(Morreu Picasso, que não se limitou a
mostrar com génio nos seus quadros as coisas e
os homens destruídos pelo sistema capitalista...)
Mais nos ensinou Picasso:
que não se é jovem apenas biologicamente,
em virtude
da força com que se luta, o vigor do passo,
o sangue ardente,
nenhuma ruga na face,
o punho agreste e rude.
Na opinião dele
a juventude
nada tem a ver com a pele.
É um sonho mais profundo.
Constrói-se, faz-se
hora a hora, dia a dia,
segundo a segundo.
Sobretudo quando se é comunista
como ele era,
e se ambiciona um Novo Mundo
em que exista
a imaginação, a alegria
e a dupla primavera
nos homens e na Terra.
José Gomes Ferreira
O NOBEL E OS DIREITOS HUMANOS
Por iniciativa da Fundação José Saramago realizou-se hoje, na Casa do Alentejo, em Lisboa, uma sessão comemorativa do sexagésimo aniversário da assinatura da Declaração Universal dos Direitos Humanos e do décimo aniversário da entrega do Prémio Nobel da Literatura a José Saramago.
Tratou-se de uma Homenagem à Literatura Portuguesa, no decorrer da qual foi recordada a Obra de vários dos maiores escritores portugueses.
Poemas de Camões, Bocage, Antero de Quental, Pessoa, Almada Negreiros, Vitorino Nemésio, José Gomes Ferreira, David Mourão Ferreira, Jorge de Sena, Ary, Sophia, Natália Correia, etc., foram lidos por vários homens e mulheres do mundo do espectáculo e da cultura, ou cantados por Carlos do Carmo; enquanto que escritores e ensaístas leram excertos de obras de Padre António Vieira, Garret, Camilo, Eça, Soeiro Pereira Gomes, Torga, Fernando Namora, Manuel da Fonseca, etc.
No final, José Saramago leu o Discurso pronunciado no Banquete Nobel, em 10 de Dezembro de 1998, em Estocolmo.
Este discurso, bem como o texto integral da Declaração Universal dos Direitos Humanos, integram um opúsculo editado (com uma tiragem de 200 mil exemplares) pela Fundação José Saramago.
Do texto de abertura a esse opúsculo, da autoria de José Saramago, deixo-vos um excerto:
«(...) a nós, cidadãos comuns, não nos resta outra atitude que defender por todos os meios a declaração Universal dos Direitos Humanos e exigir em todos os foros o seu urgente cumprimento, sob pena, persistindo a passividade colectiva, devir a perder-se a própria noção de direito em matéria tão importante como a plena realização da pessoa. É necessário que se torne em evidência e em instrumento de acção política este axioma: "É certo que sem a democracia não poderia haver direitos humanos, mas também não é menos certo que sem direitos humanos não poderá haver democracia." Sim, leram bem, sem direitos humanos não haverá democracia digna desse nome.
Portanto, lutar pelos direitos humanos é, em última análise, lutar pela democracia.»
Tratou-se de uma Homenagem à Literatura Portuguesa, no decorrer da qual foi recordada a Obra de vários dos maiores escritores portugueses.
Poemas de Camões, Bocage, Antero de Quental, Pessoa, Almada Negreiros, Vitorino Nemésio, José Gomes Ferreira, David Mourão Ferreira, Jorge de Sena, Ary, Sophia, Natália Correia, etc., foram lidos por vários homens e mulheres do mundo do espectáculo e da cultura, ou cantados por Carlos do Carmo; enquanto que escritores e ensaístas leram excertos de obras de Padre António Vieira, Garret, Camilo, Eça, Soeiro Pereira Gomes, Torga, Fernando Namora, Manuel da Fonseca, etc.
No final, José Saramago leu o Discurso pronunciado no Banquete Nobel, em 10 de Dezembro de 1998, em Estocolmo.
Este discurso, bem como o texto integral da Declaração Universal dos Direitos Humanos, integram um opúsculo editado (com uma tiragem de 200 mil exemplares) pela Fundação José Saramago.
Do texto de abertura a esse opúsculo, da autoria de José Saramago, deixo-vos um excerto:
«(...) a nós, cidadãos comuns, não nos resta outra atitude que defender por todos os meios a declaração Universal dos Direitos Humanos e exigir em todos os foros o seu urgente cumprimento, sob pena, persistindo a passividade colectiva, devir a perder-se a própria noção de direito em matéria tão importante como a plena realização da pessoa. É necessário que se torne em evidência e em instrumento de acção política este axioma: "É certo que sem a democracia não poderia haver direitos humanos, mas também não é menos certo que sem direitos humanos não poderá haver democracia." Sim, leram bem, sem direitos humanos não haverá democracia digna desse nome.
Portanto, lutar pelos direitos humanos é, em última análise, lutar pela democracia.»
POEMA
(E subiu ao Trono o primeiro Governo da Contra-Revolução.)
E agora
que os gigantes do avesso
nos querem transformar em subgente?
Que nos resta? O recomeço
do frio das algemas
e os grilhões desumanos,
para voltar inutilmente
a escrever poemas
recusando-me outra vez a ter mais de 20 anos?
Que fazer agora,
se até o Sonho nos querem roubar?
Exigir talvez
ao sol que, todas as noites dorme na lua e chora
com melancolia,
ouse de súbito acordar
- para que brilhe sempre o Espanto de Haver um Eterno Dia.
José Gomes Ferreira
E agora
que os gigantes do avesso
nos querem transformar em subgente?
Que nos resta? O recomeço
do frio das algemas
e os grilhões desumanos,
para voltar inutilmente
a escrever poemas
recusando-me outra vez a ter mais de 20 anos?
Que fazer agora,
se até o Sonho nos querem roubar?
Exigir talvez
ao sol que, todas as noites dorme na lua e chora
com melancolia,
ouse de súbito acordar
- para que brilhe sempre o Espanto de Haver um Eterno Dia.
José Gomes Ferreira
A MELHOR PRENDA DE NATAL
A pouco mais de duas semanas do seu Dia, o Natal já por aí anda, especialmente neste hábito iniciado precisamente há 50 anos: as iluminações públicas.
Nesse longínquo ano de 1958, por esta altura, dizia o Diário de Notícias (que já então era uma espécie de órgão oficioso do poder dominante), naquele paleio típico dos tempos do fascismo e aprovando as anunciadas iluminações: «Lisboa deve alindar-se para festejar o Natal como fazem outras grandes capitais que não são mais cristãs nem menos belas»...
E assim foi feito.
Nesse primeiro ano circunscritas à Baixa lisboeta, as iluminações foram visitadas e apreciadas por milhares de pessoas que, para esse exclusivo efeito, ali se deslocaram, oferecendo-se a prenda de Natal possível: cinco tostões não davam para comprar prenda mas davam para a viagem de eléctrico rumo à prenda das ruas iluminadas...
Hoje, dada a generalização do hábito a todo o País - embora nos últimos tempos com tendência para redução para poupar custos... - as iluminações já não contam como prenda de Natal: a maioria das pessoas passa por elas quase sem nelas reparar - e cada vez mais a pensar nas prendas que desejariam oferecer, e não podem porque não há dinheiro, a familiares e amigos...
Assim tem sido nos últimos anos e assim é neste ano de 2008, mais do que em qualquer outro dos anteriores desde que esta malvada política de direita aqui se instalou, já lá vão mais de três décadas, e tem vindo a tornar cada vez mais insuportável a vida - e o Natal - de quem trabalha e vive do seu trabalho.
De tal modo que bem se pode dizer que este Natal de 2008 será, talvez, o nosso pior Natal dos últimos 32 anos - com a agravante de ser, sem dúvida, um Natal melhor do que o do próximo ano...
A não ser que daqui até lá, consigamos dar a volta a isto...
E essa seria a melhor de todas as prendas que poderíamos oferecer a nós próprios.
Nesse longínquo ano de 1958, por esta altura, dizia o Diário de Notícias (que já então era uma espécie de órgão oficioso do poder dominante), naquele paleio típico dos tempos do fascismo e aprovando as anunciadas iluminações: «Lisboa deve alindar-se para festejar o Natal como fazem outras grandes capitais que não são mais cristãs nem menos belas»...
E assim foi feito.
Nesse primeiro ano circunscritas à Baixa lisboeta, as iluminações foram visitadas e apreciadas por milhares de pessoas que, para esse exclusivo efeito, ali se deslocaram, oferecendo-se a prenda de Natal possível: cinco tostões não davam para comprar prenda mas davam para a viagem de eléctrico rumo à prenda das ruas iluminadas...
Hoje, dada a generalização do hábito a todo o País - embora nos últimos tempos com tendência para redução para poupar custos... - as iluminações já não contam como prenda de Natal: a maioria das pessoas passa por elas quase sem nelas reparar - e cada vez mais a pensar nas prendas que desejariam oferecer, e não podem porque não há dinheiro, a familiares e amigos...
Assim tem sido nos últimos anos e assim é neste ano de 2008, mais do que em qualquer outro dos anteriores desde que esta malvada política de direita aqui se instalou, já lá vão mais de três décadas, e tem vindo a tornar cada vez mais insuportável a vida - e o Natal - de quem trabalha e vive do seu trabalho.
De tal modo que bem se pode dizer que este Natal de 2008 será, talvez, o nosso pior Natal dos últimos 32 anos - com a agravante de ser, sem dúvida, um Natal melhor do que o do próximo ano...
A não ser que daqui até lá, consigamos dar a volta a isto...
E essa seria a melhor de todas as prendas que poderíamos oferecer a nós próprios.
POEMA
(O Sonho é a nossa arma.)
Há quem julgue que nos venceu
só porque estamos para aqui, famintos e nus,
de novo sem terra nem céu,
a apanhar do chão,
às escondidas do luar.
os frutos podres caídos dos ramos.
Mas não.
Temos ainda uma arma de luz
para lutar:
SONHAMOS.
... enquanto os outros, os traidores,
sem lutas nem cicatrizes
entregam a terra ao rasto dos gamos
e douram os olhos dos velhos senhores
com voos de perdizes...
Sim, sonhamos.
E o sonho quem o derrota?
- mesmo quando vamos
perdidos na rota
de um barco sem remos
na tempestade de um vulcão.
Sim, camaradas, sonhamos.
SONHEMOS!
O Sonho é também acção.
José Gomes Ferreira
Há quem julgue que nos venceu
só porque estamos para aqui, famintos e nus,
de novo sem terra nem céu,
a apanhar do chão,
às escondidas do luar.
os frutos podres caídos dos ramos.
Mas não.
Temos ainda uma arma de luz
para lutar:
SONHAMOS.
... enquanto os outros, os traidores,
sem lutas nem cicatrizes
entregam a terra ao rasto dos gamos
e douram os olhos dos velhos senhores
com voos de perdizes...
Sim, sonhamos.
E o sonho quem o derrota?
- mesmo quando vamos
perdidos na rota
de um barco sem remos
na tempestade de um vulcão.
