POEMA

CANTAR DE AMIGO

Eu e tu: milhões!...
Entre nós - perto ou longe -
entre nós, rios e mares,
montanhas e cordilheiras...

Eu e tu, perdidos
nesta distância sem fim do desconhecido;
eu e tu, unidos
para além das cordilheiras,
por sobre mares de diferença,
na comunhão de nossos destinos confundidos
- a minha e a tua vida
correndo para a confluência
num mesmo Norte.

Eu e tu, amassados,
nesta angústia que é de nós,
minha e tua,
e mais do que de nós...

Eu e tu,
carne do mesmo corpo,
amor do mesmo amor,
sangue do mesmo sacrifício!...

Eu e tu,
elos da mesma cadeia,
grãos da mesma seara,
pedras da mesma muralha!...

Eu e tu, que não sei quem és,
que não sabes quem sou:
Eu e tu, Amigo! Milhões!


Joaquim Namorado

A preparação

Filme sobre a preparação da Conferência Nacional do PCP - Questões Económicas e Sociais.



Mesquitices

Dá que falar (se é que há ainda alguma coisa por falar): e talvez fosse esse o objectivo da deputada Luísa Mesquita: estar em todos os meios de comunicação. Que oportunidade para atacar o PCP.

Aliás, o direito democrático de resposta a declarações exteriores nunca fora cumprido em Portugal excepto num caso: Luísa Mesquita é convidada especial no Jornal das 22 da rtp2 para responder a declarações do Jerónimo de Sousa. Irónico não?: quando o partido é atacado, denegrido, injuriado nunca tem direito a resposta e, hoje, vá-se lá saber porquê, a Luísa Mesquita obteve o exclusivo e inédito direito de resposta.

Até diria que estávamos num país democrático ao assistir a isto não fosse agora o PCP não poder "responder à resposta".

Porque numa intervenção tão longa da Luísa Mesquita (em contraste aos 20 segundos do Jerónimo de Sousa) o PCP teria, caso possuíssemos uma televisão verdadeiramente democrática, direito à resposta. E, prevejo, não o vir a ter. Se é que vale a pena teimar na mesma tecla, passo a expressão:

-a ex-militante assinou um documento onde, além de outras coisas, se propunha a ceder o seu lugar de deputada aquando ordens da direcção do PCP e se propunha a apenas receber o ordenado de profissional da educação entregando, assim, (por seriedade, fraternidade, solidariedade e justiça) o resto ao Partido. A segunda parte não mereceu comentários por parte da RTP2 (o que acho natural visto não estar em discussão, mas poderia, pelo menos, ser exaltada a democracia interna dentro do PCP- esta até parece uma opinião inocente de quem não sabe como funciona a democracia dos MEDIA), e a primeira de nada valeu pois o que estava em causa era a suposta conversa oral que a "ex-comunista" (como se assumiu) teve com a direcção do Partido.

E pronto, já temos título para livro: Foi assim, parte II: Luísa Mesquita, a boa da fita. Numa banca perto de si...

A Ilusória Soberania Popular

"Far-se-ão tantos referendos quantos os necessários até o «sim» ganhar." (Jacques Delors, ex-Presidente da Comissão Europeia, acerca da concretização do Tratado de Maastricht (pai da afamada UE) e do voto negativo ao primeiro referendo, sobre esta questão, realizado na Dinamarca)

Então para que se vangloriam com palavras como Democracia e Liberdade? Contamos apenas com palavras soltas proferidas ilusoriamente, infestas de carga sugestionável ou mesmo hipnótica, cujo único objectivo é o de conquistar as cruzes no papel e a cadeira do poleiro?


Como o próprio argumento dita, a voz do povo é a menos importante quando se trata de decidir, e infelizmente, o que para uns é decidir de acordo com a vontade de todos (realmente interessados e que sofrem, na pele e na prática, as consequências de políticas encardidas), para outros é um populismo permanente, ao qual os eleitos democraticamente não se podem submeter, sob pena de terem que repetir procedimentos até levar a que o povo entenda o caminho a seguir, de encontro não à resposta que gostavam de obter, mas à que têm obrigatoriamente que obter no matter what.

Mais uma vez se prova a verdade de um amigo que recorre muitas vezes ao dito popular antes de o ser já o era, para descrever os actos supostamente democráticos que se concretizam, mesmo antes de se realizarem, e rumam trilhos traçados a quem interessa e não a quem de direito devia interessar.



Fonte: Editorial do Jornal Avante!

Pires Jorge


Joaquim Pires Jorge, militante e dirigente do Partido que, pela sua actividade política antes e depois do 25 de Abril, pela sua luta contínua e infatigável de décadas, pela sua vida de sacrifícios e de privações mas também de entusiasmo combatente em prol da liberdade, da justiça social e de um futuro socialista para os portugueses e para Portugal, merece figurar na lista dos mais heróicos lutadores do nosso Partido contra o fascismo e pela conquista e consolidação da democracia.

Lembramos hoje este resistente de Abril, pelo centenário do seu nascimento.



