O CAMINHO

Voltemos à Venezuela.
Para registar o facto notável de o projecto de Hugo Chávez ter saído vencedor em 14 dos 15 actos eleitorais a que foi submetido nos últimos dez anos - mais actos eleitorais do que o total dos realizados em cerca de trinta anos anteriores...
Para registar (e lembrar...) igualmente, que - ao contrário do que propalam os média dominantes em todo o mundo - a imensa maioria dos órgãos de comunicação social venezuelanos são propriedade do grande capital e são, por isso, ferozes opositores da revolução bolivariana, contra a qual desenvolvem uma permanente campanha de terrorismo mediático - campanha que, em tempo de eleições, vai muito para além do habitual vale-tudo, como aconteceu no decorrer do recente referendo.

Assim sendo, quais as razões que estão na origem das sucessivas vitórias eleitorais da revolução bolivariana?
Pedro Campos, no Avante! da semana passada, dá-nos a explicação - uma explicação ligada, naturalmente, aos avanços do processo revolucionário em matéria de preocupações com os direitos e interesses dos trabalhadores e do povo venezuelano.

Assim, nos dez anos de governação de Hugo Chávez:
a pobreza desceu de 49, 4% para 30,2%(dados de 2006) e a pobreza extrema caíu de 21,7 para 7,4% - isto apesar de a greve patronal de 2002/2003 ter travado significativamente esta linha de progresso;
foram criados 4 500 consultórios populares, que combinam cuidados médicos primários e secundários com centros de diagnóstico, reabilitação e tecnologia especializada;
a mortalidade infantil desceu cinco pontos;
a taxa de crianças em idade escolar matriculadas subiu de 44,7% para 60,6% - e no ensino superior subiu de 21, 8 para 30,2%;
o analfabetismo foi erradicado;
o serviço de água potável chega, agora, a 92% da população;
o desemprego baixou para metade do existente há dez anos;
cerca de 14 milhões de pessoas podem comprar alimentos subsidiados pelo governo na rede Mercal;
a economia venezuelana já leva cinco anos consecutivos de crescimento e, medida em dólares, cresceu 526,98 por cento em comparação com 1998.

Estas são algumas das razões - e muitas mais há - que estão na origem das sucessivas vitórias eleitorais da revolução bolivariana.
Razões que evidenciam claramente o conteúdo profundamente democrático do regime venezuelano e que têm na sua origem uma massiva participação popular.
Porque a vertente participativa é a pedra de toque de qualquer democracia, sendo sabido e certo que sem participação popular não há democracia plena.

Aliás, como a nossa experiência nos tem mostrado:
primeiro, com a democracia avançada de Abril - o momento mais luminoso, porque o mais participativo, da nossa história colectiva;
agora, com esta democracia burguesa - de facto, ditadura do grande capital - em que a participação é considerada crime passível de severa condenação.

E tudo isto - a experiência venezuelana e a portuguesa - a mostrar-nos que «sim, é possível!» - e que o desenvolvimento e a intensificação da luta de massas é o caminho para lá chegarmos.

10 comentários:

Ana Camarra disse...

E é possivél, mesmo.

beijos

Pedro F. disse...

Permite-me acrescentar apenas o seguinte:

Tal como a relativa lentidão e algumas contradições do processo bolivariano têm demonstrado, só com uma vanguarda organizada em partido comunista, poderá a classe trabalhadora levar ao fim e concluir as suas tarefas históricas.

Maria disse...

É esse o caminho - não há outro.

Um beijo grande

filipe disse...

É isso mesmo. Democracia participativa, eis a chave de todas as seguintes etapas emancipadoras para os trabalhadores e para os povos, incluídas - por maioria de razão - as próximas sociedades socialistas.
"Faça você mesmo", e só depois, então, delegue o que faltar fazer, elegendo de entre os seus iguais - e, estes, sendo destituíveis a todo o momento.
A democracia representativa burguesa - como dizes, uma ditadura - está definitivamente esgotada, como modelo de democracia.
Um abraço.

samuel disse...