Sim, camaradas, sonhamos.
SONHEMOS!
O Sonho é também acção.
José Gomes Ferreira
«OS VOOS DA VERGONHA»
«Voos "Secretos" CIA - Nos Bastidores da Vergonha» é o título de um livro a que o DN de hoje faz referência.
Na obra, o autor - o jornalista Rui Costa Pinto - para além de contar «a história e os bastidores judiciais, políticos e jornalísticos da investigação» dos voos - revela que «a CIA treinou "operacionais" dos serviços de informações portugueses em acções, em 2003».
Na opinião de Rui Costa Pinto, o esclarecimento destes treinos é «mais um elemento essencial para conhecer a verdade» sobre os voos da CIA - tanto mais que, diz, esses treinos ocorreram num período em que «os registos apontam para a intensificação dos "Voos da Vergonha"».
Provavelmente, um dia destes temos aí o ministro Amado a dizer que... tais voos, tais treinos: ele não tem conhecimento de nada disso - mas vai mandar fazer um, ou dois, ou três inquéritos - tantos quantos forem necessários para retardar (ou ocultar) a verdade.
Quanto aos «Voos (muito apropriadamente denominados) da Vergonha», ao que parece, à excepção da Procuradoria Geral da República - que sobre a matéria tem um inquérito em curso - toda a gente já sabe, de certeza certa, que aviões da CIA, com ou sem autorização e conhecimento dos vários governos portugueses, fizeram escala em aeroportos portugueses, transportando presos de e para o campo de concentração de Guantánamo...
Na obra, o autor - o jornalista Rui Costa Pinto - para além de contar «a história e os bastidores judiciais, políticos e jornalísticos da investigação» dos voos - revela que «a CIA treinou "operacionais" dos serviços de informações portugueses em acções, em 2003».
Na opinião de Rui Costa Pinto, o esclarecimento destes treinos é «mais um elemento essencial para conhecer a verdade» sobre os voos da CIA - tanto mais que, diz, esses treinos ocorreram num período em que «os registos apontam para a intensificação dos "Voos da Vergonha"».
Provavelmente, um dia destes temos aí o ministro Amado a dizer que... tais voos, tais treinos: ele não tem conhecimento de nada disso - mas vai mandar fazer um, ou dois, ou três inquéritos - tantos quantos forem necessários para retardar (ou ocultar) a verdade.
Quanto aos «Voos (muito apropriadamente denominados) da Vergonha», ao que parece, à excepção da Procuradoria Geral da República - que sobre a matéria tem um inquérito em curso - toda a gente já sabe, de certeza certa, que aviões da CIA, com ou sem autorização e conhecimento dos vários governos portugueses, fizeram escala em aeroportos portugueses, transportando presos de e para o campo de concentração de Guantánamo...
POEMA
VIRÁ!
Virá!
Oiço o seu ruído.
Garanto-vos a luz
para breve. Prometeu
fogo e amor à terra.
Por isso canto e amo.
Virá! Oiço o seu ruído!
Então, ai dos soturnos;
dos que agora mancham
este querido mundo.
Jesus Lopez Pacheco
Virá!
Oiço o seu ruído.
Garanto-vos a luz
para breve. Prometeu
fogo e amor à terra.
Por isso canto e amo.
Virá! Oiço o seu ruído!
Então, ai dos soturnos;
dos que agora mancham
este querido mundo.
Jesus Lopez Pacheco
SUCATA
Isto não pára, está visto.
No desenvolvimento das notícias ontem divulgadas, o Público de hoje conta que Abdul Rahman El-Assir, o amigo libanês de Dias Loureiro - referenciado na imprensa como «traficante de armas» e como, eventualmente, ligado ao «narcotráfico internacional» - deve 42 milhões de euros ao BPN.
Os empréstimos a El-Assir - que «surgem nas contas do BPN como incobráveis» - foram concedidos quando Dias Loureiro era Administrador do Grupo SLN/BPN - e ocorreram na mesma altura em que o BPN/Dias Loureiro/Oliveira e Costa comprou a El-Assir as tais duas «empresas tecnológicas» de Porto Rico.
O Público adianta, ainda, que o custo dessas empresas foi de 56 milhões de euros - e que das duas, uma, «nunca teve actividade» e a outra «declarou falência dois meses depois de ter sido adquirida».
Entretanto - e sabe-se lá se em ligação com bpn's e etc - o mesmo Público denuncia o caso de uma «empresa participada por Dias Loureiro e Jorge Coelho que gere o produto de uma fraude fiscal no valor de 4,5 milhões euros». A empresa responsável pela fraude fiscal actua no ramo da sucata.
Pois: sucata é o que tudo isto é.
No desenvolvimento das notícias ontem divulgadas, o Público de hoje conta que Abdul Rahman El-Assir, o amigo libanês de Dias Loureiro - referenciado na imprensa como «traficante de armas» e como, eventualmente, ligado ao «narcotráfico internacional» - deve 42 milhões de euros ao BPN.
Os empréstimos a El-Assir - que «surgem nas contas do BPN como incobráveis» - foram concedidos quando Dias Loureiro era Administrador do Grupo SLN/BPN - e ocorreram na mesma altura em que o BPN/Dias Loureiro/Oliveira e Costa comprou a El-Assir as tais duas «empresas tecnológicas» de Porto Rico.
O Público adianta, ainda, que o custo dessas empresas foi de 56 milhões de euros - e que das duas, uma, «nunca teve actividade» e a outra «declarou falência dois meses depois de ter sido adquirida».
Entretanto - e sabe-se lá se em ligação com bpn's e etc - o mesmo Público denuncia o caso de uma «empresa participada por Dias Loureiro e Jorge Coelho que gere o produto de uma fraude fiscal no valor de 4,5 milhões euros». A empresa responsável pela fraude fiscal actua no ramo da sucata.
Pois: sucata é o que tudo isto é.
POEMA
COMEI VOSSOS PERUS
Comei vossos perus
burgueses anafados
e dai esmolinha aos pobres
que tendes esfomeados.
Um dia há-de chegar
em que sereis assados
não para subir ao céu.
Jorge de Sena
Comei vossos perus
burgueses anafados
e dai esmolinha aos pobres
que tendes esfomeados.
Um dia há-de chegar
em que sereis assados
não para subir ao céu.
Jorge de Sena
«GENTE RESPEITÁVEL»
Sucedem-se a um ritmo vertiginoso as notícias sobre o «caso BPN» - e sobre as ramificações que casos destes sempre desvendam.
Ontem, o Público contava que em 2001 e 2002, a SLN (holding que controlava o BPN a 100 por cento) adquiriu duas «empresas tecnológicas» em Porto Rico.
A compra foi feita por Oliveira e Costa (actualmente detido, como se sabe) e Dias Loureiro (actualmente membro do Conselho de Estado, como se sabe).
O mais curioso nesta compra é que ela foi feita contra o parecer de uma equipa técnica da SLN (que a considerava uma «operação de alto risco») e aceitando como bom o «relatório favorável elaborado pelas próprias empresas de Porto Rico»...
Acresce que a transacção foi feita às ocultas das autoridades portugueses - mas esse, estou em crer, será um pormenor irrelevante...
As duas «empresas tecnológicas» tinham como investidor o libanês Abdul Rahman El-Assir, referenciado como «traficante de armas» e que - lá vem a possível ramificação... - foi quem «abriu as portas de Marrocos a Dias Loureiro».
Este El-Assir esteve «associado so escândalo que envolveu nos anos 80 o Banco de Crédito e Comércio Internacional, com sede no Panamá, instituição que foi acusada de ligação ao narcotráfico mundial».
A peça ontem saída no Público sobre estas questões, tem com fonte essencial um livro dos jornalistas espanhóis Carlos Ribagorda e Nacho Cardero - «Los PPijos» - que «analisa uma nova geração de políticos/homens de negócios (...) agrupada em torno de Alexandro Agag, genro de José Maria Aznar».
Registe-se que este Agag-genro-de-Aznar foi, em dada altura, «colaborador do BPN»: por proposta de Dias Loureiro ele desempenhou as funções de «assessor pessoal» de Oliveira e Costa.
Agag tem «linha directa» com tudo quanto é gente importante no mundo: telefona quando quer e lhe apetece para, por exemplo, Berlusconi, Chirac, Durão Barroso... - para além de ser amigo íntimo de El-Assir, naturalmente.
Sobre El-Assir, disse Dias Loureiro:
«Não tenho quaisquer razões para pensar mal dele. O seu círculo de amigos é gente respeitável. Ele sempre me tratou bem, com amizade e respeito.» - e afirmou que conhece El-Assir desde 2001, altura em que ele «me ajudou a resolver um negócio em Marrocos».
Dias Loureiro e El-Assir, negam, no entanto, ser sócios. Mas confirmam a existência de grande amizade entre ambos - em todo o caso, uma «amizade» que não deve incluir grandes confidências já que Dias Loureiro confessa «nada saber sobre o passado de El-Assir»...
As amizades de El-Assir são vastas e sonantes. Tudo «gente respeitável»: entre muitos outros, o rei de Espanha; o neto de Franco; Aznar; o genro de Aznar; Bill Clinton; Terry McAuliffe (presidente e responsável pelas finanças do Partido Democrata) - e, naturalmente, o «grande e bom amigo» Dias Loureiro.
El-Assir convidou várias vezes Dias Loureiro para caçar com o rei de Espanha e para jantar com Clinton nas casas do libanês em Madrid, Barcelona e Londres.
Ele esteve presente nos casamentos das duas filhas de Dias Loureiro - «no Convento do Beato em Lisboa, junto à nata da política portuguesa (Durão Barroso, Cavaco Silva, Mário Soares...)».
El-Assir esteve também no casamento da filha de Aznar com Alexandro Agag - cerimónia com mais de mil pessoas, entre as quais «o ex-primeiro-ministro António Guterres e o (então) primeiro-ministro Durão Barroso».
Ao círculo de amigos de El-Assir há que acrescentar, entre muitos outros, o saudita «Adnan Kashogui, comerciante de armamento internacional», com cujo nome o de El-Assir aparece ligado, «na imprensa internacional associados a vários escândalos, como o das exportações de armas espanholas no tempo do PSOE».
Assim, armas e narcotráfico poderão ser, eventualmente, dois ramos essenciais do negócio deste libanês amigo dos seus amigos - tudo «gente respeitável», na palavra conhecedora de Dias Loureiro.
E, relembro, tudo isto veio a propósito das notícias que, a um ritmo vertiginoso, se sucedem em torno do «caso BPN»...
Ontem, o Público contava que em 2001 e 2002, a SLN (holding que controlava o BPN a 100 por cento) adquiriu duas «empresas tecnológicas» em Porto Rico.
A compra foi feita por Oliveira e Costa (actualmente detido, como se sabe) e Dias Loureiro (actualmente membro do Conselho de Estado, como se sabe).
