A AGENDA

O «professor universitário, especialista em...» é uma espécie de instituição com Sede nos EUA e com sucursais espalhadas pelo mundo.
Com frequência e oportunidade cirúrgicas, estes «professores especialistas» correm todas as capitais, convidados e pagos por «institutos especializados», proferindo doutas «conferências» sobre os temas que, em cada momento, ocupam a «agenda» do imperialismo norte-americano - que é a «agenda» dos seus propagandistas espalhados pelo mundo.

Foi no cumprimento dessa «agenda» que, um tal Malcolm Deas - «Professor da Universidade de Oxford, especialista em Colômbia» - se deslocou a Lisboa, a convite do «Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica», para fazer uma conferência sobre «Democracia e Segurança na Colômbia» - ou seja: para, do alto do seu saber universitário e especialista, nos garantir que «democracia e segurança» são coisas que abundam na Colômbia de Uribe&Santos Associados (USA) - ao contrário do que, anteontem, aqui se disse no Cravo de Abril...

É costume nestas situações que o «conferencista» de serviço seja entrevistado por um ou vários órgãos de informação de serviço, de modo a que a «conferência» não fique apenas no conhecimento da centena de «alunos» que a ela assistem e chegue onde é necessário que chegue: ao grande público...
Por isso, o especialista Diário de Notícias correu a entrevistar o especialista Malcolm Deas.

Que disse ele, então, confirmando a «Democracia e Segurança na Colômbia»?
Nem mais nem menos do que aquilo que os média (DN incluído) nos dizem todos os dias.

O conferencista/especialista em Colômbia começou por nos «tranquilizar» quanto às superiores qualidades do sucessor do fascista Uribe (isto digo eu...) - e garantiu solenemente que as «diferenças entre Uribe e Santos são apenas do ponto de vista pessoal, mas não político»...
Quanto a «violações de direitos humanos», o professor/especialista em Colômbia diz que, enfim, o próprio «Uribe admitiu que houve abusos», contudo de alguma forma justificados, não é verdade?; não que a violação de direitos humanos seja de aplaudir, nem pensar nisso!, nós somos democratas, não é verdade?; mas... não exageremos, isto é: «o Governo deve fazer tudo para que não haja abusos, mas não podemos dizer que, por eles terem acontecido, temos de abandonar a política», pois isso «seria pior para o país»...
No que respeita às bases norte-americanas, o professor Malcolm aplaude entusiasticamente, tanto mais que, ensina ele, «a ajuda dos EUA, pontual, eficaz e discreta, foi muito importante para a Colômbia»; e não vê razões para protestos: que diabo!, «um país tem direito a pedir e receber ajuda», ou não tem?; ora, assim sendo, pergunta/responde o professor/especialista: «Quem mais, sem ser os EUA, a ia oferecer?».

Obama, ou a sua secretária Clinton, não diriam melhor.
Nem precisam: há sempre, disponível, um «professor universitário especialista»...

8 comentários:

samuel disse...

É para isso que lhes pagam.
É para isso que são "professores universitários especialistas".
Para contar os milhares de assassinados na Colômbia não é preciso ter um curso superior...

Abraço.

Aristides disse...

E faltou referir as alfinetadas ao Brasil e à Venezuela por causa das despesas militares. Cambada!
Grande abraço

joão l.henrique disse...

Um «professor universitário especialista» na confusão e na demagogia. Ao jeito dos EUA.

Um abraço.

trepadeira disse...

Há sempre este ou qualquer outro papagaio amestrado e com um molho de notas entalado no bico,digo,no bolso.
Um abraço,
mário

Graciete Rietsch disse...

Os americanos são mesmo bons. Estão cheios de especialistas em malfeitorias.

Um beijo.

Anónimo disse...

É o professor Ox.
Zé Canhão

Maria disse...

É esta a democraCIA deles. Tudo está bem quando de acordo com o que eles decidem. Sobre os outros. Os povos soberanos!

Um beijo grande.

smvasconcelos disse...

Bem, por esta amostra o homem tem um discurso primário, mas muito,muito perigoso. Um insano, sem intelecto, um alienado mitómano e, claro, muito bem pago, que pela via da demogogia, "feita à maneira" lá se dispõe no papel de títere da maior fraude democrática do planeta, os EUA.

Um beijo,