Não é um pássaro. Não é um avião.
É o Super-Homem, portador da Justiça e da Liberdade: é o Ideal Americano...
Desde que, em miúdo, comecei a ler ou a ver no cinema, as aventuras do Super-Homem, sempre me fez espécie o facto de aquele herói tão poderoso dar um uso tão limitado aos incomensuráveis poderes de que dispunha, gastando-os a salvar um ou outro habitante de Métrópolis das arremetidas de um qualquer vilão, quando podia (e devia, pensava eu) utilizá-los em favor de milhões de explorados, humilhados e ofendidos...
Mais tarde, percebi que não foi para isso que o Super-Homem nasceu, antes pelo contrário..., e passei a vê-lo como um propagandista das bondades do imperialismo , do tal ideal americano.
Desde então deixei de me interessar pelas suas aventuras, quer nos livros de banda desenhada quer no cinema.
Pronto: acabou-se o Super-Homem e, com ele, o ideal americano...
O tempo foi passando e eis que o Diário de Notícias de hoje me mostra que, afinal, o Super-Homem fez alguma coisa de útil...
Foi assim: uma das muitas famílias norte-americanas a contas com «a crise», estava na iminência de, como tem acontecido a milhares de outras famílias, ser despejada da sua casa (já hipotecada), por falta de dinheiro para pagar a respectiva hipoteca. O despejo era inevitável... a bem do ideal americano...
Eis senão quando... surge o Super-Homem!
Não o próprio, entenda-se, não o homem-voador com aquelas roupas flamejantes - e com aquela cueca estranhamente vestida sobre as ditas roupas... Esse, como é seu hábito nestas ocasiões, ou tinha ido dar um passeio ao Cosmos, ou estava acamado com uma crise de kriptonite, ou estava, pura e simplesmente, indisponível e pronto.
O que aconteceu é que, alguém na família que ia ser despejada, se lembrou da existência, na arca familiar das grandes recordações, de «um exemplar do nº 1 da Action Comics, que conta as primeiras aventuras do Super-Homem» - raridade que, posta à venda, rendeu nada mais nada menos do que 190 mil dólares (quase quatro vezes mais do que rendeu a venda da Lusa A2, por Paulo Portas, aos negociantes de armas norte-americanos...) - e que, para já, permitiu o pagamento da hipoteca, evitando o despejo.
Foi assim que o Super-Homem - sem querer e ao arrepio do seu ideal americano - fez qualquer coisa de útil.
Pena é que as restantes famílias norte-americanas que vivem o drama do despejo ou da iminência do despejo, não tenham guardado aquele «exemplar nº 1 da Action Comics» que as livraria, pelo menos por uns tempos, do pesadelo do ideal americano...
POEMA
PROVÍNCIA
XXXII
Ó pinheiro
verdadeiro,
estou farto
do teu cheiro
tão bom a caruma,
mas que encobre
com pássaros e bruma
o suor da gente pobre.
Prefiro os pinheiros
da minha imaginação
com ramos cheios de astros
e ventos à solta
- a brandirem nos mastros
bandeiras de lágrimas de revolta.
José Gomes Ferreira
XXXII
Ó pinheiro
verdadeiro,
estou farto
do teu cheiro
tão bom a caruma,
mas que encobre
com pássaros e bruma
o suor da gente pobre.
Prefiro os pinheiros
da minha imaginação
com ramos cheios de astros
e ventos à solta
- a brandirem nos mastros
bandeiras de lágrimas de revolta.
José Gomes Ferreira
NEGÓCIOS
A manchete do Correio da Manhã de hoje diz-nos:
«Portas vendeu arma lusa ao desbarato»
Ó diabo! - digo eu - que raio quer isto dizer?
Lendo a notícia ficamos a saber.
Em resumo, e como diria o Camilo, a coisa é isto:
A dada altura, técnicos da «INDEP - Indústrias Nacionais de Defesa» conceberam e elaboraram o projecto de produção de uma pistola metralhadora designada por Lusa A2 - um projecto cujos custos andaram pelos 15 milhões de euros.
A produção da arma pela INDEP poderia viabilizar aquela empresa estatal e impedir a sua extinção devido a alegadas dificuldades financeiras.
Assim não entenderam os governos da política de direita, os quais fizeram aquilo que, nesta matéria, melhor sabem fazer: acabaram com a empresa.
O processo de extinção da INDEP foi iniciado em 2001 pelo Governo PS/Guterres e concluído em 2004 pelo Governo PSD-CDS/Barroso-Portas, numa notável demonstração de complementaridade na acção, coisa na qual todos eles têm uma experiência longa de 34 anos.
Coube a Paulo Portas, então ministro da Defesa (e dos submarinos...), despachar o «recheio» da empresa, tarefa que cumpriu com grande pragmatismo e com aquele sentido de Estado que lhe é peculiar: vendeu todo o valiosíssimo património da empresa,TUDO - incluindo o projecto da Lusa A2, pela fabulosa quantia de 40 mil euros.
A título de curiosidade, registe-se que os compradores eram (são) empresários norte-americanos ligados à indústria das armas...
Hoje, a Lusa A2 é um espectacular sucesso comercial: os que a compraram por 40 mil euros já ganharam milhões - e estão satisfeitíssimos com a compra que fizeram.
Os que a venderam, provavelmente também estão satisfeitíssimos com a venda que fizeram.
Assim sendo, para quem é que sobra a insatisfação provocada por esta compra/venda?...
«Portas vendeu arma lusa ao desbarato»
Ó diabo! - digo eu - que raio quer isto dizer?
Lendo a notícia ficamos a saber.
Em resumo, e como diria o Camilo, a coisa é isto:
A dada altura, técnicos da «INDEP - Indústrias Nacionais de Defesa» conceberam e elaboraram o projecto de produção de uma pistola metralhadora designada por Lusa A2 - um projecto cujos custos andaram pelos 15 milhões de euros.
A produção da arma pela INDEP poderia viabilizar aquela empresa estatal e impedir a sua extinção devido a alegadas dificuldades financeiras.
Assim não entenderam os governos da política de direita, os quais fizeram aquilo que, nesta matéria, melhor sabem fazer: acabaram com a empresa.
O processo de extinção da INDEP foi iniciado em 2001 pelo Governo PS/Guterres e concluído em 2004 pelo Governo PSD-CDS/Barroso-Portas, numa notável demonstração de complementaridade na acção, coisa na qual todos eles têm uma experiência longa de 34 anos.
Coube a Paulo Portas, então ministro da Defesa (e dos submarinos...), despachar o «recheio» da empresa, tarefa que cumpriu com grande pragmatismo e com aquele sentido de Estado que lhe é peculiar: vendeu todo o valiosíssimo património da empresa,TUDO - incluindo o projecto da Lusa A2, pela fabulosa quantia de 40 mil euros.
A título de curiosidade, registe-se que os compradores eram (são) empresários norte-americanos ligados à indústria das armas...
Hoje, a Lusa A2 é um espectacular sucesso comercial: os que a compraram por 40 mil euros já ganharam milhões - e estão satisfeitíssimos com a compra que fizeram.
Os que a venderam, provavelmente também estão satisfeitíssimos com a venda que fizeram.
Assim sendo, para quem é que sobra a insatisfação provocada por esta compra/venda?...
POEMA
PROVÍNCIA
XXX
Essas lágrimas
que com raiva bebes,
não enchem os poços,
não dão carne aos ossos,
nem derrubam sebes.
Só inúteis são
como dar esmolas...
Lágrimas em vão
de enferrujar pistolas.
José Gomes Ferreira
XXX
Essas lágrimas
que com raiva bebes,
não enchem os poços,
não dão carne aos ossos,
nem derrubam sebes.
Só inúteis são
como dar esmolas...
Lágrimas em vão
de enferrujar pistolas.
José Gomes Ferreira
ISTO ANDA TUDO LIGADO
«Salazar: 42 anos após cair da cadeira, está na moda»: diz o Diário de Notícias de hoje na sua primeira página.
É uma evidência que «Salazar está na moda». Se dúvidas houvesse, bastaria esta notícia e o destaque que o DN lhe dá - notícia à qual há que juntar muitas outras que nas últimas semanas têm feito as delícias dos média dominantes, que, como é sabido, se pelam por estas coisas... e há que acrescentar ainda os vários livros publicados ou anunciados sobre esta figura da «moda»...
Pretextos para falar de Salazar não faltam: ou é o aniversário do seu nascimento, ou o da sua queda da cadeira, ou o da sua morte...
E, não por acaso certamente, todos esses média revelam uma unanimidade comovedora no que respeita à designação do regime que Salazar criou e do qual foi Chefe durante quase quatro décadas.
A espressão «regime fascista» - a que melhor e com mais rigor define esse regime - nunca é utilizada, eles lá sabem porquê, ou seja: o que «está na moda» é utilizar a expressão criada pelo próprio Salazar: «Estado Novo» - ou, então, actualizar essa expressão chamando ao regime fascista «antigo regime»...
Curiosamente, os média que, falando do passado, fazem de Salazar uma figura «na moda», são os mesmos que, falando do presente, fazem da política de direita uma política «na moda»...
A confirmar que isto anda tudo ligado.
É uma evidência que «Salazar está na moda». Se dúvidas houvesse, bastaria esta notícia e o destaque que o DN lhe dá - notícia à qual há que juntar muitas outras que nas últimas semanas têm feito as delícias dos média dominantes, que, como é sabido, se pelam por estas coisas... e há que acrescentar ainda os vários livros publicados ou anunciados sobre esta figura da «moda»...
Pretextos para falar de Salazar não faltam: ou é o aniversário do seu nascimento, ou o da sua queda da cadeira, ou o da sua morte...