O mais curioso nesta compra é que ela foi feita contra o parecer de uma equipa técnica da SLN (que a considerava uma «operação de alto risco») e aceitando como bom o «relatório favorável elaborado pelas próprias empresas de Porto Rico»...
Acresce que a transacção foi feita às ocultas das autoridades portugueses - mas esse, estou em crer, será um pormenor irrelevante...
As duas «empresas tecnológicas» tinham como investidor o libanês Abdul Rahman El-Assir, referenciado como «traficante de armas» e que - lá vem a possível ramificação... - foi quem «abriu as portas de Marrocos a Dias Loureiro».
Este El-Assir esteve «associado so escândalo que envolveu nos anos 80 o Banco de Crédito e Comércio Internacional, com sede no Panamá, instituição que foi acusada de ligação ao narcotráfico mundial».
A peça ontem saída no Público sobre estas questões, tem com fonte essencial um livro dos jornalistas espanhóis Carlos Ribagorda e Nacho Cardero - «Los PPijos» - que «analisa uma nova geração de políticos/homens de negócios (...) agrupada em torno de Alexandro Agag, genro de José Maria Aznar».
Registe-se que este Agag-genro-de-Aznar foi, em dada altura, «colaborador do BPN»: por proposta de Dias Loureiro ele desempenhou as funções de «assessor pessoal» de Oliveira e Costa.
Agag tem «linha directa» com tudo quanto é gente importante no mundo: telefona quando quer e lhe apetece para, por exemplo, Berlusconi, Chirac, Durão Barroso... - para além de ser amigo íntimo de El-Assir, naturalmente.
Sobre El-Assir, disse Dias Loureiro:
«Não tenho quaisquer razões para pensar mal dele. O seu círculo de amigos é gente respeitável. Ele sempre me tratou bem, com amizade e respeito.» - e afirmou que conhece El-Assir desde 2001, altura em que ele «me ajudou a resolver um negócio em Marrocos».
Dias Loureiro e El-Assir, negam, no entanto, ser sócios. Mas confirmam a existência de grande amizade entre ambos - em todo o caso, uma «amizade» que não deve incluir grandes confidências já que Dias Loureiro confessa «nada saber sobre o passado de El-Assir»...
As amizades de El-Assir são vastas e sonantes. Tudo «gente respeitável»: entre muitos outros, o rei de Espanha; o neto de Franco; Aznar; o genro de Aznar; Bill Clinton; Terry McAuliffe (presidente e responsável pelas finanças do Partido Democrata) - e, naturalmente, o «grande e bom amigo» Dias Loureiro.
El-Assir convidou várias vezes Dias Loureiro para caçar com o rei de Espanha e para jantar com Clinton nas casas do libanês em Madrid, Barcelona e Londres.
Ele esteve presente nos casamentos das duas filhas de Dias Loureiro - «no Convento do Beato em Lisboa, junto à nata da política portuguesa (Durão Barroso, Cavaco Silva, Mário Soares...)».
El-Assir esteve também no casamento da filha de Aznar com Alexandro Agag - cerimónia com mais de mil pessoas, entre as quais «o ex-primeiro-ministro António Guterres e o (então) primeiro-ministro Durão Barroso».
Ao círculo de amigos de El-Assir há que acrescentar, entre muitos outros, o saudita «Adnan Kashogui, comerciante de armamento internacional», com cujo nome o de El-Assir aparece ligado, «na imprensa internacional associados a vários escândalos, como o das exportações de armas espanholas no tempo do PSOE».
Assim, armas e narcotráfico poderão ser, eventualmente, dois ramos essenciais do negócio deste libanês amigo dos seus amigos - tudo «gente respeitável», na palavra conhecedora de Dias Loureiro.
E, relembro, tudo isto veio a propósito das notícias que, a um ritmo vertiginoso, se sucedem em torno do «caso BPN»...
POEMA
HINO AO 1º DE ABRIL
Os milicos milicazes
nunca foram maus rapazes.
Quando matam, quando esfolam,
quando capam, quando amolam,
quando todos se rebolam
prós ianques que os engrolam,
ou quando cantam de galo
ou relincham de cavalo,
ou vão puxando o badalo,
mais o saco do gargalo,
ou quando vendem a terra
e as riquezas que ela encerra,
ou quando rolham quem berra
ou mesmo quem embezerra,
ou quando as serras napalmam,
e com fogo tudo acalmam,
ou quando bancos empalmam
e corruptos se desalmam
é tudo sempre por bem.
De Pelotas a Belém
não duvide nunca alguém
seja fortudo ou pelém,
que os milicos milicazes
nunca foram maus rapazes.
Jorge de Sena
Os milicos milicazes
nunca foram maus rapazes.
Quando matam, quando esfolam,
quando capam, quando amolam,
quando todos se rebolam
prós ianques que os engrolam,
ou quando cantam de galo
ou relincham de cavalo,
ou vão puxando o badalo,
mais o saco do gargalo,
ou quando vendem a terra
e as riquezas que ela encerra,
ou quando rolham quem berra
ou mesmo quem embezerra,
ou quando as serras napalmam,
e com fogo tudo acalmam,
ou quando bancos empalmam
e corruptos se desalmam
é tudo sempre por bem.
De Pelotas a Belém
não duvide nunca alguém
seja fortudo ou pelém,
que os milicos milicazes
nunca foram maus rapazes.
Jorge de Sena
UMA DEMOCRATA DE ELEIÇÃO
Fernanda Câncio é, entre outras coisas, jornalista, e é nessa condição que integra o painel de cronistas que, no DN, vão cumprindo a meritória e, certamente, bem remunerada tarefa de defender a política de direita.
Hoje, a cronista atirou-se aos professores com gata a bofe.
E fê-lo como sabe: em mau português, e naquele tom em que a pretendida ironia é abafada por irritações e raivas incontroláveis.
É claro que a cronista não está «contra o protesto» dos professores.
- «de modo nenhum», adverte -
mas está «farta deste» protesto: é isso, está farta...
E não é só ela que está farta: também «uma parte não negligenciável das gentes» está «saturada de protestos professorais».
Mais: essas «gentes» (certamente das suas relações) estão «saturadas», também, «de alunos a clamar por coisas como "fim dos exames nacionais" - e chocolates grátis, já agora, não?) ».
Ora, se a cronista está farta e se «as gentes» das suas relações «estão saturadas»... o «protesto» deve acabar. Já!
Acresce, garante a cronista, que o ministério deu provas de diálogo e de compreensão... e, por isso, «esperávamos (a cronista e as suas «gentes», entenda-se...) que os professores, em troca, aceitassem uma evidência simples: é preciso parar com esta história. Porque é preciso que as escolas funcionem e porque não chega encher a Avenida da Liberdade nem fazer greves muito participadas para mandar».
Aqui chegada, a cronista aborda a questão do mando e vira a agulha para a «democracia», a «legitimação democrática» e as «eleições», enfim, o blá, blá, blá da praxe.
Para dizer o quê?: que quem «manda» é quem governa e quem governa é quem ganhou as eleições - e como, «a última vez que olhei para as eleições os professores não se tinham candidatado a governar»...
Ou seja: o governo está legitimado para mandar porque foi eleito democraticamente; os professores estão legitimados para obedecer ao mando do Governo - e, se quiserem mandar, têm que se candidatar ao Governo e ganhar as eleições...
E tão longe foi a cronista no despautério e no desnudar-se em matéria de conceito de democracia, que a dada altura, talvez receando ter ido demasiado longe (de facto, estou em crer que nem o Governo lhe pede tanto, nem nada que se pareça...), arriscou: «Haverá quem considere o meu raciocínio anti-democrático.» ... E pela primeira vez escreveu a verdade - e, o que é mais importante, sem atropelos à Língua Pátria...
Mas logo o seu conceito de democracia - severo, implacável, autoritário - a chamou à razão.
Foi então que proferiu uma lição sobre «o que é a democracia e como funciona»: empunhando a metralhadora, disparou sucessivas e mortíferas rajadas de ameças sobre os professores - reservando o tiro final... para quem?, para quem?...
Claro: para «o PCP».
Presumo que, cumprida a tarefa, a cronista foi muito elogiada por quem de direito.
Hoje, a cronista atirou-se aos professores com gata a bofe.
E fê-lo como sabe: em mau português, e naquele tom em que a pretendida ironia é abafada por irritações e raivas incontroláveis.
É claro que a cronista não está «contra o protesto» dos professores.
- «de modo nenhum», adverte -
mas está «farta deste» protesto: é isso, está farta...
E não é só ela que está farta: também «uma parte não negligenciável das gentes» está «saturada de protestos professorais».
Mais: essas «gentes» (certamente das suas relações) estão «saturadas», também, «de alunos a clamar por coisas como "fim dos exames nacionais" - e chocolates grátis, já agora, não?) ».
Ora, se a cronista está farta e se «as gentes» das suas relações «estão saturadas»... o «protesto» deve acabar. Já!
Acresce, garante a cronista, que o ministério deu provas de diálogo e de compreensão... e, por isso, «esperávamos (a cronista e as suas «gentes», entenda-se...) que os professores, em troca, aceitassem uma evidência simples: é preciso parar com esta história. Porque é preciso que as escolas funcionem e porque não chega encher a Avenida da Liberdade nem fazer greves muito participadas para mandar».
Aqui chegada, a cronista aborda a questão do mando e vira a agulha para a «democracia», a «legitimação democrática» e as «eleições», enfim, o blá, blá, blá da praxe.
Para dizer o quê?: que quem «manda» é quem governa e quem governa é quem ganhou as eleições - e como, «a última vez que olhei para as eleições os professores não se tinham candidatado a governar»...
Ou seja: o governo está legitimado para mandar porque foi eleito democraticamente; os professores estão legitimados para obedecer ao mando do Governo - e, se quiserem mandar, têm que se candidatar ao Governo e ganhar as eleições...
E tão longe foi a cronista no despautério e no desnudar-se em matéria de conceito de democracia, que a dada altura, talvez receando ter ido demasiado longe (de facto, estou em crer que nem o Governo lhe pede tanto, nem nada que se pareça...), arriscou: «Haverá quem considere o meu raciocínio anti-democrático.» ... E pela primeira vez escreveu a verdade - e, o que é mais importante, sem atropelos à Língua Pátria...
Mas logo o seu conceito de democracia - severo, implacável, autoritário - a chamou à razão.
Foi então que proferiu uma lição sobre «o que é a democracia e como funciona»: empunhando a metralhadora, disparou sucessivas e mortíferas rajadas de ameças sobre os professores - reservando o tiro final... para quem?, para quem?...
Claro: para «o PCP».
Presumo que, cumprida a tarefa, a cronista foi muito elogiada por quem de direito.
POEMA
DIFICULDADE DE GOVERNAR
1
Todos os dias os ministros dizem ao povo
como é difícil governar. Sem os ministros
o trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
se o chanceler não fosse tão inteligente.