Excerto retirado de um texto, in O Militante, por Fernando Correia

PETIÇÃO

EM DEFESA DAS CRIANÇAS

Exmo. Senhor Presidente da República Portuguesa
Prof. Aníbal Cavaco Silva
Palácio de Belém, Calçada da Ajuda, nº 11, 1349-022 Lisboa

Assunto: PETIÇÃO para estabelecimento de medidas sociais, administrativas, legais e judiciais, que realizem o dever de protecção do Estado em relação às crianças confiadas à guarda de instituições, assim como as que assegurem o respeito pelas necessidades especiais da criança vítima de crimes sexuais, testemunha em processo penal.

Excelência,

No exercício do direito de petição previsto na Constituição da República Portuguesa, verificado o cumprimento dos pressupostos legais para o seu exercício, vêm os signatários abaixo assinados, por este meio, expor e peticionar a V. Exa. o seguinte:

Somos um conjunto de cidadãos e de cidadãs, conscientes de que o abuso sexual de crianças não afecta apenas as vítimas mas toda a sociedade, e de que “a neutralidade ajuda o opressor, nunca a vítima. O silêncio encoraja o torturador, nunca o torturado” (Elie Wiesel).

Estamos unido(a)s por um sentimento de profunda e radical indignação contra a pedofilia e abuso sexual de crianças, de acordo com a noção de criança do art. 1.º da Convenção dos Direitos da Criança, que define criança como todo o ser humano até aos 18 anos de idade, e partilhamos a convicção de que não há Estado de Direito, sem protecção eficaz dos cidadãos mais fracos e indefesos, nomeadamente, das crianças especialmente vulneráveis, a viver em instituições ou em famílias maltratantes.

Os direitos especiais das crianças são dotados da mesma força directa e imediata dos direitos e liberdades e garantias, previstos na Constituição da República Portuguesa, nos termos dos arts. 16.º, 17.º e 18.º da CRP e constituem uma concretização dos direitos à integridade pessoal e ao livre desenvolvimento, consagrados nos arts 25.º e 26.º da CRP, e do direito da criança à protecção do Estado e da sociedade (art. 69.º da CRP).

Indo ao encontro das preocupações reveladas por V. Exa. relativamente às investigações em curso sobre crimes de abuso sexual de crianças a viver em instituições, e também ao anterior apelo de Vossa Excelência para que não nos resignemos e que não nos deixemos vencer pelo desânimo ou pelo cepticismo face ao que desejamos para Portugal, sendo que é dever do Estado de fiscalizar a actividade e o funcionamento das instituições particulares de solidariedade social e outras instituições de reconhecido interesse público (art. 63.º, n.º 5 da CRP) e de criar condições económicas, sociais, culturais e ambientais para garantir a protecção da infância, da juventude e da velhice (art. 64.º, n.º 2, al.d) da CRP), vimos requerer a intervenção de V. Exa, através de uma mensagem à AR, ao abrigo do art. 133.º, al. d) da CRP, para a concretização dos seguintes objectivos:


1) A criação de uma vontade política séria, firme e intransigente no combate ao crime organizado de tráfico de crianças para exploração sexual e na protecção das crianças confiadas à guarda do Estado;

2) O empenhamento do Estado, na defesa dos direitos das crianças em perigo e das crianças vítimas de crimes sexuais, em ordem a assegurar a protecção e a promoção dos seus direitos;

3) O estabelecimento de medidas sociais, administrativas, legais e judiciais, que assegurem o respeito pela dignidade e necessidades especiais da criança vítima de crimes sexuais, testemunha em processo penal, que evitem a vitimização secundária e o adiamento desnecessário dos processos, e que consagrem um dever de respeito pelo sofrimento das vítimas, nos termos dos arts. 8.º e 9.º do Protocolo Facultativo à Convenção sobre os direitos da criança, relativo à venda de crianças, prostituição e pornografia infantis, documento ratificado pelo Estado Português, nomeadamente:

a) Proibição de repetição dos exames, dos interrogatórios e das perícias psicológicas;

b) O direito da criança à audição por videoconferência, sem «cara a cara» com o arguido;

c) O direito da criança se fazer acompanhar por pessoa da sua confiança sempre que tiver que prestar declarações;

d) Formação psicológica e jurídica especializada da parte das pessoas que trabalham com as vítimas, de magistrados e de pessoas que exercem funções de direcção em instituições que acolhem crianças, assim como de funcionário(a)s das mesmas;

e) Assistência às vítimas e suas famílias, particularmente a promoção da segurança e protecção, recuperação psicológica e reinserção social das vítimas, de acordo com o art. 39.º da Convenção sobre os Direitos da Criança e o art 9.º, n.º 3 do Protocolo Facultativo à mesma Convenção relativo à venda de crianças, prostituição e pornografia infantis;

f) Uma política criminal que dê prioridade à investigação de crimes de abuso sexual de crianças e de recurso ao sexo pago com menores de 18 anos;

g) Proibição da aplicação de pena suspensa ou de medida de segurança em regime aberto ou semi-aberto (ou tutelar educativa, no caso de o abusador ter menos de 16 anos), a abusadores sexuais condenados;

h) A adopção de leis, medidas administrativas, políticas sociais e programas de sensibilização e de informação da população, nomeadamente das crianças, sobre a prevenção da ocorrência de crimes sexuais e sobre os seus efeitos prejudiciais, no desenvolvimento das vítimas;

4) Proibições efectivas da produção e difusão de material que faça publicidade às ofensas descritas no Protocolo Facultativo à Convenção dos Direitos da Criança.

