POEMA

ACUSAM-ME DE MÁGOA E DESALENTO


Acusam-me de mágoa e desalento,
como se toda a pena dos meus versos
não fosse carne vossa, homens dispersos,
e a minha dor a tua, pensamento.

Hei-de cantar-vos a beleza um dia,
quando a luz que não nego abrir o escuro
da noite que nos cerca como um muro,
e chegares a teus reinos, alegria.

Entretanto, deixai que não me cale:
Até que muro fenda, a treva estale,
seja a tristeza o vinho da vingança.

A minha voz de morte é a voz da luta:
se confia a sua dor perscruta,
maior glória tem em ter esperança.


Carlos de Oliveira

6 comentários:

samuel disse...

Muitos são os espinhos que aumentam a glória de ter esperança!

Abraço

poesianopopular disse...

Porque a esperança ...É vermelha!
A esperança verde esgotou-se!
Não rima, mas, é verdade!
abraço

Maria disse...

Esperança... e confiança. Gosto mais da palavra confiança. e tenho uma confiança enorme em que, com a luta, o nosso futuro vai ser diferente...

Um beijo grande

Fernando Samuel disse...

samuel: nos tempos de hoje, ter esperança é um acto de heroísmo...
Um abraço.

pesianopopular: nem é preciso rimar...
Um abraço.

Maria: esperança, confiança, convicção... certeza...
Um beijo grande.

Ana Camarra disse...

È isso mesmo a maior glória é ter esperança.

Beijos

Fernando Samuel disse...

Ana Camarra: a nossa esperança, feita de luta...
Um beijo.