Sem o ministro da Propaganda mais nenhuma mulher
podia ficar grávida.
Sem o ministro da Guerra nunca mais haveria guerra.
E atrever-se-ia a nascer o sol
sem autorização do Fuhrer?
Não é nada provável e, se o fosse,
nasceria por certo fora do lugar.
2
É também difícil, ao que nos é dito,
dirigir uma fábrica. Sem o patrão
as paredes cairiam e as máquinas enchiam-se de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
ele nunca chegaria ao campo
sem as palavras avisadas do industrial aos camponeses:
quem, senão ele, lhes poderia falar na existência de arados?
E que seria da propriedade rural sem o lavrador?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.
3
Se governar fosse fácil
não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos
como o do Fuhrer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
e se o camponês soubesse distinguir
um campo de uma fôrma para tortas
não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
É só porque toda a gente é tão estúpida
que há necessidade de alguns tão inteligentes.
4
Ou será que
governar só é assim tão difícil
porque a exploração e a mentira
são coisas que custam a aprender?
Brecht
1
Todos os dias os ministros dizem ao povo
como é difícil governar. Sem os ministros
o trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
se o chanceler não fosse tão inteligente.
Sem o ministro da Propaganda mais nenhuma mulher
podia ficar grávida.
Sem o ministro da Guerra nunca mais haveria guerra.
E atrever-se-ia a nascer o sol
sem autorização do Fuhrer?
Não é nada provável e, se o fosse,
nasceria por certo fora do lugar.
2
É também difícil, ao que nos é dito,
dirigir uma fábrica. Sem o patrão
as paredes cairiam e as máquinas enchiam-se de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
ele nunca chegaria ao campo
sem as palavras avisadas do industrial aos camponeses:
quem, senão ele, lhes poderia falar na existência de arados?
E que seria da propriedade rural sem o lavrador?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.
3
Se governar fosse fácil
não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos
como o do Fuhrer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
e se o camponês soubesse distinguir
um campo de uma fôrma para tortas
não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
É só porque toda a gente é tão estúpida
que há necessidade de alguns tão inteligentes.
4
Ou será que
governar só é assim tão difícil
porque a exploração e a mentira
são coisas que custam a aprender?
Brecht
SEM COMENTÁRIOS
A revista Visão publica uma reportagem sobre Dias Loureiro.
Trata-se de um interessante trabalho que nos permite ficar com uma ideia aproximada... de muitos aspectos da vida deste ex-ministro de Cavaco Silva, actual membro do Conselho de Estado, muito falado a propósito da falência fraudulenta do BPN, e que, vindo do «quase nada», se transformou, numa década, num dos homens mais ricos de Portugal - chegando mesmo a ter rendimentos superiores aos de Belmiro de Azevedo.
O texto da Visão abre assim:
«Manuel Dias Loureiro
Anatomia de um intocável
A história pessoal, política e empresarial de Dias Loureiro é um puzzle que ajuda a explicar muito do que tem sido Portugal desde 1985, data da sua ascensão ao poder.
Um homem com um percurso de luzes e sombras. que se confunde, por vezes, com a zona cinzenta de um regime»
Sobre a FIGURA do biografado, diz a Visão que:
«É uma das figuras mais poderosas do País»
e que:
«Fez fortuna de quase nada e até além fronteiras lhe dão tratamento VIP»
Sobre as suas RELAÇÕES, ficamos a saber que:
«Priva com Clinton, Aznar, Durão Barroso e outros dos homens mais poderosos do planeta, alguns com actividades e práticas bastante controversas»
Sobre as suas AMIZADES:
«Amigos há mais de 40 anos, Jorge Coelho e Dias Loureiro são praticamente da mesma terra» - amigos de infância, entretanto separados, mas, conta Jorge Coelho:
«Passados 22 anos, reencontrámo-nos e estreitámos relações. Hoje, é um dos meus melhores amigos»
E Jorge Coelho conta ao jornalista que:
«Há uns cinco anos pediu um empréstimo pessoal de 100 mil euros ao BPN, na altura mais complicada da sua vida» (fora-lhe detectado um cancro)
Mas o próprio Coelho faz questão de esclarecer que:
«Já não devo nada e paguei tudo direitinho».
Sobre a sua FORTUNA:
Em recente entrevista à RTP, Dias Loureiro afirmou que, quando saíu do Governo, «em 1985, não tinha dinheiro nenhum».
Tratava-se, obviamente, de uma força de expressão, já que, como sublinha o jornalista:
Em 1991 comprou e remodelou «uma vivenda, no Estoril, por 150 mil contos» - dinheiro proveniente de «uma herança e venda de propriedades em Coimbra».
Para trás ficava, a «casa de Sete Rios, comprada por 9. 600 contos»...
Para a frente... a casa actual:
«Vive actualmente na Quinta Patiño, no Estoril, uma das zonas mais privilegiadas e caras do País (diz-se que cada metro quadrado de terreno custa 5 mil euros), onde residem pessoas da alta sociedade como Rocha Vieira, João Rendeiro, Diogo Vaz Guedes, Stanley Ho ou Stefano Savioti».
Bem, fico por aqui - por hoje.
E sem comentários - por hoje.
Trata-se de um interessante trabalho que nos permite ficar com uma ideia aproximada... de muitos aspectos da vida deste ex-ministro de Cavaco Silva, actual membro do Conselho de Estado, muito falado a propósito da falência fraudulenta do BPN, e que, vindo do «quase nada», se transformou, numa década, num dos homens mais ricos de Portugal - chegando mesmo a ter rendimentos superiores aos de Belmiro de Azevedo.
O texto da Visão abre assim:
«Manuel Dias Loureiro
Anatomia de um intocável
A história pessoal, política e empresarial de Dias Loureiro é um puzzle que ajuda a explicar muito do que tem sido Portugal desde 1985, data da sua ascensão ao poder.
Um homem com um percurso de luzes e sombras. que se confunde, por vezes, com a zona cinzenta de um regime»
Sobre a FIGURA do biografado, diz a Visão que:
«É uma das figuras mais poderosas do País»
e que:
«Fez fortuna de quase nada e até além fronteiras lhe dão tratamento VIP»
Sobre as suas RELAÇÕES, ficamos a saber que:
«Priva com Clinton, Aznar, Durão Barroso e outros dos homens mais poderosos do planeta, alguns com actividades e práticas bastante controversas»
Sobre as suas AMIZADES:
«Amigos há mais de 40 anos, Jorge Coelho e Dias Loureiro são praticamente da mesma terra» - amigos de infância, entretanto separados, mas, conta Jorge Coelho:
«Passados 22 anos, reencontrámo-nos e estreitámos relações. Hoje, é um dos meus melhores amigos»
E Jorge Coelho conta ao jornalista que:
«Há uns cinco anos pediu um empréstimo pessoal de 100 mil euros ao BPN, na altura mais complicada da sua vida» (fora-lhe detectado um cancro)
Mas o próprio Coelho faz questão de esclarecer que:
«Já não devo nada e paguei tudo direitinho».
Sobre a sua FORTUNA:
Em recente entrevista à RTP, Dias Loureiro afirmou que, quando saíu do Governo, «em 1985, não tinha dinheiro nenhum».
Tratava-se, obviamente, de uma força de expressão, já que, como sublinha o jornalista:
Em 1991 comprou e remodelou «uma vivenda, no Estoril, por 150 mil contos» - dinheiro proveniente de «uma herança e venda de propriedades em Coimbra».
Para trás ficava, a «casa de Sete Rios, comprada por 9. 600 contos»...
Para a frente... a casa actual:
«Vive actualmente na Quinta Patiño, no Estoril, uma das zonas mais privilegiadas e caras do País (diz-se que cada metro quadrado de terreno custa 5 mil euros), onde residem pessoas da alta sociedade como Rocha Vieira, João Rendeiro, Diogo Vaz Guedes, Stanley Ho ou Stefano Savioti».
Bem, fico por aqui - por hoje.
E sem comentários - por hoje.
POEMA
A CADA UM...
A cada um chega um pouco
do que para todos chega.
Quem o quer diz-se que é louco.
Mas por que é que se lho nega?
É porque a verdade assusta
que a mentira persuade.
A unidade mais justa
nasce da variedade.
Querer só não é querer.
Não há querer sem acção.
O próprio pão, para o ser,
primeiro rebenta o chão.
Armindo Rodrigues
A cada um chega um pouco
do que para todos chega.
Quem o quer diz-se que é louco.
Mas por que é que se lho nega?
É porque a verdade assusta
que a mentira persuade.
A unidade mais justa
nasce da variedade.
Querer só não é querer.
Não há querer sem acção.
O próprio pão, para o ser,
primeiro rebenta o chão.
Armindo Rodrigues
COISAS DO BPN
Um jornal de hoje conta uma elucidativa história passada com Óscar Silva - «a mente brilhante» que Oliveira e Costa levou para o BPN, como responsável da Administração BPN-Créditus, no Porto.
Em 1998, Óscar Silva foi a Inglaterra assistir a uma prova de automobilismo. Para o efeito viajou no jacto privado do BPN e levou consigo alguns amigos - e, «Para animar a viagem, fez-se uma escala num país do Leste para recolher prostitutas»...
O BPN pagou as despesas.
Tal escala parecia estar nos hábitos do homem do BPN no Porto, já que era hábito de Óscar Silva «reunir com os parceiros da Administração da BPN -Créditus, em casas de alterne portuenses, em memoráveis noitadas que animaram boites como O Calor da Noite ou A Taverna do Infante, à época propriedade do seu amigo Reinaldo Teles».
Não há dúvida que o BPN estava entregue a gente qualificada. Em todos os aspectos.
Por seu lado - e noutra vertente da superior gestão BPN - Dias Loureiro veio dizer que aceita ser ouvido pelas instâncias que estão a investigar o caso BPN - mas que não será ele a dar o primeiro passo.
Como é sabido, Dias Loureiro é membro do Conselho de Estado e segundo o artigo 15º do Estatuto daquele órgão, os seus membros «não podem ser peritos, testemunhas ou declarantes sem autorização do Conselho» - e sem «uma audiência do membro em causa com o Presidente da República».
Aguarda-se, então, que as referidas «instâncias» dêem o primeiro passo - para que Dias Loureiro dê, depois, os passos que faltam...
Em 1998, Óscar Silva foi a Inglaterra assistir a uma prova de automobilismo. Para o efeito viajou no jacto privado do BPN e levou consigo alguns amigos - e, «Para animar a viagem, fez-se uma escala num país do Leste para recolher prostitutas»...
O BPN pagou as despesas.
Tal escala parecia estar nos hábitos do homem do BPN no Porto, já que era hábito de Óscar Silva «reunir com os parceiros da Administração da BPN -Créditus, em casas de alterne portuenses, em memoráveis noitadas que animaram boites como O Calor da Noite ou A Taverna do Infante, à época propriedade do seu amigo Reinaldo Teles».
