POR ESTA LIBERDADE
Por esta liberdade de cantar à chuva
temos que dar tudo
Por esta liberdade de estarmos estreitamente unidos
ao firme e terno cerne do povo
temos que dar tudo
Por esta liberdade de girassol aberto na aurora das fábricas
acesas e escolas iluminadas
e de terra que range e criança que acorda
temos que dar tudo
Não há alternativa senão a liberdade
Não há outro caminho senão a liberdade
Não há outra pátria senão a liberdade
Não haverá poema sem a violenta música da liberdade
Por esta liberdade que é o terror
dos que sempre a violaram
em nome de faustosas misérias
Por esta liberdade que é a noite dos opressores
e a definitiva aurora de todo o povo já invencível
Por esta liberdade que ilumina as pupilas afundadas
os pés descalços
os telhados remendados
e os olhos das crianças que rebolam na poeira
Por esta liberdade que é o reino da juventude.
Por esta liberdade
bela como a vida
temos que dar tudo
se for necessário
até a própria sombra
e nunca será bastante.
Fayad Jamis
(In Poesia Cubana da Revolução)
A UNIÃO EUROPEIA DO GRANDE CAPITAL
As decisões ontem tomadas pelo Conselho para o Emprego e Política Social, mostram a verdadeira face da União Europeia do grande capital.
Constam do seguinte: a partir da aprovação de tais decisões pelo Parlamento Europeu, a semana de trabalho na UE, em vez das 48 horas, poderá ir até às 60 horas, nuns casos; até às 65 horas, noutros casos; e até às 78 horas, em «casos específicos».
A irem por diante estas medidas, estaríamos perante um retrocesso civizacional de monta.
É claro que nada disto surpreende: na verdade, tais decisões inserem-se na poderosa ofensiva em curso contra direitos dos trabalhadores, conquistados ao longo dos tempos, através de duras, difíceis e, muitas vezes, heróicas lutas.
Contudo, vale a pena reflectir um pouco sobre o conteúdo, as características e o significado dessa ofensiva.
Trata-se de uma operação global, de classe e - aspecto importante e que lhe confere especificidade particular- desencadeada nestes moldes após o desaparecimento da União Soviética.
Com efeito, o fim da URSS, pondo termo à primeira tentativa de construção de uma sociedade sem exploradores nem explorados, provocou uma profunda alteração na correlação das forças, desfavorável aos trabalhadores - e o capitalismo internacional sentiu existirem condições para avançar contra os direitos dos trabalhadores.
Daí esta feroz cavalgada do grande capital visando liquidar todos os direitos laborais essenciais para, assim, acentuar e intensificar a exploração - e registe-se o facto, por demais significativo, de os alvos primeiros dessa ofensiva serem direitos que, na sua imensa maioria, foram conquistados na sequência da Revolução de Outubro.
Como é o caso da semana de 48 horas, uma das primeiras grandes conquistas dos trabalhadores russos, em 1917, e que cedo se estendeu aos trabalhadores de vários outros países da Europa.
Constam do seguinte: a partir da aprovação de tais decisões pelo Parlamento Europeu, a semana de trabalho na UE, em vez das 48 horas, poderá ir até às 60 horas, nuns casos; até às 65 horas, noutros casos; e até às 78 horas, em «casos específicos».
A irem por diante estas medidas, estaríamos perante um retrocesso civizacional de monta.
É claro que nada disto surpreende: na verdade, tais decisões inserem-se na poderosa ofensiva em curso contra direitos dos trabalhadores, conquistados ao longo dos tempos, através de duras, difíceis e, muitas vezes, heróicas lutas.
Contudo, vale a pena reflectir um pouco sobre o conteúdo, as características e o significado dessa ofensiva.
Trata-se de uma operação global, de classe e - aspecto importante e que lhe confere especificidade particular- desencadeada nestes moldes após o desaparecimento da União Soviética.
Com efeito, o fim da URSS, pondo termo à primeira tentativa de construção de uma sociedade sem exploradores nem explorados, provocou uma profunda alteração na correlação das forças, desfavorável aos trabalhadores - e o capitalismo internacional sentiu existirem condições para avançar contra os direitos dos trabalhadores.
Daí esta feroz cavalgada do grande capital visando liquidar todos os direitos laborais essenciais para, assim, acentuar e intensificar a exploração - e registe-se o facto, por demais significativo, de os alvos primeiros dessa ofensiva serem direitos que, na sua imensa maioria, foram conquistados na sequência da Revolução de Outubro.
Como é o caso da semana de 48 horas, uma das primeiras grandes conquistas dos trabalhadores russos, em 1917, e que cedo se estendeu aos trabalhadores de vários outros países da Europa.
POEMA
ACONTECE QUE NÓS
Acontece que nós
acontece que nós habitamos este mundo e esta ilha
que recomendamos como boa
acontece que meus pais e avós e todos os meus antepassados
que pisaram esta terra
acontece que chegámos apenas há pouco até este ponto
e que temos de continuar
acontece que todo o mundo nos conhece pelo nome desta ilha
e pelos discursos e frases e os mais compridos títulos
acontece que somos responsáveis pelos crimes mais justos
e as mais belas mentiras
e acontece que nos custou muito gurdar o que fizémos
a ver se um dia destes nos deixam em paz.
Víctor Casaus
(In Poesia Cubana da Revolução)
Acontece que nós
acontece que nós habitamos este mundo e esta ilha
que recomendamos como boa
acontece que meus pais e avós e todos os meus antepassados
que pisaram esta terra
acontece que chegámos apenas há pouco até este ponto
e que temos de continuar
acontece que todo o mundo nos conhece pelo nome desta ilha
e pelos discursos e frases e os mais compridos títulos
acontece que somos responsáveis pelos crimes mais justos
e as mais belas mentiras
e acontece que nos custou muito gurdar o que fizémos
a ver se um dia destes nos deixam em paz.
Víctor Casaus
(In Poesia Cubana da Revolução)
UM CASAL SINISTRO
A Comunidade Internacional e o Direito Internacional são um casal sinistro: sempre que dele se fala, regra geral algum país vai ser bombardeado.
Diz-se até que os habitantes de um qualquer país sobre a situação do qual é invocado o devastador casal, começam de imediato a olhar para o céu a ver quando é que as bombas começam a cair.
Por ocasião da sua visita aos EUA, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, exigiu à «comunidade internacional, medidas drásticas contra o Irão», já que, disse, «as sanções actuais não são suficientes para travar os planos nucleares daquele país.
(o direito a ter «planos nucleares» na região, está, como se sabe, reservado a Israel...)
Dias depois, o vice-primeiro-ministro israelita, Shaul Mofaz, veio a público afirmar que «é inevitável atacar o Irão, para travar os seus planos nucleares» - já que, disse, «as sanções actuais são insuficientes»; e garantiu que, se o Irão mantiver esses planos, «atacaremos».
(E Israel fará o que for necessário para assegurar esse direito à exclusividade...)
Agora, Bush, na sua visita à Europa (onde veio despedir-se dos governantes que o apoiaram nas carnificinas do Iraque e do Afeganistão) aproveitou para salientar que, no que respeita ao Irão, as sanções actuais não são suficientes e que a comunidade internacional deve, a partir delas, «decidir novas sanções» - isto se, como tudo indica, «o Irão continuar a negar os apelos do mundo livre» e, é claro, a desrespeitar o Direito Internacional...
Invocado o tenebroso casal por tanta gente importante e poderosa, é bem possível que, a esta hora, os iranianos andem todos de olhos postos no céu...
Diz-se até que os habitantes de um qualquer país sobre a situação do qual é invocado o devastador casal, começam de imediato a olhar para o céu a ver quando é que as bombas começam a cair.
Por ocasião da sua visita aos EUA, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, exigiu à «comunidade internacional, medidas drásticas contra o Irão», já que, disse, «as sanções actuais não são suficientes para travar os planos nucleares daquele país.
(o direito a ter «planos nucleares» na região, está, como se sabe, reservado a Israel...)
Dias depois, o vice-primeiro-ministro israelita, Shaul Mofaz, veio a público afirmar que «é inevitável atacar o Irão, para travar os seus planos nucleares» - já que, disse, «as sanções actuais são insuficientes»; e garantiu que, se o Irão mantiver esses planos, «atacaremos».
(E Israel fará o que for necessário para assegurar esse direito à exclusividade...)
Agora, Bush, na sua visita à Europa (onde veio despedir-se dos governantes que o apoiaram nas carnificinas do Iraque e do Afeganistão) aproveitou para salientar que, no que respeita ao Irão, as sanções actuais não são suficientes e que a comunidade internacional deve, a partir delas, «decidir novas sanções» - isto se, como tudo indica, «o Irão continuar a negar os apelos do mundo livre» e, é claro, a desrespeitar o Direito Internacional...
Invocado o tenebroso casal por tanta gente importante e poderosa, é bem possível que, a esta hora, os iranianos andem todos de olhos postos no céu...
POEMA
VIAGEM ÀS TRINCHEIRAS
I
Os milicianos do meu povo mortos pelo invasor
eram sapateiros,
pedreiros,
músicos e cortadores de cana. Suas mães
eram as minhas mães.
O ódio
os assassinou.
Sofro,
olho para o horizonte onde os bárbaros
com canhões e aviões e bombas
se aprontam.
Que morra
um milhão de camponeses cubanos
não lhes importa. São,
como os japoneses de Hiroshima,
inferiores.
Agora comem, cantam,
esperam.
Os generais não escutam as águas.
Nunca assobiam aos simples pardais.
II
Sejas quem fores,
estejas onde estiveres,
não traias
este nobre jovem na praia
esperando o invasor.
Ele é nobre, é puro.
Não te sujes, não emporques
a água de todos. Não intrigues,
não corrompas, deixa a tua miserável
ambição, que sempre surge
onde o homem está,
e olha para ele:
é nobre, é puro.
