POEMA

FIDELIDADE


Creio no homem. Já vi
costas rasgadas a golpes de chicote,
almas cegas avançando aos arrancos
(Espanhas a cavalo
da dor e da fome). E acreditei.

Creio na paz. Já vi
altas estrelas, incendiadas regiões
amanhecendo, rios ardentes
e profundos, caudal humano
para outra luz: Vi e acreditei.

Creio em ti, pátria. Digo
o que vi: relâmpagos
de raiva, amor falado e uma faca
rangendo, fazendo-se em pedaços
de pão: se bem que haja hoje apenas trevas
eu vi e acreditei.


Blas de Otero

9 comentários:

samuel disse...

Acreditar e querer. Duas forças fundadoras...

Abraço.

Maria disse...

Também acredito que seremos capazes...

Um beijo grande

GR disse...

Com este acreditar ninguém nos afasta desta forte Vontade de lutar!
Lindo poema!

GR

Sal disse...

Que poema bem escolhido!

Estava mesmo a precisar dele para mandar a uma camarada.

obrigada!

beijinhos

CRN disse...

O único espelho no qual me encontro, os outros matam-me, chamam-me fantasma, mas, basta olhar com outros olhos o mesmo mundo no qual pereceremos, se nos atrevermos a vivê-lo.

A revolução é hoje!

F. disse...

Outro júnior do Bloco de Esquerda gaba-se de muito ter contribuido para que se fabricasse o caso "vital moreira"

http://jeunegarde.blogspot.com/2009/05/blog-post.html

Notem como catraios que nunca cumpriram o servço militar se chamam de "jovem guarda"

Ana Camarra disse...

Quando me falam em fé, costumo responder que sou uma mulher de convicções e esperança, também acredito.

beijos

rapariga do tejo disse...

Poema magnífico!!!

Acreditar, palavra intemporal

Beijinhos e abraços vermelhos

Fernando Samuel disse...

samuel: decisivas!
Um abraço.

Maria: seremos, pois.
Um beijo grande.

GR: acreditar assim, é lutar.
Um beijo.

Sal: ainda bem que te agradou.
Um beijo.

CRN: a questão está nos olhos que «temos»...
Um abraço.

F: dá para pensar se eles não estavam metidos nisso desde... a véspera...
Um abraço.

Ana Camarra: crer no Homem...
Um beijo.

rapariga do tejo: confiança, esperança, querer...
Um beijo amigo.