La tierra para quién la trabaja: é a consigna que resume o objectivo essencial da luta dos camponeses da região do Vale de Aguán, nas Honduras , ao longo dos tempos - uma luta em tudo igual à dos assalariados rurais do Alentejo e do Ribatejo: em tudo e, portanto, também na consigna: A terra a quem a trabalha.
Com o governo progressista de Manuel Zelaya alguns passos em frente foram dados e a reforma agrária começou a ser uma realidade - tal como em Portugal, onde após o 25 de Abril, durante os governos progressistas de Vasco Gonçalves, a reforma agrária nos campos do Alentejo e do Ribatejo foi a realidade que conhecemos e que constituiu o momento mais alto desse que foi o tempo mais luminoso da história de Portugal: a Revolução de Abril.
Após o golpe fascista das Hoduras, preparado e executado pela CIA e pelos fascistas locais, a reforma agrária foi um dos primeiros alvos - tal como em Portugal, onde a contra-revolução iniciada pelo primeiro governo PS/Soares, apoiado pela CIA e por toda a reacção nacional e internacional, fez da reforma agrária o seu alvo preferencial.
Apoiados pelo governo fascista de Obama/Micheletti/Lobo e pelas suas forças repressivas, os agrários desencadearam uma feroz ofensiva contra os camponeses do Vale de Aguán, pondo a região a ferro e fogo, roubando-lhes as terras que cultivavam, os gados, tudo - tal como em Portugal, onde os agrários, apoiados pelos governos contra-revolucionários de EUA/UE/Soares/Carneiro/Freitas/Balsemão/Cavaco e pelas suas forças repressivas, puseram o Alentejo a ferro e fogo, roubaram terras, gados, tudo.
No passado dia 15, cinco camponeses do Vale de Aguán foram assassinados por mercenários ao serviço dos agrários, numa tentativa de roubar terras afectas à reforma agrária - tal como em Portugal, no Escoural, em 27 de Setembro de 1979, a GNR, às ordens dos agrários e do Governo, assassinou dois homens da reforma agrária, no decorrer de uma tentativa de roubo de terras.
Eis os nomes dos assassinados de Vale de Aguán: Ignacio Reyes, de 50 anos; Teodoro Acosta, de 40; Siriaco Muñoz, de 56; Raúl Castillo, de 45; José Sauceda, de 32.
Eis os nomes dos assassinados do Escoural: José Geraldo (Caravela), de 45 anos; António Maria Casquinha, de 17 anos.
São nomes a reter nas nossas memórias. E a homenagear como eles o merecem: continuando a luta pelos objectivos pelos quais eles deram as suas vidas.
Entretanto, o povo hondurenho prossegue a sua luta contra o governo fascista de Obama/Micheletti/Lobo, luta que tem assumido expressão relevante nas numerosas e importantes acções levadas a cabo pela Frente Nacional de Resistência Popular - tal como em Portugal os trabalhadores e o povo prosseguem a sua luta contra a política de direita dos governos EUA/UE/PS/PSD/CDS, luta que assumiu expressão maior na poderosa Greve Geral do dia 24 e que tem como dinamizadores e organizadores essenciais, no plano social, o movimento sindical unitário (CGTP-IN), e no plano político, o PCP.
São óbvias as semelhanças entre a acção dos fascistas hondurenhos e a dos contra-revoluconários portugueses e confirmam que o grande capital opressor e explorador é igual em todo o lado, quer se apresente na modalidade de regime fascista quer ponha a máscara da democracia burguesa.
Por isso, são óbvias, também, as semelhanças entre a resistência e a luta dos trabalhadores e dos povos das Honduras e de Portugal.
E, de tudo isto, emerge a certeza de que nas Honduras, em Portugal, em todos os países onde o capitalismo domina, a luta vai continuar - até à vitória final.