O HORROR
Disse Mariano Gago, ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, em entrevista ao DN:
«Sou uma pessoa de esquerda e tenho horror às desigualdades sociais e às injustiças».
É de homem!
É de homem de esquerda!
E quem fala assim não é gago!
Há, no entanto, uma pequena contradição entre os princípios e a prática do entrevistado.
Na verdade, este homem «de esquerda», que tem «horror às desigualdades sociais e às injustiças», vai no seu décimo terceiro ano como ministro de governos de política de direita: primeiro os governos de Guterres, agora os governos de Sócrates - governos que ele, de acordo com o que diz, devia combater com toda a força, mas que... com toda a força integra e apoia, manifestando-se, mesmo, disponível para continuar neste e em futuros governos iguais a este.
Estou em crer que se trata de um espírito de sacrifício a toda a prova...
Se assim for, nem quero pensar no drama que deve ser, para uma «pessoa de esquerda», integrar, durante 13 anos, sucessivos governos que se caracterizam por práticas geradoras de profundas desigualdades sociais e pesadas injustiças.
Nem sei como é que uma «pessoa de esquerda» consegue suportar tamanho horror!...
DUAS CARTAS
Um amigo fez-me chegar esta notícia que partilho convosco.
O cantor espanhol Alexandro Sanz escreveu a Hugo Chávez a seguinte carta:
«Presidente Chávez, quero ir cantar ao seu país. Permite-me? Dá-me a sua palavra de que não acontecerá nada ao meu público, nem à minha gente, nem à empresa, nem a mim? Se me permitir e me der a sua palavra, encerro esta ciclo de espectáculos na Venezuela. A palavra é sua».
À provocação miserável e estúpida Chávez respondeu:
(...)
«Por que razão não te perguntas por que é que a Venezuela é atacada é atacada com artilharia pesada pelas potências ocidentais? Será porque estás feito com eles e te fazes distraído?
Informa-te, meu amigo, e pergunta-te por que é que a Colômbia é considerada uma das nações onde existe mais desigualdade, por culpa de governos que só mandam para uns poucos e as riquezas são distribuídas para uns privilegiados, enquanto a Venezuela é reconhecida como o primeiro país da região a reduzir a pobreza de maneira drástica, com o governo de Chávez Frias...
Nunca reparaste que desde que o nosso país virou à esquerda, automaticamente começaram a unir-se a maioria dos povos da América Latina, num claro sinal da vontade dos povos?
Pedes autorização para vir cantar?
Não tens vergonha de o fazer em relação a um país democrático onde qualquer pessoa pode dizer o que lhe apetece e não como te dizem?
Sabes?, a maioria dos latino-americanos que levantaram a sua voz e o seu canto como protesto pela injustiças que os seus povos sofriam por culpa da ditaduras assassinas de direita, nunca pediram autorização para arriscar as suas vidas em nome dos injustiçados...
Alguma vez escutaste a prosa convertida em canção de Atahualpa Yupankui? - sim, aquele a quem chamavam o pai da canção latino-americana... e que, perseguido pela ditadura fascista argentina, teve que exilar-se em França?
(...) Nunca te falaram de Victor Jara a quem a ditadura chilena de Pinochet cortou as mãos para que nunca mais tocasse a sua guitarra?...
E Mercedes Sosa, «a negra do Sul» como lhe chamavam os povos latino-americanos?
Se não a conheceste, vai ao Youtube e ouve-a a cantar «Solo le pido a Dios», e depois me contas...
(...) Leste alguma vez Mario Benedetti, que nos dizia que «o sul também existe», tal como o seu compatriota Alfredo Zutarrossa, o do 'Violin de Becho»?..
(...)
E León Gieco, a quem um general apontou uma pistola e lhe disse: "a próxima vez que vieres à universidade de Luján cantar essa canção, meto-te uma bala na cabeça"?
(...)
Se até o tango Cambalache foi proibido pela ditadura argenteina!
E O NOSSO INIGUALÁVEL ALÍ PRIMERA TODA A VIDA EXCLUÍDO DOS MEIOS VENEZUELANOS!
(...)
Canta sobre os esquecidos do Haiti, os milhares e milhares de mortos do Iraque e do Afeganistão, sobre a fome na África, a desnutrição na América pobre, a desigualdade abismal entre ricos e pobres, as mulheres assassinadas na cidade Juárez, os meninos obrigados a trabalhar, roubando-se-lhes aquilo por que mais vale a pena viver: "a sua meninice".
Informa-te, escreve, não venhas só cantar... e fazer um show mediático, sê honesto, não enganes os teus admiradores.
Percorre as localidades onde os povos clamam por igualdade, as favelas dos sem-abrigo... os 40 milhões de pobres dos EUA, hoje convertidos em 50 milhões de excluídos...
E depois diz-me se ainda te apetece criticar Chávez...»
O cantor espanhol Alexandro Sanz escreveu a Hugo Chávez a seguinte carta:
«Presidente Chávez, quero ir cantar ao seu país. Permite-me? Dá-me a sua palavra de que não acontecerá nada ao meu público, nem à minha gente, nem à empresa, nem a mim? Se me permitir e me der a sua palavra, encerro esta ciclo de espectáculos na Venezuela. A palavra é sua».
À provocação miserável e estúpida Chávez respondeu:
(...)
«Por que razão não te perguntas por que é que a Venezuela é atacada é atacada com artilharia pesada pelas potências ocidentais? Será porque estás feito com eles e te fazes distraído?
Informa-te, meu amigo, e pergunta-te por que é que a Colômbia é considerada uma das nações onde existe mais desigualdade, por culpa de governos que só mandam para uns poucos e as riquezas são distribuídas para uns privilegiados, enquanto a Venezuela é reconhecida como o primeiro país da região a reduzir a pobreza de maneira drástica, com o governo de Chávez Frias...
Nunca reparaste que desde que o nosso país virou à esquerda, automaticamente começaram a unir-se a maioria dos povos da América Latina, num claro sinal da vontade dos povos?
Pedes autorização para vir cantar?
Não tens vergonha de o fazer em relação a um país democrático onde qualquer pessoa pode dizer o que lhe apetece e não como te dizem?
Sabes?, a maioria dos latino-americanos que levantaram a sua voz e o seu canto como protesto pela injustiças que os seus povos sofriam por culpa da ditaduras assassinas de direita, nunca pediram autorização para arriscar as suas vidas em nome dos injustiçados...
Alguma vez escutaste a prosa convertida em canção de Atahualpa Yupankui? - sim, aquele a quem chamavam o pai da canção latino-americana... e que, perseguido pela ditadura fascista argentina, teve que exilar-se em França?
(...) Nunca te falaram de Victor Jara a quem a ditadura chilena de Pinochet cortou as mãos para que nunca mais tocasse a sua guitarra?...
E Mercedes Sosa, «a negra do Sul» como lhe chamavam os povos latino-americanos?
Se não a conheceste, vai ao Youtube e ouve-a a cantar «Solo le pido a Dios», e depois me contas...
(...) Leste alguma vez Mario Benedetti, que nos dizia que «o sul também existe», tal como o seu compatriota Alfredo Zutarrossa, o do 'Violin de Becho»?..
(...)
E León Gieco, a quem um general apontou uma pistola e lhe disse: "a próxima vez que vieres à universidade de Luján cantar essa canção, meto-te uma bala na cabeça"?
(...)
Se até o tango Cambalache foi proibido pela ditadura argenteina!
E O NOSSO INIGUALÁVEL ALÍ PRIMERA TODA A VIDA EXCLUÍDO DOS MEIOS VENEZUELANOS!
(...)
Canta sobre os esquecidos do Haiti, os milhares e milhares de mortos do Iraque e do Afeganistão, sobre a fome na África, a desnutrição na América pobre, a desigualdade abismal entre ricos e pobres, as mulheres assassinadas na cidade Juárez, os meninos obrigados a trabalhar, roubando-se-lhes aquilo por que mais vale a pena viver: "a sua meninice".
Informa-te, escreve, não venhas só cantar... e fazer um show mediático, sê honesto, não enganes os teus admiradores.
