NÃO SE PODE SER MAIS CLARO...

A entrada do PS para o actual governo é hipótese colocada hoje pelo jornal i.
Diz o jornal que, apesar de nos «círculos políticos socialistas, social-democratas e centristas» poucos admitirem abertamente» tal hipótese, a sua concretização está bem mais próxima do que pode parecer. Isto de acordo com «opiniões ouvidas pelo i»...
E o jornal lembra e informa que, por um lado, «Paulo Porta e a ministra da Justiça já defenderam num passado recente a necessidade de uma coligação com o PS, sem Sócrates» e, por outro lado, «vários dirigentes do PS estão convencidos que só com um "governo de salvação nacional" se pode sair da crise»...
Portanto...

Acresce que, diz o i, o agravamento brutal da «crise»; a «Grécia à beira da bancarrota e os riscos de «contágio para Portugal admitidos por Passos Coelho»; as «contingências agravadas» que se adivinham; a inexistência de perspectivas de saída; as múltiplas vozes que falam da saída de Portugal do Euro como uma possibilidade - são, entre outras, razões que tornam «um governo alargado de coligação como uma necessidade evidente»...

Postas as coisas assim, até parece que sim...
Com efeito, um governo composto pela troika nacional que assinou o pacto de submissão com a troika ocupante, seria a solução governamental mais lógica - e também a mais... transparente, na medida em que envolveria na governação os partidos colaboracionistas, todos juntos no barco naufragado da política de direita...

Todavia, há um outro dado a ter em conta: a política de direita, praticada seja por que partido for, precisa sempre de um partido que, ficando fora do governo, finja ser a oposição - de modo a constituir um seguro de vida e de continuidade dessa política.
Vimos como, ao longo dos últimos 35 anos, esse papel foi desempenhado ora pelo PS, ora pelo PSD - cada um deles cumprindo o seu turno de serviço de oposição à política praticada por cada um deles no cumprimento do turno de governo de serviço.

Por isso, de entre as «opiniões ouvidas pelo i», destaco a do dirigente do PSD, Guilherme Silva, que chama a atenção para o «importante papel» que o PS tem a desempenhar, «como partido maior de oposição», ajudando à boa concretização do «memorando da troika» - e sublinha que quanto mais grave for a situação mais importante é esse papel de «oposição» desempenhado pelo PS...
Não se pode ser mais claro...

7 comentários:

samuel disse...

Talvez o PS consiga a proeza de estar no governo... e na "oposição"... :-)))

Abraço.

joão l.henrique disse...

São todos ramos da mesma árvore chamada troika neoliberal.

Um abraço.

filipe disse...

De acordo, Fernando, não é para já. Tal "coligação" às claras virá a ser-lhes necessária mas mais adiante, quando o regime actual estiver já totalmente esgotado e desacreditado aos olhos do Povo. Também, nessa altura, de pouco já lhes servirá...
Abraço.

Graciete Rietsch disse...

Eles , desde que assinaram a troika,ficaram automaticamente coligados.

Um beijo.

josé Manangão disse...

Entretanto o BE vai ser promovido a maior partido da oposição!
Eles são capazes de tudo! alguem tem dúvidas?
Abraço

Eduardo Miguel Pereira disse...

É a novel Santíssima Trindade !

Fernando Samuel disse...

samuel: experiência na matéria não lhe falta...
Um abraço.

joão l.henrique: uma árvore cujas raízes está a apodrecer a cada dia que passa...
Um abraço.

filipe: até lá aguardemos... lutando.
Um abraço.

Graciete Rietsch: na verdade, eles estão indissoluvelmente coligados há, pelo menos, 35 anos...
Um beijo.

José Manangão: aí está uma hipótese bem provável...
Um abraço.

Eduardo Miguel Pereira: é outra troika...
Um abraço.