Requeremos a Vossa Excelência, que num discurso solene, dirigido às crianças, as cidadãs mais importantes do nosso país, assuma, para com elas, estes compromissos, prestando uma manifestação de solidariedade para com o sofrimento das vítimas, pois como disse Albert Camus “não é o sofrimento das crianças que se torna revoltante em si mesmo, mas sim que nada justifica tal sofrimento”.

Com os melhores cumprimentos,

Os signatários




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http://www.petitiononline.com/criancas/petition.html


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Lopes-Graça

Recordamos hoje o desaparecimento de Fernando Lopes-Graça.

Entre os músicos, mais do que entre outros artistas, permanece viva a designação de «mestre» para as suas figuras mais destacadas e merecedoras de respeito. Em relação a Lopes-Graça essa palavra deve ser tomada literalmente a sério, e não apenas na referência ao grande artista, ao grande músico e criador musical.

Fernando Lopes-Graça é um mestre e um exemplo como músico, e é também um mestre e um exemplo de coerência, coragem e verticalidade cívica e de invulgar lucidez e firmeza política.





Texto retirado de O Militante

É Necessário, É Urgente...

Uma Política Diferente!


Em prol de uma sociedade não mais baseada na exploração do Homem pelo Homem e pela consequente e crescente perda de direitos, e para que esta realidade patente nos nossos dia se torne um vislumbre do passado não memorável, apelamos à consciência de todos os trabalhadores da Administração Pública, bem como, ao apoio solidário de outros trabalhadores, para que a greve de dia 30 de Novembro, seja para não mais esquecer.


Parabéns Fausto!

O Colectivo do Cravo de Abril canta os parabéns a Carlos Fausto Bordalo Gomes Dias.

Fica a merecida homenagem com este vídeo da autoria de Cravo de Abril.

POEMA

VIAGEM ATRAVÉS
DE UMA LÁGRIMA


Nós, comunistas,
não habitamos
o deserto
nunca.

Há sempre
alguma coisa
alguém
uma palavra
uma canção
um nome
que de repente
se transforma
em lágrima.

A lágrima
ao sol
é um pequeno punho
de cristal.

Mário Castrim
(«Viagens» - edição da célula do PCP da Renascença Gráfica/Diário de Lisboa, para a Festa do Avante/77)

A DEMOCRACIA DELES

DITADURA DO GRANDE CAPITAL


Durante mais de dois meses, milhares de militantes e simpatizantes comunistas debateram a situação económica e social do País.

Neste fim-de-semana, cerca de 1300 militantes do PCP - homens, mulheres, jovens, operários, empregados, camponeses, micro, pequenos e médios empresários, reformados, intelectuais, quadros técnicos - reunidos em Conferência Nacional, fizeram a síntese desse amplo debate: apontaram causas e consequências da situação existente e apresentaram propostas concretas visando a resolução dos problemas económicos e sociais que flagelam os trabalhadores, o povo e o País.

Num regime democrático, com órgãos de comunicação social democráticos - isto é: cumpridores do dever de informar e respeitadores do direito de ser informado - esta teria sido a grande notícia do fim-de-semana.
Não foi: as televisões concederam à Conferência apenas uns breves segundos do seu precioso tempo; os jornais dedicaram-lhe meia dúzia de linhas do seu precioso espaço.

Por duas razões essenciais:
1 - os média privados são propriedade do grande capital;
2 - os média públicos são propriedade do Estado que, por sua vez, é propriedade desse mesmo grande capital.

É por isso, também - isto anda tudo ligado, não é verdade? - que esses média privados e públicos chamam regime democrático à ditadura do grande capital em que vivemos.


POEMA

DA DEMOCRACIA

Descendia o rei
de outros reis e senhores
matadores
de Índios
(pois já o diz a sabedoria
das grandes nações:
que o único índio bom
é o índio morto).
E então o bom rei quis
silenciar o índio.
Mas a era dos índios
calados
acabara
e o rei saíu da sala
com a coroa entre as
pernas
e a fama de democrata -
como convém a um rei
por um grande democrata
nomeado.
Os democratass, em
uníssono,
aplaudiram.
O índio?
Não! O rei.


José António Gomes
(in «Avante!» 22.11.2007)

A nossa Conferência Nacional

Para aqueles que que estiveram presentes, e para os que não estiveram - como é o meu caso - partilho algumas fotos da Conferência Nacional do PCP sobre Questões Económicas e Sociais.

Apesar de não ter estado presente, consegui acompanhar a Conferência através da transmissão em directo no site do Partido. Os meus parabéns pela transmissão!


Emir Kusturica

Emir Kusturica é hoje aniversariante, comemora a quinquagésima terceira primavera.

E como nos irá visitar, em Janeiro do próximo ano, com a frenética No Smoking Orchestra para dois concertos inseridos na Tournée de 2008, deixo aqui o vídeo “Unza Unza Time!”.


POEMA

VIAGEM ATRAVÉS
DE UMA INSCRIÇÃO A LÁPIS
EM CAXIAS


«Encontramo-nos
nesta sala
setenta e dois camponeses
do Couço
e de Montemor.
Sempre
sempre nos demos
como irmãos.