Pronto a oferecer a sua vida jovem
por ti, por mim, por
todos. Sê recto e generoso. Sê para ele
como ele é para todos: fiel.
Samuel Feijóo
(In Poesia Cubana da Revolução)
I
Os milicianos do meu povo mortos pelo invasor
eram sapateiros,
pedreiros,
músicos e cortadores de cana. Suas mães
eram as minhas mães.
O ódio
os assassinou.
Sofro,
olho para o horizonte onde os bárbaros
com canhões e aviões e bombas
se aprontam.
Que morra
um milhão de camponeses cubanos
não lhes importa. São,
como os japoneses de Hiroshima,
inferiores.
Agora comem, cantam,
esperam.
Os generais não escutam as águas.
Nunca assobiam aos simples pardais.
II
Sejas quem fores,
estejas onde estiveres,
não traias
este nobre jovem na praia
esperando o invasor.
Ele é nobre, é puro.
Não te sujes, não emporques
a água de todos. Não intrigues,
não corrompas, deixa a tua miserável
ambição, que sempre surge
onde o homem está,
e olha para ele:
é nobre, é puro.
Pronto a oferecer a sua vida jovem
por ti, por mim, por
todos. Sê recto e generoso. Sê para ele
como ele é para todos: fiel.
Samuel Feijóo
(In Poesia Cubana da Revolução)
O CASO DO CASINO DE LISBOA
Volto ao célebre Caso do Casino de Lisboa.
Aqui há uns meses, veio a público o relato do processo de negociações entre o Governo e a Sociedade Estoril Sol sobre o assunto.
Como estamos lembrados, o Governo Santana Lopes fez uma lei específica no sentido de garantir que (ao contrário do que dizia a legislação até então vigente) o edifício do Casino ficasse propriedade da Estoril Sol, no fim da concessão.
Se continuarmos a puxar pela memória, recordar-nos-emos ainda que o despacho que concretizava essa decisão foi assinado no decorrer da célebre maratona do então ministro do Turismo, Telmo Correia que, numa noite - precisamente a última em que foi ministro, já que no dia seguinte tomou posse o novo governo - despachou cerca de 300 diplomas...
Todo este processo pareceu a muita gente ferido de... transparência, digamos assim, e muito se escreveu sobre o assunto.
Finalmente, há dias tudo ficou esclarecido: um parecer emitido pelo Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República diz que, no negócio em causa, tudo é legal e transparente e nada há de «ilícito» nem de «desconforme» com o Estado de Direito.
Vindo o parecer de quem vem, só me resta aceitá-lo como bom - e começar à procura de negócio semelhante para mim...
Posteriormente, o Presidente da Estoril Sol, em declarações à comunicação social, deu um notável contributo para o total esclarecimento do caso: afirmou, alto e bom som, que a sociedade a que preside não quer o edifício do Casino para nada!!
E esclareceu mais: disse ele que, se há assim tanto interesse em que o edifício seja propriedade do Governo, a Estoril Sol está disposta a devolvê-lo ao Governo, desde já!!!... a troco de 40 milhões de euros, esclareceu magnânimo, altruista, direi mesmo: patriótico.
Comentários para quê?
Aqui há uns meses, veio a público o relato do processo de negociações entre o Governo e a Sociedade Estoril Sol sobre o assunto.
Como estamos lembrados, o Governo Santana Lopes fez uma lei específica no sentido de garantir que (ao contrário do que dizia a legislação até então vigente) o edifício do Casino ficasse propriedade da Estoril Sol, no fim da concessão.
Se continuarmos a puxar pela memória, recordar-nos-emos ainda que o despacho que concretizava essa decisão foi assinado no decorrer da célebre maratona do então ministro do Turismo, Telmo Correia que, numa noite - precisamente a última em que foi ministro, já que no dia seguinte tomou posse o novo governo - despachou cerca de 300 diplomas...
Todo este processo pareceu a muita gente ferido de... transparência, digamos assim, e muito se escreveu sobre o assunto.
Finalmente, há dias tudo ficou esclarecido: um parecer emitido pelo Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República diz que, no negócio em causa, tudo é legal e transparente e nada há de «ilícito» nem de «desconforme» com o Estado de Direito.
Vindo o parecer de quem vem, só me resta aceitá-lo como bom - e começar à procura de negócio semelhante para mim...
Posteriormente, o Presidente da Estoril Sol, em declarações à comunicação social, deu um notável contributo para o total esclarecimento do caso: afirmou, alto e bom som, que a sociedade a que preside não quer o edifício do Casino para nada!!
E esclareceu mais: disse ele que, se há assim tanto interesse em que o edifício seja propriedade do Governo, a Estoril Sol está disposta a devolvê-lo ao Governo, desde já!!!... a troco de 40 milhões de euros, esclareceu magnânimo, altruista, direi mesmo: patriótico.
Comentários para quê?
POEMA
NENHUMA PALAVRA TE FAZ JUSTIÇA
Tremor mais forte que a cópula,
companhia mais intensa do que a solidão,
conversa mais rica que o silêncio,
realidade mais estranha que o sonho,
verdade do dia e da noite,
céu colorido de bandeiras,
canção que não se detém,
razão de estar aqui:
Já vês que nenhuma palavra te faz justiça,
Revolução.
Roberto Fernández Retamar
(In Poesia Cubana da Revolução)
Tremor mais forte que a cópula,
companhia mais intensa do que a solidão,
conversa mais rica que o silêncio,
realidade mais estranha que o sonho,
verdade do dia e da noite,
céu colorido de bandeiras,
canção que não se detém,
razão de estar aqui:
Já vês que nenhuma palavra te faz justiça,
Revolução.
Roberto Fernández Retamar
(In Poesia Cubana da Revolução)
VASCO SEMPRE!
CARTA A AIDA GONÇALVES
(11 de Junho de 2005)
«Estimada amiga:
Con profundo pesar recibimos la notícia del fallecimiento del entrañable compañero Vasco Gonçalves, amigo inolvidable de nuestra Revolución.
Guardo en mi memória los momentos que compartimos juntos y su invariable solidaridad hacia Cuba e el Tercer Mundo.
Su lucha incansable por las causas justas de la humanidad perdurará por siempre en el recuerdo de los revolucionarios que conocimos su obra. Estoy convencido que la historia contemporánea de Europa y, especialmente la de Portugal, no podrá prescindir del legado de Vasco Gonçalves.
Recibe, estimada amiga, en este momento de profundo dolor, nuestras más sentidas condolencias.
Fidel Castro»
(11 de Junho de 2005)
«Estimada amiga:
Con profundo pesar recibimos la notícia del fallecimiento del entrañable compañero Vasco Gonçalves, amigo inolvidable de nuestra Revolución.
Guardo en mi memória los momentos que compartimos juntos y su invariable solidaridad hacia Cuba e el Tercer Mundo.
Su lucha incansable por las causas justas de la humanidad perdurará por siempre en el recuerdo de los revolucionarios que conocimos su obra. Estoy convencido que la historia contemporánea de Europa y, especialmente la de Portugal, no podrá prescindir del legado de Vasco Gonçalves.
Recibe, estimada amiga, en este momento de profundo dolor, nuestras más sentidas condolencias.
Fidel Castro»
POEMA
REPORTAGEM ESPECIAL
PELO DIA INTERNACIONAL DA MULHER
Uma mulher se inflama.
Vinte anos e um corpo cheio de fogo.
Seu ventre palpita
seus peitos brancos erguidos e abrasados.
Contorcem-se as ancas
e fervem as coxas.
Anh Dai
tem o corpo aceso pela chama.
Mas não é o amor.
É o napalm.
Minerva Salado
(In Poesia Cubana da Revolução)
PELO DIA INTERNACIONAL DA MULHER
Uma mulher se inflama.
Vinte anos e um corpo cheio de fogo.
Seu ventre palpita
seus peitos brancos erguidos e abrasados.
Contorcem-se as ancas
e fervem as coxas.
Anh Dai
tem o corpo aceso pela chama.
Mas não é o amor.
É o napalm.
Minerva Salado
(In Poesia Cubana da Revolução)
Dia da Raça
"99.8% dos dados genéticos são comuns a todas as pessoas. O livro do genoma prova que não faz sentido falar em raças"
Ainda assim Cavaco Silva, além de se recusar - como vem sendo costume - comentar as políticas internas, afirma que foi a Viana do Castelo comemorar o "Dia da Raça". Qual raça? "A raça de Portugal"
Já conheciam este dia da ilustre raça portuguesa? Ou será que o Cavaco ainda vive no tempo da velha senhora?
Ainda assim Cavaco Silva, além de se recusar - como vem sendo costume - comentar as políticas internas, afirma que foi a Viana do Castelo comemorar o "Dia da Raça". Qual raça? "A raça de Portugal"
Já conheciam este dia da ilustre raça portuguesa? Ou será que o Cavaco ainda vive no tempo da velha senhora?
POEMA
CARABINA Nº 5767
Esta é a crónica de Félix Faustino Ferrán
e da ficha da sua carabina de miliciano da Pátria.
Féliz Faustino Ferrán, na fria noite de 19 de Janeiro,
junto às trincheiras da Revolução,
num lugar qualquer de Cuba,
recitou-me o breve e enorme poema
da sua carabina nº 5767.
Eu digo que é o mais luminoso, o mais profundo,
o mais musical e cintilante de todos os poemas
da Revolução!
Disse-o com a voz grave e quente de negro cubano,
com o seu sorriso claro e grande de negro cubano,
e era a Pátria inteira que falava,
com as palavras simples como flores de aço
do miliciano 1061.
Esqueci-me da origem, da primeira palavra.
Oiço a sua voz e vejo a mão
fechar-se com ternura de diamante invencível
no cano da sua carabina.
Surpreendido, escuto:
António o cano,
Viviana o guarda-mão,
Caruca o manipulador,
Filiberto o carregador,
Irene o tampão de gases,
Lucía o atirador
Fabián o travão,
e a culatra sou eu.
