POEMA

OS PRAZERES DA JUVENTUDE


Ao fim de 24 jogos perdidos,
o time ganhou o desafio.
O público inundou o campo, desceu à cidade,
e durante horas interrompeu o trânsito, bebeu na rua,
quebrou montras, partiu mesmo os faróis de carros
da polícia que, risonha, comungava
naquele entusiasmo regional e jovem
por um triunfo tão longamente ansiado.

Uma centena de pessoas manifesta-se na rua
(contra uma «vitória» que não se vê no Viet-Nam)
e os cacetes desabam, a prisão enche-se,
porque interromperam o trânsito, incitaram à desordem,
e resistiram malignamente à autoridade
que os mandou dispersar.


Jorge de Sena

6 comentários:

samuel disse...

Há pessoas que, decididamente, não têm as suas prioridades devidamente alinhadas com o "interesse geral"...

Ludo Rex disse...

Porque resistiram... Assim continuaremos, também nós!
Abraço

Maria disse...

Assim funciona a polícia... sempre com dois pesos diferentes...

Um beijo grande

Justine disse...

Há quem lhe chame pontos de vista diferentes...

Ana Camarra disse...

Pois, são coisas distintas, o importante é a bola!

beijos

Fernando Samuel disse...

samuel: jogam um bocadinho ao lado...
Um abraço.

Ludo Rex: e não nos vencerão.
Um abraço.

Maria: alguma vez viste um polícia a bater em patrões?...
Um beijo grande.

Justine: ou isso...
Um beijo.

Ana Camarra: a bola é que «induca»...
Um beijo.