E, não por acaso certamente, todos esses média revelam uma unanimidade comovedora no que respeita à designação do regime que Salazar criou e do qual foi Chefe durante quase quatro décadas.
A espressão «regime fascista» - a que melhor e com mais rigor define esse regime - nunca é utilizada, eles lá sabem porquê, ou seja: o que «está na moda» é utilizar a expressão criada pelo próprio Salazar: «Estado Novo» - ou, então, actualizar essa expressão chamando ao regime fascista «antigo regime»...
Curiosamente, os média que, falando do passado, fazem de Salazar uma figura «na moda», são os mesmos que, falando do presente, fazem da política de direita uma política «na moda»...
A confirmar que isto anda tudo ligado.
POEMA
PROVÍNCIA
XXVII
Embebedai-vos, embebedai-vos,
pobres do caminho
- suor com laivos
de vinho.
Deixai escorregar nas goelas
todas as mistelas
do álcool de esperar
- desde o vinho das estrelas
à aguardente do luar.
Bebei e vomitai, ó povo amargo,
tudo o que houver na feira,
ao sol de borco imundo.
Tudo, até o vinho-céu da igreja do largo!
... para aquela bendita bebedeira
de vomitar nos ricos do Outro Mundo.
José Gomes Ferreira
XXVII
Embebedai-vos, embebedai-vos,
pobres do caminho
- suor com laivos
de vinho.
Deixai escorregar nas goelas
todas as mistelas
do álcool de esperar
- desde o vinho das estrelas
à aguardente do luar.
Bebei e vomitai, ó povo amargo,
tudo o que houver na feira,
ao sol de borco imundo.
Tudo, até o vinho-céu da igreja do largo!
... para aquela bendita bebedeira
de vomitar nos ricos do Outro Mundo.
José Gomes Ferreira
COMO É HÁBITO
Chegou o primeiro dos dois submarinos.
O negócio teve origem no Governo PS/Guterres e seguiu os trâmites normais nos governos que lhe sucederam: PSD/CDS/Barroso/Santana/Portas e PS/Sócrates - a confirmar o bom entendimento dos partidos da política de direita também na área dos negócios.
O custo final dos dois submarinos (muito superior ao custo inicial...) é de mais de mil milhões de euros, quantia de que o Governo de Sócrates não dispõe, por causa da «crise», sendo por isso forçado a contrair um empréstimo bancário (ao consórcio Crédit Suisse-First Boston e ao omnipresente BES), excluindo assim (até ver...) a ideia, entretanto divulgada, de realizar o dinheiro necessário para a compra através de um novo aumento de impostos.
Qualquer leigo na matéria (como eu sou) perguntará: para que é que Portugal precisa destes submarinos?; que inimigos ameaçam a nossa soberania (que aliás já não é nossa)?; porquê esta despesa colossal num tempo em que o Governo para colmatar o défice rouba nos salários, aumenta os impostos, etc, etc, etc?
Mas diz quem sabe destas coisas que «os submarinos são fundamentais para a protecção das zonas marítimas» e para «a defesa nacional» - e há até quem lamente que (em vez de apenas dois) não se tenham comprado «os quatro submarinos que estavam previstos».
Entretanto, prossegue (prossegue?...) a investigação iniciada em Agosto de 2006 sobre aspectos «menos claros» deste negócio.
«Menos claros» mas nem por isso anormais, antes pelo contrário normalíssimos da costa no reino da política de direita: na verdade, estão em causa «suspeitas de corrupção e branqueamento de capitais», e suspeitas de que «"luvas" no valor de 80 milhões de euros terão sido pagas a vários intervenientes no negócio».
Suspeitas, entenda-se - e não coisa provada - competindo à tal «investigação» esclarecer tudo, tim-tim por tim-tim, preto no branco, para que todos os suspeitos possam, enfim, dizer: «finalmente!».
E assim será feito. Como é hábito.
O negócio teve origem no Governo PS/Guterres e seguiu os trâmites normais nos governos que lhe sucederam: PSD/CDS/Barroso/Santana/Portas e PS/Sócrates - a confirmar o bom entendimento dos partidos da política de direita também na área dos negócios.
O custo final dos dois submarinos (muito superior ao custo inicial...) é de mais de mil milhões de euros, quantia de que o Governo de Sócrates não dispõe, por causa da «crise», sendo por isso forçado a contrair um empréstimo bancário (ao consórcio Crédit Suisse-First Boston e ao omnipresente BES), excluindo assim (até ver...) a ideia, entretanto divulgada, de realizar o dinheiro necessário para a compra através de um novo aumento de impostos.
Qualquer leigo na matéria (como eu sou) perguntará: para que é que Portugal precisa destes submarinos?; que inimigos ameaçam a nossa soberania (que aliás já não é nossa)?; porquê esta despesa colossal num tempo em que o Governo para colmatar o défice rouba nos salários, aumenta os impostos, etc, etc, etc?
Mas diz quem sabe destas coisas que «os submarinos são fundamentais para a protecção das zonas marítimas» e para «a defesa nacional» - e há até quem lamente que (em vez de apenas dois) não se tenham comprado «os quatro submarinos que estavam previstos».
Entretanto, prossegue (prossegue?...) a investigação iniciada em Agosto de 2006 sobre aspectos «menos claros» deste negócio.
«Menos claros» mas nem por isso anormais, antes pelo contrário normalíssimos da costa no reino da política de direita: na verdade, estão em causa «suspeitas de corrupção e branqueamento de capitais», e suspeitas de que «"luvas" no valor de 80 milhões de euros terão sido pagas a vários intervenientes no negócio».
Suspeitas, entenda-se - e não coisa provada - competindo à tal «investigação» esclarecer tudo, tim-tim por tim-tim, preto no branco, para que todos os suspeitos possam, enfim, dizer: «finalmente!».
E assim será feito. Como é hábito.
POEMA
PROVÍNCIA
XXVI
Ó camponês,
não me dês os bons-dias.
Nem tires o chapéu
à morte dos dias.
Berra!
Não queiras o céu
antes da terra.
José Gomes Ferreira
XXVI
Ó camponês,
não me dês os bons-dias.
Nem tires o chapéu
à morte dos dias.
Berra!
Não queiras o céu
antes da terra.
José Gomes Ferreira
POEMA
PROVÍNCIA
XI
(Anotação num canto da folha onde escrevi as "Papoilas", versos funcionais para uma canção de Fernando Lopes-Graça, meu amigo e companheiro de férias na Serra)
Olha, ainda há flores!
Mas quem se atreve
a cantar as flores do verde pino
no madrigal desta manhã de pesadelos?
E tu, papoila, minha bandeira breve,
quando voltarás ao teu destino
de enfeitar cabelos?
José Gomes Ferreira
XI
(Anotação num canto da folha onde escrevi as "Papoilas", versos funcionais para uma canção de Fernando Lopes-Graça, meu amigo e companheiro de férias na Serra)
Olha, ainda há flores!
Mas quem se atreve
a cantar as flores do verde pino
no madrigal desta manhã de pesadelos?
E tu, papoila, minha bandeira breve,
quando voltarás ao teu destino
de enfeitar cabelos?
José Gomes Ferreira
DUAS NOTÍCIAS DA CRISE
Primeira notícia:
Entre Março e Junho deste ano, a afluência às cantinas da União das Misericórdias Portuguesas aumentou 60 por cento - e não aumentou mais porque a capacidade das referidas cantinas chegou ao limite.
Ou seja: a pobreza cresce de tal maneira que já não há sopa dos pobres que chegue para tantos pobres.
Quer isto dizer que a crise atinge brutalmente a imensa maioria dos portugueses.
Segunda notícia:
Vendas de carros de luxo estão a aumentar. Jaguar e Porsche viram negócio disparar, só no mês de Junho, mais de 100 por cento - e há filas de clientes à espera de vez.
Ou seja: as grandes fortunas crescem de tal maneira que não há jaguares nem porsches que cheguem para tanta opulência.
Quer isto dizer que a crise favorece generosamente a imensa minoria dos portugueses.
Trata-se de duas notícias que espelham luminarmente a política de direita que PS, PSD e CDS/PP têm vindo a aplicar ao longo de longos 34 anos.
Não acham que é tempo de pormos termo a isto?
Entre Março e Junho deste ano, a afluência às cantinas da União das Misericórdias Portuguesas aumentou 60 por cento - e não aumentou mais porque a capacidade das referidas cantinas chegou ao limite.
Ou seja: a pobreza cresce de tal maneira que já não há sopa dos pobres que chegue para tantos pobres.
Quer isto dizer que a crise atinge brutalmente a imensa maioria dos portugueses.
Segunda notícia:
Vendas de carros de luxo estão a aumentar. Jaguar e Porsche viram negócio disparar, só no mês de Junho, mais de 100 por cento - e há filas de clientes à espera de vez.
Ou seja: as grandes fortunas crescem de tal maneira que não há jaguares nem porsches que cheguem para tanta opulência.
Quer isto dizer que a crise favorece generosamente a imensa minoria dos portugueses.
Trata-se de duas notícias que espelham luminarmente a política de direita que PS, PSD e CDS/PP têm vindo a aplicar ao longo de longos 34 anos.
Não acham que é tempo de pormos termo a isto?
POEMA
PROVÍNCIA
IX
(Parece que se confirma o assassínio pela Pide do dirigente comunista Alfredo Diniz (Alex) na estrada de Bucelas.)
Ouve, covarde,
que trazes nos ossos
o sonho de morrer numa barricada
bêbado de Chama.
Hás-de morrer aqui
no suor desta cama,
a olhar para a doçura longa duma tarde...