Cada vez se tornará mais difícil "não ver".

Abraço.

poesianopopular disse...

Para o capitalismo, Hugo Chavez e a Venezuela é um péssimo exemplo, daí tentarem por todos os meios, e sem o menor respeito pela vontade do povo venezuelano, caluniar, e denegrir, esta grande vitória,da verdadeira democracia, a caminho do verdadeiro socialismo.
As sementes de Cuba estão e vão alastrar, por toda a América!
abraço

Hilário disse...

É fundamental a Democracia Participativa!

Abraço

Hilário disse...

É fundamental a Democracia Participativa!

Abraço

Luis Rocha disse...

Em honra ao camarada Sérgio Moreira, prosseguimos o combate solidário com a Revolução Bolivariana!

Esta semana vamos dedicar aos feitos da Revolução! Fiquem atentos. Aqui vai um aperitivo.
http://tirem-as-maos-da-venezuela.blogs.sapo.pt/

Sábado, 28 de Fevereiro de 2009
Inflação e Salário Mínimo na Venezuela

A Inflação na Venezuela

De 1999 a 2008, durante a governação de Chávez, a soma da inflação anual acumulada é de 211%. A média por ano é de 21,1%. A inflação média durante os últimos 8 anos antes de Chávez foi de 50,8%. A inflação é um problema sério na Venezuela, quem o cria são os empresários capitalistas não é o Estado - que segue os controles de preços da Lei à risca. A solução é, na minha opinião e na de cada vez mais trabalhadores e sindicalistas venezuelanos, nacionalizar as empresas do sector alimentar e de outros produtos para o dia o dia e colocá-las sob Controle Operário (gestão democrática dos trabalhadores).



Fontes: Wikipédia, Banco Central da Venezuela, Instituto Nacional de Estatísticas (Venezuelano)

O Salário Mínimo na Venezuela

O último aumento do Salário Mínimo (na Venezuela) em 2008 trouxe o valor para 372 dólares ( 799 Bolívares Fortes na moeda venezuelana). Ao salário mínimo adiciona-se, no sector público e em parte do sector privado (porque alguns capitalistas não cumprem a lei), o "cesta ticket" (subsídio de alimentação) que em 2008 era de 186 dólares. Então o salário mínimo mais "cesta ticket" na Venezulea dá 558 dólares (440 euros). Além disso devemos ter em conta que os serviços publicos são gratuitos e mais vastos que aqui em Portugal. Na Venezuela todo o sistema de saúde e o sistema de ensino (do primário ao superior) públicos são gratuitos, não existem nem propinas nem "taxas moderadoras".

Antes de Chávez, nos últimos 9 anos anteriores de 1990 a 1998 (sob as presidências Carlos Andrés Perez, Ramón Velásquez, Rafael Caldera - dois do PS e outro do PSD lá do sítio), o salário mínimo médio desses 9 anos foi de 101 dólares. Ou seja, pelas minhas contas o salário minímo venezuelano atingiu um patamar que é quase o quatro vezes superior aos da época neoliberal dos 90.

Fontes: Observatório do Algarve, Tirem as Mãos da Venezuela (Brasil), Aporrea, BBC Brasil, Wikipédia

Fernando Samuel disse...

Ana Camarra: podes ter a certeza.
Um beijo.

Pedro F.: esse teu acrescento é FUNDAMENTAL!
Um abraço.

Maria: lutar, lutar sempre!
Um beijo grande.

Filipe: o «pormenor» da destituição sempre que as práticas o exijam, é mesmo um «pormaior»...
Um abraço.

samuel: o problema é os que não querem ver...
Um abraço.

poesianopopular: isto vai, camarada...
Um abraço.

Hilario: sem participação não há democracia.
Um abraço.

Luis Rocha: excelente contributo.
Um abraço.