Não há dúvida que o BPN estava entregue a gente qualificada. Em todos os aspectos.
Por seu lado - e noutra vertente da superior gestão BPN - Dias Loureiro veio dizer que aceita ser ouvido pelas instâncias que estão a investigar o caso BPN - mas que não será ele a dar o primeiro passo.
Como é sabido, Dias Loureiro é membro do Conselho de Estado e segundo o artigo 15º do Estatuto daquele órgão, os seus membros «não podem ser peritos, testemunhas ou declarantes sem autorização do Conselho» - e sem «uma audiência do membro em causa com o Presidente da República».
Aguarda-se, então, que as referidas «instâncias» dêem o primeiro passo - para que Dias Loureiro dê, depois, os passos que faltam...
POEMA
MALDIÇÃO
Maldito seja o que busca
matar o sonho dos homens.
Maldita seja a vergonha.
Maldito seja o pesar.
Maldito seja o silêncio
que nos cala antes da morte.
Maldito seja o que é falso,
ou induz em confusão.
Malditos sejam os bons
que o são só por piedosos.
Maldito seja o cruel
por ódio ou por piedade.
Maldito seja o que aceita
argumentos que não pesa.
Maldito seja o que força
alguém a acreditá-lo.
Maldito seja o orgulho
do que o alheio despreza.
Maldito seja o que finge
humildades que não tem.
Maldito seja o que faz
dos desejos maldição.
Maldito seja o desejo
de só nada desejar.
Maldito seja o que inveja
o pão de que não precisa.
Maldito seja o que encontra
no fome conformação.
Maldito seja o que é feio
por gosto de fealdade.
Maldita seja a beleza
que à vida seja traição.
Maldita seja a riqueza
que de fartura não serve.
Maldita seja a fartura
quando a todos não chegar.
Maldito seja o saber
arvorado em tirania.
Maldito seja o que ignora
e não dá por ignorar.
Maldito seja o que impõe
o que para si não quer.
Maldito seja o que jura
contra a sua convicção.
Maldito seja o que alcança
sem o esforço de colher.
Maldito seja o temor
de luz de mais nos cegar.
Armindo Rodrigues
Maldito seja o que busca
matar o sonho dos homens.
Maldita seja a vergonha.
Maldito seja o pesar.
Maldito seja o silêncio
que nos cala antes da morte.
Maldito seja o que é falso,
ou induz em confusão.
Malditos sejam os bons
que o são só por piedosos.
Maldito seja o cruel
por ódio ou por piedade.
Maldito seja o que aceita
argumentos que não pesa.
Maldito seja o que força
alguém a acreditá-lo.
Maldito seja o orgulho
do que o alheio despreza.
Maldito seja o que finge
humildades que não tem.
Maldito seja o que faz
dos desejos maldição.
Maldito seja o desejo
de só nada desejar.
Maldito seja o que inveja
o pão de que não precisa.
Maldito seja o que encontra
no fome conformação.
Maldito seja o que é feio
por gosto de fealdade.
Maldita seja a beleza
que à vida seja traição.
Maldita seja a riqueza
que de fartura não serve.
Maldita seja a fartura
quando a todos não chegar.
Maldito seja o saber
arvorado em tirania.
Maldito seja o que ignora
e não dá por ignorar.
Maldito seja o que impõe
o que para si não quer.
Maldito seja o que jura
contra a sua convicção.
Maldito seja o que alcança
sem o esforço de colher.
Maldito seja o temor
de luz de mais nos cegar.
Armindo Rodrigues
PRESTÍGIO E AUTO-ESTIMA
Eis a NOTÍCIA:
«O jornal espanhol El Mundo elegeu José Sócrates como o sexto homem mais elegante do mundo».
Já tínhamos «o melhor do mundo» no mundo do futebol.
Título discutível na opinião de alguns, na medida em que, dizem, Cristiano Ronaldo só joga bem lá fora e quando alinha pela selecção nacional é uma desgraça - pelo que o título correcto, dizem, seria o de «o melhor do mundo no estrangeiro»...
Seja como for, a verdade é que a «eleição» do jovem Ronaldo fez subir em flecha a nossa tão apregoada e necessária auto-estima, bem como o igualmente apregoado e necessário prestígio de Portugal, os quais, como se sabe, andam regra geral muito, muito por baixo.
Se a memória me não falha já não tínhamos auto-estima em alta desde o Euro-2004 - que foi momento maior da nossa História, com bandeiras nas janelas e tudo...
E quanto a prestígio, a memória remete-nos para a aprovação do Tratado Porreiro, pá - que foi o que sabemos.
Agora, com a consagração de José Sócrates como árbitro da elegância, a auto-estima lusitana eleva-se novamente a alturas antes inimagináveis, arrastando consigo o prestígio de Portugal.
Admitindo que não se trata de uma brincadeira do El Mundo, o título de Sócrates é, no mínimo, tão merecido como o de Ronaldo.
Porque, se é verdade que o primeiro só exibe as suas qualidades futebolísticas no Manchester United, é justo presumir que o sexto faz dos jornalistas do El Mundo espectadores privados das suas exibições de elegância...
Seja como for, quem ganha com tudo isto é Portugal, que - tá-se mesmo a ver, não tá-se? - com tais façanhas de tão ilustres filhos, vê subir a pique o seu prestígio no mundo, e vê elevar-se nas alturas a auto-estima que tanto conforto nos dá.
«O jornal espanhol El Mundo elegeu José Sócrates como o sexto homem mais elegante do mundo».
Já tínhamos «o melhor do mundo» no mundo do futebol.
Título discutível na opinião de alguns, na medida em que, dizem, Cristiano Ronaldo só joga bem lá fora e quando alinha pela selecção nacional é uma desgraça - pelo que o título correcto, dizem, seria o de «o melhor do mundo no estrangeiro»...
Seja como for, a verdade é que a «eleição» do jovem Ronaldo fez subir em flecha a nossa tão apregoada e necessária auto-estima, bem como o igualmente apregoado e necessário prestígio de Portugal, os quais, como se sabe, andam regra geral muito, muito por baixo.
Se a memória me não falha já não tínhamos auto-estima em alta desde o Euro-2004 - que foi momento maior da nossa História, com bandeiras nas janelas e tudo...
E quanto a prestígio, a memória remete-nos para a aprovação do Tratado Porreiro, pá - que foi o que sabemos.
Agora, com a consagração de José Sócrates como árbitro da elegância, a auto-estima lusitana eleva-se novamente a alturas antes inimagináveis, arrastando consigo o prestígio de Portugal.
Admitindo que não se trata de uma brincadeira do El Mundo, o título de Sócrates é, no mínimo, tão merecido como o de Ronaldo.
Porque, se é verdade que o primeiro só exibe as suas qualidades futebolísticas no Manchester United, é justo presumir que o sexto faz dos jornalistas do El Mundo espectadores privados das suas exibições de elegância...
Seja como for, quem ganha com tudo isto é Portugal, que - tá-se mesmo a ver, não tá-se? - com tais façanhas de tão ilustres filhos, vê subir a pique o seu prestígio no mundo, e vê elevar-se nas alturas a auto-estima que tanto conforto nos dá.
POEMA
FÁBULA
O lobo foi ter
com a galinha
e disse-lhe:
«Devíamos conhecer-nos
melhor para vivermos
com amor e confiança».
A galinha achou bem
e foi com o lobo.
Foi por isso que as suas
penas ficaram espalhadas
por todo o lado.
Brecht
O lobo foi ter
com a galinha
e disse-lhe:
«Devíamos conhecer-nos
melhor para vivermos
com amor e confiança».
A galinha achou bem
e foi com o lobo.
Foi por isso que as suas
penas ficaram espalhadas
por todo o lado.
Brecht
OS VOOS DA CIA
Toda a gente sabe que aviões da CIA, transportando prisioneiros de (e para) as várias prisões do Império espalhadas pelo mundo, fizeram escala em aeroportos portugueses.
É também do conhecimento geral que esses voos ocorreram durante sete anos, ou seja, durante os governos PS/António Guterres; PSD/Durão Barroso; PSD/Santana Lopes e PS/José Sócrates.
Só o Governo português diz desconhecer tais voos...
E, para esclarecer o caso, foi posto em andamento um inquérito a cargo da Procuradoria Geral da República - inquérito de que já aqui falei, há uns meses atrás, lamentando que estivesse tão demorado e que, pelos vistos, ainda não está pronto...
Agora, o jornal espanhol El Pays divulgou «documentos secretos», segundo os quais o governo dos EUA pediu autorização aos governos espanhol e português para que os voos da CIA fizessem escalas em aeroportos dos dois países.
Aparentemente, tudo estaria esclarecido...
Mas não: comentando a notícia do El Pays, o ministro Luís Amado afirmou, peremptório, que não existem quaisquer pedidos de autorização das autoridades norte-americanas para esses voos.
Pelo que:
1 - a ser verdade o que diz o ministro Amado;
2 - a ser mentira o que dizem os «documentos secretos»;
3 - sabendo-se que os aviões da CIA escalaram mesmo aeroportos portugueses,
a única conclusão a tirar é que os EUA, sem passar cavaco aos quatro governos acima referidos, utilizaram ilegalmente aeroportos portugeses.
Então, a coisa é isto (como diria Camilo):
ou os aviões da CIA estiveram cá e os governos sabiam - e nesse caso estão a mentir aos portugueses e a justiça portuguesa deve actuar, castigando devidamente tão perigosas mentiras;
ou os aviões estiveram cá sem os governos terem conhecimento disso - e nesse caso, o governo deve apelar à justiça internacional para que actue contra estas violações do espaço aéreo e do território nacional perpetradas pela CIA.
Sobre tudo isto, o ministro Amado - que os EUA amam como se fora seu filho - informou uma vez mais que «há um inquérito na Procuradoria» e que deve «esperar-se pelo resultado das investigações»...
Esperemos, então, pelo resultado do «inquérito».
É também do conhecimento geral que esses voos ocorreram durante sete anos, ou seja, durante os governos PS/António Guterres; PSD/Durão Barroso; PSD/Santana Lopes e PS/José Sócrates.
Só o Governo português diz desconhecer tais voos...
E, para esclarecer o caso, foi posto em andamento um inquérito a cargo da Procuradoria Geral da República - inquérito de que já aqui falei, há uns meses atrás, lamentando que estivesse tão demorado e que, pelos vistos, ainda não está pronto...
Agora, o jornal espanhol El Pays divulgou «documentos secretos», segundo os quais o governo dos EUA pediu autorização aos governos espanhol e português para que os voos da CIA fizessem escalas em aeroportos dos dois países.
Aparentemente, tudo estaria esclarecido...
Mas não: comentando a notícia do El Pays, o ministro Luís Amado afirmou, peremptório, que não existem quaisquer pedidos de autorização das autoridades norte-americanas para esses voos.