(... ah! mas com que trovoada
dentro de ti!)
José Gomes Ferreira
IX
(Parece que se confirma o assassínio pela Pide do dirigente comunista Alfredo Diniz (Alex) na estrada de Bucelas.)
Ouve, covarde,
que trazes nos ossos
o sonho de morrer numa barricada
bêbado de Chama.
Hás-de morrer aqui
no suor desta cama,
a olhar para a doçura longa duma tarde...
(... ah! mas com que trovoada
dentro de ti!)
José Gomes Ferreira
TORTURA - 1950/2010
Fechado numa cela com dois metros por um, onde a temperatura atinge mais de 35 graus, sem artigos de higiene, sem relógio, sem rádio portátil,sem contacto com a família nem com o advogado, em regime de absoluta incomunicabilidade...
Não, não estou a falar de um preso numa qualquer prisão de uma qualquer ditadura apoiada pelos EUA em qualquer parte do mundo: falo de Gerardo Hernández, cidadão cubano, preso numa prisão de alta segurança dos EUA.
Gerardo Hernández é um dos cinco cubanos antiterroristas presos há cerca de 12 anos nos EUA e que, submetidos a uma farsa de julgamento, foram condenados a penas de prisão que chegam a «duas prisões perpétuas e mais 15 anos»...
A situação em que se encontra Gerardo Hernández foi denunciada, em Havana, pelo Presidente do Parlamento cubano, Ricardo Alarcón - que apelou à solidariedade internacional para com Hernández e os seus quatro companheiros presos.
Presos nos EUA - país que diz ter como preocupação maior o combate ao terrorismo - por combaterem o terrorismo...
Alarcon afirmou que a situação prisional de Gerardo Hernández «equivale a tortura».
É exactamente de tortura que se trata.
Sobre isso, pronunciou-se Álvaro Cunhal quando, perante os juizes fascistas - depois de denunciar as brutalidades a que havia sido submetido pela Pide, nos interrogatórios - referiu o regime de absoluta incomunicabilidade em que vivia há mais de um ano:
«Estou em condições de dizer que um ano de isolamento não é menos duro que os referidos maus tratos. Não há, pois, qualquer exagero ao dizer que o referido regime de isolamento é uma nova forma de tortura».
Isto era em Portugal, no ano de 1950, em plena ditadura fascista.
O caso de Gerardo Hernández passa-se nos EUA, no ano de 2010, em plena «era Obama»...
Não, não estou a falar de um preso numa qualquer prisão de uma qualquer ditadura apoiada pelos EUA em qualquer parte do mundo: falo de Gerardo Hernández, cidadão cubano, preso numa prisão de alta segurança dos EUA.
Gerardo Hernández é um dos cinco cubanos antiterroristas presos há cerca de 12 anos nos EUA e que, submetidos a uma farsa de julgamento, foram condenados a penas de prisão que chegam a «duas prisões perpétuas e mais 15 anos»...
A situação em que se encontra Gerardo Hernández foi denunciada, em Havana, pelo Presidente do Parlamento cubano, Ricardo Alarcón - que apelou à solidariedade internacional para com Hernández e os seus quatro companheiros presos.
Presos nos EUA - país que diz ter como preocupação maior o combate ao terrorismo - por combaterem o terrorismo...
Alarcon afirmou que a situação prisional de Gerardo Hernández «equivale a tortura».
É exactamente de tortura que se trata.
Sobre isso, pronunciou-se Álvaro Cunhal quando, perante os juizes fascistas - depois de denunciar as brutalidades a que havia sido submetido pela Pide, nos interrogatórios - referiu o regime de absoluta incomunicabilidade em que vivia há mais de um ano:
«Estou em condições de dizer que um ano de isolamento não é menos duro que os referidos maus tratos. Não há, pois, qualquer exagero ao dizer que o referido regime de isolamento é uma nova forma de tortura».
Isto era em Portugal, no ano de 1950, em plena ditadura fascista.
O caso de Gerardo Hernández passa-se nos EUA, no ano de 2010, em plena «era Obama»...
POEMA
TU, PIEDADE
(Os jornais e os filmes divulgam, com terror sinistro, a existência dos campos de concentração hitlerianos. Montes de esqueletos.)
Tu, piedade,
que vens lá do fundo
da raiz do instinto
e és capaz de incendiar o mundo
para aquecer um faminto.
Tu que me embalas
com a voz rouca
da cólera do amor
que deixa na boca
o frio das balas
e todo o amargor
da outra sede
que só se sufoca
com pus e suor
- e os dedos sangrentos
na cal da parede
dos fuzilamentos.
Tu que me afagas
como quem estrangula
com mãos de bandido...
E beijas as chagas
com lábios de gula
e chumbo derretido.
Tu que só amas
a dor com esgares
nos gritos das chamas,
nas cordas dos potros,
na cruz do Rabi
~para assim chorares,
através dos outros,
o que dói em ti.
Tu que me levas
de rastos na estrada
ao fundo da rampa
onde só há trevas
- raiz misturada
de estrelas e trampa.
Tu que descobres
toda a secura
de cinza nos frutos
que há na ternura
de chorar os pobres
de olhos enxutos.
Tu, piedade,
mãe de todas as mães
e de todos os vícios,
que lambes como os cães
oe vergões dos cilícios.
Dá-me lágrimas reais
na cara a correr
como se a pele sangrasse...
Dessas que deixam sinais
e fazem doer
por dentro da face.
Dá-me lágrimas geladas
como dedos nos gatilhos
em noite de lobos...
Que eu quero baptizar com elas
todos os filhos
da fúria das cadelas,
dos réprobos e das ladras,
de estrupos e de roubos.
Dá-me o ódio frio
que vem lá do fundo
do bafio das prisões
- ódio que há-de salvar o mundo
num dia de lágrimas nos olhos,
quentes como corações.
José Gomes Ferreira
(Os jornais e os filmes divulgam, com terror sinistro, a existência dos campos de concentração hitlerianos. Montes de esqueletos.)
Tu, piedade,
que vens lá do fundo
da raiz do instinto
e és capaz de incendiar o mundo
para aquecer um faminto.
Tu que me embalas
com a voz rouca
da cólera do amor
que deixa na boca
o frio das balas
e todo o amargor
da outra sede
que só se sufoca
com pus e suor
- e os dedos sangrentos
na cal da parede
dos fuzilamentos.
Tu que me afagas
como quem estrangula
com mãos de bandido...
E beijas as chagas
com lábios de gula
e chumbo derretido.
Tu que só amas
a dor com esgares
nos gritos das chamas,
nas cordas dos potros,
na cruz do Rabi
~para assim chorares,
através dos outros,
o que dói em ti.
Tu que me levas
de rastos na estrada
ao fundo da rampa
onde só há trevas
- raiz misturada
de estrelas e trampa.
Tu que descobres
toda a secura
de cinza nos frutos
que há na ternura
de chorar os pobres
de olhos enxutos.
Tu, piedade,
mãe de todas as mães
e de todos os vícios,
que lambes como os cães
oe vergões dos cilícios.
Dá-me lágrimas reais
na cara a correr
como se a pele sangrasse...
Dessas que deixam sinais
e fazem doer
por dentro da face.
Dá-me lágrimas geladas
como dedos nos gatilhos
em noite de lobos...
Que eu quero baptizar com elas
todos os filhos
da fúria das cadelas,
dos réprobos e das ladras,
de estrupos e de roubos.
Dá-me o ódio frio
que vem lá do fundo
do bafio das prisões
- ódio que há-de salvar o mundo
num dia de lágrimas nos olhos,
quentes como corações.
José Gomes Ferreira
A TRADIÇÃO
Eis os título e sub-título de uma peça assinada por Rui Pedro Antunes e publicada no Diário de Notícias de hoje:
«Partidos voltam aos comícios em clima de pré-crise»
«Rentrées - Já deixou de ser moda, mas os partidos recuperaram-na: os comícios de rua voltam a marcar o regresso dos líderes depois do Verão».
Trata-se de uma peça igual às que os restantes jornais irão publicar um dia destes - e todas elas são, no essencial, iguais às que todos publicaram há um ano (e há dois, e há três...) tendo como tema a «rentrée» - ou seja, o reinício da actividade dos partidos após as férias - e os «comícios».
Com efeito, todos os anos - desde há mais de uma década - os média decretam que o tempo dos comícios acabou, que são coisa do passado, incompatível com a modernidade dos tempos actuais, que horror!, «discursos políticos debaixo de um intenso cheiro a sardinhas»...
E todos os anos por esta altura, esses mesmos média, anunciam os comícios que os diversos partidos preparam para a rentrée...
É isso que o DN de hoje, fiel à tradição, repete, anunciando os comícios de todos os partidos com todos os líderes desses partidos.
Todos?: bom, também no escrupuloso respeito pela tradição, o DN não esquece a habitual excepção...
Assim, ficamos a saber que:
1 - Pedro Passos Coelho vai discursar «na mítica Festa do Pontal, no Algarve»;
2 - José Sócrates vai discursar no comício do PS em Matosinhos;
3 - o líder do CDS-PP vai intervir num comício, provavelmente na «Praça do Peixe, em Aveiro»;
4 - Francisco Louçã... bem, o Louçã é o Louçã, o BE é o BE, são da Casa...
Pelo que, sempre no respeito pela tradição, o jornalista produz a tradicional peça de propaganda política. Começa assim: «Quem nunca largou e não largará os comícios é o Bloco de Esquerda. Fazendo jus à expressão "Se Maomé não vai até à montanha, a montanha vai até Maomé", os bloquistas colocaram zonas de praia como parte de um roteiro de mais de 40 comícios, que, aliás, já começou» - e, depois deste intróito, o jornalista dá a palavra ao «organizador» da programação bloquista que completa a acção de propaganda.