Em cada peça da carabina um filho,
em cada peça uma flor do seu sangue,
uma face de amor com fúria defendida.
Por eles, para eles!
Por todos! Para todos aqueles cujos nomes
estão em cada peça das carabinas milicianas,
a voz rouca do miliciano Félix Faustino Ferrán,
negro cubano, operário da Pátria e da sua glória,
na fria noite inolvidável do 19 de Janeiro,
junto às trincheiras da Revolução
onde eu lhe lia os poemas deste livro,
mostrou-me o coração da poesia.
Félix Pita Rodriguez
(In Poesia Cubana da Revolução)
Esta é a crónica de Félix Faustino Ferrán
e da ficha da sua carabina de miliciano da Pátria.
Féliz Faustino Ferrán, na fria noite de 19 de Janeiro,
junto às trincheiras da Revolução,
num lugar qualquer de Cuba,
recitou-me o breve e enorme poema
da sua carabina nº 5767.
Eu digo que é o mais luminoso, o mais profundo,
o mais musical e cintilante de todos os poemas
da Revolução!
Disse-o com a voz grave e quente de negro cubano,
com o seu sorriso claro e grande de negro cubano,
e era a Pátria inteira que falava,
com as palavras simples como flores de aço
do miliciano 1061.
Esqueci-me da origem, da primeira palavra.
Oiço a sua voz e vejo a mão
fechar-se com ternura de diamante invencível
no cano da sua carabina.
Surpreendido, escuto:
António o cano,
Viviana o guarda-mão,
Caruca o manipulador,
Filiberto o carregador,
Irene o tampão de gases,
Lucía o atirador
Fabián o travão,
e a culatra sou eu.
Em cada peça da carabina um filho,
em cada peça uma flor do seu sangue,
uma face de amor com fúria defendida.
Por eles, para eles!
Por todos! Para todos aqueles cujos nomes
estão em cada peça das carabinas milicianas,
a voz rouca do miliciano Félix Faustino Ferrán,
negro cubano, operário da Pátria e da sua glória,
na fria noite inolvidável do 19 de Janeiro,
junto às trincheiras da Revolução
onde eu lhe lia os poemas deste livro,
mostrou-me o coração da poesia.
Félix Pita Rodriguez
(In Poesia Cubana da Revolução)
CONFISSÕES DE UM MINISTRO
O ministro do Trabalho (que, em rigor, deveria ser designado por ministro do Capital) não pára na sua cruzada em favor do Código do Trabalho (que, em rigor, deveris ser designado por Código do Capital).
Quando é confrontado com os argumentos da razão, o ministro baralha-se, irrita-se e não resiste a revelar o que lhe vai na alma.
Há dias, num debate realizado no Porto, Vieira da Silva, incapaz quer de convencer os assistentes da justeza do Código quer de contrariar as objecções vindas da plateia, explicou-se assim: «Temos hoje uma arquitectura de relações laborais pouco adequada às exigências da globalização» - pelo que, concluiu, há que adequar as leis à nova realidade laboral...
Ou seja: quem manda nisto tudo é o grande capital, e aos governos e respectivos ministros cabe a tarefa de cumprirem fielmente as ordens do patrão.
Já sabíamos que era assim, mas não deixa de ser digno de registo o facto de este ministro vir confessar em público a sua condição de lacaio do grande capital.
A dada altura do debate, confrontado com as contradições entre as promessas eleitorais feitas pelo PS e a sua prática governativa, o ministro irritou-se - e criticou severamente aqueles que acham que um partido que apresenta ao eleitorado um determinado programa ( com o qual ganha, por maioria absoluta, as eleições) deve, no governo, cumprir esse programa!!!
Acha o ministro que só gente irresponsável pode pensar assim...
Isto é: uma coisa - esta certa, correcta, normal - são as promessas feitas em campanha eleitoral, para caçar o voto dos incautos; outra coisa - esta errada, irresponsável, absurda - seria cumprir, depois, essas promessas... - e é a isto que se chama ser «eleito democraticamente»
Já sabíamos que era assim, mas não deixa de ser digno de registo o facto de este ministro vir confessar em público a sua condição de vendedor de banha de cobra.
Quando é confrontado com os argumentos da razão, o ministro baralha-se, irrita-se e não resiste a revelar o que lhe vai na alma.
Há dias, num debate realizado no Porto, Vieira da Silva, incapaz quer de convencer os assistentes da justeza do Código quer de contrariar as objecções vindas da plateia, explicou-se assim: «Temos hoje uma arquitectura de relações laborais pouco adequada às exigências da globalização» - pelo que, concluiu, há que adequar as leis à nova realidade laboral...
Ou seja: quem manda nisto tudo é o grande capital, e aos governos e respectivos ministros cabe a tarefa de cumprirem fielmente as ordens do patrão.
Já sabíamos que era assim, mas não deixa de ser digno de registo o facto de este ministro vir confessar em público a sua condição de lacaio do grande capital.
A dada altura do debate, confrontado com as contradições entre as promessas eleitorais feitas pelo PS e a sua prática governativa, o ministro irritou-se - e criticou severamente aqueles que acham que um partido que apresenta ao eleitorado um determinado programa ( com o qual ganha, por maioria absoluta, as eleições) deve, no governo, cumprir esse programa!!!
Acha o ministro que só gente irresponsável pode pensar assim...
Isto é: uma coisa - esta certa, correcta, normal - são as promessas feitas em campanha eleitoral, para caçar o voto dos incautos; outra coisa - esta errada, irresponsável, absurda - seria cumprir, depois, essas promessas... - e é a isto que se chama ser «eleito democraticamente»
Já sabíamos que era assim, mas não deixa de ser digno de registo o facto de este ministro vir confessar em público a sua condição de vendedor de banha de cobra.
POEMA
BURGUESES
Não tenho pena dos burgueses
vencidos. E quando penso que vou ter pena,
aperto bem os dentes e fecho bem os olhos.
Penso nos meus longos dias sem sapatos nem rosas.
Penso nos meus longos dias sem chapéu nem nuvens.
Penso nos meus longos dias sem camisa nem sonhos.
Penso nos meus longos dias com a pele proibida.
Penso nos meus longos dias.
- Isto é um clube. Aqui não pode entrar.
- A lista já está cheia.
- Não há quarto no hotel.
- O senhor não está.
- Rapariga precisa-se.
- Fraude nas eleições.
- Grande baile para cegos.
- A taluda saíu em Santa Clara.
- Tômbola para órfãos.
- O cavalheiro está em Paris.
- A senhora marquesa não recebe.
Enfim, recordo tudo.
E como recordo tudo,
que caralho me pede você que faça?
E além disso, pergunte-lhes.
Com certeza
que eles também se lembram.
Nicolás Guillén
(In Poesia Cubana da Revolução)
Não tenho pena dos burgueses
vencidos. E quando penso que vou ter pena,
aperto bem os dentes e fecho bem os olhos.
Penso nos meus longos dias sem sapatos nem rosas.
Penso nos meus longos dias sem chapéu nem nuvens.
Penso nos meus longos dias sem camisa nem sonhos.
Penso nos meus longos dias com a pele proibida.
Penso nos meus longos dias.
- Isto é um clube. Aqui não pode entrar.
- A lista já está cheia.
- Não há quarto no hotel.
- O senhor não está.
- Rapariga precisa-se.
- Fraude nas eleições.
- Grande baile para cegos.
- A taluda saíu em Santa Clara.
- Tômbola para órfãos.
- O cavalheiro está em Paris.
- A senhora marquesa não recebe.
Enfim, recordo tudo.
E como recordo tudo,
que caralho me pede você que faça?
E além disso, pergunte-lhes.
Com certeza
que eles também se lembram.
Nicolás Guillén
(In Poesia Cubana da Revolução)
DESAFIO AOS VISITANTES
Sendo fácil deduzir que as declarações abaixo citadas (por ordem cronológica) foram proferidas por pessoa, ou pessoas, com altas responsabilidades no PS, talvez seja um pouco mais difícil descobrir quem as proferiu.
Aqui fica, pois, o desafio aos visitantes do Cravo de Abril:
Quem foi que nos brindou com as afirmações que se seguem?
I - O PS no Governo
«Se este Governo falhasse - e não falha - nada de bom poderia vir para a Esquerda».
«A partir de Abril do próximo ano ficarão para trás as maiores dificuldades».
II - O PS na «oposição»
«Nunca o descontentamento popular foi em Portugal tão grande (...) o PS está disposto a encetar acções de gravidade cada vez maior no sentido do Governo não fazer aplicar o Pacote Laboral».
«Os socialistas estão dispostos a vir para a rua defender os interesses dos trabalhadores».
III - O PS no Governo
«Tal política implica restrições e sacrifícios que entendemos deverem ser partilhados por todos».
«Posso garantir que não irá faltar aos portugueses nem trabalho nem salários».
«O Governo não vai falhar».
«No segundo semestre alargaremos o cinto».
«Dentro de seis meses o país vai considerar-me um herói».
Aqui fica, pois, o desafio aos visitantes do Cravo de Abril:
Quem foi que nos brindou com as afirmações que se seguem?
I - O PS no Governo
«Se este Governo falhasse - e não falha - nada de bom poderia vir para a Esquerda».
«A partir de Abril do próximo ano ficarão para trás as maiores dificuldades».
II - O PS na «oposição»
«Nunca o descontentamento popular foi em Portugal tão grande (...) o PS está disposto a encetar acções de gravidade cada vez maior no sentido do Governo não fazer aplicar o Pacote Laboral».
«Os socialistas estão dispostos a vir para a rua defender os interesses dos trabalhadores».
III - O PS no Governo
«Tal política implica restrições e sacrifícios que entendemos deverem ser partilhados por todos».
«Posso garantir que não irá faltar aos portugueses nem trabalho nem salários».
«O Governo não vai falhar».
«No segundo semestre alargaremos o cinto».
«Dentro de seis meses o país vai considerar-me um herói».