Vocês devem continuar
a fazer o mesmo»


Mário Castrim
(«Viagens»)

Juliette Greco

Com um grande abraço

Françoise Hardy

A amizade cantada por uma flor

POEMA

VIAGEM ATRAVÉS
DE UMA TIPOGRAFIA CLANDESTINA


Gritar Liberdade!, é fácil
quando existe liberdade.
É fácil defender a liberdade de expressão
num off-set sofisticado
com ar condicionado, telex, telefones,
salário, hora para almoço, avales bancários,
protecção das leis e do governo
amplas janelas para o Sol, quebrado
por estores de alumínio, docemente.

Assim
ser pela liberdade de expressão
é cómodo e é fácil.

Mas do que eu estou a falar é doutra coisa.
Se entendeste, o poema está cumprido.
Se não, o poema espera
com a paciência tradicional de todos os poemas.


Mário Castrim
(«Viagens» - edição da Célula do PCP da Renascença Gráfica/Diário de Lisboa, para a Festa do Avante!/77)

Tirania?!? Em qual dos lados?

"O Rei Espanhol Juan Carlos faz amanhã 32 anos que subiu ao trono."

Humm... dá que pensar: afinal quem é tirano?: quem é eleito em 3 eleições e 1 referendo em apenas 9 anos, ou quem está no poder há 32 anos por obra e graça do real esperma?

Nara Leão

"Sua voz quando ela canta me lembra um pássaro
mas não um pássaro cantando
lembra um pássaro voando..."

Ferreira Gullar



«IMPRENSA LIVRE E DEMOCRÁTICA»

VENEZUELA
UMA «BOÉMIA»ESPECIAL


«Boémia»: assim se chama uma revista venezuelana - dessas que, lá como cá, são propriedade de grandes grupos económicos e financeiros cujos interesses servem, e se apresentam como exemplos de imprensa livre e democrática.

A edição da «Boémia» de 14 de Abril de 2002, reveste-se de uma curiosidade que vale a pena registar: nesse dia, toda ela era dedicada ao golpe que, julgavam os donos da revista, havia derrubado Hugo Chávez.

Acontece que, nesse dia 14, já os golpistas tinham sido derrotados e, à hora a que a revista devia estar na rua, as ruas estavam ocupadas por uma multidão que festejava o regresso de Chávez à presidência da República Bolivariana.

Os editores da «Boémia» - que integra uma cadeia mediática que se chama, significativamente, «Bloque de Armas» - deram ordens para que a revista não fosse posta á venda e para que todos os seus exemplares fossem queimados.

E assim foi feito... quase: na verdade, tipógrafos da empresa que imprime a «Boémia» conseguiram trazer cá para fora alguns exemplares.

Um camarada venezuelano ofereceu-me uma fotocópia desse exemplar histórico - desse número feito à pressa e, á pressa, recolhido e queimado... salvo, para raiva dos editores do «Bloque de Armas», os tais exemplares.

Nesse número, pode ver-se, na capa, uma foto de Hugo Chávez e a legenda:

«Las últimas horas del tirano»

e, no canto superior direito. «edición extraordinária».

Na terceira página, uma foto de Hugo Chávez por detrás das grades de uma janela e o seguinte texto:

«ENTRE REJAS - La presente foto no es actual, aunque alegraria mucho la vista del lector si así lo fuera, porque es la imagen que merece ver, en estos momentos, toda Venezuela. Es el Chávez que mira desde una ventana enrejada en la prisón de Yare. Hoy dia se halla incomunicado, pero bajo una severa vigilancia, no vaya a ser que sus hermanos del alma (Castro, Kadafy, Saddam Hussein) intente rescatarlo de su reclusion».

Nas páginas interiores, os golpistas da «Boémia» celebram o golpe - SÍ, HUBO GOLPE! - e assumem-se como seus participantes e executores.
Assim, por exemplo:

«Que se tenga bien entendido, el oscuro teniente coronel con rango de comandante en jefe, no renunció. Es decir que fue derrocado».

«Que quede bien claro... 1) Chávez no renunció. Chávez fue derrocado por la Prensa y el pueblo, y por todos los elementos que contribuyeran a su derrocamiento, e solo para cumplir con una formalidad que, a nuestro juicio, en nada era necesaria, se le hizo renunciar, a fin de que el Estado de Derecho no sufriera, a la luz de propios e extraños, una transgresión».

«Es la Prensa a la que queremos reconocer, una vez más, su entrega invalorable. Gracias a ella, en buena parte, el tirano fue derrocado».

«Todos los ministros fueron automáticamente destituidos y, en su lugar se nombró a un plantel de eficientes funcionarios capaces de enderezar todos los entuertos dejados por los usurpadores».

«Larga será la lista de remociones, pero se he hecho como debe hacerse».

«Así comienza con buen pie los mejores aspectos de esta nueva Venezuela».


SEM COMENTÁRIOS.


«LOS CUATRO GENERALES»

OS QUATRO CRIMINOSOS


Bush: «É verdade que muita da informação se mostrou errada. Como Presidente, sou o responsável pela decisão de ir para o Iraque».

Blair: «Peço desculpa pela informação, que se mostrou errada. Mas não peço desculpa por ter removido Saddam Hussein do poder».