5 - quanto ao PCP... bem, o PCP é o PCP, não é verdade?, convém não falar muito nele... ele que, desrespeitando o decreto mediático, faz comícios durante todo o ano; ele que desenvolve uma actividade maior do que a soma das actividades de todos os restantes partidos (mas uma actividade que os média silenciam e que, portanto, não existe...)
Neste caso, o jornalista, não podendo, de todo, ignorar a Festa do Avante!, lá concede, resumidamente, que sim senhor, o PCP vai fazer «a Festa do Avante!, a mais tradicional das festas partidárias em Portugal. O cartaz já é conhecido e sabe-se que haverá um concerto sinfónico de homenagem à "Carvalhesa". A "festa" é de 3 a 5 de Setembro».
E pronto: nem comício, nem intervenção do secretário-geral do Partido, nem referências aos comícios e outras iniciativas políticas do PCP neste mês de Julho e no próximo mês de Agosto...
Não há dúvida: a tradição ainda é o que era...
«Partidos voltam aos comícios em clima de pré-crise»
«Rentrées - Já deixou de ser moda, mas os partidos recuperaram-na: os comícios de rua voltam a marcar o regresso dos líderes depois do Verão».
Trata-se de uma peça igual às que os restantes jornais irão publicar um dia destes - e todas elas são, no essencial, iguais às que todos publicaram há um ano (e há dois, e há três...) tendo como tema a «rentrée» - ou seja, o reinício da actividade dos partidos após as férias - e os «comícios».
Com efeito, todos os anos - desde há mais de uma década - os média decretam que o tempo dos comícios acabou, que são coisa do passado, incompatível com a modernidade dos tempos actuais, que horror!, «discursos políticos debaixo de um intenso cheiro a sardinhas»...
E todos os anos por esta altura, esses mesmos média, anunciam os comícios que os diversos partidos preparam para a rentrée...
É isso que o DN de hoje, fiel à tradição, repete, anunciando os comícios de todos os partidos com todos os líderes desses partidos.
Todos?: bom, também no escrupuloso respeito pela tradição, o DN não esquece a habitual excepção...
Assim, ficamos a saber que:
1 - Pedro Passos Coelho vai discursar «na mítica Festa do Pontal, no Algarve»;
2 - José Sócrates vai discursar no comício do PS em Matosinhos;
3 - o líder do CDS-PP vai intervir num comício, provavelmente na «Praça do Peixe, em Aveiro»;
4 - Francisco Louçã... bem, o Louçã é o Louçã, o BE é o BE, são da Casa...
Pelo que, sempre no respeito pela tradição, o jornalista produz a tradicional peça de propaganda política. Começa assim: «Quem nunca largou e não largará os comícios é o Bloco de Esquerda. Fazendo jus à expressão "Se Maomé não vai até à montanha, a montanha vai até Maomé", os bloquistas colocaram zonas de praia como parte de um roteiro de mais de 40 comícios, que, aliás, já começou» - e, depois deste intróito, o jornalista dá a palavra ao «organizador» da programação bloquista que completa a acção de propaganda.
5 - quanto ao PCP... bem, o PCP é o PCP, não é verdade?, convém não falar muito nele... ele que, desrespeitando o decreto mediático, faz comícios durante todo o ano; ele que desenvolve uma actividade maior do que a soma das actividades de todos os restantes partidos (mas uma actividade que os média silenciam e que, portanto, não existe...)
Neste caso, o jornalista, não podendo, de todo, ignorar a Festa do Avante!, lá concede, resumidamente, que sim senhor, o PCP vai fazer «a Festa do Avante!, a mais tradicional das festas partidárias em Portugal. O cartaz já é conhecido e sabe-se que haverá um concerto sinfónico de homenagem à "Carvalhesa". A "festa" é de 3 a 5 de Setembro».
E pronto: nem comício, nem intervenção do secretário-geral do Partido, nem referências aos comícios e outras iniciativas políticas do PCP neste mês de Julho e no próximo mês de Agosto...
Não há dúvida: a tradição ainda é o que era...
POEMA
ELÉCTRICO
XLII
(Um momento de filosofia barata.)
Para além do «ser ou não ser» dos problemas ocos,
o que importa é isto:
- Penso nos outros.
Logo existo.
José Gomes Ferreira
XLII
(Um momento de filosofia barata.)
Para além do «ser ou não ser» dos problemas ocos,
o que importa é isto:
- Penso nos outros.
Logo existo.
José Gomes Ferreira
PERGUNTO
Lembram-se do «cheque-dentista»?
Foi uma das muitas generosas dádivas do primeiro-ministro José Sócrates aos portugueses.
Ele próprio a anunciou, ainda no seu primeiro governo, estrelejando foguetes como é seu hábito: «as crianças, as grávidas e os idosos com poucos recursos» iam passar a ter «acesso geral à saúde oral».
Bastava, para isso, recorrerem ao «cheque-dentista» que seria «passado a todos e segundo as suas necessidades».
Resolvido deste modo o problema da «saúde oral», Sócrates passou à dádiva seguinte, e à seguinte, e á seguinte - como é sabido, em matéria de dádivas, ele é incontinente...
E do «cheque-dentista» não mais se ouviu falar.
Até agora!
Com efeito, os dentistas, através da sua Ordem, fizeram saber que recusam todos os clientes que se lhes apresentem com o referido cheque. Isto porque, dizem, se trata de um cheque sem cobertura.
De tal forma que «o Estado já lhes deve quatro milhões de euros»...
De tudo isto retiro a conclusão de que afinal, o «cheque-dentista» também era mentira.
E pergunto: será que Sócrates só diz mentiras? - inclusive quando, há dias, a propósito já não sei de quê, dizia que «a verdade vem sempre ao de cima»?...
Foi uma das muitas generosas dádivas do primeiro-ministro José Sócrates aos portugueses.
Ele próprio a anunciou, ainda no seu primeiro governo, estrelejando foguetes como é seu hábito: «as crianças, as grávidas e os idosos com poucos recursos» iam passar a ter «acesso geral à saúde oral».
Bastava, para isso, recorrerem ao «cheque-dentista» que seria «passado a todos e segundo as suas necessidades».
Resolvido deste modo o problema da «saúde oral», Sócrates passou à dádiva seguinte, e à seguinte, e á seguinte - como é sabido, em matéria de dádivas, ele é incontinente...
E do «cheque-dentista» não mais se ouviu falar.
Até agora!
Com efeito, os dentistas, através da sua Ordem, fizeram saber que recusam todos os clientes que se lhes apresentem com o referido cheque. Isto porque, dizem, se trata de um cheque sem cobertura.
De tal forma que «o Estado já lhes deve quatro milhões de euros»...
De tudo isto retiro a conclusão de que afinal, o «cheque-dentista» também era mentira.
E pergunto: será que Sócrates só diz mentiras? - inclusive quando, há dias, a propósito já não sei de quê, dizia que «a verdade vem sempre ao de cima»?...
POEMA
ELÉCTRICO
XLII
E se eu de súbito gritasse
nesta voz de lágrimas sem face!:
Eh! companheiros da plataforma
presos ao apagar do mesmo pavio!
Porque não nos amamos uns aos outros
e damos as mãos
- sim, as nossas mãos
onde apodrecem aranhas de bafio?
Eh! companheiros da plataforma!
Não empurrem, Irmãos.)
José Gomes Ferreira
XLII
E se eu de súbito gritasse
nesta voz de lágrimas sem face!:
Eh! companheiros da plataforma
presos ao apagar do mesmo pavio!
Porque não nos amamos uns aos outros
e damos as mãos
- sim, as nossas mãos
onde apodrecem aranhas de bafio?
Eh! companheiros da plataforma!
Não empurrem, Irmãos.)
José Gomes Ferreira
DE VEZ EM QUANDO
De vez em quando - muito, muito de vez em quando - lemos, nos jornais, coisas interessantes.
No que me diz respeito, nas vezes em que isso me acontece não apenas fico imensamente feliz, como sinto necessidade de partilhar essa felicidade com os amigos.
Fiquei feliz ao ler, na última edição do Sol, uma entrevista com João Monge - poeta, letrista, ligado das mais diversas formas a vários projectos musicais, designadamente: Trovante, Ala dos Namorados, Rio Grande, Pássaro Cego, Baile Popular - entrevista da qual passo a transcrever extractos:
P:«Há uma maneira diferente de estar na arte entre direita e esquerda?»
R: «Há uma maneira diferente de estar na vida. Hoje quando ligamos os "telejornais" (...) aparece sempre um gajo a dizer: "Isso é a Lei do Mercado". Depois de ouvir isto tantas vezes, fui consultar os canhenhos. Pensei que talvez fosse uma lei de Newton ou de Kepler que me tivesse escapado. Mas não. Ainda andei a ver se estava escrita nos astros, mas também não estava. A Lei do Mercado (...) é uma construção humana e, perante essa construção humana, há formas de estar distintas. Eu não consigo dizer a um gajo que está a passar fome para ele ter paciência, porque é a Lei do Mercado. Não consigo porque esse gajo é igual a mim e, como eu não estou no mercado, acho que ele também não deve estar. É só isto»
(...) Uma diferença fundamental entre direita e esquerda é que a direita tem mais jeito para fazer leis, seja a Lei do Mercado ou a da Santa Inquisição. Só lhe posso dizer que o meu coração bate à esquerda».
(...)Alguns políticos são capazes de me convocar para uma intervenção cívica. Outros não são, porque me dizem que o "mercado" vai resolver tudo».