Percorre as localidades onde os povos clamam por igualdade, as favelas dos sem-abrigo... os 40 milhões de pobres dos EUA, hoje convertidos em 50 milhões de excluídos...
E depois diz-me se ainda te apetece criticar Chávez...»
POEMA
DEUSES...
Deuses os houve numa noite longa.
Criou-os o pavor e a humana miséria.
Agora, já não servem para nada.
Fazem asco,
e são talvez vergonhosos.
Se não morreram para sempre,
é porque ainda por aí
há quem não tenha despertado.
Armindo Rodrigues
Deuses os houve numa noite longa.
Criou-os o pavor e a humana miséria.
Agora, já não servem para nada.
Fazem asco,
e são talvez vergonhosos.
Se não morreram para sempre,
é porque ainda por aí
há quem não tenha despertado.
Armindo Rodrigues
HÁ QUE DIZER-LHES O QUÊ?
Volto ao tema - «A crise toca a todos» - com dois exemplos (podiam ser mil...)
1 - Banca, energia e telecomunicações, grande distribuição, obras públicas, auto-estradas, cimentos e pasta de papel, acumularam, nos primeiros nove meses de 2010, nove mil milhões de euros, ou seja, 24 milhões de euros por dia.
Comentários para quê?
2 - «A venda de carros de luxo não está a ser afectada pela crise. As marcas de maior prestígio nunca venderam tanto»
Assim: a Porsche subiu as vendas em 71,2 %, em relação a 2009; a Jaguar aumentou 36,1 %; a BMW, 25,5%; a Mercedes, 23,2%...
Quando o primeiro-ministro, ou qualquer dos seus ministros, vier dizer-nos que «a crise toca a todos», há que dizer-lhes... o quê?...
1 - Banca, energia e telecomunicações, grande distribuição, obras públicas, auto-estradas, cimentos e pasta de papel, acumularam, nos primeiros nove meses de 2010, nove mil milhões de euros, ou seja, 24 milhões de euros por dia.
Comentários para quê?
2 - «A venda de carros de luxo não está a ser afectada pela crise. As marcas de maior prestígio nunca venderam tanto»
Assim: a Porsche subiu as vendas em 71,2 %, em relação a 2009; a Jaguar aumentou 36,1 %; a BMW, 25,5%; a Mercedes, 23,2%...
Quando o primeiro-ministro, ou qualquer dos seus ministros, vier dizer-nos que «a crise toca a todos», há que dizer-lhes... o quê?...
POEMA
BEBO, COM UM NACO DE PÃO...
Bebo, com um naco de pão com chouriço
e um grupo de amigos,
um copo de vinho.
No dia nevoento refaz-se o bom tempo.
Bebemos, felizes, à saúde de todos,
à paz entre todos,
à abundância entre todos.
E a seguir cantamos em louvor da alegria.
Armindo Rodrigues
Bebo, com um naco de pão com chouriço
e um grupo de amigos,
um copo de vinho.
No dia nevoento refaz-se o bom tempo.
Bebemos, felizes, à saúde de todos,
à paz entre todos,
à abundância entre todos.
E a seguir cantamos em louvor da alegria.
Armindo Rodrigues
O TIGRE DO PAPEL
O site WikiLeaks divulgou mais 251 287 documentos confidenciais ou secretos que são correspondência trocada entre o Departamento de Estado e diplomatas dos EUA espalhados pelo mundo.
Membros do governo de Obama vieram a público manifestar as suas «preocupações» com o facto. Dizem eles que a divulgação destes documentos «põe em perigo a vida de cidadãos norte-americanos em vários países».
Se põe ou não, não sei, nem quero saber, nem isso me preocupa.
Preocupa-me, isso sim, as vidas brutalmente ceifadas por esses «cidadãos norte-americanos em vários países» .
Como é hábito, às vozes preocupadas dos chefes, juntaram-se de imediato as dos seus porta-vozes distribuidos pelos média do grande capital, em todo o mundo.
Foi o caso de Teresa de Sousa - ex-esquerdista assanhada, de punho no ar: «o imperialismo é um tigre de papel», e agora, que o papel é outro, assanhada propagandista do tigre do papel.
Escreveu ela, no seu Público, que a afirmação de Julian Assange segundo a qual a divulgação destes documentos «serve a transparência», é falsa.
Porquê?: porque, escreve Teresa de dedo em riste, «não há transparência aceitável fora da lei. Não há jornalismo sem regras».
Obviamente, está referir-se à «lei» dos seus donos e às «regras» por eles determinadas - «lei» e «regras» que são as dela, pelo papel que desempenha e pelo papel que o tigre imperialista, directa ou indirectamente, lhe faz chegar.
Tal como os seus chefes, Teresa está preocupada.
E porquê?: porque o que o Assange quer é «enfraquecer a América».
(Reparem: Teresa não escreve Estados Unidos da América: tal como os seus chefes, escreve «América», assim como quem diz que o continente americano é propriedade do imperialismo norte-americano - e venha o papel...).
Escreve, finalmente, Teresa que a divulgação dos documentos, para além de colocar «problemas muito sérios às democracias» - o que, digo eu, é perigosíssimo para os patrões das democracias... - «coloca problemas igualmente muito sérios à imprensa livre das democracias»- que é, digo eu, a imprensa feita com o papel do tigre e das suas crias indígenas.
Em resumo, e parafraseando um grande escritor norte-americano, o que faz escrever Teresa ... é o papel...
Membros do governo de Obama vieram a público manifestar as suas «preocupações» com o facto. Dizem eles que a divulgação destes documentos «põe em perigo a vida de cidadãos norte-americanos em vários países».
Se põe ou não, não sei, nem quero saber, nem isso me preocupa.
Preocupa-me, isso sim, as vidas brutalmente ceifadas por esses «cidadãos norte-americanos em vários países» .
Como é hábito, às vozes preocupadas dos chefes, juntaram-se de imediato as dos seus porta-vozes distribuidos pelos média do grande capital, em todo o mundo.
Foi o caso de Teresa de Sousa - ex-esquerdista assanhada, de punho no ar: «o imperialismo é um tigre de papel», e agora, que o papel é outro, assanhada propagandista do tigre do papel.
Escreveu ela, no seu Público, que a afirmação de Julian Assange segundo a qual a divulgação destes documentos «serve a transparência», é falsa.
Porquê?: porque, escreve Teresa de dedo em riste, «não há transparência aceitável fora da lei. Não há jornalismo sem regras».
Obviamente, está referir-se à «lei» dos seus donos e às «regras» por eles determinadas - «lei» e «regras» que são as dela, pelo papel que desempenha e pelo papel que o tigre imperialista, directa ou indirectamente, lhe faz chegar.
Tal como os seus chefes, Teresa está preocupada.
E porquê?: porque o que o Assange quer é «enfraquecer a América».
(Reparem: Teresa não escreve Estados Unidos da América: tal como os seus chefes, escreve «América», assim como quem diz que o continente americano é propriedade do imperialismo norte-americano - e venha o papel...).
Escreve, finalmente, Teresa que a divulgação dos documentos, para além de colocar «problemas muito sérios às democracias» - o que, digo eu, é perigosíssimo para os patrões das democracias... - «coloca problemas igualmente muito sérios à imprensa livre das democracias»- que é, digo eu, a imprensa feita com o papel do tigre e das suas crias indígenas.
Em resumo, e parafraseando um grande escritor norte-americano, o que faz escrever Teresa ... é o papel...
POEMA
O QUE SE FAZ...
O que se faz fica feito,
seja a razão boa, ou má.
Por proveito, ou desproveito,
o tempo responderá.
Armindo Rodrigues
O que se faz fica feito,
seja a razão boa, ou má.
Por proveito, ou desproveito,
o tempo responderá.
Armindo Rodrigues
COM JANELA OU SEM ELA
Faz hoje 370 anos, um grupo de 40 cidadãos dirigiu-se ao Paço da Ribeira, sede do governo da altura, e prendeu os governantes/ocupantes espanhóis - para o caso, a Duquesa de Mântua, regente do Rei de Espanha, e os seus assessores - pondo fim a seis décadas de ocupação espanhola.
