POEMA

SE BASTASSE DAR UM GRITO


Se bastasse dar um grito para que soubessem!
Se bastasse chorar alto, escrever cartas,
se bastasse andar nu para que notassem!
Tu, Nai, não compreenderás. Eles entretêm-se
a beber cerveja, a falar de mulheres,
a crer em Deus. E não adivinham
que as mãos as tenho negras
de tanto construir castelos de sangue.
Parece que querem dizer que não é tão vero
como eu penso. Oh, Nai, não compreendas,
não compreendas nunca, nem perdoes,
escreve-lho na fronte com arame,
grita-o da varanda, até que morram
de tanto o saberem, Nai, e o mundo rebentar.
Ai, se bastasse morrer para que acreditassem,
havia de amar-te com o sangue dos outros.


Miguel Ângel Riera

5 comentários:

samuel disse...

Mas não basta...

Ludo Rex disse...

Se bastasse dar um grito para que soubessem...
Um Abraço e Bom Fim de Semana

Maria disse...

Não basta. Nem sequer morrer, continuam a não acreditar...

Um beijo grande

Ana Camarra disse...

Não basta não, temos que gritar muito e muitas vozes...

beijos

GR disse...

Assim não basta!
Gritemos todos juntos com convicção e consciência!

GR