P: «Sócrates é de direita?»
R: «Nos anos 70, quando eu era jovem, acusava-se o PCP de querer acabar com a inicativa privada em Portugal, mas, nos últimos 10 anos, os partidos que nos governam deram cabo de mais iniciativa privada do que dez Vascos Gonçalves todos juntos. Só no ano passado foram 20 mil falências. Isto aconteceu porque houve uma redistribuição? Não. Aconteceu porque a política tem sido uma política de concentração. Se isto não é de direita, então o que é de direita?»
P: «Revê-se na doutrina comunista ou numa sociedade de inspiração marxista?»
R: «Não posso responder directamente, porque não tenho recursos para ter essa discussão em termos económicos. Mas sei que poderia ser bonito termos uma sociedade em que cada um contribuísse na razão directa daquilo que recebe. (...) Ter esse desejo é ser comunista? Então julgo que qualquer pessoa bem formada é comunista».
E sobre a candidatura de Manuel Alegre às presidenciais:
«Alegre é um homem que já travou muitas batalhas. Em cada três frases que diz trava duas batalhas. A questão é que essas batalhas, nos últimos trinta e tal anos, têm-se resumido a entregar declarações de voto ao Jaime Gama. Espero que o próximo Presidente - seja ele qual for - zele pela Constituição da República, para que ela não se transforme numa folha de Excel com tecto máximo para o défice, quando o que é necessário é um tecto mínimo para a pobreza».
Repetindo-me: de vez em quando - muito, muito de vez em quando - lemos, nos jornais, coisas interessantes.
No que me diz respeito, nas vezes em que isso me acontece não apenas fico imensamente feliz, como sinto necessidade de partilhar essa felicidade com os amigos.
Fiquei feliz ao ler, na última edição do Sol, uma entrevista com João Monge - poeta, letrista, ligado das mais diversas formas a vários projectos musicais, designadamente: Trovante, Ala dos Namorados, Rio Grande, Pássaro Cego, Baile Popular - entrevista da qual passo a transcrever extractos:
P:«Há uma maneira diferente de estar na arte entre direita e esquerda?»
R: «Há uma maneira diferente de estar na vida. Hoje quando ligamos os "telejornais" (...) aparece sempre um gajo a dizer: "Isso é a Lei do Mercado". Depois de ouvir isto tantas vezes, fui consultar os canhenhos. Pensei que talvez fosse uma lei de Newton ou de Kepler que me tivesse escapado. Mas não. Ainda andei a ver se estava escrita nos astros, mas também não estava. A Lei do Mercado (...) é uma construção humana e, perante essa construção humana, há formas de estar distintas. Eu não consigo dizer a um gajo que está a passar fome para ele ter paciência, porque é a Lei do Mercado. Não consigo porque esse gajo é igual a mim e, como eu não estou no mercado, acho que ele também não deve estar. É só isto»
(...) Uma diferença fundamental entre direita e esquerda é que a direita tem mais jeito para fazer leis, seja a Lei do Mercado ou a da Santa Inquisição. Só lhe posso dizer que o meu coração bate à esquerda».
(...)Alguns políticos são capazes de me convocar para uma intervenção cívica. Outros não são, porque me dizem que o "mercado" vai resolver tudo».
P: «Sócrates é de direita?»
R: «Nos anos 70, quando eu era jovem, acusava-se o PCP de querer acabar com a inicativa privada em Portugal, mas, nos últimos 10 anos, os partidos que nos governam deram cabo de mais iniciativa privada do que dez Vascos Gonçalves todos juntos. Só no ano passado foram 20 mil falências. Isto aconteceu porque houve uma redistribuição? Não. Aconteceu porque a política tem sido uma política de concentração. Se isto não é de direita, então o que é de direita?»
P: «Revê-se na doutrina comunista ou numa sociedade de inspiração marxista?»
R: «Não posso responder directamente, porque não tenho recursos para ter essa discussão em termos económicos. Mas sei que poderia ser bonito termos uma sociedade em que cada um contribuísse na razão directa daquilo que recebe. (...) Ter esse desejo é ser comunista? Então julgo que qualquer pessoa bem formada é comunista».
E sobre a candidatura de Manuel Alegre às presidenciais:
«Alegre é um homem que já travou muitas batalhas. Em cada três frases que diz trava duas batalhas. A questão é que essas batalhas, nos últimos trinta e tal anos, têm-se resumido a entregar declarações de voto ao Jaime Gama. Espero que o próximo Presidente - seja ele qual for - zele pela Constituição da República, para que ela não se transforme numa folha de Excel com tecto máximo para o défice, quando o que é necessário é um tecto mínimo para a pobreza».
Repetindo-me: de vez em quando - muito, muito de vez em quando - lemos, nos jornais, coisas interessantes.
POEMA
ELÉCTRICO
XXXI
(Sim! Vivam os bons sentimentos! Viva a poesia humanitária!)
Pobre flor pisada!
- onde uma ninfa de perfume
ainda se estorce e desenrola...
(Bem sei, covarde. Choras a flor
para te esqueceres da criança que te pediu esmola.)
José Gomes Ferreira
XXXI
(Sim! Vivam os bons sentimentos! Viva a poesia humanitária!)
Pobre flor pisada!
- onde uma ninfa de perfume
ainda se estorce e desenrola...
(Bem sei, covarde. Choras a flor
para te esqueceres da criança que te pediu esmola.)
José Gomes Ferreira
NÃO DIGO NADA
Diz o Público: «Ao fim de seis anos de investigação, o Ministério Público não encontrou indícios suficientes para acusar quem quer que fosse pela prática de crimes de corrupção, tráfico de influência, branqueamento de capitais ou financiamento partidário ilegal no processo de licenciamento do centro comercial Freeport, em Alcochete».
Pronto: está tudo esclarecido - como estava previsto.
Pronto: não houve ilegalidades, tudo foi legal - como se previa.
Pronto: a Justiça tardou mas arrecadou - como era de prever.
Disse José Sócrates: «A verdade acaba sempre por vir ao de cima».
E disse La Rochefoucauld: «a verdade não faz tanto bem neste mundo como as suas aparências fazem mal».
E disse Picasso: «Se apenas houvesse uma única verdade, não poderiam pintar-se cem telas sobre o mesmo tema».
E disse Montaigne: «Nada parece verdadeiro que não possa parecer falso».
E disse Montesquieu: «Verdade hoje, mentira amanhã».
E eu não digo nada.
Pronto: está tudo esclarecido - como estava previsto.
Pronto: não houve ilegalidades, tudo foi legal - como se previa.
Pronto: a Justiça tardou mas arrecadou - como era de prever.
Disse José Sócrates: «A verdade acaba sempre por vir ao de cima».
E disse La Rochefoucauld: «a verdade não faz tanto bem neste mundo como as suas aparências fazem mal».
E disse Picasso: «Se apenas houvesse uma única verdade, não poderiam pintar-se cem telas sobre o mesmo tema».
E disse Montaigne: «Nada parece verdadeiro que não possa parecer falso».
E disse Montesquieu: «Verdade hoje, mentira amanhã».
E eu não digo nada.
POEMA
ELÉCTRICO
XXIX
(A Eterna Criança que me persegue a pedir esmola.
Grito de cólera.
Ouve, Não-sei-quem:
recuso-me a viver
num mundo assim de lua podre
disfarçado de flores
com repetições de esqueletos
e a Eterna Voz Faminta
aqui na minha frente
- pálida de existir!
Ouve, Não-sei-quem:
e se, depois de tudo isto,
ainda há céu e inferno
ou outra sombra intermédia,
recuso-me terminantemente a morrer
e a entrar nessa comédia!
José Gomes Ferreira
XXIX
(A Eterna Criança que me persegue a pedir esmola.
Grito de cólera.
Ouve, Não-sei-quem:
recuso-me a viver
num mundo assim de lua podre
disfarçado de flores
com repetições de esqueletos
e a Eterna Voz Faminta
aqui na minha frente
- pálida de existir!
Ouve, Não-sei-quem:
e se, depois de tudo isto,
ainda há céu e inferno
ou outra sombra intermédia,
recuso-me terminantemente a morrer
e a entrar nessa comédia!
José Gomes Ferreira
OLÉ!
O CDS/PP, no âmbito da sua intensa actividade política, organizou uma corrida de touros.
O evento ocorreu nas Caldas da Rainha e contou com a presença - para além dos touros, cavaleiros, forcados e peões de brega - de Paulo Portas.
«Na assistência via-se uma grande faixa da Juventude Popular».
Os forcados dedicaram várias das pegas realizadas ao líder do CDS.
E «por mais de uma vez os ferros que espetavam os touros eram erguidos pelos cavaleiros com a bandeira do CDS».
No intervalo da tourada, Paulo Portas, muito aplaudido, desceu à arena e cumprimentou «cavaleiros, forcados e peões de brega».
No final, interpelado por jornalistas, Portas declarou: «O CDS-PP não tem uma posição oficial sobre as touradas. Há muita gente que é contra e muita gente que é a favor. Mas sempre que quiserem atacar as touradas, o CDS defende-as».
E recusou-se a prestar mais declarações aos jornalistas - afastando-os com um peremptório: «Não confundo política com entretenimento».
E afastando-se, politicamente, do local do entretenimento...
Olé!
O evento ocorreu nas Caldas da Rainha e contou com a presença - para além dos touros, cavaleiros, forcados e peões de brega - de Paulo Portas.
«Na assistência via-se uma grande faixa da Juventude Popular».
Os forcados dedicaram várias das pegas realizadas ao líder do CDS.
