RELEMBRAR O NOSSO CAMARADA AURÉLIO SANTOS



- Edição Nº 1862 -  6-8-2009 - Avante
 
      Aurélio Santos 
Alianças à esquerda – porque não?
 
No momento político português é inevitável constatar que reclamações (designadamente ao PCP) de integrar uma «nova política de alianças», mantêm um silêncio pudicamente discreto sobre quais as bases em que essas alianças poderão estabelecer-se.

Verifica-se infelizmente a olho nu que muitos dos que falam da necessidade (real) de uma «convergência da esquerda» não têm sido capazes de avançar ideias sobre o conteúdo político das alianças a prosseguir, nem sobre as causas da tão referida (e real) «crise da esquerda».

Do que se trata, então? Procurar uma política que permita novas alianças ou enveredar por alianças políticas sem base em princípios? Ou seja: visando apenas encontrar lugar marginal no aparelho de um poder sem princípios, tão capaz de servir os mesmos interesses, de uma direita «pura e dura» ou uma direita «moderada», de acordo com as conjunturas?

Para nosso mal, tem acontecido entre nós essa falsa «alternidade» duma mesma política, que erradamente se etiquetou também de «bipolarização».
Tiremos-lhe o «bi», que não faz mal a ninguém e só se presta a confusões ideológicas. 

Há de facto uma polarização de interesses económicos em torno do PS e do PSD, os dois partidos capazes de seduzir por obediência canina a atenção do grande capital. Este tem sido um dos principais factores de instabilidade e da crise da democracia (e da esqquerda) nos países em que uma falsa e falseadora «bipolarização» se impôs. 

Não será isso que leva também ao descrédito da democracia, quando reduzida a ilusionismo de ludíbrio cada vez mais mediático, em que o jogo das etiquetas no mesmo modelo tenta substituir a definição clara de princípios e de políticas - ou por que não: de políticas com princípios?

Sem ideias ou propostas concretas, sem princípios claros de orientação política, que razões poderiam levar o PCP a entregar o seu património (aliás único no quadro partidário português) e que constitui parte essencial do próprio património da esquerda, fundamental para o futuro dessa esquerda, em troco de uma qualquer participação em um jogo de vista curta?

1 comentário:

Francisco Manuel Gentil Apolónio disse...

Exactamente. Se for para defender e desenvolver os direitos e interesses dos Trabalhadores e do Povo e Numa "guerra" sem tréguas contra o grande capital nacional e transnacional/global, porque não?