Pelo que:
1 - a ser verdade o que diz o ministro Amado;
2 - a ser mentira o que dizem os «documentos secretos»;
3 - sabendo-se que os aviões da CIA escalaram mesmo aeroportos portugueses,
a única conclusão a tirar é que os EUA, sem passar cavaco aos quatro governos acima referidos, utilizaram ilegalmente aeroportos portugeses.
Então, a coisa é isto (como diria Camilo):
ou os aviões da CIA estiveram cá e os governos sabiam - e nesse caso estão a mentir aos portugueses e a justiça portuguesa deve actuar, castigando devidamente tão perigosas mentiras;
ou os aviões estiveram cá sem os governos terem conhecimento disso - e nesse caso, o governo deve apelar à justiça internacional para que actue contra estas violações do espaço aéreo e do território nacional perpetradas pela CIA.
Sobre tudo isto, o ministro Amado - que os EUA amam como se fora seu filho - informou uma vez mais que «há um inquérito na Procuradoria» e que deve «esperar-se pelo resultado das investigações»...
Esperemos, então, pelo resultado do «inquérito».
POEMA
CANÇÃO DE UM PÉ DESCALÇO
Bati-me lá na Rotunda
Herói eles me chamaram
Pouco tempo decorrido
Nesta prisão me encerraram.
1
Meu coração abrasava
de amor pela Democracia,
odiando a Monarquia
que tanto mal nos causava.
A hora da luta esperava
quando o peito se m'inunda
duma alegria profunda.
Ao ouvir dar o sinal
bati-me lá na Rotunda-
2
Do Povo o sangue correu
assim como o dos soldados.
Os chefes, esses, coitados
nenhum deles apareceu.
Quando o inimigo cedeu
é que ao povo me mostraram.
Foi então que proclamaram
essa coisa da «República»
e ante a opinião pública
herói eles me chamaram.
3
Fui herói porque esqueci
meu dever de escravizado.
Descalço, roto, esfaimado,
os bancos eu defendi.
Bem cedo me arrependi
desse acto ter cometido.
Com os doutores eu estava
mas sem ilusões ficava
pouco tempo decorrido.
4
Com a «revolução» quem lucrou
foram Camachos e Costas,
todos têm posto e «postas»
o povo nada ganhou.
Do antigo nada mudou
só p'ra pior aumentaram
reclamando seriedade.
E em nome da Liberdade
nesta prisão me encerraram.
Anónimo
Bati-me lá na Rotunda
Herói eles me chamaram
Pouco tempo decorrido
Nesta prisão me encerraram.
1
Meu coração abrasava
de amor pela Democracia,
odiando a Monarquia
que tanto mal nos causava.
A hora da luta esperava
quando o peito se m'inunda
duma alegria profunda.
Ao ouvir dar o sinal
bati-me lá na Rotunda-
2
Do Povo o sangue correu
assim como o dos soldados.
Os chefes, esses, coitados
nenhum deles apareceu.
Quando o inimigo cedeu
é que ao povo me mostraram.
Foi então que proclamaram
essa coisa da «República»
e ante a opinião pública
herói eles me chamaram.
3
Fui herói porque esqueci
meu dever de escravizado.
Descalço, roto, esfaimado,
os bancos eu defendi.
Bem cedo me arrependi
desse acto ter cometido.
Com os doutores eu estava
mas sem ilusões ficava
pouco tempo decorrido.
4
Com a «revolução» quem lucrou
foram Camachos e Costas,
todos têm posto e «postas»
o povo nada ganhou.
Do antigo nada mudou
só p'ra pior aumentaram
reclamando seriedade.
E em nome da Liberdade
nesta prisão me encerraram.
Anónimo
«A IMAGEM DE PORTUGAL»
No Expresso de sábado passado podia ler-se:
«Governo salva BPP para defender a imagem de Portugal».
Esta salvação vale qualquer coisa como 450 milhões de euros, para justificar os quais, José Sócrates disse que eles iriam «servir a nossa economia e as famílias».
Pergunto: que «economia» e que «famílias»?
E respondo: o BPP (Banco Privado Português) é um banco sui generis: não tem balcões, nem concede créditos a empresas, nem concede créditos a particulares, isto é: existe apenas e só para fazer a gestão das fortunas de umas tantas «famílias» - Balsemão, Rendeiro & Cia. Limitada.
Assim sendo, é a fortuna destas «famílias» que Sócrates vai salvar.
É claro que a atitude do primeiro-ministro ficar-lhe-ia muito bem e seria até louvável - especialmente neste tempo em que o espírito do Natal já por aí anda - se, para o efeito, utilizasse dinheiro seu, das suas economias particulares...
Mas não é isso que acontece, obviamente:
Sócrates vai em socorro da «economia» dessas «famílias» em perigo, utilizando o dinheiro que é de todos nós.
E chamar a isso «defender a imagem de Portugal» tem o mesmo significado que teria condecorar a Máfia com a Ordem da Transparência...
Ainda sobre bancos, banqueiros & fraudes: no Público de hoje, podemos ler a seguinte citação tirada de texto de um cronista do DN: «Quando o BPN explodiu, Dias Loureiro já tinha saído e levado consigo todo o dinheiro que havia investido no banco»...
Aqui está uma outra forma de «defender a imagem de Portugal»...
«Governo salva BPP para defender a imagem de Portugal».
Esta salvação vale qualquer coisa como 450 milhões de euros, para justificar os quais, José Sócrates disse que eles iriam «servir a nossa economia e as famílias».
Pergunto: que «economia» e que «famílias»?
E respondo: o BPP (Banco Privado Português) é um banco sui generis: não tem balcões, nem concede créditos a empresas, nem concede créditos a particulares, isto é: existe apenas e só para fazer a gestão das fortunas de umas tantas «famílias» - Balsemão, Rendeiro & Cia. Limitada.
Assim sendo, é a fortuna destas «famílias» que Sócrates vai salvar.
É claro que a atitude do primeiro-ministro ficar-lhe-ia muito bem e seria até louvável - especialmente neste tempo em que o espírito do Natal já por aí anda - se, para o efeito, utilizasse dinheiro seu, das suas economias particulares...
Mas não é isso que acontece, obviamente:
Sócrates vai em socorro da «economia» dessas «famílias» em perigo, utilizando o dinheiro que é de todos nós.
E chamar a isso «defender a imagem de Portugal» tem o mesmo significado que teria condecorar a Máfia com a Ordem da Transparência...
Ainda sobre bancos, banqueiros & fraudes: no Público de hoje, podemos ler a seguinte citação tirada de texto de um cronista do DN: «Quando o BPN explodiu, Dias Loureiro já tinha saído e levado consigo todo o dinheiro que havia investido no banco»...
Aqui está uma outra forma de «defender a imagem de Portugal»...
POEMA
CONQUISTA
Irmão!
O que tu és sou eu.
Olha bem para mim:
tenho mãos, tenho pés,
tenho olhos fundos,
tenho beiços rubros
e um sexo aberto!
O meu destino é o teu:
terra! terra! somos terra!
terra vermelha e negra,
terra farta de campos,
poeira de astros, lama,
rocha, estrume, flor,
terra vermelha e negra,
terra! mãos e pés,
olhos fundos, boca rubra,
sexo aberto ao Sol!
Orgulha-te comigo, irmão!
Saúda comigo a vida!
E pelo Sol e pelos bichos,
pelo cascalho dos caminhos,
pelas fonte e montanhas,
por todas as misérias e por todas as chagas,
por todo o esterco e por todo o génio,
por tudo o que de mesquinho e grande
nos fez Homens,
Irmão!
olha-me bem a fundo nos olhos
e, de mãos dadas, rompe comigo
à conquista do mundo!
Papiniano Carlos
Irmão!
O que tu és sou eu.
Olha bem para mim:
tenho mãos, tenho pés,
tenho olhos fundos,
tenho beiços rubros
e um sexo aberto!
O meu destino é o teu:
terra! terra! somos terra!
terra vermelha e negra,
terra farta de campos,
poeira de astros, lama,
rocha, estrume, flor,
terra vermelha e negra,
terra! mãos e pés,
olhos fundos, boca rubra,
sexo aberto ao Sol!
Orgulha-te comigo, irmão!
Saúda comigo a vida!
E pelo Sol e pelos bichos,
pelo cascalho dos caminhos,
pelas fonte e montanhas,
por todas as misérias e por todas as chagas,
por todo o esterco e por todo o génio,
por tudo o que de mesquinho e grande
nos fez Homens,
Irmão!
olha-me bem a fundo nos olhos
e, de mãos dadas, rompe comigo
à conquista do mundo!
Papiniano Carlos
AINDA O CONGRESSO
Olhando para as primeiras páginas dos jornais de hoje - de todos, sem excepção: os que se dizem e os que se não dizem«de referência» - verificamos que em nenhuma delas há a mínima referência ao Congresso do PCP que ontem terminou com uma intervenção do secretário-geral do Partido, Jerónimo de Sousa.
Dir-se-ia, até, que foi coisa combinada, que os directores de todos os jornais reuniram em vídeo-conferência e tomaram a decisão... Mas não foi: porque não é preciso, porque eles são assim, porque o anticomunismo está-lhes no sangue, porque no que toca ao PCP não precisam de combinar nada: está tudo prévia e eternamente combinado...
Assim, para quem, hoje, apenas tenha deitado uma olhadela aos títulos expostos nas bancas de jornais (recorde-se que deitar uma olhadela aos títulos é prática provavelmente da maioria dos «leitores de jornais» deste país...), o Congresso do PCP não existiu...
Pronto: está o objectivo alcançado.
O facto não surpreende ninguém:
nem os leitores que estiveram presentes no Congresso - que sabem bem do que a casa mediática gasta;
nem os leitores que têm como exclusiva fonte de informação os média dominantes - e que, formatados pelos critérios informativos dominantes, apenas esperam do jornal que compram... o que o jornal lhes quiser dizer...
Em nome da verdade, diga-se, no entanto, que o Congresso está presente nas páginas interiores desses jornais - e que, num caso ou noutro, nem é particularmente mal tratado.
Contudo, e a título de exemplo de como alguns jornalistas funcionam, registe-se o comentário feito no JN a propósito do discurso de encerramento do Congresso:
«Jerónimo de Sousa usou várias vezes a expressão "Sim, é possível», a fazer lembrar o "Yes, we can", de Obama»...
É bem possível que quem tal coisa escreveu não saiba, de facto, que «Sim, é possível, um PCP mais forte» é o lema da campanha de reforço do Partido lançada na sequência do XVII Congresso, em 2004.
E por que é que não sabe?
É simples: porque nenhum dos jornais que o autor do texto habitualmente lê, fez qualquer referência a qualquer das centenas e centenas de iniciativas realizadas pelo PCP sob esse lema...
E, como aqui tem sido dito muitas vezes, isto anda tudo ligado...