POEMA
DA VIOLÊNCIA
Do rio que tudo arrasta
se diz que é violento.
Mas ninguém diz violentas
as margens que o comprimem.
Brecht
Do rio que tudo arrasta
se diz que é violento.
Mas ninguém diz violentas
as margens que o comprimem.
Brecht
RELEMBRANÇAS...
Em 2000, António Guterres era o chefe do governo PS de então.
Vivia-se uma situação de descontentamento generalizado face às consequências da guterral política.
Os trabalhadores manifestavam-se, protestavam e o movimento de massas ameaçava pôr em causa, não apenas o Governo e os governantes, mas a própria política de direita.
O PSD, com Durão Barroso como líder, fingia de oposição e preparava-se para substituir o PS na execução dessa mesma política.
Foi então que, de dentro do PS, surgiu a voz profunda e imponente do seu dirigente e deputado Manuel Alegre que, de semblante grave e austero, e respondendo a um lancinante apelo de consciência, veio à boca de cena fazer o seu número de fingir uma exuberante oposição às práticas governamentais geradoras do descontentamento popular e fingir exigir ao seu partido uma postura de esquerda.
Dizia Alegre, tonitroante, nesse ano 2000 (por sinal, por ocasião das grandes jornadas de massas do 25 de Abril e do 1º de Maio...):
«O grande perigo não vem do PSD nem de Durão Barroso. Vem do governo, vem do PS e da tendência do poder para o autismo, o conformismo e a auto-satisfação narcísica».
É de homem! - houve quem dissesse.
E dizia Alegre, com requebros de esquerda na voz grave, uns meses depois (por sinal, por ocasião de grandes manifestações das massas trabalhadoras...):
«O PS precisa de uma reorientação estratégica e de repor com urgência o primado dos valores».
É de homem de esquerda! - houve quem dissesse.
Entretanto, Guterres, não suportando mais os protestos populares (que ele dizia não o impressionarem, até porque não passavam de acções de agitação levadas a cabo pelos comunistas...), fugiu - aliás, seguindo o exemplo do colega que o antecedera - Cavaco Silva - que também fugira e que também não se impressionava com manifestações...
As eleições deram a vitória ao PSD e coube a Barroso dar continuidade à política de Guterres, Cavaco, etc.
Barroso - que também não se deixava impressionar por manifestações, fossem elas grandes ou pequenas - seguiu a tradição dos líderes da política de direita: fugiu...
E sucedeu-lhe Sócrates, o qual fez avançar essa política para níveis de direita... e de gravidade jamais antes atingidos, gerando um descontentamento popular jamais antes verificado.
Razão mais do que suficiente, portanto, para que o deputado Manuel Alegre, respondendo ao tradicional apelo de consciência, se esteja a repetir no cumprimento da tarefa maior de, hoje como em 2000, dar o seu contributo para impedir que o descontentamento popular conduza à derrota da política de direita e à sua substituição por uma política de esquerda inspirada nos ideais de Abril.
Por isso esteve, e disse o que disse, no Teatro da Trindade; e está, dizendo o que diz, nas primeiras páginas de todos os órgãos da comunicação social dominante.
Ah!: e se, para tentar alcançar o seu objectivo essencial, Alegre se apoiou, desta vez, na muleta BE, é porque, como a realidade mostra, essa muleta se mostra totalmente disponível para o apoiar.
Vivia-se uma situação de descontentamento generalizado face às consequências da guterral política.
Os trabalhadores manifestavam-se, protestavam e o movimento de massas ameaçava pôr em causa, não apenas o Governo e os governantes, mas a própria política de direita.
O PSD, com Durão Barroso como líder, fingia de oposição e preparava-se para substituir o PS na execução dessa mesma política.
Foi então que, de dentro do PS, surgiu a voz profunda e imponente do seu dirigente e deputado Manuel Alegre que, de semblante grave e austero, e respondendo a um lancinante apelo de consciência, veio à boca de cena fazer o seu número de fingir uma exuberante oposição às práticas governamentais geradoras do descontentamento popular e fingir exigir ao seu partido uma postura de esquerda.
Dizia Alegre, tonitroante, nesse ano 2000 (por sinal, por ocasião das grandes jornadas de massas do 25 de Abril e do 1º de Maio...):
«O grande perigo não vem do PSD nem de Durão Barroso. Vem do governo, vem do PS e da tendência do poder para o autismo, o conformismo e a auto-satisfação narcísica».
É de homem! - houve quem dissesse.
E dizia Alegre, com requebros de esquerda na voz grave, uns meses depois (por sinal, por ocasião de grandes manifestações das massas trabalhadoras...):
«O PS precisa de uma reorientação estratégica e de repor com urgência o primado dos valores».
É de homem de esquerda! - houve quem dissesse.
Entretanto, Guterres, não suportando mais os protestos populares (que ele dizia não o impressionarem, até porque não passavam de acções de agitação levadas a cabo pelos comunistas...), fugiu - aliás, seguindo o exemplo do colega que o antecedera - Cavaco Silva - que também fugira e que também não se impressionava com manifestações...
As eleições deram a vitória ao PSD e coube a Barroso dar continuidade à política de Guterres, Cavaco, etc.
Barroso - que também não se deixava impressionar por manifestações, fossem elas grandes ou pequenas - seguiu a tradição dos líderes da política de direita: fugiu...
E sucedeu-lhe Sócrates, o qual fez avançar essa política para níveis de direita... e de gravidade jamais antes atingidos, gerando um descontentamento popular jamais antes verificado.
Razão mais do que suficiente, portanto, para que o deputado Manuel Alegre, respondendo ao tradicional apelo de consciência, se esteja a repetir no cumprimento da tarefa maior de, hoje como em 2000, dar o seu contributo para impedir que o descontentamento popular conduza à derrota da política de direita e à sua substituição por uma política de esquerda inspirada nos ideais de Abril.
Por isso esteve, e disse o que disse, no Teatro da Trindade; e está, dizendo o que diz, nas primeiras páginas de todos os órgãos da comunicação social dominante.
Ah!: e se, para tentar alcançar o seu objectivo essencial, Alegre se apoiou, desta vez, na muleta BE, é porque, como a realidade mostra, essa muleta se mostra totalmente disponível para o apoiar.
Alegre, uma estória pouco coerente
Manuel Alegre já avisou que se continuar no PS (alguém tem dúvidas que morrerá no PS?) votará no Sócrates em 2009. Não foi preciso muito, como se previra, para Manuel Alegre voltar ao que sempre foi: apoiante incondicional das políticas de direita. Vem isto a confirmar que o comício de Terça-Feira não foi mais que um comício porque sim, um comício para se dizer aquilo que se não faz. Coerente, não?
POEMA
ÇA IRA!
Isto vai, caro amigo.
Não como nós queremos, é certo,
mas isto vai.
Por noites de insónia e alcatrão
por laranjas e lábios ressequidos
por desespero na voz e escuridão
isto vai, caro amigo.
Pelo cabo axial que liga a nossa esperança
pela luz dos cabelos, pelo sal
pela palavra remo, pela palavra ódio
isto vai, caro amigo.
Pela ternura e pela confiança
pela vontade e força, as nossas casas
pelo fervor com que inventamos (e depois
calamos)
isto vai, caro amigo.
Pelos carris do medo, pelas árvores
pela inocência e fome, pelos perigos
pelos sinais fraternos, pelas lágrimas
isto vai, caro amigo.
Pela rudeza do espaço
e em jardins falsíssimos
isto vai, caro amigo.
João Rui de Sousa
Isto vai, caro amigo.
Não como nós queremos, é certo,
mas isto vai.
Por noites de insónia e alcatrão
por laranjas e lábios ressequidos
por desespero na voz e escuridão
isto vai, caro amigo.
Pelo cabo axial que liga a nossa esperança
pela luz dos cabelos, pelo sal
pela palavra remo, pela palavra ódio
isto vai, caro amigo.
Pela ternura e pela confiança
pela vontade e força, as nossas casas
pelo fervor com que inventamos (e depois
calamos)
isto vai, caro amigo.
Pelos carris do medo, pelas árvores
pela inocência e fome, pelos perigos
pelos sinais fraternos, pelas lágrimas
isto vai, caro amigo.
Pela rudeza do espaço
e em jardins falsíssimos
isto vai, caro amigo.
João Rui de Sousa
A LUTA CONTINUA
Quem lá esteve, viu como foi. Quem lá não foi e viu os jornais de hoje, terá ficado com uma ideia aproximada.
Mais de 200. 000?: sem dúvida.
Muitos mais do que os «mais de 200. 000» da manifestação de 18 de Outubro?: sem dúvida, também.
Cerca de 250. 000?: eis um número que se me afigura muito mais próximo da realidade.
Mas a questão é (quase) irrelevante. Porque o que conta - e disso ninguém duvida - é que, na tarde de ontem, uma multidão de pessoas ocupou a Avenida da Liberdade, Marquês e Restauradores incluídos, numa atitude de grande consciência social e política, dizendo «NÃO!» à política de direita; exigindo o cumprimento dos direitos a que têm direito e que o Governo PS/Sócrates lhes quer roubar - e, acima de tudo, mostrando uma firme disposição de prosseguir a luta.
É claro que Sócrates não se impressiona com os números. E, assim sendo, há que concluir que, para ele, o protesto de um cidadão isolado vale o mesmo do que o protesto de mais de 200. 000 trabalhadores organizados na sua Central Sindical.
É mentira: se a manifestação tivesse sido um fracasso, é fácil de imaginar o que seria, hoje, o discurso de Sócrates...
Mas deixemo-lo mentir. Deixemo-lo inebriado com os aplausos que recebe, poucos mas bons: os que a si próprio não se cansa de fazer e os que lhe fazem os donos dos grandes grupos económicos e financeiros - que são os donos dele, Sócrates...
Do lado dos trabalhadores - não para impressionar Sócrates, mas para derrotar a sua política de direita - A LUTA CONTINUA!
