Aprova o Tratado Reformador que altera o Tratado da União Europeia e o Tratado que institui a Comunidade Europeia?
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Sondagem fechada!
Longe, longe. Não o local, que longe só fica para os Homens Distantes. Antes o olhar, perdido entre o escaldar dos sobreiros no horizonte e a rua cambaleante que o vinho perturba. Um passo, outro. E já as gargantas se ouvem no lamento que atravessa a cal empobrecida pelo duro dos dias. Não se pôs ainda o sol, outrora sacrilégio para os lavradores da terra, mas a tasca já está invadida pelo sufoco dos homens desempregados. Há poucos dias findaram-se as ceifas e agora, até às podas (se a mina não admitir mais ninguém – difícil será não despedir ), onde alguns enganarão a miséria que transportam, os braços dos da terra prendem-se ao balcão procurando distracção para a inutilidade que outros lhe impõem. – São bichos de trabalho, com necessidades mínimas. Animais bebedolas e irresponsáveis. E ainda para aí se juntam, procurando na greve motivo que lhes faltava para não fazerem nada. E o pior são esses comunistas... Ouvem-se os de muita folga rosnarem, preenchendo os dias da sua calunice. Mas Joaquim Gadanha, ainda que pudesse, não está em condições de lhes responder. Vem da feira de Santa Iria onde rebentou o último cartucho dos tostões ganhos na empreitada. Torto, mais o dia áspero que ele, e cisma na terra batida que lhe foge aos pés: - Bônote!- ninguém responde. Talvez cismem os lavradores reunidos: - Que breu lhe preenche o cérebro e lhe tira a claridade das cinco da tarde? – se fossem sensíveis à fome seria isto, talvez, que pensariam. Mas remetamos o narrador para o local que lhe compete e continuemos. Ninguém respondeu e, Joaquim Gadanha sua. Sua no exercício que é manter-se de pé. O farol é o ruído de fundo, ao fundo. Pronuncio do Cante ainda em afinação.
A porta estava encostada, protegendo talvez os olhos da cegueira da luz. Ou a luz dos homens mal iluminados.... Custou a empurrar, pouco ajudado pelos vapores do álcool que lhe fazem tremer os braços. Formigueiro contínuo, reminiscência das chagas das searas. À sua saudação silenciosa, em custoso aceno da cabeça, responde-lhe o burburinho que não cessa à sua chegada...
Há lobos sem ser na serra...
Mestre Pratas afina a garganta que o copito já localizou e chama a polifonia de dentro das outras consciências e corpos maltratados.
eu ainda não sabia,
debaixo do arvoredo
trabalham com valentia
Pára-arranca que parece abstracto perante a distracção ou ensimesmamento de cada um. Mas, contrariando a mansidão vagarosa da canícula, de repente, as vozes respondem ao chamamento que a vivência lhes ensinou, e a polifonia abraça a cal arrefecida do interior da tasca do joão das cabeças
-TRABALHAM COM VALENTIA
CADA UM NA SUA ARTE
HÁ LOBOS SEM SER NA SERRA
EU AINDA NÃO SABIA
José Gentil “Famila” – assim conhecido por todos tratar como compadre – saboreando a liberdade que a presença do lavrador não permitiria, achega-se à frente, poisa as mãos rudes uma no balcão outra no ombro ali perto e cumpre a sua missão de boa voz:
Maldita sociedade
Estás tão mal organizada
Quem não trabalha tem tudo
Quem trabalha não tem nada
E novamente a polifonia no refrão já lido, ouvido, não sem antes o Chico Lota a ter levantado com a competência do Alto. E depois o silêncio que necessário se cumpre para que se assimile o colectivo no que cada um cantou.
Aproveitemos o silêncio e voltemos a Joaquim Gadanha. Pediu uma selha mas não a bebe de trago enquanto não souber como a pagará. Em casa espera-se a farinha, o trigo para as papas do mais novo (são cinco!), o naco de toucinho prometido à fome dos filhos para quando fosse santa iria e as suas caravanas e tendas, o almude de azeite para temperar o pão que quase nunca existe
Então compadre gadanha, tem ávondo de tristeza! Bote-lhe essa, sobram-me uns réis da avia na venda da Maria Bem-querendo.
E Gadanha percebeu como as palavras são doces e ásperas, na mesma voz, na mesma vez, ao mesmo tempo.
como que esperando o Sebastião que não vem. Não. Talvez heroísmo desse tipo fosse melhor com o imaginário português. Mas não. Esta mulher alentejana (que autorizou que a fotografasse e que utilizasse a fotografia como achasse que devia), olha longe porque sabe que me deve a pose. E deve-me a pose (pensa) porque me pediu pão. Assim. Com estas letras, embora não escritas, pronunciadas. Pão. Pão! Pão, país pequenino absorto na vaidade! Pão! Pão, São Bento brincando ao governo e aos governantes. Pão, Sócrates! Pão! Como se atrevem a encher o bandulho com déficits e a vaidade com números inventados? Como? Há gente que pede pão. Muitos. Um milhão de portugueses vive com pouco mais de um euro por dia. E Pedem pão. Que bichos eleitos lhes respondem com a falsidade estonteante dos números?Grande vida!
A minha história é muito engraçada.
Tudo começou há 32 anos. Eu e uns amigos meus estávamos numa florista onde havia sempre uma pessoa que falava sempre muito bem do governo, nunca saía dali e escutava as conversas de todos os clientes. Mas eu nunca soube porque ele fazia essas coisas.
E em vez de matarem alguém dispararam os cravos.
E agora chamam-me o «Cravo de Abril».
Marta Santos – 3º ano Escola Básica do Primeiro Ciclo de Idanha-a-Nova (26/04/2006)
O Cravo Vermelho
Eu sou um cravo e nasci duma semente.
A minha vida era num vaso de barro, muito fresquinho. Bebia muita água fresca, e fui crescendo, até ficar muito vistoso. O meu cheiro era muito agradável e a minha cor era vermelha.
Um dia levaram-me num camião até Lisboa. Colheram-me do vaso, deram-me a uma florista. Ela recebeu-me com muito carinho e juntou-me a outros cravos.
Ouviram-se vozes, era um grupo de soldados com as suas armas. Ao verem cravos tão bonitos, resolveram pôr um na ponta da espingarda. Gritaram:
- Liberdade! Liberdade!
Eu senti muita alegria por ver a Paz no ar!
EU SOU UM CRAVO ESPECIAL
Olá! Eu sou um cravo vermelho e sou muito bonito!
Nasci no dia 25 de Abril, dia da Revolução pela Liberdade de Portugal.
Antigamente o nosso país vivia em ditadura, quer isto dizer, que não se podia falar em liberdade se não éramos presos. Por exemplo quem falasse do presidente era preso.
A partir da data em que eu nasci já podemos falar e viver à vontade.
Ai! Eu sou mesmo um cravo especial! Quando Portugal passou a ser livre os soldados puseram-me nas suas espingardas.
E deram o nome de Revolução dos Cravos à revolução que houve.
José 3º Ano C - Escola Básica do Primeiro Ciclo de Idanha-a-Nova (26/04 /2006)