ISTO ANDA TUDO LIGADO...

O presidente da Confederação Empresarial Portuguesa (CIP) diz que é necessário que os trabalhadores tenham menos dias de férias e mais horas de trabalho - e, certamente, salários mais baixos, despedimentos mais fáceis e todas essas coisas a que os comentadores de serviço nos média do grande capital chamam de «modernidade» e «inevitabilidade»...
O presidente da CIP sabe que, para concretizar o seu objectivo, conta com todo o apoio do governo: do actual e, como tudo parece indicar, do próximo - seja ele PS; ou PSD; ou dos dois de braço dado; ou de qualquer um deles com o CDS atrelado.
Os trabalhadores sabem que, para se defenderem de mais esta ofensiva, contam consigo próprios, com a sua luta, e com o apoio das forças que, hoje como sempre, ocupam a primeira dila da luta pela defesa dos interesses e direitos de que trabalha e vive do seu trabalho: no plano social, a CGTP-IN; no plano político, o PCP.
Nós todos sabemos que a luta vai ser dura; que ela se trava nas empresas e locais de trabalho, nas ruas, nas escolas, nos campos, nas localidades.
E é preciso que todos saibamos que no dia 5 de Junho, a arma de luta a utilizar é o voto - e que o voto deve ser dado a quem o merece.

Diz o jornal que o «número de pensões douradas do Estado aumentou 400% na última década».
Assim: o número de aposentados com pensões superiores a 2 500 euros aumentou sete vezes desde 2000, enquanto o contingente de aposentados com 4 000 euros ou mais aumentou, no mesmo período, quase cinco vezes.
Não tenho nada contra pensões altas - mas tenho muito contra as pensões baixas.
E a propósito, recorde-se que há cerca de 1 milhão e 900 mil reformados que recebem uma pensão média de 369, 29 euros - e que o pacto que a troika indígena assinou com a troika estrangeira vem trazer, entre outras «prendas, o congelamento e corte nos valores das pensões; mais cortes nos apoios sociais; agravamentos nos custos da saúde (taxas moderadoras, medicamentos e transportes); aumento do IVA e do IRS, etc.
Também neste caso, os resultados das eleições de 5 de Junho são decisivos na medida em que decidem se as injustiças das troikas vão continuar ou se o voto irá dar mais força aos que se batem contra essas injustiças e contra essas troikas - e estes quase 2 milhões de reformados e pensionistas devem pensar bem... em si próprios, nos seus interesses pessoais, nas suas vidas, na injustiça de que são vítimas... e votar em si próprios, nos seus interesses, contra a injustiça de que são vítimas... votar CDU.


Ontem falei-vos dos jornalistas hondurenhos assassinados pela repressão fascista -e do silêncio absoluto sobre o assunto por parte dos média e jornalistas portugueses.
Hoje falo-vos do destaque especial dado por esse mesmos média dominantes ao caso do fotojornalista espanhol, Manu Brabo, que esteve «sequestrado na Líbia, durante mês e meio, pelos fiéis ao regime de Kadhafi».
Pelas notícias ficamos a saber, ao pormenor, «os dias de cativeiro» do fotojornalista que anteontem regressou a casa - após ter sido julgado por um tribunal administrativo de Tripoli - e «condenado a um ano de prisão com pena suspensa e uma multa de 150 euros por entrada ilegal no país».
No aeroporto tinha à sua espera «uma vasta multidão composta por familiares, amigos e jornalistas que estavam ansiosos pela sua chegada».
Nada tenho contra a solidariedade dos média para com o fotojornalista espanhol, antes pelo contrário - mas tenho tudo contra a ausência absoluta de solidariedade desses mesmos média para com os jornalistas assassinados nas Honduras.
E também neste caso, os resultados das eleições de 5 de Junho têm alguma coisa a dizer... porque, como muito bem sabemos, meus amigos, isto anda tudo ligado...

10 comentários:

Anónimo disse...

Excelente o texto. Por acaso, vi as imagens na TVE internacional do tal fotojornalista espanhol e acho que aquilo não é fotojornalista nenhum. Neste momento, o alvo é Kadafi e o seu governo. A seguir, será o presidente Sírio. Obama não brinca em serviço e quer mostrar à sua estrutura de poder que pode fazer mais que Bush.

(Jorge)

Graciete Rietsch disse...

Tudo o que de criminoso, no campo político, acontece neste mundo terrível tem um denominador comum, os E.U.A.
E aquilo contra o que se luta, com requintes da maior crueldade,pode reduzir-se à heroicidade e resistência de quem quer um outro e melhor futuro.

Um beijo.

samuel disse...

Por cá, onde entram mole... carregam. Há muito não havia nada tão "mole" quanto o carácter destes governantes.
Fazendo a ponte para os média e os seus "jornalistas", isto anda de facto tudo ligado...

Abraço.

svasconcelos disse...

Não podemos deixar que os direitos dos trabalhadores recuem a olhos vistos ! É um retrocesso socila e humanitário com o qual não podemos pactuar!!
Exacto, nada contra o jornalista espanhil, mas... é indignante os dois pesos e duas medidas no tratamento de seres humanos com iguais direitos!
:(
beijo,

joão l.henrique disse...

Isto anda tudo ligado pelos "tubos" da desinformação.

Um abraço.

O Puma disse...

N a verdade não basta ter razão

Antuã disse...

Os vampiros querem que a malta trabalhe à borla.

Anónimo disse...

Diz o roto ao nu, com que te vestes tu, e como a pequena burguesia só veste fancaria da pior qualidade, é natural que não reparem na moleza, que chegou a ser confrangedora de J. de Sousa nos debates na TV com os seus "adversários" políticos...
No dia 5 de Junho vai ter a resposta clarividente do povo trabalhador.

Anónimo disse...

Fernando Samuel
A gente vem a ler os comentários por aí abaixo muito satisfeito pelas boas opiniões dos escribas e quando chega ao fim (anónimo das 07:37) perde toda a calma e só apetece chamar cego a semelhante que tal escriba. A gente sabe que ele não é cego pois consegue escrever a merda que escreveu mas se calhar não seria mau perder a vista quando vai escrever a porcarias daquelas.
Vitor sarilhos

Anónimo disse...

faltou assinar «A Chispa!» no comentário do anónimo das 07:37.