SALAZAR HAVIA DE GOSTAR DE LER

Há dias, falei-vos aqui dos analistas de serviço e do principal argumento por eles utilizado contra a candidatura de Francisco Lopes: «é um desconhecido», ou: «só é conhecido na Soeiro Pereira Gomes»...

Mais recentemente, falei-vos de um tenente-coronel reformado que, repetindo o que Salazar dizia e mandava dizer há décadas, afirmava que «o PCP recebia ordens do Partido Comunista da União Soviética» - e que isso legitimava a prisão, a tortura e os assassinatos de comunistas...

Hoje falo-vos de Ricardo Araújo Pereira (RAP) que, na Visão, escrevendo sobre a candidatura de Francisco Lopes,
1 - repete - fazendo humor - o que os analistas de serviço - falando a sério - dizem do candidato comunista, e
2 - repete - fazendo humor - o que o tenente-coronel reformado - falando a sério - disse sobre o PCP.


Tapando o nariz; tomando as devidas precauções higiénico/sanitárias; e munindo-se de ilimitada paciência, qualquer cidadão está em condições de ler até ao fim o texto de RAP.
Quem o fizer, constatará que parte grande da prosa de RAP é a repetição - humorística - do que, sobre o candidato comunista, tem sido dito pelos analistas de serviço: estes - falando a sério - dizem que «Francisco Lopes só é conhecido no PCP»; RAP - fazendo humor - diz que Francisco Lopes é «um candidato que nem os militantes comunistas sabem exactamente quem é»...
(pergunto: das duas espécies expostas, quem é que é analista e quem é que é humorista?...)


Mas onde RAP revela toda a sua incomensurável criatividade humorística é quando (repetindo o que, sobre o PCP, o tenente-coronel reformado diz - falando a sério), escreve - fazendo humor - que «Francisco Lopes é o candidato do PCUS, o Partido Comunista da União Soviética».
A tirada é forte e cheia de humor, como se vê.
Mas RAP acha pouco, quer ser ainda mais engraçado, ter ainda mais piada, elevar ainda mais o elevado humor que o possui - e acrescenta: «Francisco Lopes parece uma escolha de Brejnev, embora um pouco mais conservadora».
(pergunto: das duas espécies expostas, quem é que é tenente-coronel reformado e quem é que é humorista?...)

Lendo o fedorento texto, há que reconhecer, no entanto, que nem os analistas de serviço nem o o tenente-coronel reformado diriam melhor.
E Salazar havia de gostar de ler...

12 comentários:

samuel disse...

Pois... também reparaste. Aquilo é obra!
Mas este tipo de "humor" deve ser como o carnaval... ninguém leva a mal... e lá se vai safando.

Abraço.

Anónimo disse...

Uma verdadeira lástima!
Sem mais comentários...

Um beijo grande.
Maria

smvasconcelos disse...

Eu até gosto do RAP e, em geral, do seu humor, acutilante, inteligente, irónico... Mas por mais de uma vez esbarrei no exercício do humor pelo RAP, como um manifesto de mau gosto. O humor tem limites e bom senso.
Esta crónica não li, mas decididamente não vou ler. É como descreves: quem é o humorista quem é o tenente?
Um beijo,

Anónimo disse...

Se "eles" andam assim por alguma razão deve ser. Se calhar porque a candidatura do Francisco Lopes é a única que pode mover vontades para verdadeiramente mudar o futuro deste país. E isso assusta(-os).
beijinhos

Sal

José Rodrigues disse...

O RAP deixou de fazer umas piaditas...agora faz mais "meodrama"!Parece que é mais rentável...

Graciete Rietsch disse...

E eu que até gostava do RAP!!!!!
Onde é que está a diferença entre o humor construtivo e o jogar a favor desta política que ele aparentemente não aceitava?
Mais uma desilusão, mas o dinheiro é tão bom!!!!!!!!!

Um abraço para ti e todos os que continuam a resistir.

João Valente Aguiar disse...

Pior de tudo é o efeito ideológico das crónicas do RAP. A chalaça e a ridicularização dos comunistas faz mais pelo anti-comunismo do que muitas peças académicas ou jornalísticas anti-comunistas. Não só porque o RAP tem uma larga difusão mas sobretudo porque o mecanismo da ridicularização deixa pouco espaço para uma discussão racional sobre os estereótipos que ele lança. E é esse o propósito: fomentar a criação irracional de estereótipos em detrimento de uma abordagem concreta e racional do que representam, no caso, as políticas que defendem cada um dos candidatos presidenciais.

E este era o tipo que há uns anos dizia numa entrevista que tinha adorado servir bifanas na Festa do Avante por causa da solidariedade ali existente. Como um indivíduo cede a preconceitos, a chavões e a tostões. Todos eles bem graúdos.

Um abraço!

Antuã disse...

Só nos aparecem seres execráveis.

JN disse...

Artigo de RAP está de acordo com a sua "evolução". Vai ao encontro do desonesto político e intelectual que se tornou e tambem de anticomunista ( lembram-se do ataque a Odete Santos ? )

joão l.henrique disse...

RAP (Ricardo Autor da Parvoíce), escreve aquilo que sempre pensou e que durante alguns anos ocultou.

Um abraço.

1143 disse...

então agora o moço já não tem piada? quando veste a camisola do benfica e bate noutros aposto que já lhe acharam piada , aquando do aborto aposto que lhe acharam piada , quanto aos personagens parece-me que desta vez o moço não estava a fazer humor , pareceu-me um texto serio , ele lá deve saber o moço já teve cartão de militante , já agora o tal concorrente a eleições realmente não sei quem seja mas o moço parece-me a mim que já todos sabem ele é , raio de País em que um moço é mais conhecido do que um concorrente a eleições .

Fernando Samuel disse...

samuel: é um «humor» muito oportunista...
Um abraço.

Maria: uma triste lástima...
Um beijo grande.

smvasconcelos: neste caso são... o mesmo...
Um beijo.

sal: estou em crer que a razão é mesmo essa...
Um beijo amigo.

José Rodrigues: ele lá sabe...
Um abraço.

Graciete Rietsch: a coerência, a verticalidade, a seriedade, não são para qualquer um...
Um beijo.

João Valente Aguiar: subscrevo.
Um abraço amigo.

Antuã: é verdade...
Um abraço.

JN: há «evoluções» assim...
Um abraço.

João l.henrique: é bem possível que assim seja.
Um abraço.

1143: Pois.