Entre os assessores da Duquesa, havia um português, de seu nome Miguel de Vasconcelos, que cumpria as funções de secretário de Estado - e que, após porfiadas buscas, foi encontrado, com a coragem toda entornada no fundo das calças, dentro de um armário onde se escondera.
Há quem diga que os «40» o mataram e o atiraram pela janela. Há quem diga que o atiraram, vivo, da janela e que, depois, lá em baixo, os populares lhe trataram da saúde.
Por mim, aceito qualquer das versões, tendo em conta que ambas têm o justo e desejado fim feliz...
Hoje, 370 anos passados sobre a corrida em osso dos ocupantes, a prisão dos governantes, e a didática defenestração do traidor, Portugal está novamente ocupado.
Mas numa nova modalidade: os ocupantes não estão cá - dão ordens por e-mail; e os que cumprem as ordens - os governantes - são todos portugueses (melhor dizendo: nascidos em Portugal...)
Ora, como mais do que uma vez aqui escrevi, há nisto tudo uma grande injustiça.
Na verdade, o defenestrado Miguel de Vasconcelos, comparado com os seus seguidores de hoje, bem pode ser considerado um herói nacional.
Pelo que, de duas, uma: ou alguém se encarrega de dar aos traidores de hoje o justo tratamento dado no 1º de Dezembro de 1640 ao traidor de então; ou cumpra-se o elementar acto de justiça que é o da reabilitação patriótica do homem, com condecoração em qualquer 10 de Junho por qualquer Cavaco.
Por mim, inclino-me para a primeira hipótese.
Com janela ou sem ela, tanto faz - desde que vão todos para a pátria que os pariu.
Entre os assessores da Duquesa, havia um português, de seu nome Miguel de Vasconcelos, que cumpria as funções de secretário de Estado - e que, após porfiadas buscas, foi encontrado, com a coragem toda entornada no fundo das calças, dentro de um armário onde se escondera.
Há quem diga que os «40» o mataram e o atiraram pela janela. Há quem diga que o atiraram, vivo, da janela e que, depois, lá em baixo, os populares lhe trataram da saúde.
Por mim, aceito qualquer das versões, tendo em conta que ambas têm o justo e desejado fim feliz...
Hoje, 370 anos passados sobre a corrida em osso dos ocupantes, a prisão dos governantes, e a didática defenestração do traidor, Portugal está novamente ocupado.
Mas numa nova modalidade: os ocupantes não estão cá - dão ordens por e-mail; e os que cumprem as ordens - os governantes - são todos portugueses (melhor dizendo: nascidos em Portugal...)
Ora, como mais do que uma vez aqui escrevi, há nisto tudo uma grande injustiça.
Na verdade, o defenestrado Miguel de Vasconcelos, comparado com os seus seguidores de hoje, bem pode ser considerado um herói nacional.
Pelo que, de duas, uma: ou alguém se encarrega de dar aos traidores de hoje o justo tratamento dado no 1º de Dezembro de 1640 ao traidor de então; ou cumpra-se o elementar acto de justiça que é o da reabilitação patriótica do homem, com condecoração em qualquer 10 de Junho por qualquer Cavaco.
Por mim, inclino-me para a primeira hipótese.
Com janela ou sem ela, tanto faz - desde que vão todos para a pátria que os pariu.
POEMA
UMA FATIA DE PÃO...
Uma fatia de pão,
um pedaço de toucinho,
um punhado de azeitonas
e um copo de vinho azedo,
são ao que chega o salário
que aos jornaleiros se paga
pelo que comem os ricos
às suas mesas repletas.
Armindo Rodrigues
Uma fatia de pão,
um pedaço de toucinho,
um punhado de azeitonas
e um copo de vinho azedo,
são ao que chega o salário
que aos jornaleiros se paga
pelo que comem os ricos
às suas mesas repletas.
Armindo Rodrigues
OS DONOS DISTO TUDO
Eis um exemplo - entre muitos - de como os donos disto tudo e os seus lacaios funcionam e como, em três tempos, resolvem o que há que resolver.
1º tempo
Anteontem, os donos disto tudo - que usam vários pseudónimos: UE, FMI, Mercados... - mandaram dizer que o OE apesar de muito bom, precisa de ser ainda melhor e que é preciso uma nova reforma da legislação laboral no caminho de uma maior «flexibilidade», sem o que... nada feito.
2º tempo
Ontem de manhã, o Governo de Sócrates, ofendidíssimo, desmentiu oficialmente a existência de qualquer intenção de avançar para uma reforma da legislação laboral.
3º tempo
Ontem à tarde, a ministra dita do Trabalho disse que o Governo vai «dinamizar o Código do Trabalho» e utilizá-lo como «instrumento de maior flexibilidade»...
No que acima fica escrito não há nada de novo: trata-se, apenas, da confirmação de que, aqui, quem dá ordens são os donos disto tudo - ordens a que os governantes da política da direita obedecem, servis e rastejantes.
E satisfeitos com a sua condição de criados para todos os serviços.
1º tempo
Anteontem, os donos disto tudo - que usam vários pseudónimos: UE, FMI, Mercados... - mandaram dizer que o OE apesar de muito bom, precisa de ser ainda melhor e que é preciso uma nova reforma da legislação laboral no caminho de uma maior «flexibilidade», sem o que... nada feito.
2º tempo
Ontem de manhã, o Governo de Sócrates, ofendidíssimo, desmentiu oficialmente a existência de qualquer intenção de avançar para uma reforma da legislação laboral.
3º tempo
Ontem à tarde, a ministra dita do Trabalho disse que o Governo vai «dinamizar o Código do Trabalho» e utilizá-lo como «instrumento de maior flexibilidade»...
No que acima fica escrito não há nada de novo: trata-se, apenas, da confirmação de que, aqui, quem dá ordens são os donos disto tudo - ordens a que os governantes da política da direita obedecem, servis e rastejantes.
E satisfeitos com a sua condição de criados para todos os serviços.
POEMA
LIVRE
Livre de todas as servidões me sinto,
livre de todas as servidões me quero,
conquanto acusado
de servir constantemente a liberdade.
E servidor constante da liberdade o sou,
o que é, a par, a libertação possível,
o que é, a par, a libertação total.
Armindo Rodrigues
Livre de todas as servidões me sinto,
livre de todas as servidões me quero,
conquanto acusado
de servir constantemente a liberdade.
E servidor constante da liberdade o sou,
o que é, a par, a libertação possível,
o que é, a par, a libertação total.
Armindo Rodrigues
A TRAGÉDIA A FARSA E O SINAL
Passos Coelho afirmou, ontem, em tom solene, que «corrigir e inverter os erros cometidos, vai demorar duas legislaturas».
A afirmação é bem elucidativa sobre o desejo e a intenção do actual líder laranja: o desejo de substituir Sócrates no cargo de primeiro-ministro e a intenção de prosseguir a política de direita que Sócrates tem vindo a aplicar - uma política da qual PS e PSD têm sido os principais protagonistas nos últimos 34 anos.
Ao mesmo tempo, dizendo o que disse, o vivaço Coelho está já a fazer-se ao piso a dois mandatos e a adiantar os argumentos que vai utilizar para se defender da responsabilidade das consequências do prosseguimento dessa política - fingindo nada ter a ver com ela e sacudindo a água do capote designadamente em relação ao sinistro Orçamento de Estado que há dias aprovou com o PS, abençoados por Cavaco, todos obedecendo caninamente às ordens do grande capital nacional e internacional.
Trata-se, ao fim e ao cabo, de um filme já visto uma data de vezes desde 1976 até agora.
Com efeito, os 34 anos de política de direita têm constituído uma tragédia e uma farsa.
A tragédia é visível no estado desgraçado a que essa política conduziu o País e que o Orçamento de Estado agora aprovado vai agravar brutalmente.
