«CANTAR ALENTEJANO»

1 - Os homens e as bestas

«As balas deram sangue derramado»:
Catarina, em Baleizão - faz hoje 55 anos;
Alfredo Lima, em Alpiarça;
José Adelino dos Santos, em Montemor-o-Novo;
e, outra vez em Montemor-o-Novo, António Caravela e José Casquinha.
Os assassinos: os grandes latifundiários e os seus serventuários de antes e de depois do 25 de Abril.


2 - Balanço trágico

Milhares e milhares de homens, mulheres e jovens perseguidos, presos, torturados: no tempo do fascismo - e no tempo da ofensiva contra a Reforma Agrária;
o Alentejo em estado de sítio, ocupado pelas forças repressivas: no tempo do fascismo - e no tempo da ofensiva contra a Reforma Agrária.
O Alentejo do latifúndio, com herdades entre os 1 000 e os 10 000 hectares: no tempo do fascismo - e no tempo posterior à destruição da Reforma Agrária.


3 - O tempo novo

A Reforma Agrária foi:
a decisão histórica dos trabalhadores de avançarem para as terras, ocupá-las e cultivá-las, eliminando o latifúndio, numa altura em que a sabotagem económica levada a cabo pelos agrários punha em perigo a liberdade e a democracia acabadas de conquistar;
logo ao fim de um ano, 1 140 000 hectares de terra ocupados e a produzir como nunca antes acontecera;
mais de 50 000 postos de trabalho criados, acabando com o desemprego e com a fome;
a criação de uma vasta rede de creches, jardins de infância, centros da terceira idade;
a transformação das velhas relações de produção capitalistas em relações de cooperação e solidariedade, pondo termo, naquele universo e naquela situação concreta, à exploração do homem pelo homem;
o Futuro a ser construído.


4 - Outra vez o tempo velho

A contra-Reforma Agrária foi:
a restauração do latifúndio através de um processo criminoso e devastador iniciado pelo Governo PS/Mário Soares, em 1976, e prosseguido por todos os governos que se lhe seguiram: Sá Carneiro, Mota Pinto, Balsemão/Freitas, Cavaco Silva...
todos recorrendo ao golpe, à fraude, à mentira, à calúnia, à ilegalidade;
todos ordenando os roubos de terras, de colheitas, de cortiça, de máquinas, de alfaias, de gados;
todos fora-da-lei, violando ostensivamente a Constituição da República e rasgando insolentemente centenas de decisões favoráveis à Reforma Agrária emitidas pelos tribunais; todos não hesitando em submeter o Alentejo a ferro e fogo, em mandar perseguir, prender, submeter a interrogatórios pidescos, torturar, milhares de trabalhadores - em mandar disparar, ferir, matar;
todos destilando o ódio de classe que os invadia e exibindo-se como serventuários caninos dos velhos latifundiários - dos mesmos que, anos antes, tinham Salazar como seu serventuário canino;
o Passado retrógrado, explorador e opressor regressado aos campos do Alentejo.


5 - O FUTURO:
a certeza de que a Reforma Agrária nos mostrou um pedacinho do Futuro pelo qual lutamos;
a certeza de que não há Democracia sem uma Reforma Agrária que restitua a terra a quem a trabalha;
a certeza de que os mortos, não os deixamos para trás, abandonados;
a certeza de que a luta continua;
a certeza de que VENCEREMOS.

13 comentários:

Antonio Lains Galamba disse...

E VENCEREMOS!!!!!

Ana Camarra disse...

NEM MAIS!

Beijos

Antuã disse...

Foi linda a festa. um dia voltaremos.

samuel disse...

A certeza de que faremos o que for preciso.

Abraço.

Crixus disse...

Uma bela sintese daquilo que foi a exploração de seculos que sofreram os trabalhadores rurais, o sonho da Reforma Agraria, a Reforma agraria efectivada e a traição. Hoje é dia de lembrar todos os que lutaram e morreram a lutar por uma vida melhor, por um sonho que (quase) realizamos.
Um abraço

alex campos disse...

Vencer é lutar!
Cá estamos.

Um abraço

Maria disse...

E foi tão bonito o tempo novo...
E vai ser tão bonito o futuro...

Um beijo grande

GR disse...

Convictamente acredito,num futuro melhor.

GR

Membro do Povo disse...

Tenhamos nós como exemplo aqueles que resistiram: os que escaparam, os capturados, os que morreram, os torturados que cederam e aqueles venceram!
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Há que lembrar os versos de Zeca Afonso: "[...] Ó Alentejo queimado\ Ainda um dia has-de cantar [...]"

Anónimo disse...

a terra a quem a trabalha!
Venceremos!!!
beijocasssss
vovó Maria

julio disse...

estes homens e mulheres, são os verdadeiros heróis da revolução, todo o povo do ALENTEJO merece a minha admiração!
de um minhoto...

rapariga do tejo disse...

"...minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo, tudo o que fizemos, nós ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais..."


Cresci com todas essas histórias, e claro está, o nosso cravo não esqueçe....

Belchior, cantado por Elis Regina

Acompanham me todos os dias,
É um orgulho amar este povo,
É com emoção, que me lembro da minha avó e suas irmãs que andavam kilómetros de estrada para irem trabalhar a terra de ninguém..

AO ALENTEJO TERRA DE LUTA

Fernando Samuel disse...

Antonio Lains Galamba: sem dúvida.
Um abraço.

Ana Camarra: venceremos, pois claro!
Um beijo.

Antuã: e é em festa que voltaremos...
Um abraço.

samuel: tudo o que for preciso...
Um abraço.

Crixus: «os mortos, não os deixamos, para trás abandonados/faremos deles bandeiras, guias e mestres, soldados»
Um abraço.

Alex Campos: e lutar é vencer...
Um abraço.

Maria: o futuro será o mais belo de todos os tempos...
Um beijo grande.

GR: acreditamos porque lutamos por ele.
Um beijo.

Membro do Povo: todos os que lutaram são nossos exemplos.
Um abraço.

vovó maria: viva a reforma agrária!
Um beijo.

julio:e a minha; e a nossa.
Um abraço.

Rapariga do tejo: a nossa luta tem objectivos muito, muito difíceis de alcançar: alcançá-los-emos mas demora tempo...
Um beijo.