E «por mais de uma vez os ferros que espetavam os touros eram erguidos pelos cavaleiros com a bandeira do CDS».
No intervalo da tourada, Paulo Portas, muito aplaudido, desceu à arena e cumprimentou «cavaleiros, forcados e peões de brega».
No final, interpelado por jornalistas, Portas declarou: «O CDS-PP não tem uma posição oficial sobre as touradas. Há muita gente que é contra e muita gente que é a favor. Mas sempre que quiserem atacar as touradas, o CDS defende-as».
E recusou-se a prestar mais declarações aos jornalistas - afastando-os com um peremptório: «Não confundo política com entretenimento».
E afastando-se, politicamente, do local do entretenimento...
Olé!
POEMA
ELÉCTRICO
XXII
(Companys, antigo presidente da República catalã, foi entregue pelo Hitler ao Franco e fuzilado)
Hoje proíbo as roas de nascerem diante de mim!
Proíbo as deusas de dançarem nos olhos das crianças!
Proíbo os corpos das mulheres de terem outro destino que a morte!
Sim, proíbo!
E (baixinho, em sonho) aos gritos no mundo
ordeno aos homens
que venham para a rua descalços
para sentirem nos pés nus
o silêncio da terra
- e o terror de viverem num planeta
onde os fuzilados não ressuscitam,
nem os malmequeres protestam com flores de luto
contra este sol que continua a fabricar primaveras mecânicas
e este cheiro tão bom a mulheres novas nas árvores com cio!
José Gomes Ferreira
XXII
(Companys, antigo presidente da República catalã, foi entregue pelo Hitler ao Franco e fuzilado)
Hoje proíbo as roas de nascerem diante de mim!
Proíbo as deusas de dançarem nos olhos das crianças!
Proíbo os corpos das mulheres de terem outro destino que a morte!
Sim, proíbo!
E (baixinho, em sonho) aos gritos no mundo
ordeno aos homens
que venham para a rua descalços
para sentirem nos pés nus
o silêncio da terra
- e o terror de viverem num planeta
onde os fuzilados não ressuscitam,
nem os malmequeres protestam com flores de luto
contra este sol que continua a fabricar primaveras mecânicas
e este cheiro tão bom a mulheres novas nas árvores com cio!
José Gomes Ferreira
A DEMOCRACIA DELES
A intensificação das provocações do imperialismo norte-americano contra os regimes progressistas da América Latina está a assumir aspectos de extrema gravidade.
Nos últimos dias, as provocações sucedem-se, especialmente a partir da Colômbia, a menina dos olhos de Obama naquela região.
A Venezuela é o alvo prioritário, estando criada uma situação que levou o Presidente Hugo Chávez a anular a sua viagem a Cuba e sendo previsível, a curto prazo, o agravamento e a agudização da situação.
Entretanto, paramilitares colombianos vêm a público revelar as práticas a que recorrem na sua acção ao serviço do regime.
Dizem eles que as ordens que têm - vindas do narco-fascista Uribe, obviamente - são no sentido de matar os inimigos mas sem deixar rasto, ou seja «fazer desaparecer os corpos de qualquer maneira», de forma a que não haja provas dos crimes que cometem.
Para cumprir as ordens, os paramilitares têm recorrido a métodos vários, designadamente «desmembrar os corpos e enterrá-los em valas comuns ou lançá-los aos rios».
Calcula-se que existam na Colômbia mais de mil valas comuns com milhares de corpos - recentemente foi descoberta uma com dois mil corpos.
Os militares uribistas dizem que se trata de «guerrilheiros mortos em combate», mas a verdade é que se trata de «líderes sociais, camponeses e comunitários dados como desaparecidos».
Um paramilitar, falando das valas comuns para onde são lançadas as vítimas, confessa que «muitas vezes isso é feito com as pessoas ainda vivas».
Todavia, a maior e mais recente inovação introduzida na Colômbia para fazer desaparecer os corpos, reside, dizem os paramilitares, nos «fornos crematórios onde os corpos são incinerados».
É esta a «democracia» que Obama e os seus lacaios querem impor à América Latina.
Nos últimos dias, as provocações sucedem-se, especialmente a partir da Colômbia, a menina dos olhos de Obama naquela região.
A Venezuela é o alvo prioritário, estando criada uma situação que levou o Presidente Hugo Chávez a anular a sua viagem a Cuba e sendo previsível, a curto prazo, o agravamento e a agudização da situação.
Entretanto, paramilitares colombianos vêm a público revelar as práticas a que recorrem na sua acção ao serviço do regime.
Dizem eles que as ordens que têm - vindas do narco-fascista Uribe, obviamente - são no sentido de matar os inimigos mas sem deixar rasto, ou seja «fazer desaparecer os corpos de qualquer maneira», de forma a que não haja provas dos crimes que cometem.
Para cumprir as ordens, os paramilitares têm recorrido a métodos vários, designadamente «desmembrar os corpos e enterrá-los em valas comuns ou lançá-los aos rios».
Calcula-se que existam na Colômbia mais de mil valas comuns com milhares de corpos - recentemente foi descoberta uma com dois mil corpos.
Os militares uribistas dizem que se trata de «guerrilheiros mortos em combate», mas a verdade é que se trata de «líderes sociais, camponeses e comunitários dados como desaparecidos».
Um paramilitar, falando das valas comuns para onde são lançadas as vítimas, confessa que «muitas vezes isso é feito com as pessoas ainda vivas».
Todavia, a maior e mais recente inovação introduzida na Colômbia para fazer desaparecer os corpos, reside, dizem os paramilitares, nos «fornos crematórios onde os corpos são incinerados».
É esta a «democracia» que Obama e os seus lacaios querem impor à América Latina.
POEMA
ELÉCTRICO
XXI
(Canta, canta, sem problemas.)
Melodia apenas
- sem caveiras de fogo
a iluminarem o pensamento das pedras.
Melodia penas
- sem o suor das mãos dadas
no guiar dos labirintos.
Melodia apenas
- sem lágrimas por dentro das flores
a queimarem os corações dos mortos.
Melodia apenas
dos pássaros ocos
a cantarem nas árvores
a repetição emplumada
do cio do primeiro mundo...
Vem, melodia!
Melodia apenas.
José Gomes Ferreira
XXI
(Canta, canta, sem problemas.)
Melodia apenas
- sem caveiras de fogo
a iluminarem o pensamento das pedras.
Melodia penas
- sem o suor das mãos dadas
no guiar dos labirintos.
Melodia apenas
- sem lágrimas por dentro das flores
a queimarem os corações dos mortos.
Melodia apenas
dos pássaros ocos
a cantarem nas árvores
a repetição emplumada
do cio do primeiro mundo...
Vem, melodia!
Melodia apenas.
José Gomes Ferreira
A MEMÓRIA DO CANDIDATO
Haverá um «acordo entre PS e PSD», visando o entendimento dos dois, na base de uma «troca de cedências mútua», no «Orçamento do Estado e na revisão da Constituição»?
Sobre o assunto pronunciou-se o candidato de Sócrates e Louçã às presidenciais.
Em declarações proferidas na Amadora, Manuel Alegre rejeitou liminarmente tal hipótese: «Não me passa isso pela cabeça» - e explicou as suas razões: «porque isso seria uma degradação da democracia».
São louváveis as razões de Manuel Alegre - embora algo estranhas e um pouco tardias...
Na verdade, como Alegre sabe por experiência própria - e, portanto, melhor do que ninguém - a «degradação da democracia» tem sido a tarefa principal do PS e do PSD ao longo dos últimos 34 anos.
Com efeito, durante essas mais de três décadas a Constituição foi revista sete vezes - sempre através de acordos PS/PSD - e foram aprovados dezenas de orçamentos do Estado de governos ora PS ora PSD, mas todos servindo a política de direita.
Ora, se puxar um pouco pela memória, Manuel Alegre facilmente recordará as suas responsabilidades pessoais nessa «degradação da democracia» - e facilmente constatará que «o processo de revisão constitucional» em curso e as declarações de uns e de outros sobre a matéria, se inserem na preocupação, comum ao PS e ao PSD, de servir a política de direita que ambos, alternadamente, têm vindo a praticar ao longo dos últimos 34 anos - e que ambos desejam prosseguir seja qual for o candidato eleito nas próximas presidenciais...
Sobre o assunto pronunciou-se o candidato de Sócrates e Louçã às presidenciais.
Em declarações proferidas na Amadora, Manuel Alegre rejeitou liminarmente tal hipótese: «Não me passa isso pela cabeça» - e explicou as suas razões: «porque isso seria uma degradação da democracia».
São louváveis as razões de Manuel Alegre - embora algo estranhas e um pouco tardias...
Na verdade, como Alegre sabe por experiência própria - e, portanto, melhor do que ninguém - a «degradação da democracia» tem sido a tarefa principal do PS e do PSD ao longo dos últimos 34 anos.
Com efeito, durante essas mais de três décadas a Constituição foi revista sete vezes - sempre através de acordos PS/PSD - e foram aprovados dezenas de orçamentos do Estado de governos ora PS ora PSD, mas todos servindo a política de direita.
Ora, se puxar um pouco pela memória, Manuel Alegre facilmente recordará as suas responsabilidades pessoais nessa «degradação da democracia» - e facilmente constatará que «o processo de revisão constitucional» em curso e as declarações de uns e de outros sobre a matéria, se inserem na preocupação, comum ao PS e ao PSD, de servir a política de direita que ambos, alternadamente, têm vindo a praticar ao longo dos últimos 34 anos - e que ambos desejam prosseguir seja qual for o candidato eleito nas próximas presidenciais...