A farsa é representada pelos dois partidos que ao longo desses 34 anos têm levado a cabo essa política, fingindo serem adversários um do outro - inimigos, até! - quando, na realidade, estão perfeitamente sintonizados com as linhas essenciais da política de direita que executam, revezando-se, e cada um indo mais longe do que o outro no agravamento da situação dos trabalhadores, do povo e do País.
A Soares sucedeu Carneiro, a Carneiro sucedeu o reincidente Soares, que deu a vez a Cavaco, que passou o testemunho a Guterres, ao qual se sucedeu Barroso e depois , porreiro, pá!, Sócrates... Até ver...
Coelho pensa, então, que a sua vez está a chegar.
E talvez esteja, para mal do País e do povo.
No entanto, não é impossível trocarmos-lhe as voltas...
A Greve Geral do dia 24 foi um sinal.
Saibamos nós entendê-lo no seu verdadeiro significado...
POEMA
NA MINHA COURELA...
Na minha courela, enquanto a lavro,
é sempre manhã, mesmo se já noite.
O meu ofício farto
é o de cultivar sonhos.
Deito trigo à terra e nasce-me luz.
Deito luz à terra e nasce-me trigo.
Nem há mais exacta semente que esta,
que dá a colheita ao sabor da fome.
Armindo Rodrigues
Na minha courela, enquanto a lavro,
é sempre manhã, mesmo se já noite.
O meu ofício farto
é o de cultivar sonhos.
Deito trigo à terra e nasce-me luz.
Deito luz à terra e nasce-me trigo.
Nem há mais exacta semente que esta,
que dá a colheita ao sabor da fome.
Armindo Rodrigues
A DIFERENÇA
Já lá estavam quando ocorreu o terramoto, em 12 de Janeiro passado: eram cerca de 400, os médicos cubanos que, desde 1998, gratuitamente, levavam por diante, no Haiti, um Plano Integral de Saúde que envolveu, ao longo dos anos, cerca de 6 000 cooperantes cubanos e cerca de 400 jovens médicos haitianos formados gratuitamente em Cuba.
No próprio dia 12, dia do terramoto, juntaram-se-lhes, idos de Cuba, 60 especialistas em catástrofes e, todos, gratuitamente, protagonizaram a mais importante assistência médica e sanitária às vítimas do terramoto - que causara 250 mil mortos e mais de 1, 5 milhões de desalojados.
Os média dos EUA - e, por obediência canina, os média de todo o mundo capitalista - que se fartaram de anunciar, enaltecer, louvar e propagandear apoios e mais apoios, solidariedade e mais solidariedade, particularmente os dólares prometidos por Obama/Clinton, silenciaram cirurgicamente o mais importante de todos os apoios, a única verdadeira solidariedade: a presença e a acção, gratuita, dos médicos e enfermeiros cubanos no Haiti.
Mais do que isso: a cadeia norte-americana Fox News chegou a afirmar, mesmo, que «Cuba é dos poucos países do Caribe que não prestam qualquer apoio ao Haiti»...
Quanto aos anunciados apoios em dinheiro, além de ficarem muito aquém das verbas propagandeadas, os que chegaram tiveram destinos vários, parte deles nada tendo a ver com o apoio às vítimas do terramoto... A solidariedade capitalista tem destas coisas...
Certo, certo - e constante, e permanente - foi o sempre silenciado apoio gratuito, a sempre silenciada solidariedade de facto dos 400 médicos e enfermeiros cubanos.
Agora, desde Outubro, o martirizado povo haitiano sofre uma epidemia de cólera - doença que não era detectada no país há mais de um século - que já matou mais de 1600 pessoas e provocou a hospitalização de 30 mil das 200 mil afectadas, e que ameaça intensificar-se.
E mais uma vez... os apoios, a solidariedade...
Dos anunciados 164 milhões de dólares... chegaram uns 19 milhões... e diz-se que «os apoios «chegam a conta-gotas à espera do resultado das eleições» que hoje se realizam no Haiti...
Raio de solidariedade esta que só se concretiza se as vítimas votarem «bem»...
Certo, certo - e constante, e permanente - continua a ser o sempre silenciado e gratuito, a sempre silenciada solidariedade de facto dos médicos e enfermeiros cubanos - os 400 que já lá estavam, mais os 500 que para lá foram enviados logo que eclodiu a epidemia de cólera, mais os 300 que, por decisão do Governo de Cuba, se lhes juntarão, hoje - sejam quais forem os resultados eleitorais.
Tudo isto a confirmar a diferença abissal que existe entre dois conceitos de solidariedade: o que vigora no mundo capitalista e o que é praticado pelos comunistas.
Que é, afinal, a diferença entre os que tudo fazem para manter esta sociedade velha, baseada na exploração do homem pelo homem, e os que lutam por construir uma sociedade nova, liberta de todas as formas de opressão e de exploração.
POEMA
POR QUE HAVEMOS DE O ESQUECER?
Por que havemos de o esquecer?
Foi a exemplo secreto dos espectaculares
autos-de-fé piedosos
da por igual maldita abjecção
católica-romana,
que a um punhado de cinza
e fumo pelo espaço,
nauseabundo e sufocante
se reduziram milhões de corpos dolorosos
nos fornos crematórios
dos campos de concentração
de recordação recente.
Armindo Rodrigues
Por que havemos de o esquecer?
Foi a exemplo secreto dos espectaculares
autos-de-fé piedosos
da por igual maldita abjecção
católica-romana,
que a um punhado de cinza
e fumo pelo espaço,
nauseabundo e sufocante
se reduziram milhões de corpos dolorosos
nos fornos crematórios
dos campos de concentração
de recordação recente.
Armindo Rodrigues
À BOA MANEIRA PORTUGUESA
A notícia diz assim, em título: «Oli Rehn felicitou a aprovação do Orçamento português para 2011, que considera ser "apropriado"».
Lido o título, pergunto-me: quem será este Oli Rehn de quem eu nunca tinha ouvido falar e que, à semelhança de Sócrates, Coelho, Cavaco & Cia., considera «apropriado» um Orçamento de Estado devastador dos interesses do meu povo e do meu País?
O que é que este estrangeiro tem a ver com Portugal e o povo português? Para quê e para quem é este Orçamento «apropriado»?...
Lendo a notícia e fico a saber que o estrangeiro, para além de «felicitar o Orçamento português», afirma em tom imperativo que a «austeridade» nele contida «terá de continuar nos próximos anos» - tal como Cavaco, Coelho, Sócrates & Cia. já disseram...
Finalmente, a notícia diz-me que o estrangeiro que assim manda em Portugal é o «Comissário Europeu dos Assuntos Económicos», cargo que faz deste Oli Rehn um cidadão tão português como Sócrates, Coelho, Cavaco & Cia...- e que faz de Cavaco, Coelho, Sócrates & Cia. cidadãos tão estrangeiros como o estrangeiro Oli Rehn...
E fico a pensar que Portugal está nas mãos de estrangeiros: uns nascidos lá fora, outros nascidos cá dentro, mas todos nascidos para servir os interesses do grande capital - que não é estrangeiro em lado nenhum, porque não tem pátria...
E fico a pensar na necessidade imperiosa e urgente de Portugal e os portugueses recuperarem a sua independência,
correndo com os «comissários» estrangeiros;
mandando o grande capital para a pátria que o pariu;
e defenestrando, à boa maneira portuguesa, os Sócrates, Coelhos, Cavacos & Cia..
POEMA
HOMEM
Homem
que mate um homem não é homem.
Homem
que explore um homem não é homem.
Nem homem é
homem que imponha a um homem
nem falsa exaltação
nem cobardia.
Armindo Rodrigues
Homem
que mate um homem não é homem.
Homem
que explore um homem não é homem.
Nem homem é
homem que imponha a um homem
nem falsa exaltação
nem cobardia.
Armindo Rodrigues
POEMA
Porque revelam...
Porque revelam,
ainda por cima, tanto ódio
os possuidores da terra
pelos que pedem trabalho,
se estes querem, pelo contrário,
a terra para todos?
Armindo Rodrigues
Porque revelam,
ainda por cima, tanto ódio
os possuidores da terra
pelos que pedem trabalho,
se estes querem, pelo contrário,
a terra para todos?