Aznar: «Todo o mundo pensava que havia armas de destruição maciça no Iraque e afinal não havia. Sei-o agora, mas antes não sabia».

Barroso: «Vi os documentos, tive-os à minha frente, dizendo que havia armas de destruição maciça. Isto não correspondeu à verdade».


A verdade: os quatro sabiam que o Iraque não tinha armas de destruição maciça; todos exibem, orgulhosos, o estatuto de criminosos de guerra responsáveis pelo morticínio de centenas de milhares de pessoas.
Logo, todos aguardam o julgamento e a respectiva condenação.

No caso de Barroso, condenação agravada por sabujice e corrupção criminosas: «Nós realizámos a cimeira dos Açores porque nos foi pedida pelos nossos aliados e amigos. Os Estados Unidos, o Reino Unido... Espanha. Sobretudo a Espanha (...) E Portugal, ao dizer que sim (...) não perdeu nada na Europa com isso. Repare, eu fui, depois dessas decisões que tomei, convidado a ser Presidente da Comissão Europeia e tive o consenso de todos os países europeus».

Se os donos da União Europeia quiserem fingir que, no processo da sua construção, há ainda algum resquício de vergonha democrática, não lhes resta outra coisa que não seja demitir imediatamente este Barroso de Presidente da Comissão.

A propósito, lembremos LOS CUATRO GENERALES - canção célebre da Guerra de Espanha, dedicada aos quatro generais fascistas Franco, Sanjurjo, Mola e Queipo de Llano:

«Los cuatro generales,
los quatro generales,
los cuatro generales,
mamita mia,
que se han alzado,
que se han alzado.

Para la nochebuena,
para la noche buena,
para la nochebuena,
mamita mia,
serán ahorcados,
serán ahorcados.

..............................

Iraque

Durão Barroso admitiu -em declarações ao Telejornal da RTP de 18.11.07- que foi enganado em relação à suposta existência de armas químicas no Iraque. No entanto, sublinhou que "não há nada a lamentar na ajuda que Portugal concedeu aos EUA, Inglaterra e Espanha na invasão do Iraque."


Era o que faltava lamentar centenas de milhares de vítimas civis...


RECORDEMOS

TODOS OS ANOS...


... no dia 17 de Novembro, milhares de gregos manifestam-se na capital do seu país, assinalando a passagem de mais um aniversário dos acontecimentos ocorridos nesse mesmo dia, no ano de 1973, na Escola Politécnica de Atenas - onde, então, as forças repressivas fascistas mataram duas dezenas de estudantes e prenderam e feriram muitos outros.

Todos os anos, também, a manifestação termina junto à Embaixada norte-americana. Por razões óbvias: como se sabe, foram os EUA e o seu braço terrorista chamado NATO, que organizaram e planearam o golpe militar que - concretizado em 21 de Abril de 1967 por um grupo de coronéis assumidamente ao serviço do dono - instaurou na Grécia uma das mais bárbaras e cruéis ditaduras fascistas de sempre - que duraria até Julho de 1974.

Na manifestação ontem realizada, os milhares de manifestantes beneficiaram da protecção especial de mais de 8.000 polícias... (onde é que eu já ouvi isto?)

Recordemos, entretanto, que a tortura na Grécia dos coronéis às ordens dos EUA, assumiu graus extremos de crueldade: nas prisões de Bouboulinas, do rochedo de Yaros, de Aghia Paraskevi, de Halikarnassos (prisão para mulheres, com tortura no feminino...), milhares e milhares de resistentes antifascistas foram submetidos às mais brutais torturas - e, em muitos casos, de lá saíram cadáveres.

Recordemos, entretanto, que alguns dos protagonistas directos dessa repressão selvática, não hesitaram em expressar o que lhes ia nas almas:

Recordemos declarações de um dos membros da Junta fascista, o coronel Patakos: ««O governo grego tem o dever de se proteger e de proteger o seu povo contra os inimigos comunistas. Um comunista não é um grego»; «Os presos que se recusam a assinar a declaração de arrependimento e de submissão, só conseguirão saír dos campos em estado de cadáveres a apodrecer».

Recordemos declarações de dois dos principais torcionários:
O chefe dos torturadores, Basil Lambrou: «O governo grego não está sozinho, por detrás dele encontram-se os americanos. Nós somos os americanos».
O mais célebre dos torturadores, o carrasco Kouvas, dirigindo-se a um preso: «Vamos continuar a interrogar-te enquanto nos apetecer. E mesmo que o actual governo caia, continuarás a sofrer enquanto exisitir a NATO».

Recordemos. Para que ninguém possa dizer: «eu não sabia...».


Tratado de Lisboa

Durão Barroso: “É tão legítimo aprovar Tratado de Lisboa no Parlamento como por referendo” In Público de 18.11.2007

Tem toda a razão no que diz. Como teria se dissesse: seria tão legítimo aprovar a pena de morte no Parlamento como por referendo ou seria tão legítimo alterar a Constituição da República Portuguesa para Constituição da Monarquia Portuguesa no Parlamento como por referendo. Teria toda a razão se houvesse certezas absolutas antes dos referendos se realizarem. O que nunca houve, não há e jamais haverá. Portanto se houvesse referendo e nele ganhasse o SIM ao tratado então estaríamos de acordo: seria tão legítimo aprovar por referendo ou no parlamento. Mas isto só assim seria se o SIM ganhasse no referendo. E só se saberia se o SIM ganharia ou não depois da realização do referendo. Isto é, só depois de o referendo feito e o SIM ter ganhado se poderia afirmar a legitimação que a sua não realização poderia ter tido, e que caso tivesse vencido o NÃO não teria tido. Quero eu dizer: como saber o resultado de um referendo antes de o realizar, ou seja, como legitimar uma coisa - afirmando-a como positiva - antes da sua concretização?