Com as armas que têm na mão: a sua força organizada.
Mais de 200. 000?: sem dúvida.
Muitos mais do que os «mais de 200. 000» da manifestação de 18 de Outubro?: sem dúvida, também.
Cerca de 250. 000?: eis um número que se me afigura muito mais próximo da realidade.
Mas a questão é (quase) irrelevante. Porque o que conta - e disso ninguém duvida - é que, na tarde de ontem, uma multidão de pessoas ocupou a Avenida da Liberdade, Marquês e Restauradores incluídos, numa atitude de grande consciência social e política, dizendo «NÃO!» à política de direita; exigindo o cumprimento dos direitos a que têm direito e que o Governo PS/Sócrates lhes quer roubar - e, acima de tudo, mostrando uma firme disposição de prosseguir a luta.
É claro que Sócrates não se impressiona com os números. E, assim sendo, há que concluir que, para ele, o protesto de um cidadão isolado vale o mesmo do que o protesto de mais de 200. 000 trabalhadores organizados na sua Central Sindical.
É mentira: se a manifestação tivesse sido um fracasso, é fácil de imaginar o que seria, hoje, o discurso de Sócrates...
Mas deixemo-lo mentir. Deixemo-lo inebriado com os aplausos que recebe, poucos mas bons: os que a si próprio não se cansa de fazer e os que lhe fazem os donos dos grandes grupos económicos e financeiros - que são os donos dele, Sócrates...
Do lado dos trabalhadores - não para impressionar Sócrates, mas para derrotar a sua política de direita - A LUTA CONTINUA!
Com as armas que têm na mão: a sua força organizada.
Ainda (e sempre!) Catarina...

Perante a tradicional homenagem prestada pelos comunistas a Catarina Eufémia, não faltam as acusações por parte dos «do costume» de esta ser uma farsa que pretende, através da mistificação, apenas manipular com a falsidade aqueles que, «comandados» pelo aparelho dos comunistas, lá se deslocam . Os argumentos são variados e vão desde a mais pura desvergonha que é a negação da morte de uma camponesa comunista em luta por paz, pão e trabalho, até aos que tentam a descredibilização da homenagem, dizendo que esta se baseia em mentiras e exageros manietados pelo Partido Comunista, afim de promover uma cultura de classe que, bem dita fosse a verdade, cairia por terra. E a bendita verdade é que, pasme-se, Catarina não estava grávida. A prová-lo o relatório da autópsia do dr fascista. Não vou entrar por discussões que me parecem ser de assunto oco, palmilhados que estão os argumentos que se travam de um lado e outro. Como antropólogo – e admitindo que Catarina é mártir de uma causa - parece-me muito mais importante, como lembrou há uns anos Paula Godinho num artigo publicado no diário Público, analisar o que leva à existência de mártires de causa – criados pela morte dos dominados perante os dominantes – do que enveredar por argumentos que mais não fazem que desviar a atenção do essencial. E a verdade é que no dia 19 de Maio de 1954 Catarina tombou face às balas da repressão. Nesta morte a classe operária reviu a sua condição de vida oprimida. Este facto criou a necessidade da lembrança/homenagem. Seja nas gravatas pretas ostentadas pelos camaradas de classe no aniversário da sua morte, ainda em pleno fascismo, seja na «romaria» efectuada todos os anos de 1974 para cá. Porque, parece-me, muito mais importante que saber a verdade absoluta de pormenores – que na verdade não o são – se havia mais uma vida dentro da mulher assassinada, é saber que necessidade levou à criação de uma mártir pela classe oprimida. Ajudada, claro, pelos assassinos fascistas. E nenhum argumento lhes tira a ambos, esta condição. Oprimidos de um lado, fascistas de outro. Catarina no meio. Mas morta por defender um dos lados. Por pedir pão, para os braços que trabalhavam. E, já agora, por aqueles que ainda não o faziam mas a isso estavam destinados. Os braços tenros que, acredito – porque acredito em quem conhecia bem Catarina – esta trazia na barriga, prometendo mais uma boca que alimentar.
Este texto foi hoje publicado com a edição do semanário Alentejo Popular, propriedade da Cooperativa Cultural Alentejana.
A festa da esquerda!
« -Alegre do PS num comício do Bloco? Mas o Alegre não é aquele tipo da voz grave que dizendo sempre mal das politicas do seu partido as acaba sempre por as corroborar não votando contra elas? Mas e o Bloco não é aquele partido que se assume interclassista e não revolucionário? Que tem isto de esquerda??Ah, tem o nome, pois, não vá o povinho desconfiar da democracia burguesa que oferecem... a mania que esta gente tem de nos baralhar. Pena mesmo foi o Alegre ter saido logo depois. Não tivesse cheio de pressa para se ir abster neste pacote laboral e ainda ia com a malta do Bloco à manifestação. Afinal de contas deve ser das últimas em que participam. Ou talvez não. Bem vistas as coisas o Alegre agora também faz comícios para criticar a politica com a qual ele pactua. Ainda há-de ser giro... Ver os ministros Anacleto e Alegre a barafustarem, na rua, com mais 100 mil, contra as leis que eles próprios publicam. ele há coisas... não tivesse sido uma festa e dava vontade de chorar...» Inácio Caixeirinha
(foto: Beja. Manifestação do PCP por melhores condições de saúde. Maio de 2008)
POEMA
EM TORNO DA MINHA BAÍA
Aqui, na areia,
sentada à beira do cais da minha baía
do cais simbólico, dos fardos,
das malas e da chuva
caindo em torrente
sobre o cais desmantelado,
caindo em ruínas
eu queria ver à volta de mim,
nesta hora morna do entardecer
no mormaço tropical
desta terra de África
à beira do cais a desfazer-se em ruínas,
abrigados por um toldo movediço
uma legião de cabecinhas pequenas,
à roda de mim,
num voo magistral em torno do mundo
desenhando na areia
a senda de todos os destinos
pintando na grande tela da vida
uma história bela
para os homens de todas as terras
ciciando em coro, canções melodiosas
numa toada universal
num cortejo gigante de humana poesia
na ,ais bela de todas as lições:
HUMANIDADE.
Alda do Espírito Santo
Aqui, na areia,
sentada à beira do cais da minha baía
do cais simbólico, dos fardos,
das malas e da chuva
caindo em torrente
sobre o cais desmantelado,
caindo em ruínas
eu queria ver à volta de mim,
nesta hora morna do entardecer
no mormaço tropical
desta terra de África
à beira do cais a desfazer-se em ruínas,
abrigados por um toldo movediço
uma legião de cabecinhas pequenas,
à roda de mim,
num voo magistral em torno do mundo
desenhando na areia
a senda de todos os destinos
pintando na grande tela da vida
uma história bela
para os homens de todas as terras
ciciando em coro, canções melodiosas
numa toada universal
num cortejo gigante de humana poesia
na ,ais bela de todas as lições:
HUMANIDADE.
Alda do Espírito Santo
DECIFRANDO
Manuel Alegre no comício do Trindade:
«O que nos uniu aqui foi a preocupação, inquietação e solidariedade para com todos os portugueses que passam momentos difíceis porque votaram nos socialistas»
Decifrando a mensagem:
1 - Alegre sabe que muitos eleitores que votaram PS/Alegre estão descontentes com a política de direita do Governo PS/Sócrates e pensam alterar o sentido do seu voto nas próximas eleições.
2 - Alegre receia que essa alteração de voto seja feita no sentido da força que, de facto e em concreto, tem combatido a política de direita geradora de desigualdades sociais: o PCP/CDU.
3 - Por isso, Alegre apela ao voto desses eleitores descontentes no BE.
Simples como a água que corre...
«O que nos uniu aqui foi a preocupação, inquietação e solidariedade para com todos os portugueses que passam momentos difíceis porque votaram nos socialistas»
Decifrando a mensagem:
1 - Alegre sabe que muitos eleitores que votaram PS/Alegre estão descontentes com a política de direita do Governo PS/Sócrates e pensam alterar o sentido do seu voto nas próximas eleições.
2 - Alegre receia que essa alteração de voto seja feita no sentido da força que, de facto e em concreto, tem combatido a política de direita geradora de desigualdades sociais: o PCP/CDU.
3 - Por isso, Alegre apela ao voto desses eleitores descontentes no BE.
Simples como a água que corre...
POEMA
PRELÚDIO
Quando o descobridor chegou à primeira ilha
nem homens nus
nem mulheres nuas
espreitando
inocentes e medrosos
detrás da vegetação.
Nem setas envenenadas vindas no ar
nem gritos de alarme e de guerra
escoando pelos montes.
Havia somente
as aves de rapina
de garras afiadas
as aves marítimas
de voo largo
as aves canoras
assobiando inéditas melodias.
E a vegetação
cujas sementes vieram presas
nas asas dos pássaros
ao serem arrastadas para cá
pelas fúrias dos temporais.
Quando o descobridor chegou
e saltou da proa do escaler varado na praia
enterrando
o pé direito na areia molhada
e se persignou
receoso ainda e surpreso
pensando n'El-Rei
nessa hora então
nessa hora inicial
começou a cumprir-se
este destino ainda de todos nós.
Jorge Barbosa
Quando o descobridor chegou à primeira ilha
nem homens nus
nem mulheres nuas
espreitando
inocentes e medrosos
detrás da vegetação.
Nem setas envenenadas vindas no ar
nem gritos de alarme e de guerra
escoando pelos montes.
Havia somente
as aves de rapina
de garras afiadas
as aves marítimas
de voo largo
as aves canoras
assobiando inéditas melodias.
E a vegetação
cujas sementes vieram presas
nas asas dos pássaros
ao serem arrastadas para cá
pelas fúrias dos temporais.
Quando o descobridor chegou
e saltou da proa do escaler varado na praia
enterrando
o pé direito na areia molhada
e se persignou
receoso ainda e surpreso
pensando n'El-Rei
nessa hora então
nessa hora inicial
começou a cumprir-se
este destino ainda de todos nós.