Armindo Rodrigues
ATÉ À VITÓRIA FINAL
La tierra para quién la trabaja: é a consigna que resume o objectivo essencial da luta dos camponeses da região do Vale de Aguán, nas Honduras , ao longo dos tempos - uma luta em tudo igual à dos assalariados rurais do Alentejo e do Ribatejo: em tudo e, portanto, também na consigna: A terra a quem a trabalha.
Com o governo progressista de Manuel Zelaya alguns passos em frente foram dados e a reforma agrária começou a ser uma realidade - tal como em Portugal, onde após o 25 de Abril, durante os governos progressistas de Vasco Gonçalves, a reforma agrária nos campos do Alentejo e do Ribatejo foi a realidade que conhecemos e que constituiu o momento mais alto desse que foi o tempo mais luminoso da história de Portugal: a Revolução de Abril.
Após o golpe fascista das Hoduras, preparado e executado pela CIA e pelos fascistas locais, a reforma agrária foi um dos primeiros alvos - tal como em Portugal, onde a contra-revolução iniciada pelo primeiro governo PS/Soares, apoiado pela CIA e por toda a reacção nacional e internacional, fez da reforma agrária o seu alvo preferencial.
Apoiados pelo governo fascista de Obama/Micheletti/Lobo e pelas suas forças repressivas, os agrários desencadearam uma feroz ofensiva contra os camponeses do Vale de Aguán, pondo a região a ferro e fogo, roubando-lhes as terras que cultivavam, os gados, tudo - tal como em Portugal, onde os agrários, apoiados pelos governos contra-revolucionários de EUA/UE/Soares/Carneiro/Freitas/Balsemão/Cavaco e pelas suas forças repressivas, puseram o Alentejo a ferro e fogo, roubaram terras, gados, tudo.
No passado dia 15, cinco camponeses do Vale de Aguán foram assassinados por mercenários ao serviço dos agrários, numa tentativa de roubar terras afectas à reforma agrária - tal como em Portugal, no Escoural, em 27 de Setembro de 1979, a GNR, às ordens dos agrários e do Governo, assassinou dois homens da reforma agrária, no decorrer de uma tentativa de roubo de terras.
Eis os nomes dos assassinados de Vale de Aguán: Ignacio Reyes, de 50 anos; Teodoro Acosta, de 40; Siriaco Muñoz, de 56; Raúl Castillo, de 45; José Sauceda, de 32.
Eis os nomes dos assassinados do Escoural: José Geraldo (Caravela), de 45 anos; António Maria Casquinha, de 17 anos.
São nomes a reter nas nossas memórias. E a homenagear como eles o merecem: continuando a luta pelos objectivos pelos quais eles deram as suas vidas.
Entretanto, o povo hondurenho prossegue a sua luta contra o governo fascista de Obama/Micheletti/Lobo, luta que tem assumido expressão relevante nas numerosas e importantes acções levadas a cabo pela Frente Nacional de Resistência Popular - tal como em Portugal os trabalhadores e o povo prosseguem a sua luta contra a política de direita dos governos EUA/UE/PS/PSD/CDS, luta que assumiu expressão maior na poderosa Greve Geral do dia 24 e que tem como dinamizadores e organizadores essenciais, no plano social, o movimento sindical unitário (CGTP-IN), e no plano político, o PCP.
São óbvias as semelhanças entre a acção dos fascistas hondurenhos e a dos contra-revoluconários portugueses e confirmam que o grande capital opressor e explorador é igual em todo o lado, quer se apresente na modalidade de regime fascista quer ponha a máscara da democracia burguesa.
Por isso, são óbvias, também, as semelhanças entre a resistência e a luta dos trabalhadores e dos povos das Honduras e de Portugal.
E, de tudo isto, emerge a certeza de que nas Honduras, em Portugal, em todos os países onde o capitalismo domina, a luta vai continuar - até à vitória final.
POEMA
PAREDES ALTAS, OU BAIXAS...
Paredes altas, ou baixas,
estacarias, tapumes, redes de arame,
grades,
meros marcos, cães de guarda,
sinais de posse,
quando acabareis?
Quando acabarás, cobiça?
Quando acabarás, satisfação reles
e ostentosa
de explorar os outros?
Armindo Rodrigues
Paredes altas, ou baixas,
estacarias, tapumes, redes de arame,
grades,
meros marcos, cães de guarda,
sinais de posse,
quando acabareis?
Quando acabarás, cobiça?
Quando acabarás, satisfação reles
e ostentosa
de explorar os outros?
Armindo Rodrigues
A ANALISTA E O REVOLUCIONÀRIO
A Greve Geral e o 25 de Novembro de 1975 são temas do dia nos média dominantes.
Percebe-se.
Se uma Greve Geral incomoda muita gente, uma Greve Geral erguida por 3 milhões de trabalhadores incomoda muito mais.
Que assim é, provam-no os jornais de hoje, particularmente nos artigos de «opinião», nos quais os habituais escribas do sistema cumprem todos os dias a sua tarefa mercenária.
Numa cuidada distribuição de tarefas, há os que, à semelhança do Governo, negam a força e a dimensão da Greve e há os que, bem integrados na ofensiva ideológica em curso, proclamam a sua inutilidade.
Também o 25 de Novembro de há 35 anos foi motivo de festa para a cambada, por razões sobejamente conhecidas - algumas das quais são lembradas num excelente post do Cantigueiro.
Sobre os dois temas debruçaram-se, nos média, vários debruçadores e debruçadoras, designadamente uma ex-esquerdista tradicional e um tradicional esquerdista, ela escrevendo sobre a Greve Geral, ele falando sobre o 25 de Novembro - e ambos na mesma linha de pensamento e ambos dando provas de superior capacidade de inteligenciação, como adiante se verá.
Helena Matos, analista, escreve no Público que a Greve Geral «não só não foi geral como também não foi greve» - como o comprova, escreve ela, o facto de na rua onde mora estarem abertos «o café, o talho, o restaurante, a farmácia, a tabacaria e o quiosque»...
É de analista, não acham?
Repare-se que não referiu o elevador do prédio onde mora: por esquecimento?, porque o elevador fez greve?... Sabe-se lá!...
«E se o 25 de Novembro tivesse sido ao contrário?»: eis a pergunta feita pelo Diário de Notícias a algumas pessoas, entre elas o intrépido Garcia Pereira, que respondeu assim: «Portugal passaria a ser governado por uma ditadura militar social-fascista, controlada pelo PCP, com a supressão das liberdades».
É de revolucionário, não acham?
Repare-se que não referiu o facto por demais conhecido de os malandros dos comunistas comerem criancinhas ao pequeno almoço e matarem os velhos com uma injecção atrás da orelha: por esquecimento?, porque a memória encravou?... Sabe-se lá!...
QUE LINDO DIA!
Que bela Greve Geral!
Como se esperava, é a MAIOR DE SEMPRE- e tão grande está a ser, que é mais do que se esperava que fosse.
«É a voz do trabalho, a voz dos trabalhadores a fazer-se ouvir» - afirmou Francisco Lopes, candidato do PCP às presidenciais, junto de um piquete de greve.
E é isso mesmo!
E essa é a mais forte de todas as vozes, a que mais FUTURO traz consigo.
Os propagandistas que fazem contas aos «graves prejuízos causados pela greve» - milhões e milhões de euros, dizem eles - nem se apercebem que, com tais contas, estão afinal a confirmar que é o trabalho que produz a riqueza do País - O TRABALHO e não os «mercados», e não o capital...
Porque «os trabalhadores são a força da Nação».
Uma palavra especial de boas-vindas aos milhares de trabalhadores que hoje estão a fazer greve pela primeira vez - e, entre esses, os milhares de jovens trabalhadores com vínculo precário que, vencendo corajosamente as ameaças e as chantagens, ousaram utilizar direitos conquistados pela luta das massas trabalhadoras ao longo dos tempos.
Que venham para ficar, é o que se deseja.