Dir-se-ia, até, que foi coisa combinada, que os directores de todos os jornais reuniram em vídeo-conferência e tomaram a decisão... Mas não foi: porque não é preciso, porque eles são assim, porque o anticomunismo está-lhes no sangue, porque no que toca ao PCP não precisam de combinar nada: está tudo prévia e eternamente combinado...
Assim, para quem, hoje, apenas tenha deitado uma olhadela aos títulos expostos nas bancas de jornais (recorde-se que deitar uma olhadela aos títulos é prática provavelmente da maioria dos «leitores de jornais» deste país...), o Congresso do PCP não existiu...
Pronto: está o objectivo alcançado.
O facto não surpreende ninguém:
nem os leitores que estiveram presentes no Congresso - que sabem bem do que a casa mediática gasta;
nem os leitores que têm como exclusiva fonte de informação os média dominantes - e que, formatados pelos critérios informativos dominantes, apenas esperam do jornal que compram... o que o jornal lhes quiser dizer...
Em nome da verdade, diga-se, no entanto, que o Congresso está presente nas páginas interiores desses jornais - e que, num caso ou noutro, nem é particularmente mal tratado.
Contudo, e a título de exemplo de como alguns jornalistas funcionam, registe-se o comentário feito no JN a propósito do discurso de encerramento do Congresso:
«Jerónimo de Sousa usou várias vezes a expressão "Sim, é possível», a fazer lembrar o "Yes, we can", de Obama»...
É bem possível que quem tal coisa escreveu não saiba, de facto, que «Sim, é possível, um PCP mais forte» é o lema da campanha de reforço do Partido lançada na sequência do XVII Congresso, em 2004.
E por que é que não sabe?
É simples: porque nenhum dos jornais que o autor do texto habitualmente lê, fez qualquer referência a qualquer das centenas e centenas de iniciativas realizadas pelo PCP sob esse lema...
E, como aqui tem sido dito muitas vezes, isto anda tudo ligado...
POEMA
HERANÇA
Que rosa vermelha entre loureiros
há ressuscitado?
A pé, companheiros,
que os mortos estão de pé a nosso lado.
Roxos de fome, angústia, sede e morte
na solidão:
nada nos importe
senão a aurora que levamos no coração.
Que nos arranquem língua, veias, olhos, nervos,
a pele que reste.
Não é de servos
o relâmpago espantoso que nos veste!
Papiniano Carlos
Que rosa vermelha entre loureiros
há ressuscitado?
A pé, companheiros,
que os mortos estão de pé a nosso lado.
Roxos de fome, angústia, sede e morte
na solidão:
nada nos importe
senão a aurora que levamos no coração.
Que nos arranquem língua, veias, olhos, nervos,
a pele que reste.
Não é de servos
o relâmpago espantoso que nos veste!
Papiniano Carlos
Fotos XVIII Congresso
POEMA
PRIMEIRO DIA
Depois será como se nascêssemos de novo,
trouxéssemos para o dia
a nossa mais funda e mais bela face.
Dia de chuva solar em nossos cabelos ilimitados.
Ergueremos os ombros cansados.
E nos reveremos nas águas
do próprio rio que somos, inextinguível.
Pousarão as aves marinhas e as terrestres
nos nossos ombros escorrendo sol e limos,
e as rãs adormecerão nos paúis
onde nos diluímos sofregamente raízes.
E os peixes e os navios navegarão em nosso sangue,
na maior das navegações
de todos os tempos.
Erecto estará o nosso braço, e formidável.
Sob as nossas mãos
crescerão as formas anunciadas.
E as palavras nos brotarão dos lábios,
e serão searas
e aves do tamanho do mundo.
Papiniano Carlos
Depois será como se nascêssemos de novo,
trouxéssemos para o dia
a nossa mais funda e mais bela face.
Dia de chuva solar em nossos cabelos ilimitados.
Ergueremos os ombros cansados.
E nos reveremos nas águas
do próprio rio que somos, inextinguível.
Pousarão as aves marinhas e as terrestres
nos nossos ombros escorrendo sol e limos,
e as rãs adormecerão nos paúis
onde nos diluímos sofregamente raízes.
E os peixes e os navios navegarão em nosso sangue,
na maior das navegações
de todos os tempos.
Erecto estará o nosso braço, e formidável.
Sob as nossas mãos
crescerão as formas anunciadas.
E as palavras nos brotarão dos lábios,
e serão searas
e aves do tamanho do mundo.
Papiniano Carlos
A VERDADE
A confirmar que não há regra sem excepção - ou, se se preferir, que a excepção confirma a regra - o DN de sábado publicou uma excelente Grande Reportagem dedicada ao XVIII Congresso do PCP.
Em 4 páginas, a jornalista Eva Cabral relatou visitas que fez a alguns centros de trabalho do PCP e conversas que teve com alguns militantes comunistas.
A jornalista olhou, viu os centros de trabalho e contou o que viu.
A jornalista fez perguntas, obteve respostas e deu-nos conhecimento de umas e de outras.
Ou seja:
a jornalista foi ver e ouvir, e contou aos seus leitores - com verdade - o que viu e ouviu.
É isto - apenas isto - que se pede aos jornalistas quando falam ou escrevem sobre o PCP: a VERDADE. Apenas a VERDADE.
Será pedir muito?
Em 4 páginas, a jornalista Eva Cabral relatou visitas que fez a alguns centros de trabalho do PCP e conversas que teve com alguns militantes comunistas.
A jornalista olhou, viu os centros de trabalho e contou o que viu.
A jornalista fez perguntas, obteve respostas e deu-nos conhecimento de umas e de outras.
Ou seja:
a jornalista foi ver e ouvir, e contou aos seus leitores - com verdade - o que viu e ouviu.
É isto - apenas isto - que se pede aos jornalistas quando falam ou escrevem sobre o PCP: a VERDADE. Apenas a VERDADE.
Será pedir muito?
POEMA
ANÚNCIO
Eu que cheguei em silêncio
falarei do Homem,
falarei dos homens sobre a terra,
do Rio dos homens sobre a terra.
E eu sei que não há dois homens iguais,
por isso eu os conheço todos um por um
e os chamo pelos seus nomes,
e no entanto eu sei que são o mesmo Homem,
espelho de mil faces.
Há alguma coisa mais admirável?
Eu que falo da multidão insolúvel como de um Rio,
falo do Homem cheio
de personalidade.
Eu falo do Homem jamais cativo
mesmo quando o fecharam com grades e paredes
e mordaças,
do Homem que nasceu livre e será livre
apesar de tudo!
e estou vendo a marcha invencível dos homens
e glorificando-a.
Papiniano Carlos
Eu que cheguei em silêncio
falarei do Homem,
falarei dos homens sobre a terra,
do Rio dos homens sobre a terra.
E eu sei que não há dois homens iguais,
por isso eu os conheço todos um por um
e os chamo pelos seus nomes,
e no entanto eu sei que são o mesmo Homem,
espelho de mil faces.
Há alguma coisa mais admirável?
Eu que falo da multidão insolúvel como de um Rio,
falo do Homem cheio
de personalidade.
Eu falo do Homem jamais cativo
mesmo quando o fecharam com grades e paredes
e mordaças,
do Homem que nasceu livre e será livre
apesar de tudo!
e estou vendo a marcha invencível dos homens
e glorificando-a.
Papiniano Carlos
AINDA BEM!
Em post anterior, o João Filipe falou-nos do tratamento dado ao XVIII Congresso do PCP pelas televisões - tratamento digno dessas televisões, e está tudo dito...
Também nos jornais a regra foi seguida: por lá abundaram (e vão continuar...) as habituais tropelias desinformativas, os habituais comentários patetas, enfim, todas as desonestidades jornalísticas a que é hábito os habituais escrevinhadores de serviço deitarem mão quando se trata de escrevinhar sobre o PCP.
Aqui fica o exemplo de como uma questão factual - o resultado da votação dos delegados na eleição do Comité Central - pode ser manipulada:
enquanto um jornal informou - correctamente - que «O novo Comité Central foi eleito com oito votos contra e 17 abstenções», outro - recolhendo informações sabe-se lá onde, informou que «sessenta delegados votaram contra o actual comité central»...
Um terceiro jornal, titulava assim a notícia: «Novo Comité central eleito sem unanimidade.
E, logo a seguir«Num congresso sem discussão, a unanimidade foi quase absoluta na eleição do Comité Central».
Ou seja: na primeira frase, o jornalista refere a «sem unanimidade» - aqui, como sinal negativo, insinuando divergências internas, etc; na segunda frase, refere a «unanimidade quase absoluta» - aqui, como sinal igualmente negativo e insinuando unanimismos fabricados, etc. - assim condenando os comunistas à prisão: num caso por terem cão; noutro caso por o não terem...
Reparem, também, na forma como o escrevinhador começa a segunda frase: «Num congresso sem discussão...». Neste caso, o jornalista dá continuidade à conclusão que ele próprio engendrou e divulgou dois dias antes - portanto, em texto escrito antes do início do Congresso! - quando escrevinhou que o Congresso era «Mais festa que congresso»...
É caso para dizer que este escrevinhador faz a festa, deite os foguetes, apanha as canas e bate palmas...
Entretanto, e nos antípodas dos desejos expressos nas prosas destes serventuários dos média do grande capital, o XVIII Congresso do PCP realizou-se, e foi um êxito memorável.
Realizou-se no ambiente de fraternidade, de camaradagem, de amizade que caracteriza a postura e o relacionamento dos comunistas portugueses.
Realizou-se abrindo caminho para a continuação e intensificação da luta.
Realizou-se Por Abril, pelo Socialismo, um Partido mais forte.
Os escrevinhadores não queriam que assim fosse?: pois não! - mas não puderam evitá-lo.
Dói-lhes que assim tenha sido?: dói! - e ainda bem!
Também nos jornais a regra foi seguida: por lá abundaram (e vão continuar...) as habituais tropelias desinformativas, os habituais comentários patetas, enfim, todas as desonestidades jornalísticas a que é hábito os habituais escrevinhadores de serviço deitarem mão quando se trata de escrevinhar sobre o PCP.
Aqui fica o exemplo de como uma questão factual - o resultado da votação dos delegados na eleição do Comité Central - pode ser manipulada:
enquanto um jornal informou - correctamente - que «O novo Comité Central foi eleito com oito votos contra e 17 abstenções», outro - recolhendo informações sabe-se lá onde, informou que «sessenta delegados votaram contra o actual comité central»...
Um terceiro jornal, titulava assim a notícia: «Novo Comité central eleito sem unanimidade.
E, logo a seguir«Num congresso sem discussão, a unanimidade foi quase absoluta na eleição do Comité Central».
Ou seja: na primeira frase, o jornalista refere a «sem unanimidade» - aqui, como sinal negativo, insinuando divergências internas, etc; na segunda frase, refere a «unanimidade quase absoluta» - aqui, como sinal igualmente negativo e insinuando unanimismos fabricados, etc. - assim condenando os comunistas à prisão: num caso por terem cão; noutro caso por o não terem...
