(Um jovem comunista, recém-saído da cadeia,
procurou-me para me dizer: «vou para Espanha
bater-me ao lado dos republicanos».)
Adeus!
Tu que arrancaste da treva dos dias e das noites
o sol subterrâneo das flores ocultas nas raízes.
Tu que nunca viste o luar completar os olhos das mulheres
- e a tua mãe só te beijava em fotografia.
Tu que vais morrer pelos outros com vinte anos de desdém ardente
e o futuro nunca saberá o teu nome para maior glória.
Tu que vais conhecer finalmente a verdadeira morte: a nossa.
Não a vida covarde atirada para as nuvens,
mas sombra sem frestas,
frio sem portas...
Tu: adeus!
Morre orgulhosamente
o teu destino de relâmpago
que afoga nos abismos
o eco longo
do silêncio das águias.
José Gomes Ferreira
3 comentários:
E valeu apena... por muito que não pareça.
Abraço.
Verdadeiro hino ao combatente anónimo que morre por uma causa universal.
Um beijo.
samuel: ó se valeu!
Um abraço.
Graciete Rietsch: é isso mesmo.
Um beijo.
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