A Greve Geral é o pesadelo dos exploradores e do Governo que serve os seus interesses - mais ainda quando ela atinge a dimensão, a amplitude e a força desta.
Daí que tentem tudo por tudo para a sufocar, não hesitando a chamar a intervir os seus habituais instrumentos repressivos.
São vários os casos de empresas em que a GNR/PSP e (ou) patrões tentam, pela força, impedir a greve, violando e espezinhando direitos dos trabalhadores consagrados na Constituição da República, portanto agindo fora da Lei Fundamental do País.
Mas os trabalhadores resistem - e a Greve Geral continua...
O DN de hoje entrevista uma série de pessoas que, na maioria dos casos, dizem «não» à Greve Geral e apresentam «argumentos»...
Dois exemplos:
1 - Rita Silva, presidente da Associação Animal, diz que não faz greve porque «os animais não se compadecem com essas situações» (?) e ela «trabalha por uma causa e as causas estão à frente das greves»...
Pobres animais que têm os seus direitos entregues a uma pessoa que trata tão mal os direitos dos humanos...
2 - Pedro Salgueiro, assessor do CDS/PP: «não vou fazer greve. Nunca fiz, por princípio».
Aposto que se tivessemos um governo de esquerda a fazer uma política de esquerda, este cavalheiro mandava o «princípio» às urtigas e fazia todas as greves que pudesse - e incitaria as damas de branco das suas relações a virem para a rua com tachos e panelas...
Mas, vozes de burro não chegam... à Greve Geral, que aí está, em cheio, a mostrar o poder da força organizada dos trabalhadores - um poder que tem consigo a força necessária para, quando o entender, partir ao assalto do céu...
O Cravo de Abril saúda calorosamente os trabalhadores que hoje, dia 24 de Novembro de 2010, estão a erguer a maior, a mais bela, a mais forte Greve Geral de sempre e a dar-nos a certeza de que amanhã... A LUTA CONTINUA.
POEMA
ONDE PERSISTA...
Onde persista o medo é porque há tirania.
Onde persista a fome é porque há exploradores.
Armindo Rodrigues
Onde persista o medo é porque há tirania.
Onde persista a fome é porque há exploradores.
Armindo Rodrigues
DOIS AMORES E UM ÓDIO DE ESTIMAÇÃO
Mário Soares tem dois amores.
O primeiro, esteve em Lisboa na sexta e no sábado passados.
O segundo, está cá sempre.
Do primeiro, esperava-se que aproveitasse a sua vinda a Portugal para cumprimentar aquele que é, sem dúvida, o seu mais fiel e mais fervoroso apaixonado em todo o mundo.
Não era preciso muito: bastava um rápido aperto de mão, um sorriso/Obama, uma simples dúzia de palavras: Olá, como está, tenho muito prazer em conhecê-lo pessoalmente, Dr. Mário Soares - e pronto, estava cumprido o elementar dever de gratidão.
Assim não aconteceu e há que reconhecer que estamos perante uma tremenda injustiça.
Uma injustiça que, todavia, em nada afectou a adoração de Mário Soares pelo presidente dos EUA, por essa «personalidade política única» que «em dois anos mudou a imagem da América e tanto fez pela paz e pela boa convivência entre os povos», e que veio a Lisboa «transformar a NATO numa organização pacifica» - como Soares, visivelmente afectado por grave maleita visionária, escreve no DN de hoje.
Ao seu outro amor, trata-o Soares com iguais mimos.
Vejamos: «Lisboa foi durante dois dias o centro do mundo»; «a organização da Cimeira foi sem falhas» - por isso, «num momento em que o ego português andava tão baixo, Sócrates marcou pontos»: «o prestígio de Portugal no mundo está em alta»...
Por cá, isto está mau, é certo... mas atenção, o culpado da crise não é o governo, a crise veio de fora, e a política do governo «foi-nos imposta - não o esqueçamos - pela União Europeia» - mas atenção, muita atenção: «se saíssemos da UE ficaríamos ainda muito pior»...
Portanto, há que sofrer e calar... e adorar Sócrates...
Pelo que, após fazer o panegírico dos seus dois amores, Soares destapou o seu ódio de estimação:
«Para que servem as manifestações?» - pergunta.
«Para que serve a greve geral?»- pergunta.
E responde: «Para nada!»
O que, dito por quem foi, só confirma que as manifestações e a greve geral - ou seja: as lutas - servem para muito.
Como amanhã - e depois de amanhã.. - veremos.
POEMA
NÃO QUERER NADA...
Não querer nada do que os outros querem,
não fazer nada do que os outros fazem,
não é afirmação de independência,
não é afirmação de liberdade,
mas um capricho apenas de burguês,
birrento, pretensioso, negligente,
mal-educado, ocioso e insensato.
Armindo Rodrigues
Não querer nada do que os outros querem,
não fazer nada do que os outros fazem,
não é afirmação de independência,
não é afirmação de liberdade,
mas um capricho apenas de burguês,
birrento, pretensioso, negligente,
mal-educado, ocioso e insensato.
Armindo Rodrigues
UM CASO TÍPICO
Os jornais têm noticiado e comentado o estranho caso ocorrido em Alpiarça e de que foi protagonista Teresa Freitas - licenciada em ciências políticas, secretária da governadora civil de Santarém e presidente da comissão concelhia do PS de Alpiarça (e o mais que se verá, tudo o indica, num futuro não distante...).
A coisa começou assim: preocupada com a construção de «um futuro melhor em Portugal», Teresa Freitas decidiu passar a escrito as suas preocupações sobre o magno assunto e partilhá-las com os leitores do Jornal Alpiarcense, jornal que, com este artigo, iniciou a publicação daquilo a que a sua direcção chama «textos exclusivos» - e que, em relação ao primeiro publicado, a realidade veio mostrar não ser, afinal, assim tão «exclusivo», como adiante veremos...
Na verdade, a licenciada em ciências políticas optou pelo recurso a um método sem dúvida pragmático mas de assaz duvidosa probidade, digamos assim...
Pegou em textos sobre a matéria escritos por três pensadores da nossa praça e toca de copiá-los (um bocado deste, um bocado daquele, mais um bocado daqueloutro...), alinhavá-los e publicá-los sem indicação de autorias, como se fossem textos seus, ou seja: plagiando-os.
E com tal afã o fez que, segundo rezam as notícias, dos dez parágrafos que compõem o texto publicado e por ela assinado, nove são, integralmente, dos três plagiados e apenas um é (segundo se pensa...) da plagiadora.
Ora é bem verdade, que neste tempo de desvergonha sem margens, tal caso não é de espantar. Trata-se, com efeito, de um caso típico, já que coisas semelhantes e até bem piores fazem-nas todos os dias os colegas de partido da plagiadora de Alpiarça e os seus aliados na política de direita.
E assim sendo por que é que a senhora não há ter iguais direitos?...
Além disso e por tudo isso, confesso que estou indeciso sobre o que é que, na prática plagiadora de Teresa Freitas visando «um futuro melhor em Portugal», está mais conforme com a desvergonha reinante:
se o plágio, coisa sempre feia, feia e reveladora de um determinado carácter - e que, pelos vistos, Teresa Freitas integra no seu projecto para esse seu almejado «futuro melhor»...
se os plagiados, cujo projecto de futuro para Portugal a plagiadora foi surripiar e fez seu.
É que os plagiados são nem mais nem menos do que o Cardeal Patriarca, Adriano Moreira e Teresa de Sousa - e ir roubar ideias para o futuro a tais personagens só lembraria a quem quer para o nosso País um futuro igual ao presente.
Para pior, é claro.
A coisa começou assim: preocupada com a construção de «um futuro melhor em Portugal», Teresa Freitas decidiu passar a escrito as suas preocupações sobre o magno assunto e partilhá-las com os leitores do Jornal Alpiarcense, jornal que, com este artigo, iniciou a publicação daquilo a que a sua direcção chama «textos exclusivos» - e que, em relação ao primeiro publicado, a realidade veio mostrar não ser, afinal, assim tão «exclusivo», como adiante veremos...