Reparem, também, na forma como o escrevinhador começa a segunda frase: «Num congresso sem discussão...». Neste caso, o jornalista dá continuidade à conclusão que ele próprio engendrou e divulgou dois dias antes - portanto, em texto escrito antes do início do Congresso! - quando escrevinhou que o Congresso era «Mais festa que congresso»...
É caso para dizer que este escrevinhador faz a festa, deite os foguetes, apanha as canas e bate palmas...
Entretanto, e nos antípodas dos desejos expressos nas prosas destes serventuários dos média do grande capital, o XVIII Congresso do PCP realizou-se, e foi um êxito memorável.
Realizou-se no ambiente de fraternidade, de camaradagem, de amizade que caracteriza a postura e o relacionamento dos comunistas portugueses.
Realizou-se abrindo caminho para a continuação e intensificação da luta.
Realizou-se Por Abril, pelo Socialismo, um Partido mais forte.
Os escrevinhadores não queriam que assim fosse?: pois não! - mas não puderam evitá-lo.
Dói-lhes que assim tenha sido?: dói! - e ainda bem!
POEMA
ESTRADA NOVA
Nós estamos jogando picaretas de aço,
ó montanha negra nós te venceremos!
Vimos em fúria dos confins do mundo,
vimos em fúria dos confins do mundo,
nós estamos jogando picaretas de aço!
É uma estrada nossa, é uma estrada nova
ó companheiros do sangue vermelho!
Nós estamos jogando picaretas de aço,
nós estamos jogando picaretas de aço,
é uma estrada nossa, é uma estrada nova!
Vimos em fúria dos confins do mundo,
picaretas vibrai, abatei a montanha!
Nós estamos rasgando uma estrada nova,
vimos em fúria dos confins do mundo.
Papiniano Carlos
Nós estamos jogando picaretas de aço,
ó montanha negra nós te venceremos!
Vimos em fúria dos confins do mundo,
vimos em fúria dos confins do mundo,
nós estamos jogando picaretas de aço!
É uma estrada nossa, é uma estrada nova
ó companheiros do sangue vermelho!
Nós estamos jogando picaretas de aço,
nós estamos jogando picaretas de aço,
é uma estrada nossa, é uma estrada nova!
Vimos em fúria dos confins do mundo,
picaretas vibrai, abatei a montanha!
Nós estamos rasgando uma estrada nova,
vimos em fúria dos confins do mundo.
Papiniano Carlos
Eles sabem (muito)!
Estando de corpo e alma a viver intensamente o nosso XVIII Congresso e porque a tarefa militante, em que vivamente me empenho - uma pequena contribuição entre outras que os meus camaradas asseguram - para garantir o bom funcionamento dos trabalhos, não me tem sido possível ver, escutar e ler o que os Media publicam sobre o Congresso deste grande colectivo partidário.
Consegui, após regressar ao merecido descanso caseiro, visualizar as reportagens da RTPN, onde afirmam que "o congresso correu sem polémicas e as intervenções visaram a crítica ao governo, todas na linha de orientação do partido, sem dar oportunidade à crítica interna".
Após uma visita pelo site da SIC encontro um slideshow com legendas deveras interessantes:Ora então devíamos estar todos às turras e deixávamos a análise da situação politica de lado?
Desabafo: porque é que insistem em querer que sejamos tal e qual o que os outros são? Não compreendem ou não querem compreender a nossa diferença. Mas descansem, somos fortes e sabemos resistir.
Desabafo: porque é que insistem em querer que sejamos tal e qual o que os outros são? Não compreendem ou não querem compreender a nossa diferença. Mas descansem, somos fortes e sabemos resistir.
Sobre a eleição do Comité Central, a RTPN, inicia a reportagem, pasme-se desta forma:
"Comité Central do PCP eleito com 8 votos contra e ...", mais outro desabafo, desde quando é que se diz que algo foi eleito e começa-se pelos votos contra?
"Comité Central do PCP eleito com 8 votos contra e ...", mais outro desabafo, desde quando é que se diz que algo foi eleito e começa-se pelos votos contra?
Um dos 1500 militantes que segue à risca o programa do partido, que além da reeleição do líder, faz entrar 26 novos dirigentes no Comité Central
Prossigo, no site da TVI encontro esta pérola para justificar a redução de elementos do Comité Central:
Entretanto, o órgão máximo do Partido Comunista Português a ser eleito no XVIII Congresso Nacional do PCP, em Lisboa, vai ter 158 elementos ao contrário dos 175 que tem actualmente. Uma redução que tem a ver com poupanças no PCP numa altura em que as finanças do partido registam saldos anuais negativos de 500 mil euros.
Sem comentários.Ainda passei pelos sites dos órgãos de comunicação escrita, mas entediei cansei. Para além de não encontrar nenhum destaque ou link para o Congresso, o teor das notícias é o mesmo.
Apesar de tudo isto, estou satisfeito porque pertenço a esta grande casa da amizade, o Partido da classe operária.
Somos "uma promissora sementeira de searas carregadas de futuro", eles sabem!
POEMA
A ARREPENDIDA
Padre:
há quinze dias que não durmo com ninguém.
Acuso-me
de não ter ganho a vida com as mãos,
de ter tido desnecessários luxos
e três maridos, Padre,
... eram maridos de outras mulheres.
Podia ter tido muitos filhos.
Não quero voltar a fazê-lo;
vou retirar-me do ofício.
Pode recomendar-me a algum reformatório?
Vocês têm sempre boas influências.
Não vou à missa
e como carne. Sempre.
Socorro as criadas e aos pobres do bairro
nunca lhes cobro grande coisa.
Também quero dizer-lhe
que sou muito infeliz.
Glória Fuertes
Padre:
há quinze dias que não durmo com ninguém.
Acuso-me
de não ter ganho a vida com as mãos,
de ter tido desnecessários luxos
e três maridos, Padre,
... eram maridos de outras mulheres.
Podia ter tido muitos filhos.
Não quero voltar a fazê-lo;
vou retirar-me do ofício.
Pode recomendar-me a algum reformatório?
Vocês têm sempre boas influências.
Não vou à missa
e como carne. Sempre.
Socorro as criadas e aos pobres do bairro
nunca lhes cobro grande coisa.
Também quero dizer-lhe
que sou muito infeliz.
Glória Fuertes
É PENA...
As preocupações há dias manifestadas pelo Presidente da República (PR) em relação àquilo que designou por «pobreza envergonhada», são justas. Justíssimas.
Esta «pobreza envergonhada» é, segundo o PR, composta por pobres que vêm juntar-se à «pobreza tradicional»: trata-se de pessoas que «têm emprego, casa e carro a pagar a crédito e que até recorrem ao e-mail para pedir ajuda».
Estes novos pobres «vivem sobretudo nos subúrbios das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto» e integram os vastos segmentos da sociedade portuguesa que, de há uns tempos a esta parte, andam menos de carro e mais de transportes públicos; comem menos vezes nos restaurantes e comem mais (quando comem...) em suas casas; procuram géneros menos caros nos supermercados; vão a menos espectáculos; compram menos roupas, menos livros, menos discos... - estes novos pobres onde crescem casos assim:
«pais que pedem compreensão por não poderem pagar a creche ou o jardim-de-infância dos filhos;
filhos que retiram os pais dos lares de idosos e os levam para casa, porque «as suas escassas pensões ajudam a equilibrar o magro orçamento familiar»...
Então, a «pobreza envergonhada» preocupa o PR.
É pena, no entanto, que as preocupações do PR não o motivem a debruçar-se sobre as causas dessa pobreza, de forma a não se ficar apenas pelas preocupações e a procurar as necessárias soluções.
Mas percebe-se que assim seja. É que se o fizesse com rigor e seriedade, o PR teria que concluir que a origem deste drama se situa na política de direita que há 32 anos tem vindo a flagelar os trabalhadores, o povo e o País. E, na sequência dessa conclusão, teria de concluir, igualmente, que ele, Cavaco Silva, é um dos principais responsáveis por essa política - especialmente nos dez devastadores anos em que foi primeiro-ministro e impôs aos portugueses essa monstruosidade que dá pelo nome de cavaquismo - monstruosidade ética, cultural, social, humana, política, civilizacional, que ficará como página negra na História de Portugal.
É pena, também, que às justíssimas preocupações com a «pobreza envergonhada», o PR não junte iguais preocupações com a riqueza desavergonhada de banqueiros gatunos, de capitalistas exploradores, enfim de todos aqueles que, como o PR sabe, são a causa da pobreza envergonhada e não envergonhada que alastra pelo país.
Enfim, é pena que as preocupações do PR com a «pobreza envergonhada» sejam, também elas preocupações... envergonhadas.
Esta «pobreza envergonhada» é, segundo o PR, composta por pobres que vêm juntar-se à «pobreza tradicional»: trata-se de pessoas que «têm emprego, casa e carro a pagar a crédito e que até recorrem ao e-mail para pedir ajuda».
Estes novos pobres «vivem sobretudo nos subúrbios das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto» e integram os vastos segmentos da sociedade portuguesa que, de há uns tempos a esta parte, andam menos de carro e mais de transportes públicos; comem menos vezes nos restaurantes e comem mais (quando comem...) em suas casas; procuram géneros menos caros nos supermercados; vão a menos espectáculos; compram menos roupas, menos livros, menos discos... - estes novos pobres onde crescem casos assim:
«pais que pedem compreensão por não poderem pagar a creche ou o jardim-de-infância dos filhos;
filhos que retiram os pais dos lares de idosos e os levam para casa, porque «as suas escassas pensões ajudam a equilibrar o magro orçamento familiar»...
Então, a «pobreza envergonhada» preocupa o PR.
É pena, no entanto, que as preocupações do PR não o motivem a debruçar-se sobre as causas dessa pobreza, de forma a não se ficar apenas pelas preocupações e a procurar as necessárias soluções.
Mas percebe-se que assim seja. É que se o fizesse com rigor e seriedade, o PR teria que concluir que a origem deste drama se situa na política de direita que há 32 anos tem vindo a flagelar os trabalhadores, o povo e o País. E, na sequência dessa conclusão, teria de concluir, igualmente, que ele, Cavaco Silva, é um dos principais responsáveis por essa política - especialmente nos dez devastadores anos em que foi primeiro-ministro e impôs aos portugueses essa monstruosidade que dá pelo nome de cavaquismo - monstruosidade ética, cultural, social, humana, política, civilizacional, que ficará como página negra na História de Portugal.
É pena, também, que às justíssimas preocupações com a «pobreza envergonhada», o PR não junte iguais preocupações com a riqueza desavergonhada de banqueiros gatunos, de capitalistas exploradores, enfim de todos aqueles que, como o PR sabe, são a causa da pobreza envergonhada e não envergonhada que alastra pelo país.
Enfim, é pena que as preocupações do PR com a «pobreza envergonhada» sejam, também elas preocupações... envergonhadas.
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