POEMA

(Fragmento do Poema «O Dia Mundial da Paz em Custóias e Caxias)


(...) Grande foi Vasco
e também o ódio, e também a mácula, e também a morte
(intelectual, seminal) de várias e desvairadas gentes
o destruíu. Ou
talvez não. A glória, a corrupção
em centros ciáticos sedimentada
outros corrompeu. Astutos pescadores de pégasos
em águas turvas. O vento passa. O povo porém
finca os pés na terra. Canto
para ti: Vasco igual a povo. Para que não se esqueça
a sábia floração
de um mar (mármore) jamais em repouso - a força, a determinação
do homem novo. Pobre. Dissolvido
em palavras de névoa. Pobre. Camuflado
em buracos de sótãos e caves; em bairros de lata; em arcos de ponte
e choupanas de palha; esterco; barcaças apodrecidas... Esse,
o proleta, o campesino
eleva-se na sombra, ouve, entende
a tua voz, a palavra Revolução; e transmite o fogo, a fábula
a seus camaradas mais descuidosos: ambulantes, desocupados...

Os próprios burgueses, os mais pequeninos, os que se vendem
por um prato de lentilhas
um dia compreenderão o fenómeno
da Independência Nacional; (tal qual és - Brecht,
sem ironia - não poderás continuar a ser) - um dia, dizia,
haveis de compreender que também os vossos filhos
serão a seu tempo devastados
pela Besta Imunda. Transparente
foi Vasco
em sua luta sem cálculo nem quartel
contra a garra imperial. A usura. A erosão. A
decadência pusilânime. Apenas o povo,
apenas o exército vulnerável
dos explorados
aceitou a claridade, entendeu a palavra límpida
do futuro. O búzio
da Revolução.


Casimiro de Brito

7 comentários:

Maria disse...

Não conhecia este poema. Tão bonito.
"Vasco igual a povo". E era. Ainda é, nos nossos corações, onde está guardado para sempre.

Um beijo grande

Mar Arável disse...

25 de Abril

de novo

CRN disse...

Menos mal que o Vasco não viu a vergonha que só nos pode resultar alheia mas que, com o consentimento do Povo, se defende, ao consentir nomear uma praça com o nome do maior fascista Português, sem confrontos, sem que o constitucional justifique a sua função.
Não é admitida a apologia do fascismo, como é que acontece este tipo de aberração? Como se assume a promoção do carrasco?
Nem administrativamente, nem fisicamente, o fascismo - e não me contem estórias sobre se é ou não fascizante tal ou tal lei, medida, projecto, directriz, numa realidade que entendo como fascista, perceber o mesmo é hoje vital para sair do marasmo, do obscurantismo, da escravatura - não encontra adversário fora do PCP, as centrais de informa(ta)ção, o capital, a submissão dos governos Portugueses à hegemonia imperialista transnacional, o desprezo pelo Povo, a manipulação informativa que visa manter abstraidos os trabalhadores, sem acções organizadas - mesmo consideradas ilegais pelo instituido - ao amparo da constituição mas numa acepção própria de quem diz não, é fundamental a revolução!

A revolução é hoje!

GR disse...

PARA O COLECTIVO DO CRAVO DE ABRIL,

UM BJ CHEIO DE CRAVOS,

VIVA O 25 DE ABRIL!

GR

Justine disse...

O dia certo para conhecer e3ste poema. Obrigada, amigo!
Bom Dia:))
e VivAbril!

Sílvia disse...

Por hoje ser o dia, e não podendo ofertar cravos, deixo aqui um poema, dos que mais me comovem de cada vez que o releio:

" Ao cabo de Cabo verde
dobrado o cabo da guerra
quando o mar sabia a sede
e o sangue cheirava a terra
acabou por ser mais forte
a esperança perseguida
porque aconteceu a morte
sem que se acabasse a vida.

Ao cabo de Cabo Verde
no campo do Tarrafal
........
Ao cabo de Cabo Verde

NÃO MORREU O IDEAL"

Ary dos Santos

bjs.
Fascismo nunca mais!!!!!!

Sílvia MV

Fernando Samuel disse...

Maria: de todos os militares de Abril, Vasco é o mais puro...
Um beijo grande.

Mar Arável: vamos a ele!...
Um abraço de Abril.

CRN: por Abril de novo: um bom caminho...
Abraço de Abril.

GR: um grande beijo de Abril para ti.

Justine: viva Abril sempre, viva Abril de novo.
Um beijo amigo.

Silvia MV: o Zé Carlos era (é) único...
Um beijo de Abril.