Jorge Barbosa
PORQUÊ?
I - Jerónimo de Sousa esteve, no domingo, no Vale do Ave.
Contactou com populações de diversas localidades e, à tarde, participou num comício com cerca de mil pessoas, em Guimarães.
Falou do desemprego, do emprego precário, dos baixos salários, das desigualdades sociais, da situação dos jovens, dos reformados, dos pequenos empresários - e apontou a causa desse flagelos: a política de direita, de momento executada pelo Governo PS/Sócrates.
Falou da luta dos trabalhadores e das populações como caminho indispensável para derrotar essa política e as suas consequências nefastas - e apelou à participação na manifestação nacional do dia 5.
Reafirmou a disponibilidade do PCP para continuar a integrar essa luta.
Os jornais, as rádios e as televisões procederam a um cirúrgico silenciamento de todas estas iniciativas.
Porquê esse silenciamento?
II - Manuel Alegre, deputado do partido do Governo; Francisco Louçã, líder do BE, e mais uns quantos atrelados comuns aos dois, organizaram um comício para expressar preocupações face às desigualdades existentes no País.
Os jornais, as rádios e as televisões fizeram disso um acontecimento de dimensão nacional: antes, promovendo-o com estrondo; durante, com directos televisivos e radiofónicos; depois, com destaques de primeiras páginas e relatos encomiásticos.
Porquê essa propaganda?
Quem souber que responda.
Contactou com populações de diversas localidades e, à tarde, participou num comício com cerca de mil pessoas, em Guimarães.
Falou do desemprego, do emprego precário, dos baixos salários, das desigualdades sociais, da situação dos jovens, dos reformados, dos pequenos empresários - e apontou a causa desse flagelos: a política de direita, de momento executada pelo Governo PS/Sócrates.
Falou da luta dos trabalhadores e das populações como caminho indispensável para derrotar essa política e as suas consequências nefastas - e apelou à participação na manifestação nacional do dia 5.
Reafirmou a disponibilidade do PCP para continuar a integrar essa luta.
Os jornais, as rádios e as televisões procederam a um cirúrgico silenciamento de todas estas iniciativas.
Porquê esse silenciamento?
II - Manuel Alegre, deputado do partido do Governo; Francisco Louçã, líder do BE, e mais uns quantos atrelados comuns aos dois, organizaram um comício para expressar preocupações face às desigualdades existentes no País.
Os jornais, as rádios e as televisões fizeram disso um acontecimento de dimensão nacional: antes, promovendo-o com estrondo; durante, com directos televisivos e radiofónicos; depois, com destaques de primeiras páginas e relatos encomiásticos.
Porquê essa propaganda?
Quem souber que responda.
POEMA
ADEUS, IRMÃO BRANCO!
ADEUS, meu irmão branco, boa viagem!
Chegou a hora de você voltar
para a Europa, a sua terra.
Quando você chegar, há-de falar
dos encantos que encerra
esta África Negra, tão distante,
tão distante, irmão branco...
Pois eu quero, neste instante
da partida, pedir-lhe uma promessa:
- Não se esqueça da alma do negro,
não se esqueça!
Você há-de falar das terras africanas,
da mata e da cubata,
dos montes e das chanas;
mas não se esqueça da alma.
Você há-de falar do sol fogoso,
das caçadas e queimadas,
das noites que viveu em batucadas
no mais feiticeiro gozo;
mas não se esqueça da alma.
Vai falar do café, do algodão, do sisal,
da fruta tropical, enfim, de toda a flora;
mas não se esqueça da alma.
Você há-de falar dos negros no seu mato,
da negra tentadora
de corpo sensual,
mostrando até retrato;
mas não se esqueça da alma.
Adeus, meu irmão branco! Lá na Europa,
quando falar da tropical paisagem,
não se esqueça da alma do negro.
Adeus, meu irmão branco, boa viagem!
Geraldo Bessa Victor
ADEUS, meu irmão branco, boa viagem!
Chegou a hora de você voltar
para a Europa, a sua terra.
Quando você chegar, há-de falar
dos encantos que encerra
esta África Negra, tão distante,
tão distante, irmão branco...
Pois eu quero, neste instante
da partida, pedir-lhe uma promessa:
- Não se esqueça da alma do negro,
não se esqueça!
Você há-de falar das terras africanas,
da mata e da cubata,
dos montes e das chanas;
mas não se esqueça da alma.
Você há-de falar do sol fogoso,
das caçadas e queimadas,
das noites que viveu em batucadas
no mais feiticeiro gozo;
mas não se esqueça da alma.
Vai falar do café, do algodão, do sisal,
da fruta tropical, enfim, de toda a flora;
mas não se esqueça da alma.
Você há-de falar dos negros no seu mato,
da negra tentadora
de corpo sensual,
mostrando até retrato;
mas não se esqueça da alma.
Adeus, meu irmão branco! Lá na Europa,
quando falar da tropical paisagem,
não se esqueça da alma do negro.
Adeus, meu irmão branco, boa viagem!
Geraldo Bessa Victor
Alegre: ma non troppo
Ontem foi noite de Aqui e Agora. Mas: aqui e agora, o quê? A resposta não nos foi dada como seria de esperar: foi comício porque sim, e até teve uns artistas a darem-nos música. O primeiro deles foi o José Soeiro que nos embalou saudando a geração dos 500 €. Mas, onde estava - por exemplo - no dia 13 de Dezembro quando foi assinado o Tratado de Lisboa? Ah, não nos esqueçamos : foi o seu dia de estreia enquanto deputado da AR. Naturalmente, pensamos nós, enquanto jovem de esquerda que falou daquilo que nos mais preocupa: ou as propinas, ou a contínua degradação do ensino público, ou as precárias condições laborais, ou a assinatura dum tratado que compromete o nosso futuro, ou, ou... Pois, seria bom! José Soeiro, o mesmo que ontem se mostrou indignado pelas políticas que nos fazem, a nós - jovens portugueses, a geração dos 500€, orou sobre as praxes nas universidades. Era o mais urgente, que diabo.
E, com mais meia dúzia de ilusões próprias de malabaristas, foi o circo decorrendo. Manuel Alegre começou dizendo que se tratava duma iniciativa cultural e o resto foi o paleio do costume: no seu tom de voz inconfundível foi evocando aquilo que há muito não pratica: os valores de esquerda, a esquerda de valores, o socialismo, o estar do lado dos pobres e dos oprimidos, ... E hoje os MEDIA serão inundados com notícias que um novo movimento de esquerda se reorganiza, que ganha força, que cresce, mas amanhã os participantes não mais se lembrarão deste comício, não mais se lembrarão do que defenderam. Aliás como vem sendo costume: da parte do Bloco, como agoirou o Jerónimo, bastará as eleições de 2009 para pôr definitivamente os dois pés dentro. O Manuel Alegre não necessitará de tanto tempo para se assumir: é só esperar pela próxima votação em AR... É mesmo caso para dizer: Alegre ma non troppo.
E, com mais meia dúzia de ilusões próprias de malabaristas, foi o circo decorrendo. Manuel Alegre começou dizendo que se tratava duma iniciativa cultural e o resto foi o paleio do costume: no seu tom de voz inconfundível foi evocando aquilo que há muito não pratica: os valores de esquerda, a esquerda de valores, o socialismo, o estar do lado dos pobres e dos oprimidos, ... E hoje os MEDIA serão inundados com notícias que um novo movimento de esquerda se reorganiza, que ganha força, que cresce, mas amanhã os participantes não mais se lembrarão deste comício, não mais se lembrarão do que defenderam. Aliás como vem sendo costume: da parte do Bloco, como agoirou o Jerónimo, bastará as eleições de 2009 para pôr definitivamente os dois pés dentro. O Manuel Alegre não necessitará de tanto tempo para se assumir: é só esperar pela próxima votação em AR... É mesmo caso para dizer: Alegre ma non troppo.
POEMA
AMA NEGRA
Teu corpo
gordo
redondo
feio
mas belo.
Teu rosto largo
nariz largo
olhos grandes
cabelo lanoso
tudo grande
nasceste assim
feia mas bela.
As crianças gostam de ti
da tua bondade e paciência
Mãe Santa
Ama de muitas crianças.
Aquele menino branco
António
não gosta de mais ninguém.
Tomás Jorge
Teu corpo
gordo
redondo
feio
mas belo.
Teu rosto largo
nariz largo
olhos grandes
cabelo lanoso
tudo grande
nasceste assim
feia mas bela.
As crianças gostam de ti
da tua bondade e paciência
Mãe Santa
Ama de muitas crianças.
Aquele menino branco
António
não gosta de mais ninguém.
Tomás Jorge
DESCULPEM A INSISTÊNCIA...
... Mas é só para que a questão não fique esquecida no meio do caudal de notícias com que os média nos têm vindo a afogar - desde as andanças da selecção nacional de futebol («as bandeiras, não se esqueçam das bandeiras, ouviram?» Ó Pepe, já aprendeste o Hino Nacional? não te esqueças do Hino», «Vá, agora vamos todos ouvir o Roberto Leal que é o cantor preferido do mister Scolari») até àquele que, a ajuizar pelo relevo que lhe é dado por esses média, parece ser o maior acontecimento do Século: o «comício contra o Governo», organizado por Alegre, Louçã & etc.
Insisto, então, na minha notícia - que podia ser, mas não é, sobre a ida de Jerónimo de Sousa ao Vale do Ave, a qual, sabemos bem porquê, foi cuidadosa e eficazmente silenciada pela generalidade da comunicação social dominante - para que, repito, a questão não caia no esquecimento.
