O Governo está cheio de preocupações humanitárias e sociais.
Do Passos ao Portas e do Gaspar ao Álvaro, passando pelo conselheiro Cavaco, os homens nem dormem só a pensar, a pensar, a pensar em soluções para os problemas de que se queixam estes pobres diabos que são os portugueses.
E os resultados começam a ver-se.
Assim, para a pobreza, a miséria, a fome, os pensadores receitam caridade, muita caridade, especialmente agora que o Natal está à porta.
Bodos aos pobres, sopa do Sidónio, jantares de Natal dos sem-abrigo, eis algumas das modalidades por eles descobertas e que põem na ordem do dia a palavra de ordem dos anos 30 do século passado: «Vamos fazer caridade»...
Para o desemprego, a solução encontrada pelos pensadores remete para o estrangeiro e pode resumir-se numa simples e pragmática frase: «Não tens emprego?: emigra»
Note-se que estamos perante uma outra forma de caridade, esta mais europeísta, mais moderna, embora também com raízes no século passado, década de 60, quando o pessoal ia a salto...
Face a tudo isto, há que reconhecer que governantes que se preocupam deste modo com o bem-estar dos seus governados, só podem ser aplaudidos e justamente premiados.
Vamos, então, «fazer caridade», atrelando-os seis meses à sopa do Sidónio e, depois de suficientemente ensopados, dando-lhes a guia de marcha para a emigração.
Estou certo de que, se assim fizermos, o País fica mais limpo e mais puro o ar que respiramos.

