POEMA

COMBOIO DE MALANGE


Prisioneiro no meu escritório
sonho as distâncias do mato
que me traz o apito do comboio
que arfa
Grande
e Livre
quando passa.

MINHA TERRA, MINHA TERRA, MINHA TERRA
VENHO-DE-LONGE, VOU-PRA-LONGE,
VENHO-DE LONGE, VOU-PRA-LONGE.

Ainda um dia vou partir
nesse comboio do mato
que tem dor no vagão J
e vou ser como ele
que arfa
Grande
e Livre
quando passa.

Depois
todo povo vai dizer:
MINHA TERRA, MINHA TERRA, MINHA TERRA!


António Cardoso

5 comentários:

samuel disse...

Belo!
Fico todo "inchado" por pensar que contribuí com "duas gotas", para este rio de poesia de António Cardoso que aqui se soltou. Sou o primeiro a ganhar, pois não tenho nenhum livro de poesia dele.

GR disse...

Como gostaria também de viajar nesse comboio.

Mais um poeta que aqui descobri, belíssima poesia.
Obrigada,

Bjs,

GR

Graciete Rietsch Monteiro Fernandes disse...

Que lindos poemas de António Cardoso tenho lido aqui. Parabens ao autor.Que felizes somos por termos acesso a tanta beleza e motivos para reflexão.

Justine disse...

Belíssimo!

Fernando Samuel disse...

samuel: podes crer que contribuiste decisivamente para isso...
Um abraço.

GR: também nós tivemos (temos...) o nosso comboio...
Um beijo.

Graciete Rietsch Monteiro Fernandes: Obrigado pela visita e pelo comentário.
Um beijo amigo.

Justine: sem dúvida!
Um beijo.