Como estamos lembrados - e aqui lembrei várias vezes - o conceito de liberdade, democracia e direitos humanos em vigor nos Estados Unidos da América, exibe-se em múltiplas expressões, uma das quais é a forma de tratamento dada aos suspeitos de terrorismo e, particularmente, aos suspeitos de que se supõe dever suspeitar-se serem suspeitos de qualquer suspeita ligação ao suspeito atentado às Torres Gémeas em 11 de Setembro de 2001 - sem esquecer, naturalmente, que estes «suspeitos» incluem, também, os filhos, netos, pais e vizinhos de todos os preumiveis suspeitos...
Com efeito, tanto as diversificadas formas de tortura aplicadas, como as características celulares inventadas nas prisões secretas, como o volume de presos registado, revelam um imaginação notável por parte dos torturadores, dos carcereiros e de todos os heróicos combatentes do terrorismo em geral.
Diz-nos agora a ONG britânica Reprieve que, desde o 11 de setembro de 2001, terão passado pelas prisões secretas norte-americanas 80. 000 «suspeitos» - os quais foram criteriosamente fechados, fichados e tratados em cadeias secretas da CIA, espalhadas por vários países, designadamente: Quénia, Somália, Etiópia, Djibuti, Tailândia, Afeganistão, Polónia e Roménia.
Não surpreende mas é digno de registo, o elevado número pessoas presas - e seria bom saber, no final, quantas se provou, após a prisão e as torturas, nada terem a ver com aquele ou com qualquer outro atentado.
Outra notícia, diz-nos que vai ter início o julgamento daquele que a CIA considera ser «o cérebro» do ataque às Torres Gémeas.
Não surpreende mas é digno de registo, o facto de tal julgamento ocorrer quase sete anos depois do atentado - tal como convém registar este outro curioso pormenor: o «tribunal» que vai julgar (e condenar) «o cérebro», é «considerado ilegal pelo Supremo Tribunal dos EUA»...
Acrescentemos, então, ao painel de conceitos civilizacionais em vigor nos EUA, este peculiar conceito de justiça...
E registemos. Pelo menos na memória.
Insisto, então, na minha notícia - que podia ser, mas não é, sobre a ida de Jerónimo de Sousa ao Vale do Ave, a qual, sabemos bem porquê, foi cuidadosa e eficazmente silenciada pela generalidade da comunicação social dominante - para que, repito, a questão não caia no esquecimento.
Como estamos lembrados - e aqui lembrei várias vezes - o conceito de liberdade, democracia e direitos humanos em vigor nos Estados Unidos da América, exibe-se em múltiplas expressões, uma das quais é a forma de tratamento dada aos suspeitos de terrorismo e, particularmente, aos suspeitos de que se supõe dever suspeitar-se serem suspeitos de qualquer suspeita ligação ao suspeito atentado às Torres Gémeas em 11 de Setembro de 2001 - sem esquecer, naturalmente, que estes «suspeitos» incluem, também, os filhos, netos, pais e vizinhos de todos os preumiveis suspeitos...
Com efeito, tanto as diversificadas formas de tortura aplicadas, como as características celulares inventadas nas prisões secretas, como o volume de presos registado, revelam um imaginação notável por parte dos torturadores, dos carcereiros e de todos os heróicos combatentes do terrorismo em geral.
Diz-nos agora a ONG britânica Reprieve que, desde o 11 de setembro de 2001, terão passado pelas prisões secretas norte-americanas 80. 000 «suspeitos» - os quais foram criteriosamente fechados, fichados e tratados em cadeias secretas da CIA, espalhadas por vários países, designadamente: Quénia, Somália, Etiópia, Djibuti, Tailândia, Afeganistão, Polónia e Roménia.
Não surpreende mas é digno de registo, o elevado número pessoas presas - e seria bom saber, no final, quantas se provou, após a prisão e as torturas, nada terem a ver com aquele ou com qualquer outro atentado.
Outra notícia, diz-nos que vai ter início o julgamento daquele que a CIA considera ser «o cérebro» do ataque às Torres Gémeas.
Não surpreende mas é digno de registo, o facto de tal julgamento ocorrer quase sete anos depois do atentado - tal como convém registar este outro curioso pormenor: o «tribunal» que vai julgar (e condenar) «o cérebro», é «considerado ilegal pelo Supremo Tribunal dos EUA»...
Acrescentemos, então, ao painel de conceitos civilizacionais em vigor nos EUA, este peculiar conceito de justiça...
E registemos. Pelo menos na memória.
A TV Como Instrumento Redutor - Vergílio Ferreira
Já um acto religioso é muito diferente ao ar livre ou no interior de uma catedral. Mas a TV é algo de minúsculo e trivial como o sofá donde a presenciamos. Diremos assim e em resumo que a TV é um instrumento redutor. Porque tudo o que passa por lá chega até nós diminuído e desvalorizado no que lhe é essencial. E a maior razão disso não está nas reduzidas dimensões do ecrã, mas no facto de a «caixa revolucionadora» ser um objecto entre os objectos de uma sala.
Mas por sobre todos os males que nos infligiu, ergue-se o da promoção do analfabetismo. Ler é um acto difícil e olhar o boneco não dá trabalho nenhum. Ler exige a colaboração da memória, do entendimento e da imaginação.
A TV dispensa tudo. Uma simples frase como «o homem subiu a escada» exige a decifração de cada palavra, a relação das anteriores até se ler a última e a figuração do seu sentido e imagem correspondente. Mas na TV dá-se tudo de uma vez sem nós termos de trabalhar. Mas cada nossa faculdade, posta em desuso, chega ao desuso maior que é deixar de existir. Mas ser homem simplesmente é muito trabalhoso. E o mais cómodo é ser suíno...
POEMA
CONFISSÃO
No silêncio pesado do caminho,
ouviu-se um passo, cadenciado
na firmeza das horas decisivas.
A sentinela bradou:
- Quem vem lá?...
O Homem podia ter respondido
qualquer coisa parecida
com: «gente de paz»...
Mas não. Onde a paz,
se no seu peito ardiam agonias
enraivadas,
se no seus olhos boiavam
visões de fogo e de morte,
e as suas mãos,
(ó belas, generosas mãos!)
vinham ainda tintas
do sangue dos camaradas?...
Não trocou portanto as falas.
Respondeu simplesmente, sombriamente:
- EU!
E a sentinela, varou-o com três balas.
Alda Lara
No silêncio pesado do caminho,
ouviu-se um passo, cadenciado
na firmeza das horas decisivas.
A sentinela bradou:
- Quem vem lá?...
O Homem podia ter respondido
qualquer coisa parecida
com: «gente de paz»...
Mas não. Onde a paz,
se no seu peito ardiam agonias
enraivadas,
se no seus olhos boiavam
visões de fogo e de morte,
e as suas mãos,
(ó belas, generosas mãos!)
vinham ainda tintas
do sangue dos camaradas?...
Não trocou portanto as falas.
Respondeu simplesmente, sombriamente:
- EU!
E a sentinela, varou-o com três balas.
Alda Lara
O INQUÉRITO DO COSTUME...
Veio a público, no Público de hoje, mais um caso exemplar dos métodos e práticas da política de direita executada ora pelo PP ora pelo PSD, numa alternância devastadora dos interesses de Portugal e dos Portugueses - política que, com os seus 32 anos de existência, tende a instituir em Portugal um regime de política única praticada por uma espécie de partido único bicéfalo...
Trata-se, neste caso, da mais que presumível mega-negociata relacionada com os custos e o processo de adjudicação do Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) - que é um sistema de comunicações para as várias forças de segurança, serviços de informação, emergência médica e protecção civil.
Os custos da instalação desta rede de comunicações foram avaliados em cerca de 100 milhões de euros por um grupo de trabalho constituído para o efeito e presidido por Almiro de Oliveira.
A adjudicação da obra foi feita pelo então ministro da Administração Interna, Daniel Sanches (Governo Santana Lopes), a um consórcio liderado pela Sociedade Lusa de Negócios (SLN) - isto numa altura em que o Governo de Santana Lopes se encontrava já em regime de gestão corrente e a três dias das eleições legislativas...
Acresce que a adjudicação foi feita, não pelos 100 milhões de euros avaliados pelo grupo de trabalho de Almiro de Oliveira, mas por 538, 2 milhões!
Posteriormente, após intervenção do então ministro da Administração Interna de José Sócrates, António Costa, a Procuradoria-Geral da República «decretou nula a adjudicação feita por Sanches».
Todavia, o ministro António Costa, podendo, se quisesse, «não adjudicar o sistema à SLN, preferiu renegociar o contrato», baixando-o para aquele que viria a ser o seu custo final: 485, 5 milhões de euros: quase cinco vezes o custo previsto - e a que há que acrescentar, já agora, os custos do estudo, deitado para o caixote do lixo, feito pelo grupo de trabalho de Almiro de oliveira...
A adjudicação levantou natural polémica, também pelo facto, não dispiciendo..., de Daniel Sanches ter no seu vastíssimo currículo o desempenho de elevadas funções no grupo a que pertence a Sociedade Lusa Negócios, vencedora do concurso...
E o Ministério Público abriu um inquérito baseado em «suspeitas de tráfico de influências e participação económica em negócio» - isto é, o inquérito do costume...
Curiosamente, diz-nos o Público, nem Almiro de Oliveira nem nenhum dos outros membros do grupo de trabalho por ele presidido, foram ouvidos no referido inquérito... e «ninguém deu importância» ao relatório final produzido pelo grupo de trabalho - o tal que avaliava os custos da obra em 100 milhões de euros...
Assim, e como era previsível, o inquérito acabaria por ser arquivado em Março passado, concluindo o MP, entre outras coisas, não haver qualquer ligação entre os diversos cargos de Daniel Sanches no grupo da SLN e a adjudicação da obra, no valor de 485, 5 milhões de euros, a esta empresa...
Pronto.
Pois...
Trata-se, neste caso, da mais que presumível mega-negociata relacionada com os custos e o processo de adjudicação do Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) - que é um sistema de comunicações para as várias forças de segurança, serviços de informação, emergência médica e protecção civil.
Os custos da instalação desta rede de comunicações foram avaliados em cerca de 100 milhões de euros por um grupo de trabalho constituído para o efeito e presidido por Almiro de Oliveira.
