POEMA

FUGA DA CELA DISCIPLINAR


Está uma noite
com lua, tão lua,
que quase endoidece.

Que até apetece
desertar da cela,
cair numa rua,
prender uma bela,
deitá-la no chão
tão nua, tão nua,
em beijos tão longos,
tão longos, tão longos,
que quase endoidece.


António Cardoso

6 comentários:

Maria disse...

Lindo! Ninguém pode prender o pensamento. Nem o sonho...

Um beijo grande

Ludo Rex disse...

Como dia a Maria, Ninguém pode prender o pensamento...
Abraço

Ana Camarra disse...

"Não há machado que corte a raiz ao pensamento.
Porque é livre como o vento."

beijos

samuel disse...

"desertar da cela"... é extraordinário!
Conquistar a liberdade numa "decisão"...

Abraço.

Justine disse...

A poesia pura, criatalina e belíssima, no seu esplendor de simplicidade. Encantador!

Fernando Samuel disse...

Maria: nem a coragem...
Um beijo grande.

Ludo Rex: nem a coragem...
Um abraço.

Ana Camarra: o pensamento, o sonho, a liberdade... são invenciveis.
Um beijo.

samuel: pode ser-se livre na prisão...
Um abraço.

Justine: é assim que leio este poema.
Um beijo.