Na verdade, a licenciada em ciências políticas optou pelo recurso a um método sem dúvida pragmático mas de assaz duvidosa probidade, digamos assim...
Pegou em textos sobre a matéria escritos por três pensadores da nossa praça e toca de copiá-los (um bocado deste, um bocado daquele, mais um bocado daqueloutro...), alinhavá-los e publicá-los sem indicação de autorias, como se fossem textos seus, ou seja: plagiando-os.
E com tal afã o fez que, segundo rezam as notícias, dos dez parágrafos que compõem o texto publicado e por ela assinado, nove são, integralmente, dos três plagiados e apenas um é (segundo se pensa...) da plagiadora.
Ora é bem verdade, que neste tempo de desvergonha sem margens, tal caso não é de espantar. Trata-se, com efeito, de um caso típico, já que coisas semelhantes e até bem piores fazem-nas todos os dias os colegas de partido da plagiadora de Alpiarça e os seus aliados na política de direita.
E assim sendo por que é que a senhora não há ter iguais direitos?...
Além disso e por tudo isso, confesso que estou indeciso sobre o que é que, na prática plagiadora de Teresa Freitas visando «um futuro melhor em Portugal», está mais conforme com a desvergonha reinante:
se o plágio, coisa sempre feia, feia e reveladora de um determinado carácter - e que, pelos vistos, Teresa Freitas integra no seu projecto para esse seu almejado «futuro melhor»...
se os plagiados, cujo projecto de futuro para Portugal a plagiadora foi surripiar e fez seu.
É que os plagiados são nem mais nem menos do que o Cardeal Patriarca, Adriano Moreira e Teresa de Sousa - e ir roubar ideias para o futuro a tais personagens só lembraria a quem quer para o nosso País um futuro igual ao presente.
Para pior, é claro.
POEMA
EM GERAL, NÃO SOU NEUTRO...
Em geral, não sou neutro.
Raro é conseguir sê-lo.
Falta-me para isso
a delicadeza pérfida
dos falsos independentes,
o comodismo cobarde
dos falsos sobranceiros,
a hipocrisia velhaca
dos falsos melindrosos.
Armindo Rodrigues
Em geral, não sou neutro.
Raro é conseguir sê-lo.
Falta-me para isso
a delicadeza pérfida
dos falsos independentes,
o comodismo cobarde
dos falsos sobranceiros,
a hipocrisia velhaca
dos falsos melindrosos.
Armindo Rodrigues
ATÉ À VITÓRIA FINAL
Partiram?
Não: ficaram.
Aliás, nestes dois dias de Cimeira, os ocupantes apenas (re)marcaram o território que sabem ser deles: que é deles desde os tempos sombrios do fascismo; que perderam durante os dois anos luminosos da Revolução de Abril; que recuperaram neste tempo outra vez sombrio da contra-revolução.
Mas que, um dia, voltará a ser nosso.
Os governantes portugueses - de Sócrates a Cavaco - confirmaram-se como criados para todo o serviço dos senhores, particularmente do SENHOR de todos os senhores - o chefe máximo do bando de malfeitores que hoje domina o mundo e que daqui saíu decidido a varrer a ferro e fogo todos os obstáculos que se oponham ao seu domínio total do planeta.
Entretanto, enfrentando com coragem a campanha de medo difundida pelos média dominantes, mais de 30 mil pessoas ergueram uma poderosa manifestação pela PAZ e contra a NATO - manifestação que esses média, confirmando-se como veículos da desinformação organizada ao serviço dos senhores e do SENHOR, trataram como se esperava...
E a luta continua - para já, com a GREVE GERAL do dia 24.
E continuará depois do dia 24.
Cada vez mais forte.
Cada vez mais participada.
Até à vitória final!
Não: ficaram.
Aliás, nestes dois dias de Cimeira, os ocupantes apenas (re)marcaram o território que sabem ser deles: que é deles desde os tempos sombrios do fascismo; que perderam durante os dois anos luminosos da Revolução de Abril; que recuperaram neste tempo outra vez sombrio da contra-revolução.
Mas que, um dia, voltará a ser nosso.
Os governantes portugueses - de Sócrates a Cavaco - confirmaram-se como criados para todo o serviço dos senhores, particularmente do SENHOR de todos os senhores - o chefe máximo do bando de malfeitores que hoje domina o mundo e que daqui saíu decidido a varrer a ferro e fogo todos os obstáculos que se oponham ao seu domínio total do planeta.
Entretanto, enfrentando com coragem a campanha de medo difundida pelos média dominantes, mais de 30 mil pessoas ergueram uma poderosa manifestação pela PAZ e contra a NATO - manifestação que esses média, confirmando-se como veículos da desinformação organizada ao serviço dos senhores e do SENHOR, trataram como se esperava...
E a luta continua - para já, com a GREVE GERAL do dia 24.
E continuará depois do dia 24.
Cada vez mais forte.
Cada vez mais participada.
Até à vitória final!
POEMA
ESMAGADOS SOB AS PATAS...
Esmagados sob as patas
das bestas taciturnas
os nossos peitos ansiosos,
que havemos de fazer senão, irados,
mesmo imprudentemente,
erguer-nos contra quanto
é ordem truculenta,
crença mutiladora,
ou crime sistemático?
Armindo Rodrigues
Esmagados sob as patas
das bestas taciturnas
os nossos peitos ansiosos,
que havemos de fazer senão, irados,
mesmo imprudentemente,
erguer-nos contra quanto
é ordem truculenta,
crença mutiladora,
ou crime sistemático?
Armindo Rodrigues
CUIDADO COM OS CÃES
Foi depois de ter luz verde para intervir militarmente - bombardear, invadir, destruir, matar - onde e quando os interesses do Império o exijam, que o Boss Obama (BO) passou a mão pelo pêlo à matilha indígena:
elogiou o «vigoroso plano económico» de Sócrates (ou seja: os PEC's, o OE e o mais que aí vem);
elogiou a forma como Sócrates organizou a Cimeira -
e, feito o balanço de tudo, decretou e mandou publicar que, com tais provas dadas, Sócrates «mostrou a sua liderança e a liderança de Portugal, não só na Europa mas também no mundo».
Afagado deste jeito, o líder nacional, europeu e mundial rebolava-se de gozo, enroscava-se de prazer, sacudia o rabo e as orelhas, fazia olhinhos de sensual gratidão, lambia e lambuzava o BO com babados sorrisos de volúpia.
Foi então que a incontinência elogiativa do Boss Obama molhou o cenário, que é como quem diz, borrou a pintura: a encerrar a sessão canina, à despedida, tirou do bolso do casaco um último osso e atirou-o a Sócrates: «O seu inglês é muito melhor do que o meu português»!!!
Ora, sabendo-se que o «português» do Boss Obama é, apenas e só, o que aprendeu com o ladrar do seu cão-d'água português (também de nome BO, mas esse, sim, um cão a sério, e por isso digno de respeito...), estou em crer que o que o Boss Obama quis dizer, dizendo o que disse, foi que Sócrates ladrava muito melhor do que ele...
Se foi ou não, o futuro o dirá...
No que me diz respeito, desde já digo a cada um deles - ao BO e ao seu fiel Sócrates:
Ladras bem mas não me alegras.
E é a pensar no «novo conceito estratégico da NATO», no «escudo antí-missil da NATO», e nessas coisas todas, que aqui deixo o meu aviso:
CUIDADO: CÃES QUE LADRAM, MORDEM!...
elogiou o «vigoroso plano económico» de Sócrates (ou seja: os PEC's, o OE e o mais que aí vem);
elogiou a forma como Sócrates organizou a Cimeira -
e, feito o balanço de tudo, decretou e mandou publicar que, com tais provas dadas, Sócrates «mostrou a sua liderança e a liderança de Portugal, não só na Europa mas também no mundo».
Afagado deste jeito, o líder nacional, europeu e mundial rebolava-se de gozo, enroscava-se de prazer, sacudia o rabo e as orelhas, fazia olhinhos de sensual gratidão, lambia e lambuzava o BO com babados sorrisos de volúpia.
