A OPÇÃO

Manuel António Pina (MAP) escreve todos os dias no Jornal de Notícias. As suas crónicas são, regra geral, de qualidade. De vez em quando, no entanto, não sei se por ignorância se por qualquer outro motivo, alinha na desinformação organizada que hoje domina o universo mediático. E quando assim é... é uma desgraça.

Na sua crónica de hoje, MAP atira-se a Hugo Chávez utilizando os «argumentos» em voga nos média dominante quando se trata da Venezuela: a mentira - mentira tantas vezes repetida quantas as necessárias para ser tomada como verdade e utilizada até por um cronista da craveira de MAP...

MAP, que até simpatizou com Chávez quando este, «em 1992, se levantou contra a plutocracia de Andrés Perez», está agora preocupado com o Chávez actual e com a evolução da situaçao na Venezuela.
E que preocupações são as de MAP?
Ele explica: «crescentemente a "revolução bolivariana" parece assumir, com a progressiva redução das liberdades (a última, depois da liberdade de informação, é a liberdade de manifestação) aspectos do "socialismo real".

Impressiona como, em tão poucas palavras, MAP consegue sintetizar o essencial da campanha em curso contra a Revolução Bolivariana (sem aspas e com maiúsculas) organizada a partir dos EUA e propagada por todo o planeta pelos média dominantes.
E a verdade é que, se MAP se desse ao trabalho de fazer o trabalho de casa que lhe compete, ficaria a saber que na Venezuela a liberdade de informação é uma realidade observável e de fácil constatação.
Fcaria a saber que, na Venezuela, os média propriedade do grande capital desenvolvem todos os dias uma intensa actividade em que o vale-tudo é lei e colaboraram, até - e activamente - na preparação do golpe militar que há sete anos tentou derrubar o governo legítimo (recorde-se o caso da revista Boémia, que até já tinha uma edição a anunciar o êxito do golpe, com «reportagens» recheadas de pormenores...)
Ficaria a saber, igualmente, que a grande diferença em matéria de liberdade de informação, entre a Venezuela e Portugal, é que lá existe uma outra informação, alternativa à informação do grande capital, uma informação revolucionária.
E ficaria a saber que o mesmio se passa com a liberdade de manifestação e com todas as liberdades (políticas, económicas, sociais, culturais) que fazem uma democracia - e sem as quais o que existe é uma imitação de democracia.
Como MAP pode constatar olhando para a realidade portuguesa.

É fácil, muito fácil, alinhar na operação imperialista contra a Venezuela Bolivariana.
É difícil, muito difícil - e arriscado - combater essa operação.
Todavia, nesta como em muitas outras situações, «a barricada só tem dois lados: o nosso e o deles».
E não há outra opção.

9 comentários:

Anónimo disse...

Vá lá, MAP; Opte, homem!
Já agora, bem...

Rui Silva

samuel disse...

Há coisas que "doi" saber...

Abraço.

filipe disse...

Neste caso, o homem escolheu o seu lado, o lado errado, muito errado.
Entretanto, ficar "em cima do muro", esperando ver para que lado a coisa cai, é feio, é muito feio.
Infelizmente, olhando para o tal muro, ainda é possível ver lá muita gente empoleirada (isso, de "poleiro")...
Mas enfim, olhemos-lhes bem nos olhos, seja para lhes propôr que saltem agora para o nosso lado, seja para mais adiante lhes dizermos que saltaram tarde, muito tarde, demasiadamente tarde.
Um abraço!

Maria disse...

E são extremamente bem definidos, os dois lados da barricada...

Um beijo grande

Graciete Rietsch Monteiro Fernandes disse...

Gosto muito de ler as crónicas de MAP excepto quando descarrila, porque o conheço e gosto dele. Por isso me magoam tanto algumas das suas opções pela falta de verdadeiro esclarecimento em certas crónicas. Também me apetece dizer como o primeiro comentarista "opte bem" amigo,qualidades não lhe faltam.

Jorge disse...

N'«O americano tranquilo», sobre o início da actividade da CIA no Vietnam, um vietnamita diz o seguinte a um jornalista inglês:
«Sooner or later, Mr. Fowler, one has to take sides, if one is to remain human».
«Cedo ou tarde, Sr. Fowler, há que tomar partido, se se quer permanecer humano».
No filme, a frase tinha uma intensidade dramática que ia muito para além de uma pequena crónica no JN...
Com a instalação das 7 bases americanas na Colômbia e a base no Recife a situação pode piorar, e bastante.
Assim, caro Pina, «cedo ou tarde há que tomar partido, se se quer permanecer humano».

Mário disse...

Quer a Constituição portuguesa quer as Constituições cubana ou venezuelana preconizam que o cidadão tem liberdade de exprimir a sua opinião. A diferença é que a portuguesa preconiza que o cidadão fica em liberdade depois de exprimir a sua opinião...

Fernando Samuel disse...

Rui Silva: se possível...
Um abraço.

samuel: por isso é melhor «não saber»...
Um abraço.

filipe: «para que amanhã não digam: eu não sabia»...
Um abraço.

Maria: ou um ou outro...
Um beijo grande.

Graciete Rietsch Monteiro Fernandes: e é que não faltam mesmo...
Um abraço.

Jorge: ne4m mais...
Um abraço.

Mário: olhe que não, olhe que não...

Ana Camarra disse...

Optar é uma atitude de compromisso, não sei se serão capazes!