A adjudicação da obra foi feita pelo então ministro da Administração Interna, Daniel Sanches (Governo Santana Lopes), a um consórcio liderado pela Sociedade Lusa de Negócios (SLN) - isto numa altura em que o Governo de Santana Lopes se encontrava já em regime de gestão corrente e a três dias das eleições legislativas...
Acresce que a adjudicação foi feita, não pelos 100 milhões de euros avaliados pelo grupo de trabalho de Almiro de Oliveira, mas por 538, 2 milhões!
Posteriormente, após intervenção do então ministro da Administração Interna de José Sócrates, António Costa, a Procuradoria-Geral da República «decretou nula a adjudicação feita por Sanches».
Todavia, o ministro António Costa, podendo, se quisesse, «não adjudicar o sistema à SLN, preferiu renegociar o contrato», baixando-o para aquele que viria a ser o seu custo final: 485, 5 milhões de euros: quase cinco vezes o custo previsto - e a que há que acrescentar, já agora, os custos do estudo, deitado para o caixote do lixo, feito pelo grupo de trabalho de Almiro de oliveira...
A adjudicação levantou natural polémica, também pelo facto, não dispiciendo..., de Daniel Sanches ter no seu vastíssimo currículo o desempenho de elevadas funções no grupo a que pertence a Sociedade Lusa Negócios, vencedora do concurso...
E o Ministério Público abriu um inquérito baseado em «suspeitas de tráfico de influências e participação económica em negócio» - isto é, o inquérito do costume...
Curiosamente, diz-nos o Público, nem Almiro de Oliveira nem nenhum dos outros membros do grupo de trabalho por ele presidido, foram ouvidos no referido inquérito... e «ninguém deu importância» ao relatório final produzido pelo grupo de trabalho - o tal que avaliava os custos da obra em 100 milhões de euros...
Assim, e como era previsível, o inquérito acabaria por ser arquivado em Março passado, concluindo o MP, entre outras coisas, não haver qualquer ligação entre os diversos cargos de Daniel Sanches no grupo da SLN e a adjudicação da obra, no valor de 485, 5 milhões de euros, a esta empresa...
Pronto.
Pois...
POEMA
HÁ DIAS
Há dias em que julgamos
que todo o lixo do mundo nos cai
em cima: Depois
ao chegarmos à varanda avistamos
as crianças correndo no molhe
enquanto cantam.
Não lhes sei o nome. Uma
ou outra parece-se comigo.
Quero eu dizer: com o que fui
quando cheguei a ser
luminosa presença da graça,
ou da alegria.
Um sorriso abre-se então
num verão antigo.
E dura, dura ainda.
Eugénio de Andrade
Há dias em que julgamos
que todo o lixo do mundo nos cai
em cima: Depois
ao chegarmos à varanda avistamos
as crianças correndo no molhe
enquanto cantam.
Não lhes sei o nome. Uma
ou outra parece-se comigo.
Quero eu dizer: com o que fui
quando cheguei a ser
luminosa presença da graça,
ou da alegria.
Um sorriso abre-se então
num verão antigo.
E dura, dura ainda.
Eugénio de Andrade
«A CRIANÇA E A VIDA»
Neste Dia Mundial da Criança, recordamos MARIA ROSA COLAÇO, exemplo concreto de amor à criança - amor ao ser humano, afinal...- e de respeito pelos seus direitos, pela sua sensibilidade, pela suas capacidades.
Professora primária acabada de formar, nos longínquos anos 50, foi enviada para uma escola, em Cacilhas. Tinha à sua responsabilidade 45 crianças entre os 6 e os 10 anos, todas de «origens humildes».
À chegada, o Director entregou-lhe um, então, indispensável instrumento de trabalho pedagógico: a régua - a «menina dos cinco olhos», como em muitos lados era conhecida.
Primeiro e significativo gesto da jovem Professora: pediu a um aluno que deitasse a régua fora...
E deu início à tarefa de ensinar a ler e a pensar as suas crianças.
Dessa aventura pedagógica nasceu «A Criança e a Vida» - livrinho escrito por crianças estimuladas pela sua Professora a passarem a escrito o que pensavam sobre a Vida...
Esse livrinho foi lido por muitos milhares de pessoas: as suas quase 50 edições (desde os anos 60 até agora) chegaram a todo o País e a vários outros países - e foi, até, companheiro de todas as horas de guerrilheiros moçambicanos que lutavam pela libertação da sua Pátria do colonialismo...
Entretanto, a Professora escrevia os seus livros: tornava-se Romancista, Dramaturga, Contista, Cronista, Poeta - cantada pelos Trovante, recorde-se.
«O que é o Amor?»:
«O Amor é não haver polícias»: escreveu um menino que, veio a Professora a saber mais tarde, tinha o pai preso no Forte de Caxias...
E o Vitor Barroca Moreira (9 anos) escreveria o poema que ficaria como imagem de marca desse «milagre de pedagodia poética» - nas palavras certeiras de Urbano Tavares Rodrigues - e que aqui transcrevemos uma vez mais:
O AMOR É UM PÁSSARO VERDE
NUM CAMPO AZUL
NO ALTO
DA MADRUGADA
Professora primária acabada de formar, nos longínquos anos 50, foi enviada para uma escola, em Cacilhas. Tinha à sua responsabilidade 45 crianças entre os 6 e os 10 anos, todas de «origens humildes».
À chegada, o Director entregou-lhe um, então, indispensável instrumento de trabalho pedagógico: a régua - a «menina dos cinco olhos», como em muitos lados era conhecida.
Primeiro e significativo gesto da jovem Professora: pediu a um aluno que deitasse a régua fora...
E deu início à tarefa de ensinar a ler e a pensar as suas crianças.
Dessa aventura pedagógica nasceu «A Criança e a Vida» - livrinho escrito por crianças estimuladas pela sua Professora a passarem a escrito o que pensavam sobre a Vida...
Esse livrinho foi lido por muitos milhares de pessoas: as suas quase 50 edições (desde os anos 60 até agora) chegaram a todo o País e a vários outros países - e foi, até, companheiro de todas as horas de guerrilheiros moçambicanos que lutavam pela libertação da sua Pátria do colonialismo...
Entretanto, a Professora escrevia os seus livros: tornava-se Romancista, Dramaturga, Contista, Cronista, Poeta - cantada pelos Trovante, recorde-se.
«O que é o Amor?»:
«O Amor é não haver polícias»: escreveu um menino que, veio a Professora a saber mais tarde, tinha o pai preso no Forte de Caxias...
E o Vitor Barroca Moreira (9 anos) escreveria o poema que ficaria como imagem de marca desse «milagre de pedagodia poética» - nas palavras certeiras de Urbano Tavares Rodrigues - e que aqui transcrevemos uma vez mais:
O AMOR É UM PÁSSARO VERDE
NUM CAMPO AZUL
NO ALTO
DA MADRUGADA
DIA MUNDIAL DA CRIANÇA
Declaração Universal dos Direitos do Homem (1948); Declaração dos Direitos da Criança (1950); Convenção dos Direitos da Criança (2003): eis três documentos internacionais onde os direitos da criança são reconhecidos e cujos países signatários se comprometem a assegurar o cumprimento desses direitos.
No entanto, entre o que está escrito e a realidade é grande, grande a diferença: como é sabido, a imensa maioria das crianças do planeta não tem acesso à quase totalidade desses direitos internacionalmente reconhecidos.
Três exemplos:
1 - São crianças grande parte das cerca de 50 mil pessoas que todos os dias morrem por falta de alimentos ou de cuidados de saúde.
2 - O trabalho infantil continua a proliferar em todo o mundo: segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), mais de 165 milhões de crianças (dos 5 aos 14 anos) são vítimas da exploração do trabalho infantil.
3 - A Convenção dos Direitos da Criança - que define como criança todo o ser humano com menos de 18 anos - proibe explicitamente a participação de crianças em cenários de guerra.
Ora, a OIT calcula que dezenas de milhares de jovens menores integram exércitos em todo o mundo.
E no passado dia 21, a Amnistia Internacional informou que os EUA e a Grã-Bretanha lideram a lista dos países ocidentais que permitem e incentivam o alistamento de menores de 17 anos nas suas forças armadas - explicitando que, no ano de 2007, o exército britânico tinha nas suas fileiras mais de 1000 soldados com 16 anos de idade, alguns tendo estado no teatro de guerra do Iraque.
Assim, é relembrando estes factos que o Cravo de Abril assinala o dia 1 de Junho de 2008 - Dia Mundial da Criança.
No entanto, entre o que está escrito e a realidade é grande, grande a diferença: como é sabido, a imensa maioria das crianças do planeta não tem acesso à quase totalidade desses direitos internacionalmente reconhecidos.
Três exemplos:
1 - São crianças grande parte das cerca de 50 mil pessoas que todos os dias morrem por falta de alimentos ou de cuidados de saúde.
2 - O trabalho infantil continua a proliferar em todo o mundo: segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), mais de 165 milhões de crianças (dos 5 aos 14 anos) são vítimas da exploração do trabalho infantil.
3 - A Convenção dos Direitos da Criança - que define como criança todo o ser humano com menos de 18 anos - proibe explicitamente a participação de crianças em cenários de guerra.
Ora, a OIT calcula que dezenas de milhares de jovens menores integram exércitos em todo o mundo.
E no passado dia 21, a Amnistia Internacional informou que os EUA e a Grã-Bretanha lideram a lista dos países ocidentais que permitem e incentivam o alistamento de menores de 17 anos nas suas forças armadas - explicitando que, no ano de 2007, o exército britânico tinha nas suas fileiras mais de 1000 soldados com 16 anos de idade, alguns tendo estado no teatro de guerra do Iraque.
Assim, é relembrando estes factos que o Cravo de Abril assinala o dia 1 de Junho de 2008 - Dia Mundial da Criança.
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