Foi então que a incontinência elogiativa do Boss Obama molhou o cenário, que é como quem diz, borrou a pintura: a encerrar a sessão canina, à despedida, tirou do bolso do casaco um último osso e atirou-o a Sócrates: «O seu inglês é muito melhor do que o meu português»!!!
Ora, sabendo-se que o «português» do Boss Obama é, apenas e só, o que aprendeu com o ladrar do seu cão-d'água português (também de nome BO, mas esse, sim, um cão a sério, e por isso digno de respeito...), estou em crer que o que o Boss Obama quis dizer, dizendo o que disse, foi que Sócrates ladrava muito melhor do que ele...
Se foi ou não, o futuro o dirá...
No que me diz respeito, desde já digo a cada um deles - ao BO e ao seu fiel Sócrates:
Ladras bem mas não me alegras.
E é a pensar no «novo conceito estratégico da NATO», no «escudo antí-missil da NATO», e nessas coisas todas, que aqui deixo o meu aviso:
CUIDADO: CÃES QUE LADRAM, MORDEM!...
POEMA
ESTE CAOS ORGANIZADO...
Este caos organizado que é o capitalismo,
esta triunfante infâmia,
este nojo dos nojos,
com a sua opulência agressiva
e os seus lacaios sem imaginação,
quando virá o grande vendaval que o varra,
para dar a todos conforme as suas necessidades,
e não a miséria repartida
pelas mãos parasitas e ávidas dos ricos?
Quando virá essa ofuscante claridade,
essa lúcida paz amassada de suor
e de contentamento para além
do agudo contentamento da alvorada?
Armindo Rodrigues
Este caos organizado que é o capitalismo,
esta triunfante infâmia,
este nojo dos nojos,
com a sua opulência agressiva
e os seus lacaios sem imaginação,
quando virá o grande vendaval que o varra,
para dar a todos conforme as suas necessidades,
e não a miséria repartida
pelas mãos parasitas e ávidas dos ricos?
Quando virá essa ofuscante claridade,
essa lúcida paz amassada de suor
e de contentamento para além
do agudo contentamento da alvorada?
Armindo Rodrigues
PAZ, SIM! NATO, NÃO!
A associação criminosa que dá pelo nome de NATO está reunida, em cimeira, em Lisboa.
Provavelmente, nunca um tão elevado número de malfeitores internacionais espezinhou o solo nacional, como nestes dias está a acontecer.
Dezenas de figurões do mundo do crime, responsáveis e co-responsáveis pelos mais hediondos crimes contra a humanidade, deixando atrás de si um rasto de destruição, de sofrimentos, de sangue, ocupam literalmente o nosso País.
E é justo que se diga que nenhum outro local seria mais apropriado do que o Portugal da política de direita para o encontro desta cambada de crimimosos.
Com efeito, nesta como noutras matérias, o actual regime tem-se revelado um ilustre continuador do regime fascista, já que, se é verdade que a NATO foi um dos suportes fundamentais do salazarismo/caetanismo, não é menos verdade que ela desempenha igual função, hoje, no que respeita ao socratismo/cavaquismo reinante.
Com uma diferença: Salazar e Caetanto tinham a sua atitude «legalizada» pela constituição fascista, enquanto que Sócrates e Cavaco agem no desprezo e no desrespeito pela Constituição da República Portuguesa - agem, portanto, fora-da-lei...
Em entrevista ao Diário de Notícias de hoje, o inigualável Santos Silva, de cócoras, garantiu que «somos um aliado confiável» da NATO.
O mesmo disse, em tempos - por essas ou por idênticas palavras - um qualquer ministro de Salazar ou Caetano...
Tudo isto confere especial importância e significado à manifestação convocada para amanhã, entre o Marquês de Pombal e os Restauradores - que será, não tenhamos dúvidas, uma muito, muito grande manifestação.
«PAZ, Sim! NATO, Não!» : gritarão os muitos milhares de manifestantes - e a esse grito poderão juntar um outro, não menos ajustado à realidade:
25 de Abril Sempre! Fascismo Nunca Mais!
Provavelmente, nunca um tão elevado número de malfeitores internacionais espezinhou o solo nacional, como nestes dias está a acontecer.
Dezenas de figurões do mundo do crime, responsáveis e co-responsáveis pelos mais hediondos crimes contra a humanidade, deixando atrás de si um rasto de destruição, de sofrimentos, de sangue, ocupam literalmente o nosso País.
E é justo que se diga que nenhum outro local seria mais apropriado do que o Portugal da política de direita para o encontro desta cambada de crimimosos.
Com efeito, nesta como noutras matérias, o actual regime tem-se revelado um ilustre continuador do regime fascista, já que, se é verdade que a NATO foi um dos suportes fundamentais do salazarismo/caetanismo, não é menos verdade que ela desempenha igual função, hoje, no que respeita ao socratismo/cavaquismo reinante.
Com uma diferença: Salazar e Caetanto tinham a sua atitude «legalizada» pela constituição fascista, enquanto que Sócrates e Cavaco agem no desprezo e no desrespeito pela Constituição da República Portuguesa - agem, portanto, fora-da-lei...
Em entrevista ao Diário de Notícias de hoje, o inigualável Santos Silva, de cócoras, garantiu que «somos um aliado confiável» da NATO.
O mesmo disse, em tempos - por essas ou por idênticas palavras - um qualquer ministro de Salazar ou Caetano...
Tudo isto confere especial importância e significado à manifestação convocada para amanhã, entre o Marquês de Pombal e os Restauradores - que será, não tenhamos dúvidas, uma muito, muito grande manifestação.
«PAZ, Sim! NATO, Não!» : gritarão os muitos milhares de manifestantes - e a esse grito poderão juntar um outro, não menos ajustado à realidade:
25 de Abril Sempre! Fascismo Nunca Mais!
POEMA
A EXISTÊNCIA ALHEIA...
A existência alheia,
a alheia dignidade,
os direitos alheios pouco são
para os orgulhosos governantes
de hoje, como de sempre.
Por isso,
toda a ordem que de um mando provém,
toda a autoridade que alguém exerça,
e, em consequência, toda a dominação
são um abuso e um esbulho.
Na sociedade de classes é a lei
a grande prostituta.
Armindo Rodrigues
A existência alheia,
a alheia dignidade,
os direitos alheios pouco são
para os orgulhosos governantes
de hoje, como de sempre.
Por isso,
toda a ordem que de um mando provém,
toda a autoridade que alguém exerça,
e, em consequência, toda a dominação
são um abuso e um esbulho.
Na sociedade de classes é a lei
a grande prostituta.
Armindo Rodrigues
O IDEAL DE EDWIN PÉREZ
Chamava-se Edwin Pérez, era secretário-geral da Juventude Comunista do Equador e responsável pela participação equatoriana no Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, que terá lugar na África do Sul de 13 a 21 de Dezembro.
Quando da tentativa de golpe contra o presidente Rafael Correa - em 30 de Setembro - Edwin teve papel destacado na organização da resistência juvenil ao golpe e na subsequente derrota dos golpistas.
No dia 25 de Outubro, Edwin Pérez foi vítima de uma brutal agressão por parte de um grupo da extrema-direita , cujo líder, um tal Neptali Ramirez, é conhecido entre o seu bando por «escorpião».Em estado grave, o jovem comunista foi levado para o hospital onde viria a falecer - no dia 11 de Novembro - depois de duas semanas e meia em coma.
Dizem os que o conheciam que «a sua família era o Partido e os seus amigos eram os seus camaradas» - o que significa que o exemplo de actividade militante de Edwin perdurará e que os jovens comunistas equatorianos continuarão a luta à qual ele dedicou a sua vida.
Uma vida que, apesar de curta, deixa marcas carregadas de futuro: as marcas imperecíveis do ideal de Edwin Pérez, do nosso ideal comunista.
«Edwin Pérez, presente!» - gritaram os seus camaradas no funeral.
Um grito ao qual o Cravo de Abril se associa nesta singela homenagem que presta ao jovem camarada assassinado.
Subscrever:
Mensagens (Atom)