POEMA

TUDO É FOI


Fecho os olhos por instantes.
Abro os olhos novamente.
Neste abrir e fechar de olhos
já todo o mundo é diferente.

Já outro ar me rodeia;
outros lábios o respiram;
outros aléns se tingiram
de outro Sol que os incendeia.

Outras árvores se floriram;
outro vento as despenteia;
outras ondas invadiram
outros recantos de areia.

Momento, tempo esgotado,
fluidez sem transparência.
Presença, espectro da ausência,
cadáver desenterrado.

Combustão perene e fria.
Corpo que a arder arrefece.
Incandescência sombria.
Tudo é foi. Nada acontece.


António Gedeão

5 comentários:

Ana Camarra disse...

É isso mesmo, a cada momento o mundo muda-se, transforma-se, será um dia como nós desejamos.

beijos

poesianopopular disse...

F.Samuel

A vida é cada momento
Nada acontece por acaso
Tudo está em movimento
A evolução não tem prazo.

Abraço

Maria disse...

É verdade, a cada minuto tudo se altera. É tudo outro... outro ar, outro gesto, outra água...

Deixo-te outro beijo, grande

samuel disse...

E se não estivermos com os olhos bem abertos a cada momento...

Fernando Samuel disse...

Ana Camarra: e como nós o construirmos...
Um beijo.

poesianopopular: os poetas é que sabem destas coisas...
Um abraço.

Maria: todo o mundo é composto de mudança...
Um beijo grande.

samuel: ... julgamos que nada mudou e... tramamo-nos...
Um abraço.