A LUTA É O CAMINHO

A tão celebrada «caixa que mudou o mundo», não o mudou para melhor...
Bem pelo contrário: ela tem sido um poderoso instrumento de manipulação e mistificação, de desinformação organizada, de formação/deformação de mentalidades - sempre, essencialmente, ao serviço dos interesses e da ideologia da classe exploradora e sempre, essencialmente, contra a classe dos explorados.
Decorre isto do facto de as cadeias de televisão serem, na sua quase totalidade, propriedade dessa classe exploradora - e as que o não são, pertencem ao Estado, também ele, na imensa maioria dos casos, fiel servidor dos mesmos interesses e da mesma ideologia.

Muitos milhões de cidadãos, em todo o mundo, formam aquilo que julgam ser a sua opinião sentados frente ao televisor.
Ali aprendem todos os «fatalismos» e todas as «inevitabilidades» que permitem ao grande capital aumentar a exploração e os lucros.
Ali aprendem «o princípio» de que não é necessário, nem vale a pena, lutar - e ali aprendem o medo das consequências de infringirem esse «princípio».
Ali aprendem em quem devem votar, porque «não há alternativas» aos governos do grande capital.
Ali aprendem que, quer a economia esteja em alta quer esteja em baixa, o papel que lhes está reservado é o de fazer «sacrifícios» e «apertar o cinto».
Enfim, ali são, sem disso se aperceberem, formatados ao sabor dos interesses e da ideologia dos que os exploram todos os dias e todos os dias lhes roubam direitos humanos fundamentais.

A «caixa que mudou o mundo» é, assim, o mais importante e o mais eficaz de todos os veículos da ideologia dominante, não apenas por ser o de maior audiência mas também porque é o de mais fácil acesso - e, ainda, porque é o que mais cedo atinge os alvos.
Segundo Marçal Grilo - que já foi muita coisa e agora é, entre outras coisas, Administrador da Fundação Gulbenkian - «quando chegam à escola, aos seis anos, as crianças já viram quatro a cinco mil horas de televisão» - ou seja, já deram os primeiros e decisivos passos no roteiro impiedoso da formatação...


Quer isto dizer que estamos perante uma inevitabilidade contra a qual não há nada a fazer?
Não: quer apenas dizer que a luta dos que não desistem de assumir a consciência do mundo em que vivem, da necessidade de o transformar e do papel que têm a desempenhar nessa transformação, é uma luta muito, muito difícil, e que exige esforços, dedicações, coragens e vontades incomensuráveis.
E que é tendo isso em conta que os que lutam devem avaliar os resultados do seu esforço.
Para que não esqueçam que, nestas circunstâncias - por exemplo e para não irmos mais longe - juntar na rua 200 mil pessoas, constitui um êxito muito maior do que os números dizem.
E que assim sendo, as razões para encarar com confiança a vitória na luta pela construção de um mundo novo, são também elas muito maiores do que a primeira vista pode parecer.
E que, por tudo isso, a luta é o caminho.

7 comentários:

samuel disse...

Exactamente pelo facto de "a caixa" ser tão eficaz é que os poderosos são capazes de se matarem uns aos outros para lutar pelo seu controlo.
No entanto, tal como Brecht disse dos tanques perfeitos que afinal precisavam do soldado, também a televisão precisa dos espectadores. Felizmente, mal ou bem e cada qual à sua medida, os telespectadores ainda pensam.
É nisso que vale a pena apostar e trabalhar!

pintassilgo disse...

o melhor é mesmo desligar e deixá-los a falar sozinhos. na rede informática ainda podemos escolher os sítios e cantos que nos interessam.

Maria disse...

Mesmo os que já nascem "formatados" mais tarde ficam com capacidade pensante. Tenho observado isso, nos últimos tempos, falando com jovens. e que surpresas agradáveis tive...
A LUTA É O CAMINHO, sem dúvida! E nós vamos fazê-lo...

Um beijo grande

filipe disse...

Nem mais!
Um abraço.

Vassili Zaitsev disse...

A Luta é de facto o caminho, mas O SOCIALISMO É O OBJECTIVO.
Abraço

Anónimo disse...

Até a comunagem usava a caixinha para mostrar a tal classe exploradora sobre a explorada. sejam fascios ou comunas a caixinha teve a mesma função: PODER E OPRESSÃO.

J.Z.Mattos

Fernando Samuel disse...

samuel: é a grande aposta.
Um abraço.

pintassilgo: isso é verdade.
Um abraço.

Maria: olha só para os milhares de jovens que hoje vão desfilar em Lisboa...
Um beijo grande.

filipe: abraço grande, meu amigo.

Vassili Zaitsev: sem dúvida.
Obrigado pela visita e pelo comentário.
Um abraço.

J.Z.Mattos: claro, claro, claro.