"Para que os nossos filhos não mendiguem de joelhos na Pátria que os seus pais ganharam de pé." (Parte V- final)

2. Liberdade de expressão (Parte II)


Como o disse, sabiamente, Chomsky: “Cuba, trata-se provavelmente do território que mais atentados sofreu em todo o mundo”. Naturalmente, em qualquer país “democrático”, entre os quais se encontra Portugal, caso se encontrassem dissidentes pagos por uma potência estrangeira para destabilizar o governo nacional o que lhes aconteceria? Não seriam presos instantaneamente? Mas parece que as medidas de prender mercenários terroristas podem ser utilizadas em qualquer país do mundo, menos em Cuba. Porque aí os mercenários são apenas “dissidentes independentes” e os terroristas não passam “dissidentes pacíficos”. Outro caso mediático passado em 2003 em Cuba foi a execução de três opositores (que actuavam, segundo os meios de comunicação, claramente a favor da paz…) que sequestraram um barco que fazia a ligação entre Havana e Regla, desviando a embarcação para o alto- mar e ameaçando de morte os 50 passageiros (dos quais alguns eram estrangeiros). A operação de resgate foi lenta e houve mesmo passageiros que não aguentaram a pressão a que estavam submetidos e se atiraram ao mar. Que se critique a pena aplicada (pena capital) a estes terroristas, acho natural. Eu próprio condeno esse crime: a pena de morte jamais é alternativa, em caso algum. Mas isso nunca apareceu em meio nenhum de comunicação. A detenção de 3 dissidentes pacíficos (que não passavam de terroristas) é que era motivo de escândalo e de revolta pelo mundo fora. Só não percebo que jornalistas imparciais são estes que criticaram tão abertamente este caso e relativamente à resposta que o governo americano dá ao terrorismo (em pouco mais de 60 anos, em 32 países, milhões de mortos, torturados e trucidados) se limitam a glorificá-la devido à sua “permanente disponibilidade e determinação em acabar com o terrorismo”. Que valor tem, afinal, a vida humana para estes jornalistas? Nos dois meses antes deste atentado ocorreram sete sequestros de aviões, os quais aterraram depois em solo americano. Recorde-se que desde o 11 de Setembro de 2001, o espaço aéreo americano é controlado por aviões bombardeiros que têm ordens para abater qualquer avião que não tenha passagem marcada pelos EUA. E em todos esses 7 sequestros aconteceu o impensável: os aviões não foram abatidos no espaço aéreo americano. A única hipótese viável é o conhecimento antecipado pelo governo americano de tais sequestros. Teria sido este o patrocinador de tais actos terroristas? Tudo aponta que sim…

Em Cuba já morreram 3478 pessoas vítimas de atentados e 2099 ficaram inválidas. Isto, proporcionalmente à população, é 6 vezes mais desastroso que o colapso do Worl Trade Center. Até quando Cuba vai ficar privada de se proteger contra o terrorismo sem ser acusada de violadora dos direitos humanos? Até quando Cuba vai ficar impossibilitada de julgar criminosos sem ser acusada de julgar simples dissidentes?

Outro método de provocar instabilidade e fomentar a emigração ilegal em Cuba é a Rádio e a TV Marti que acusa, continuadamente, Fidel Castro de ser responsável pela miséria que há em Cuba. Se falam da miséria económica então utilizem outros nomes como bloqueio ou embargo em vez de Fidel. Porque se falam no Fidel Castro e em miséria estão a cometer uma falácia. Ou será que miséria, para a Rádio e TV Marti, é sinónimo de esperança média de vida de 77 anos, taxa de mortalidade infantil de 0,6 por cada 100 nados vivos, 4 milhões de estudantes em 11 milhões de habitantes, 590 médicos por cada 100 mil habitantes, o mais elevado número (proporcionalmente ao número de habitantes) de médicos e professores do mundo? Ou será que miséria é ter 11% dos cientistas da América Latina, tendo apenas 2% da população latino-americana?

Continuam a “organizarem-se incontáveis planos de assassinatos, terrorismo, sabotagem, bloqueio económico, isolamento diplomático, excomunhão política e separação das comunidades internacionais” (Cláudio Guevara), mas Cuba insiste em dar ao mundo uma “lição de dignidade e resistência” (idem).

Cuba jamais renunciará à sua condição de país socialista porque os seus filhos não estão dispostos a mendigar de joelhos numa Pátria que os seus pais ganharam de pé.

"Para que os nossos filhos não mendiguem de joelhos na Pátria que os seus pais ganharam de pé." (Parte IV)

2. Liberdade de expressão (Parte I)

“Terrorista segundo o dicionário é: "o que emprega actos de violência para difundir terror". Mercenário está definido claramente como "quem serve por dinheiro um país estrangeiro".