POEMA
ELÉCTRICO
XI
(Que vontade de esbofetear estes palermas a meu lado
nos cafés e nos eléctricos a fingirem de Vida Acesa!)
Antes os mortos hirtos, de pé, por dentro dos ciprestes
a beijarem a caveira da lua,
do que estes, do que estes,
a nosso lado na rua.
São mortos sem cemitério,
mortos da Morte Arrefecida
- a que tiraram todo o mistério
para lhe chamarem vida.
José Gomes Ferreira
XI
(Que vontade de esbofetear estes palermas a meu lado
nos cafés e nos eléctricos a fingirem de Vida Acesa!)
Antes os mortos hirtos, de pé, por dentro dos ciprestes
a beijarem a caveira da lua,
do que estes, do que estes,
a nosso lado na rua.
São mortos sem cemitério,
mortos da Morte Arrefecida
- a que tiraram todo o mistério
para lhe chamarem vida.
José Gomes Ferreira
NOBILÍSSIMO OBJECTIVO
Há um mês, a ministra Isabel Alçada anunciou o encerramento de 500 escolas do 1º ciclo com menos de 21 alunos - a bem da educação, da cultura, enfim, da Nação...
Ontem, a ainda ministra Alçada veio dizer que, afinal, não são 500 as escolas que vão encerrar: são 701.
701!: portanto melhor, muito melhor do que 500 - como facilmente compreende quem perceber que quanto mais escolas encerrarem, mais a educação avança...
Estas 701 escolas já não abrirão no próximo ano lectivo e estão assim distribuídas:
384 na zona Norte;
155 na zona Centro;
119 na zona de Lisboa e Vale do Tejo;
32 no Alentejo; e
11 no Algarve.
A medida, cujo alcance educativo/cultural foi devidamente sublinhado pelo Governo de Sócrates, surge na sequência de idênticas preocupações reveladas pela saudosa Maria de Lurdes Rodrigues, a qual (antes de ir aprender inglês para a Fundação Luso Americana) já tinha ordenado o encerramento de 2500 escolas - gesto que a afirmou como pioneira no desbravamento dos caminhos rumo à modernidade na educação...
Porque é de modernidade que se trata: a modernidade que transparece do nobilíssimo objectivo, enunciado pela ministra Alçada, de «garantir a todos os alunos igualdade de oportunidades no acesso a espaços educativos de qualidade».
E digam lá: quem é que pode discordar de tal objectivo, tão cheio de modernidade e enunciado em frase tão cheia de modernidade?
Ontem, a ainda ministra Alçada veio dizer que, afinal, não são 500 as escolas que vão encerrar: são 701.
701!: portanto melhor, muito melhor do que 500 - como facilmente compreende quem perceber que quanto mais escolas encerrarem, mais a educação avança...
Estas 701 escolas já não abrirão no próximo ano lectivo e estão assim distribuídas:
384 na zona Norte;
155 na zona Centro;
119 na zona de Lisboa e Vale do Tejo;
32 no Alentejo; e
11 no Algarve.
A medida, cujo alcance educativo/cultural foi devidamente sublinhado pelo Governo de Sócrates, surge na sequência de idênticas preocupações reveladas pela saudosa Maria de Lurdes Rodrigues, a qual (antes de ir aprender inglês para a Fundação Luso Americana) já tinha ordenado o encerramento de 2500 escolas - gesto que a afirmou como pioneira no desbravamento dos caminhos rumo à modernidade na educação...
Porque é de modernidade que se trata: a modernidade que transparece do nobilíssimo objectivo, enunciado pela ministra Alçada, de «garantir a todos os alunos igualdade de oportunidades no acesso a espaços educativos de qualidade».
E digam lá: quem é que pode discordar de tal objectivo, tão cheio de modernidade e enunciado em frase tão cheia de modernidade?
POEMA
ELÉCTRICO
V
(Mais uma definição de poeta
num carro eléctrico para Almirante Reis.)
Poeta o que é?
Um homem que leva
o facho da treva
no fundo da mina
- mas apenas vê
o que não ilumina.
José Gomes Ferreira
V
(Mais uma definição de poeta
num carro eléctrico para Almirante Reis.)
Poeta o que é?
Um homem que leva
o facho da treva
no fundo da mina
- mas apenas vê
o que não ilumina.
José Gomes Ferreira
MAIS DO MESMO
A representação actual dos líderes do PSD e do PS em torno da revisão da Constituição é a repetição das sete representações que antecederam as sete anteriores revisões da Lei Fundamental do País.
Mudaram as caras, claro (onde hoje vemos Coelho e Sócrates, vimos antes Sá Carneiro e Soares, Balsemão e Soares, Cavaco e Soares, Guterres e Barroso...) mas não mudou o guião das representações: ontem como hoje, assistimos à mesma farsa em que PS e PSD começam por representar o papel de inimigos inconciliáveis, com o PS a rejeitar «liminarmente» a proposta de revisão apresentada pelo PSD... tudo acabando em abraços e beijos na boca - e com a Constituição cada vez mais pobre de Abril e cada vez mais rica de 1933.
E assim se preparam para fazer novamente.
A proposta do PSD, desenhando o ansiado regresso definitivo ao passado, tem três enormes vantagens (pelo menos):
1 - apontando para o impossível (por agora...) faz com que o possível seja mais substancial;
2 - proporciona ao PS a sua habitual representação de «esquerda», com a qual tem vindo a iludir muito boa (e má) gente;
3 - dá uma poderosa ajuda à política de direita: no momento actual, desviando as atenções da dramática situação e que vivem milhões de portugueses; no futuro, alimentando a farsa da «alternativa» com a qual PS e PSD (bem acolitados pelos médias dominantes) têm vindo a ludribiar a maioria do eleitorado.
E assim foi, igualmente, nas anteriores sete revisões - todas, insista-se, concretizadas por obra e graça do tradicional serviço combinado PS/PSD.
Mais do mesmo é, portanto, o que está à vista.
Aqui ficam, como exemplo, alguns títulos de jornais dos últimos dias:
«Socialistas recusam liminarmente as propostas do PSD»
«PSD continua a acreditar num entendimento com o PS»
«Socialistas nem querem ouvir falar do projecto do PSD»
«O PSD garante que o PS vai acabar por aceitar a sua proposta»
«PS avisa que só discute a revisão constitucional se for forçado pelo PSD»
«PSD desvaloriza críticas do PS e lembra que os socialistas acabam sempre por aceitar o debate»
«PS anuncia a criação de um grupo de trabalho para acompanhar o debate»
Ou seja: a farsa vai continuar.
Mudaram as caras, claro (onde hoje vemos Coelho e Sócrates, vimos antes Sá Carneiro e Soares, Balsemão e Soares, Cavaco e Soares, Guterres e Barroso...) mas não mudou o guião das representações: ontem como hoje, assistimos à mesma farsa em que PS e PSD começam por representar o papel de inimigos inconciliáveis, com o PS a rejeitar «liminarmente» a proposta de revisão apresentada pelo PSD... tudo acabando em abraços e beijos na boca - e com a Constituição cada vez mais pobre de Abril e cada vez mais rica de 1933.
E assim se preparam para fazer novamente.
A proposta do PSD, desenhando o ansiado regresso definitivo ao passado, tem três enormes vantagens (pelo menos):
1 - apontando para o impossível (por agora...) faz com que o possível seja mais substancial;
2 - proporciona ao PS a sua habitual representação de «esquerda», com a qual tem vindo a iludir muito boa (e má) gente;
3 - dá uma poderosa ajuda à política de direita: no momento actual, desviando as atenções da dramática situação e que vivem milhões de portugueses; no futuro, alimentando a farsa da «alternativa» com a qual PS e PSD (bem acolitados pelos médias dominantes) têm vindo a ludribiar a maioria do eleitorado.
E assim foi, igualmente, nas anteriores sete revisões - todas, insista-se, concretizadas por obra e graça do tradicional serviço combinado PS/PSD.
Mais do mesmo é, portanto, o que está à vista.
Aqui ficam, como exemplo, alguns títulos de jornais dos últimos dias:
«Socialistas recusam liminarmente as propostas do PSD»
«PSD continua a acreditar num entendimento com o PS»
«Socialistas nem querem ouvir falar do projecto do PSD»
«O PSD garante que o PS vai acabar por aceitar a sua proposta»
«PS avisa que só discute a revisão constitucional se for forçado pelo PSD»
«PSD desvaloriza críticas do PS e lembra que os socialistas acabam sempre por aceitar o debate»
«PS anuncia a criação de um grupo de trabalho para acompanhar o debate»
Ou seja: a farsa vai continuar.
POEMA
ELÉCTRICO
III
(Arte poética.)
Liberdade
é também vontade.
Benditas roseiras
que em vez de rosas
dão nuvens e bandeiras.
José Gomes Ferreira
III
(Arte poética.)
Liberdade
é também vontade.
Benditas roseiras
que em vez de rosas
dão nuvens e bandeiras.
José Gomes Ferreira
«LIBERDADE DE INFORMAÇÃO»
Os EUA produzem, vendem e possuem mais armas químicas do que todos os restantes países do planeta juntos - e têm sido, ao longo da história, os que mais as utilizaram.
Têm, até, opinião expressa sobre essa utilização: aqui há uns anos, o brigadeiro norte-americano J. Rothschild, dizia que «as armas químicas podem representar um método excelente, visto serem o armamento mais humano de todos»...
Apesar disso - ou por isso mesmo... - os EUA são particularmente severos para com os países que utilizam esse «método excelente» - mesmo que tenham sido eles os vendedores dessas armas a esses países...
São até capazes, se isso servir os seus «superiores interesses», de acusar falsamente um país de produzir armas químicas e a pretexto da falsa acusação, invadir e ocupar o dito país, como já tem acontecido.
