ESTÁ-LHES NO SANGUE...

Pena foi que aqueles manifestantes que apuparam Vital Moreira tivessem caído na ratoeira que lhes foi armada.
Porque foi disso que se tratou: Vital Moreira foi ao 1º de Maio da CGTP à espera que acontecesse o que aconteceu - ou mais ainda, se possível...
E quando saiu do Martim Moniz e se dirigiu para as comemorações da UGT, ia certamente satisfeito e com o sentimento de tarefa cumprida.
Imagino os jornais de amanhã...

Como é sabido, não é esta a primeira vez que o PS recorre a este tipo de provocações: idêntica armadilha foi montada por Mário Soares, então candidato à presidência da república, na Marinha Grande.
E também nessa altura houve quem caísse na ratoeira, o que muito agradou ao provocador e grandes benefícios lhe trouxe.

Entretanto, recordamos hoje, aqui, uma outra provocação montada pelo PS há 34 anos, precisamente no 1º de Maio de 1975, dia escolhido por Mário Soares para - como sublinhou Álvaro Cunhal - «iniciar as provocações de grande espectáculo, que culminariam na ruptura e saída do Governo» («A verdade e a mentira na Revolução de Abril . a contra-revolução confessa-se»)
Soares - que rejeitara participar na manifestação e recusara aceitar que o primeiro-ministro Vasco Gonçalves interviesse no comício - organizou uma operação provocatória que tinha como objectivo provocar confrontos no Estádio 1º de Maio e ir à tribuna «exigir a demissão de Vasco Gonçalves e a saída dos comunistas do Governo».
Não o conseguiu, obviamente - mas imagine-se o que teria acontecido se lograsse concretizar os seus intentos...
Em todo o caso, conseguiu que a imprensa nacional e internacional o apresentasse como «insultado», «agredido» e, naturalmente, «vítima dos comunistas», «os verdadeiros culpados de tudo o que aconteceu» - e ele próprio produziu relatos lancinantes das maldades antidemocráticas que os comunistas lhe fizeram...
Provavelmente, jornais de amanhã dirão o mesmo a propósito deste 1º de Maio, e a «vítima» Vital repetirá o paleio da «vítima» Soares.

Voltando à provocação do 1º de Maio de 1975, vale a pena lembrar as confissões feitas por Mário Soares a Maria João Avilez, em 1995 - portanto vinte anos depois da ocorrência e quando a contra-revolução vitoriosa já lhe permitia falar à vontade e com a arrogância de vencedor.
Confessou ele, impante:
«Estragámos a festa. Entrámos (no Estádio 1º de Maio) de roldão, em puro confronto físico, (...) abrindo caminho ao empurrão, ao soco e aos encontrões.(...) Quando lá chegámos (à tribuna) fomos impedidos de entrar pelos elementos da Intersindical (...) Impossibilitados de entrar e de usar da palavra».
Palavras bem reveladoras de uma incontestável vocação provocatória - tão forte e tantas vezes utilizada por esta gente do PS que dela se pode dizer que está-lhes no sangue.

13 comentários:

salvoconduto disse...

Fico triste, porque isto é estratégia velha.

hb disse...

:)

também escrevi sobre Vital

samuel disse...

A comparação entre as duas provocações é exactamente o assunto do post que entrará daqui a minutos...
É tão tristemente evidente!

Abraço.

GR disse...

É nítido, só pode ter sido perpetrado, propositadamente.
Se nada tivesse acontecido, de que falariam as Tv’s? Apesar de muito pouco, nas grandes manifestações do 1º Maio. Assim, falam da “vítima sorridente”.
Alguém leva (de surpresa) no focinho e continua a caminhada sorridente?
Começou a Campanha Eleitoral, suja, manipulada como é timbre do PS.

Na realidade neste 1º de Maio estiveram mais manifestantes, alguns pela primeira vez e isto é que lhe dói.

Este post deverá circular pelos e-mails, tal a sua importância.

Viva o 1º de Maio

GR

Maria disse...

É evidente que foi uma ratoeira. Mas o povo que lá estava sentiu-a como provocação, que foi o que ele fez.
E nem todos nos conseguimos"aguentar" perante um tipo que nem sequer é militante socialista e está a integrar uma delegação da direcção do ps. Eles pensaram tudo muito bem pensadinho. É natural que o povo tenha reagido.
Mas estive a ouvir a rtp-n e num debate com 3 "politólogos" comentadores um houve que desmontou a "coisa" bem desmontada...
Vamos ver.
Se me cruzar com o tipo na rua eu, povo, sou capaz de lhe cuspir. No entanto, eu, militante do nosso Partido, gostaria de ter sangue frio suficiente para passar por ele com o desprezo que me merece.
(se o meu fígado aguentar...)

Um beijo grande

filipe disse...

A provocação política, os actos provocatórios, os provocadores, tudo constitui um traço típico característico das organizações anti-democráticas. Antes e depois do 25 de Abril. Que vão recrudescer,à medida que a luta avança. Saibamos rechaçá-los, com firmeza e discernimento, chamando-lhes aquilo que são: provocação, provocadores.
Um abraço!

Medronheiro disse...

O partido Sabujo é mestre na provocação. O Vital ficou chateado por lhe terem enfiado com garrafas de água. ficaria todo contente se lhe mandassem pela cabeça abaixo com uns garrafões da Bairrada de Anadia. Mas havemos de ultrapassar as provocações de gente tão execrável.

Fernando Samuel disse...

salvo conduto: velha, velhíssima, mas que, infelizmente, continua a resultar...
Um abraço.

hb: lá irei. Até já.

samuel: b-a-bá...
Um abraço.

GR: foi uma provocação clássica: à PS.
Um beijo.

Maria: uma ratoeira com êxito assegurado, dadas as circunstâncias...
Um beijo grande.

filipe: são esses os nomes.
Um abraço.

Fernando Samuel disse...

Medronheiro: pode dizer-se, mesmo, que a provocação é elemento fulcral na táctica do PS...
Um abraço.

F. disse...

Miguel portas acusa os comunistas de sectarismo! mais um a aproveitar-se. eu estava lá e vi quem atirou água e bandeiras e chamou uns nomes... vi muito bem e o MPortas também sabe... Vi lá umas pessoas, que conheço bem, que são do RUPTURA, que é uma fracção (das muitas) do Bloco de Esquerda.
Haja Vergonha>!

Antonio Lains Galamba disse...

O ultimo comentario não foi o F. que o fez. estou no pc dele e isto foi «automático».

Ana Camarra disse...

Rezam pela mesma cartilha, a cartilha dos vendidos!
Infelizmente teve exactamente o que foi á procura!

beijos

Antuã disse...

E o Miguel Portas não é rachado como o Vital Moreira?!.... Daí a solidariedade.