Aqueles que foram julgados e condenados em Cuba, em todo o direito, com toda as garantias, sem humilhações, sem torturas, sem vexações, eram terroristas e mercenários, financiados pelos Estados Unidos para destruir o povo cubano e suas conquistas sociais.”

(Graciela Ramírez)

Outro assunto que tem inundado as notícias passadas na televisão e nos jornais é a existência de “presos políticos” em Cuba.

Antes de tomar o cerne da questão gostaria de recordar alguns pontos interessantes: o Relatório da Comissão de Ajuda para uma Cuba Livre elaborado pelo Roger Noriega (um dos autores da lei Helms-Burton) declarava, entre outros, alguns tópicos interessantes de analisar: a “cedência de 59 milhões de dólares para financiar as acções destinadas à destruição da revolução”, “dedicar 26,9 milhões de dólares às transmissões das (mal) chamadas TV e Rádio Marti (das quais falarei mais à frente), por meio de um avião C-130, dedicado exclusivamente a isso”, “os cubanos recém chegados aos EUA só poderão voltar a Cuba três anos depois” (Porque será que foi imposta esta medida? Porque têm medo que voltem a Cuba nos 3 primeiros anos?), “incentivar países terceiros a negar vistos a funcionários cubanos que queiram viajar para esses referidos países”.

Fala-se de Cuba como sendo uma ditadura. Se assim o é, que é feito dos campos de concentração, dos presos políticos, das torturas e assassinatos tão característicos dos sistemas ditatoriais? Nunca alguém encontrou vestígios destes casos naquela ilha. Os meios de comunicação insistem em falar de “dissidentes pacíficos” que são presos e assassinados. De dissidentes é natural que se fale, jamais algum governo terá a aprovação da totalidade da população, havendo sempre espaço para opiniões contrárias. Agora, o adjectivo pacífico não caracterizou e jamais caracterizará algum dos dissidentes presos em Cuba. Porque se o fossem não teriam sido julgados e presos posteriormente. Todos os “dissidentes pacíficos” cometeram crimes, fascinados pelos lucros económicos caso saíssem vitoriosos. E de que tipo de criminosos falamos nós? De mercenários ao serviço dos EUA que puseram em perigo a vida de centenas de pessoas. Dou o exemplo dos 78 “dissidentes pacíficos” mais famosos de Cuba, que foram presos em 2003. Esses 78 cismáticos “independentes” (que de independentes não tinham nada) estavam, como confessaram durante o julgamento, ao serviço do Capital norte- americano). Todos os MEDIA internacionais falaram destes “exemplares” cubanos sem nunca terem referido o facto de eles receberem ordens da SINA (Secção de Interesses Norte- Americanos), extirpando assim toda a verdade dos factos narrados.

António Aleixo

ANTÓNIO ALEIXO (1899-1949)

Assinala-se hoje o quinquagésimo oitavo ano da morte de António Aleixo.

Poeta popular, quase analfabeto, tendo sido pastor, servente de pedreiro e cauteleiro. Nesta última profissão, de terra em terra, de feira em feira, encontrou o ambiente inspirativo para desenvolver os dotes invulgares de fazedor de quadras de sabor aforismático e profundamente popular, a traduzirem forte “capacidade de expressão sintética de conceitos com conteúdo de pensamento moral”. “Que esperança será aquela/Que sinto desde criança/Que ainda dou restos dela/Aos que já não têm esperança?!” O tom dolorido, emanando de uma certa visão amarga da existência, com ironia por vezes mordente, traz-nos o eco da vida difícil que ao poeta foi dado viver. “O Destino, por ser forte,/esta má sorte me deu/de ter de vender a sorte/ aos mais felizes do que eu.”
Os títulos que compõem a obra de António Aleixo têm sido reeditados e desde 1969 aparecem reunidos em Este Livro que Vos Deixo …, a que posteriormente (1984) se juntou um volume de Inéditos.

In: Bibllos - Enciclopédia Verbo das Literaturas de Língua Portuguesa - 1995

«POPULISTA» E «LOUCO»

LEMBRAM-SE?


«Populista» e «louco»: eis duas palavras que o linguajar dos propagandistas ao serviço da classe dominante arremessa contra os governantes que, seja em que país for, levem por diante uma política favorável aos interesses dos trabalhadores.
Trata-se de uma prática clássica desses propagandistas do grande capital: denegrir a pessoa para derrotar a política - enquanto os patrões, à cautela, vão preparando o recurso a práticas mais persuasivas e contundentes...

É o que está a ser feito, agora, em relação ao «populista» e «louco» Hugo Chavez, na Venezuela.

Assim fizeram, noutros tempos, em relação ao «populista e «louco» Samora Machel, em Moçambique.

E o mesmo se passou cá em casa - lembram-se? - em relação a esse outro «populista» e «louco», a quem nós chamávamos Companheiro Vasco.

Vale a pena relembrar estas coisas, tanto mais quanto, como é sabido, há sempre boa gente que embarca no paleio desses propagandistas. Boa gente que, quando acorda... já é tarde.


"As grandes empresas estão envolvidas em fraudes...