Porque, «o armamento mais humano de todos» só o é se for utilizado por quem diz que é...
Aliás, a acusação de utilização de armas químicas feita a outros países faz parte do arsenal propagandístico dos EUA.
A União Soviética foi, enquanto existiu, o alvo preferencial dessas acusações: em todo o lado onde armas químicas eram utilizadas, os média dominantes encarregavam-se de, através da repetição exaustiva da «informação», concluir e divulgar que se tratava de obra dos «russos»...
A informação era falsa?: era, mas que importância tinha isso?, o que interessava era que «passasse» e fosse considerada verdadeira...
Ficaram célebres as declarações do então responsável da Agência de Informação do ministério da Defesa dos EUA, E. Collins, numa entrevista em que, confontado com a pergunta sobre a «veracidade da informação que dizia que as tropas soviéticas no Afeganistão utilizavam armas químicas», respondeu: «Não há nada que confirme que os russos tenham utilizado armas químicas».
A isto retorquiu o jornalista: «Então, a opinião geral de que os russos usam armas químicas deve-se apenas ao facto de os jornais espalharem esse boato?»
E Collins explicou: «Não vejo nada de mal, pelo contrário, em permitir que esses boatos corram».
Por aqui se vê como é amplo o conceito de «liberdade de informação» nos EUA...
Conceito que, como se sabe, é o que vigora em todos os países do mundo capitalista - Portugal incluído, pois claro.
Têm, até, opinião expressa sobre essa utilização: aqui há uns anos, o brigadeiro norte-americano J. Rothschild, dizia que «as armas químicas podem representar um método excelente, visto serem o armamento mais humano de todos»...
Apesar disso - ou por isso mesmo... - os EUA são particularmente severos para com os países que utilizam esse «método excelente» - mesmo que tenham sido eles os vendedores dessas armas a esses países...
São até capazes, se isso servir os seus «superiores interesses», de acusar falsamente um país de produzir armas químicas e a pretexto da falsa acusação, invadir e ocupar o dito país, como já tem acontecido.
Porque, «o armamento mais humano de todos» só o é se for utilizado por quem diz que é...
Aliás, a acusação de utilização de armas químicas feita a outros países faz parte do arsenal propagandístico dos EUA.
A União Soviética foi, enquanto existiu, o alvo preferencial dessas acusações: em todo o lado onde armas químicas eram utilizadas, os média dominantes encarregavam-se de, através da repetição exaustiva da «informação», concluir e divulgar que se tratava de obra dos «russos»...
A informação era falsa?: era, mas que importância tinha isso?, o que interessava era que «passasse» e fosse considerada verdadeira...
Ficaram célebres as declarações do então responsável da Agência de Informação do ministério da Defesa dos EUA, E. Collins, numa entrevista em que, confontado com a pergunta sobre a «veracidade da informação que dizia que as tropas soviéticas no Afeganistão utilizavam armas químicas», respondeu: «Não há nada que confirme que os russos tenham utilizado armas químicas».
A isto retorquiu o jornalista: «Então, a opinião geral de que os russos usam armas químicas deve-se apenas ao facto de os jornais espalharem esse boato?»
E Collins explicou: «Não vejo nada de mal, pelo contrário, em permitir que esses boatos corram».
Por aqui se vê como é amplo o conceito de «liberdade de informação» nos EUA...
Conceito que, como se sabe, é o que vigora em todos os países do mundo capitalista - Portugal incluído, pois claro.
POEMA
INVASÃO
XIX
(Guerrilheiros torturados pelos esbirros de Hitler na planície dos lobos.)
Amarraram-no a uma árvore
florida de vermelho...
(Que lhe falta para cruz?)
Rasgaram-lhe as carnes
com chicotes de unhas...
(Até já tem chagas.)
Sangraram-lhe a fronte
com arame farpado...
(... e coroa de espinhos.)
E agora vai morrer
na planície dos lobos...
(Nem lhe falta o Calvário.)
Mas não é um Deus, ouviram?
É um homem
que vai morrer pelos outros homens
sem ressurreição nem céu.
Um homem apenas
sem a alegria dum destino na Morte.
Um homem apenas
com um Momento Terrível
de suor e nuvens.
Um homem apenas
com deuses fuzilados nos olhos.
José Gomes Ferreira
XIX
(Guerrilheiros torturados pelos esbirros de Hitler na planície dos lobos.)
Amarraram-no a uma árvore
florida de vermelho...
(Que lhe falta para cruz?)
Rasgaram-lhe as carnes
com chicotes de unhas...
(Até já tem chagas.)
Sangraram-lhe a fronte
com arame farpado...
(... e coroa de espinhos.)
E agora vai morrer
na planície dos lobos...
(Nem lhe falta o Calvário.)
Mas não é um Deus, ouviram?
É um homem
que vai morrer pelos outros homens
sem ressurreição nem céu.
Um homem apenas
sem a alegria dum destino na Morte.
Um homem apenas
com um Momento Terrível
de suor e nuvens.
Um homem apenas
com deuses fuzilados nos olhos.
José Gomes Ferreira
O LÍDER
A questão das lideranças - e dos líderes - continua a preocupar obsessivamente o dr. Mário Soares.
(ele que, desde há décadas, lidera, com sucesso incontestável, a defesa dos interesses do capitalismo em Portugal)
Diz ele que sem líderes - e sem lideranças - não se vai a parte nenhuma. (e tantas vezes o diz que dá vontade de o mandar à outra parte...)
E proclama que enquanto a União Europeia - sem líderes! - corre o risco de naufragar, os EUA - com um líder genial! - cescem e avançam impetuosamente.
(esta é outra das obsessões de Soares: o líder dos EUA, Obama - o qual, à medida que o tempo passa, vai perdendo admiradores, e corre o risco de, a breve prazo, ser admirado apenas e só pelo fidelíssimo cão de água português...)
Embevecido, o líder do primeiro pior governo após o 25 de Abril, recorda que Obama, eleito em 20 de Janeiro de 2009, «fez nesse dia um discurso que admirou o mundo, pela lucidez e coragem» - e sublinha que, em matéria de discursos, Obama não se ficou por aí: «Depois fez outro, e outro, qual deles com maior substância e rigor»... (discursos é o que mais há, uns de finos modos, outros vis por desprazer...)
Extasiado, o líder da contra-revolução de Abril, lembra que «o comité Nobel atribuiu a Obama, e bem, o mais prestigiado dos prémios da Paz».
E aos que discordaram desta decisão, dizendo que o premiado «não tinha feito nada para merecer o Prémio», pois só fizera «discursos», o líder da CIA em Portugal no pós 25 de Abril, responde: «Nada? Simplesmente, com os discursos, mudou os dados geo-estratégicos do mundo e deu nova credibilidade de esperança à América do Norte» ( a esperança de que, a curto prazo, os EUA dominem todo o planeta, aplaudidos por todos os soares do planeta)
Em resumo: «O mundo está a mudar aceleradamente. Os Estados Unidos têm à sua frente uma figura carismática, Barack Obama, um humanista e um pacifista»...,
(com provas dadas no Iraque, no Afeganistão, na Palestina, nas Honduras, na Colômbia, no mundo inteiro...),
um digno continuador dos presidentes dos EUA que «criaram o generoso pioneirismo americano» (pioneirismo designadamente no lançamento de bombas atómicas sobre populações ...),
enfim, um líder - O LÍDER.
(ele que, desde há décadas, lidera, com sucesso incontestável, a defesa dos interesses do capitalismo em Portugal)
Diz ele que sem líderes - e sem lideranças - não se vai a parte nenhuma. (e tantas vezes o diz que dá vontade de o mandar à outra parte...)
E proclama que enquanto a União Europeia - sem líderes! - corre o risco de naufragar, os EUA - com um líder genial! - cescem e avançam impetuosamente.
(esta é outra das obsessões de Soares: o líder dos EUA, Obama - o qual, à medida que o tempo passa, vai perdendo admiradores, e corre o risco de, a breve prazo, ser admirado apenas e só pelo fidelíssimo cão de água português...)
Embevecido, o líder do primeiro pior governo após o 25 de Abril, recorda que Obama, eleito em 20 de Janeiro de 2009, «fez nesse dia um discurso que admirou o mundo, pela lucidez e coragem» - e sublinha que, em matéria de discursos, Obama não se ficou por aí: «Depois fez outro, e outro, qual deles com maior substância e rigor»... (discursos é o que mais há, uns de finos modos, outros vis por desprazer...)
Extasiado, o líder da contra-revolução de Abril, lembra que «o comité Nobel atribuiu a Obama, e bem, o mais prestigiado dos prémios da Paz».
E aos que discordaram desta decisão, dizendo que o premiado «não tinha feito nada para merecer o Prémio», pois só fizera «discursos», o líder da CIA em Portugal no pós 25 de Abril, responde: «Nada? Simplesmente, com os discursos, mudou os dados geo-estratégicos do mundo e deu nova credibilidade de esperança à América do Norte» ( a esperança de que, a curto prazo, os EUA dominem todo o planeta, aplaudidos por todos os soares do planeta)
Em resumo: «O mundo está a mudar aceleradamente. Os Estados Unidos têm à sua frente uma figura carismática, Barack Obama, um humanista e um pacifista»...,
(com provas dadas no Iraque, no Afeganistão, na Palestina, nas Honduras, na Colômbia, no mundo inteiro...),
um digno continuador dos presidentes dos EUA que «criaram o generoso pioneirismo americano» (pioneirismo designadamente no lançamento de bombas atómicas sobre populações ...),
enfim, um líder - O LÍDER.
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