25 ANOS - A LUTA CONTINUA

DOIS POEMAS DO POETA DA REVOLUÇÃO



NÃO PASSAM MAIS

Em nome dos nossos braços
em nome das nossas mãos
em nome de quantos passos
deram os nossos irmãos.
Em nome das ferramentas
que nos magoam os dedos
das torturas das tormentas
das sevícias dos degredos.
Em nome daquele nome
que herdámos dos nossos pais
em nome da nossa fome
dizemos: não passam mais!

E em nome dos milénios
de prisão adicionada
em nome de tantos génios
com a voz amordaçada
em nome dos camponeses
com a terra confiscada
em nome dos Portugueses
com a carne estilhaçada
em nome daqueles nomes
escarrados nos tribunais
dizemos que há outros nomes
que não passam nunca mais!

Em nome do que nós temos
em nome do que nós fomos
revolução que fizemos
democracia que somos
em nome da unidade
linda flor da classe operária
em nome da liberdade
flor imensa e proletária
em nome desta vontade
de sermos todos iguais
vamos dizer a verdade
dizendo: não passam mais!

Em nome de quantos corpos
nossos filhos foram feitos.
Em nome de quantos mortos
vivem nos nossos direitos.
Em nome de quantos vivos
dão mais vida à nossa voz
não mais seremos cativos:
O trabalho somo nós.

Por isso tornos enxadas
canetas frezas dedais
são as nossas barricadas
que dizem: não passam mais!

E em nome das conquistas
vindas nos ventos de Abril
reforma agrária controlo
operário no meio fabril
empresas que são do estado
porque o seu dono é o povo
em nome de lado a lado
termos feito um país novo.
Em nome da nossa frente
e dos nosso ideais
diante de toda a gente
dizemos: não passam mais!

Em nome do que passámos
não deixaremos passar
o patrão que ultrapassámos
e que nos quer trespassar.
E por onde a gente passa
nós passamos a palavra:
Cada rua cada praça
é o chão que o povo lavra.
Passaremos adiante
com passo firma e seguro.
O passado é já bastante
vamos passar ao futuro.




E CADA VEZ SOMOS MAIS

Pela espora da opressão
pela carne maltratada
mantendo no coração
a esperança conquistada.
Por tanta sede de pão
que a água ficou vidrada
nos nossos olhos que estão
virados à madrugada.
Por sermos nós o Partido
Comunista e Português
por isso é que faz sentido
sermos mais de cada vez.

Por estarmos sempre onde está
o povo trabalhador
pela diferença que há
entre o ódio e o amor.
Pela certeza que dá
o ferro que malha a dor
pelo aço da palavra
fúria fogo força flor
por este arado que lavra
um campo muito maior.
Por sermos nós a cantar
e a lutar em português
é que podemos gritar:
Somos mais de cada vez.

Por nós trazermos a boca
colada aos lábios do trigo
e por nunca acharmos pouca
a grande palavra amigo
é que a coragem nos toca
mesmo no auge do perigo
até que a voz fique rouca
e destrua o inimigo.
Por sermos nós a diferença
que torna os homens iguais
é que não há quem nos vença
cada vez seremos mais.

Por sermos nós a entrega
a mão que aperta outra mão
a ternura que nos chega
para parir um irmão.
Por sermos nós quem renega
o horror da solidão
por sermos nós quem se apega
ao suor do nosso chão
por sermos nós quem não cega
e vê mais clara a razão
é que somos o Partido
Comunista e Português
aonde só faz sentido
sermos mais de cada vez.

Quantos somos? Como somos?
novos e velhos: iguais.
Sendo o que nós sempre fomos
seremos cada vez mais!

11 comentários:

Ana Camarra disse...

"Ecce Homo

Desbaratamos deuses, procurando
Um que nos satisfaça ou justifique.
Desbaratamos esperança, imaginando
Uma causa maior que nos explique.

Pensando nos secamos e perdemos
Esta força selvagem e secreta,
Esta semente agreste que trazemos
E gera heróis e homens e poetas.

Pois Deuses somos nós. Deuses do fogo
Malhando-nos a carne, até que em brasa
Nossos sexos furiosos se confundam,

Nossos corpos pensantes se entrelacem
E sangue, raiva, desespero ou asa,
Os filhos que tivermos forem nossos.

José Carlos Ary dos Santos"

(BEIJOS e Obrigada)

Aristides disse...

A falta que faz Ary neste triste e cinzento país!
Abraço camarada

CRN disse...

Fernando,

Ary dos Santos deveria estar incluido no programa educativo nacional, com a sua poesia poderiamos começar a conhecer Portugal.

A revolução é hoje!

XICA disse...

"Sendo o que nós sempre fomos
seremos cada vez mais"
Sem duvida nenhuma!

poesianopopular disse...

Continua a ser uma mais valia do nosso Partido, e de Portugal!
E...uma grande referência para a humanidade!
Nós nunca deixaremos morrer os nossos mortos.
Abraço grande

Maria disse...

A força das palavras do Ary é tremenda!
É com emoção que te digo "Obrigada, Camarada", por estes dois poemas.

Um beijo grande

samuel disse...

"Sendo o que nós sempre fomos
seremos cada vez mais!"

Não são dois versos... é um programa!

Abraço

O Puma disse...

nÃO DEIXAREMOS MORRER

OS NOSSOS MORTOS

amigona avó e a neta princesa disse...

Também aqui estou com Ary no coração! Um abraço...

Justine disse...

A força inigualável do poeta da Revolução!
Sempre presente.

Anónimo disse...

Saudades de Ary!
E a nossa televisão,que tantas homenagens presta, neste domingo em que passaram 25 anos sobre a morte deste Poeta Maior, limitou-se a passar na RTP Memória, sem qualquer aviso, um programa de 2002
Ignorantes! E depois nós é que somos sectários.
Só um bocadinho de Ary
..................................
"Levanta-te meu Povo. Não é tarde.
Agora é que o mar canta é que o sol arde
pois quando o povo acorda é sempre cedo."
Abraços
Lagartinha de Alhos Vedros