POEMA

COMBOIO


XXXVI


(Regresso a Lisboa no comboio rápido da noite. De repente, a sensação de me encontrar perdido e sozinho no meio dos astros. Angústia. Preciso de ver alguém. Vou puxar o sinal de alarme.)


O comboio saltou dos carris
e esguio de angústia
vai agora em plena solidão de silvos
no voo dos ossos das madrugadas.

Sobe, sobe no céu,
rompe as nuvens,
fura o Tempo,
meu comboio alimentado de carne humana
- braços, pernas, olhos, sexos, corações,
às pàzadas.


José Gomes Ferreira

5 comentários:

samuel disse...

A fantasia a cumprir a sua importante tarefa de tudo tirar dos carris... menos a dura realidade.

Abraço.

Graciete Rietsch disse...

Como compreendo a angústia de Gomes fFereira por estar vivo rodeado de mortos que tentaram contruir um outo mundo fazendo descarrilar o coombóio em que se viajava numa paz podre.

Um abraço.

GR disse...

Como o Poeta sofre, apesar de fazer belas poesias.

Bjs,

GR

Maria disse...

Tremendo, este poema.

Um beijo grande.

Nelson Ricardo disse...

Olhando para os carris em que se move e o alimento que o faz funcionar, a única real opção é pôr o comboio fora de curso.

Um Abraço.