...disse hoje o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, João Amaral Tomaz." In Público 15.11.2007

Quem diria..., as grandes empresas a cometerem fraudes. Por muito estranho que pareça aos olhos mais cépticos de quem ler esta notícia, o mais anormal disto não está propriamente no quem comete as fraudes: todos nós sabemos que- infelizmente- todas as grandes empresas existem só e exclusivamente para obtenção de lucros. E, na luta pela acumulação de capital, os fins justificam todos e quaisquer meios. O estranho da questão é um Secretário de Estado assumir tal barbaridade como sendo normal e algo de pouca importância que se pode acrescentar à lista infindável e inconcretizável de promessas do governo. Afinal, quem é o grande responsável por vigiar as empresas? Quem tem obrigação de não permitir que isto aconteça? O Exmº Srº João Amaral Tomaz atirou para o ar, com jeito de inocência, que há empresas grandes que enganam e ultrajam o governo. Que as há, há! (nunca ninguém pôs isso em causa- e, como tal tem que se eliminar esse mal), mas que as deixam haver, também!


A CIMEIRA QUE OS PERTURBOU

A HISTÓRIA CONTINUA


A turba canora ao serviço da exploração e da opressão capitalista, prossegue o afinado coro de raivas, ódios e insultos contra o Presidente Hugo Chavez - ao mesmo tempo que se desdobra na adulação louvaminheira ao ínclito Rei Juan Carlos e ao ofendido democrata Aznar.

Percebe-se que assim seja: o que se passou na Cimeira Ibero-Americana não estava nas previsões destes propagandistas de serviço, pagos - e bem pagos! - para escrever o que aos donos do mundo interessa que seja escrito.

Eles acreditaram mesmo no «fim da história» que uma Fundação norte-americana encomendou a um tal Fukuyama, há uns quinze anos atrás. E, assim sendo, a afirmação clara e frontal, na Cimeira, de que a História Continua, perturbou-os, desaustinou-os, fê-los perder as estribeiras.

Esses escribas de serviço - com lugares cativos nos média propriedade do grande capital - não toleram que esses chavez, morales, ortegas, lages... - conjuntamente com milhões de trabalhadores em todo o mundo - digam, todos os dias, em palavras e actos, que há uma alternativa à barbárie capitalista: o socialismo - e que essa alternativa será vencedora. Quem sabe se mais cedo do que tarde...

É nisso, então, que reside a essência dos ódios que vertem ao «fascista» atirado por Chavez a Aznar. É nisso, então, que reside a essência dos louvores ao «por qué no te callas?» atirado pelo Rei a Chavez.

A representação de hoje coube ao inevitável Pedro Lomba (PL) no inevitável Diário de Notícias.
PL cumpriu a tarefa, aliás de fácil execução: fazendo uso da cassette disponível, curvou-se e beijou a mão do «magnífico Rei de Espanha», e disparou sucessivas rajadas de insultos contra «o ditador» Hugo Chavez.

Para PL é crime inominável «insultar Aznar de fascista».
E para o mesmo PL, quem tal «insulto» proferiu foi esse sinistro Chavez com o seu «regime populista e autoritário, pouco importa se apoiado pela maioria dos venezuelanos»; esse tenebroso Chavez que «usa uma linguagem entra a paranóia e a arruaça»; esse «triste Chavez» de «baixo quilate»; esse Chavez «ditador da Venezuela» - enfim, esse Chavez sobre o qual, PL pergunta, respondendo: «Não serás tu o fascista, ó Chavez?».

Até aqui, nada de novo: é PL igual a si próprio, isto é: gémeo de todos os seus colegas de ofício.

Mas, a dada altura, decide elevar o nível da sua reflexão: desprezando as «orações injuriosas» de Chavez, PL, sobranceiro, majestático, puxa dos seus (e dos seus colegas) galões democráticos e apresenta-se (e aos seus colegas): «nós, os que acreditamos que a democracia não depende só de votos mas de uma certa legitimidade de exercício, os que acreditamos numa comunidade organizada segundo princípios da democracia liberal (liberdades, separadas dos poderes, checks-and-balances, respeito pela oposição, responsabilidades e prestação de contas), os que acreditamos que os recursos de um país devem ser geridos e distribuídos de forma transparente, sem tentações clientelares ou chantagistas.»

Assim ficámos a saber do que consta a democracia de PL e dos seus colegas.
Infelizmente, PL esqueceu-se de nos dizer onde é que podemos encontrar um exemplo - um, apenas um - do paraíso terreal que anuncia.
E assim, fechando o seu segredo a sete chaves, o cruel PL obriga-nos a viver no inferno que é esta espécie de democracia em que vivemos.

Tempos Modernos

Deixo-vos este vídeo, um pequeno teatro inspirado no filme Tempos Modernos, onde participam alguns dos membros do Cravo de Abril.
Nele vamos encontrar uma grande vitória depois de uma a luta conjunta e organizada por parte dos trabalhadores.
É caso para reafirmar, a luta não pode parar, pois só a luta os pode parar.




PS: obrigado Fred.

"Porque será que...

... os portugueses assaltam cada vez mais caixas multibanco?"

Talvez porque Portugal possui o nível de vida mais baixo da Europa dos 15. (E é um lugar muito atraente, visto que se juntarmos os restantes 12 países, a posição de Portugal desce ainda mais uns quantos lugares...)