nomes citados tenham dado um contributo positivo para a criação do SNS.
Injusto, sem dúvida, porque como António Arnaut muito bem sabe, ninguém apoiou mais todo o processo de construção e aprovação do SNS do que o Grupo Parlamentar do PCP.
Esquecer isso, revela, no mínimo, uma clamorosa falta de memória.
E fiquemo-nos por aqui...

Quanto à defesa do SNS face à ofensiva actual visando liquidá-lo, se Arnaut quiser olhar para a realidade facilmente constatará que, também aí, o PCP está na primeira fila da luta - uma luta que se trava contra os que querem liquidar o SNS na Constituição (caso do PSD com o seu projecto de revisão constitucional) e, simultaneamente, contra os que o vão destruindo com a aplicação de medidas devastadoras (caso do Governo PS/Sócrates, com os encerramentos de centros de saúde, urgências, maternidades, etc, etc).

Aliás, e como Arnaut não ignora, o PCP é o único partido que dá garantias de travar essa luta até ao fim, já que do PSD e do CDS sabe-se o que há que esperar e do PS... bem, do PS
só há que esperar aquilo que a sua prática ao longo dos últimos 34 anos tem mostrado... e que Arnaut tão bem define ao dizer: «Com o PS na oposição o SNS estará melhor defendido. Porque o PS na oposição é de esquerda».

Ficamos assim a saber, pela boca do destacado militante António Arnaut, que o seu partido, o PS, só é de «esquerda» quando é necessário fazer o papel de «oposição»... de forma a obter votos de esquerda que lhe permitam ir para o governo desempenhar o seu verdadeiro papel de protagonista principal da política de direita.

Pergunto: e Arnaut? É de esquerda? Ou é de «esquerda»?...

8 comentários:

Maria disse...

Não é de propósito que Arnaut ignora toda a actividade do GP do PCP. É que uns dias ele é de esquerda, sendo que outros será de "esquerda"...
Todos a condizer, portanto...

Um beijo grande.

poesianopopular disse...

Perdoem-me se esta minha defenição, mas, alguns militantes do PS são como a fruta -na medida que vão envelhecendo , vão apodrecendo, uns cheiram mal, outros nem tanto!
Abraço.

Antuã disse...

Não foi este que afirmou que o saudoso Costa Martins ficou com o dinheiro do Dia de Trabalho?!...

GR disse...

Arnaut como qualquer outro ps, é de direita, para disfarçar muitas vezes vota NIM
Não quero saber o que tenha feito e se fez bem, quero saber como luta hoje.
“Quando batem à porta não perguntamos, quem foi? mas sim, quem é?”

Bjs,

GR

samuel disse...

Deve depender da mão que estiver mais a jeito...

Abraço.

Graciete Rietsch disse...

Ignorar toda a participação do PCP em tudo o que de bom se fez após o 25 de abil é querer voltar ao passado, PS incluído, agora com culpas acrescidas porque o momento é execelente para fazer uma verdadeira autocrítica com uma lnversão radical da política adoptada.

Um beijo.

Membro do Povo disse...

Ter-lhe-à fugido a verdade dos lábios? Ou terá encontrado uma forma alegórica de confessar a hipocrisia do seu partido?

Fernando Samuel disse...

Maria: o pior é que ele não ignora: finge ignorar...
Um beijo grande.

poesianopopular: não está mal visto, não senhor...
Um abraço.

Antuã: capaz disso é ele...
Um abraço.

GR: estes «socialistas» são complicados...
Um beijo.

samuel: olha se tivesse quatro!...
Um abraço.

Graciete Rietsch: o silenciamento (ou deturpação) da actividade do PCP é um elemento da ofensiva contra Abril...
Um beijo.

Membro do Povo: ou ambas as coisas...
Um abraço.