CADASTRADO
Uma vez, aos sete anos,
partiu à pedrada a lanterna da porta da igreja.
Dez anos depois, conduzindo um carro,
não parou num cruzamento de rua
onde havia um sinal de stop.
Dois anos depois, teve uma briga
num bar, e partiu a cabeça de um amigo
com uma garrafa de cerveja.
Quando se recusou a combater no Viet-Nam,
o seu cadastro provava como desde a infância,
sempre manifestara sentimentos
nitidamente de traidor à pátria.
Jorge de Sena
A FRASE DO DIA
Os jornais diários têm, como é natural, um jornalista que acompanha cada uma das campanhas eleitorais.
Lendo as reportagens publicadas, não é difícil apercebermo-nos dos critérios que obedeceram à escolha de quem para quem - e para quê...
Assim, os que acompanham a campanha da CDU são, regra geral, anticomunistas típicos - e, naturalmente, imprimem essa marca no conteúdo de todos os textos que escrevem.
Já os acompanhantes do BE produzem textos de tal forma elogiativos ao partido que acompanham que, por vezes, dir-se-ia serem mais propagandistas em acção de caça ao voto do que jornalistas.
Quem duvide e queira confirmar o que acima se diz, pode consultar, por exemplo, o Diário de Notícias, ou o Público, ou...
Estes panegiristas do BE, no desempenho do seu métier, descobrem e passam a escrito, todos os dias, coisas do arco-da-velha - coisas que, se publicadas em volume, proporcionariam a quem as lesse sucessivas e sonoras gargalhadas. E não só...
Dos jornais de hoje, escolhi uma frase - e desde já confesso o embaraço da escolha, tanta era a oferta disponível...
É seu autor o jornalista do Diário de Notícias que acompanha o BE, Luís Naves, e aqui fica, sem comentários, como FRASE DO DIA:
«O BE faz uma campanha onde não parece haver grande preocupação de mediatização»
Lendo as reportagens publicadas, não é difícil apercebermo-nos dos critérios que obedeceram à escolha de quem para quem - e para quê...
Assim, os que acompanham a campanha da CDU são, regra geral, anticomunistas típicos - e, naturalmente, imprimem essa marca no conteúdo de todos os textos que escrevem.
Já os acompanhantes do BE produzem textos de tal forma elogiativos ao partido que acompanham que, por vezes, dir-se-ia serem mais propagandistas em acção de caça ao voto do que jornalistas.
Quem duvide e queira confirmar o que acima se diz, pode consultar, por exemplo, o Diário de Notícias, ou o Público, ou...
Estes panegiristas do BE, no desempenho do seu métier, descobrem e passam a escrito, todos os dias, coisas do arco-da-velha - coisas que, se publicadas em volume, proporcionariam a quem as lesse sucessivas e sonoras gargalhadas. E não só...
Dos jornais de hoje, escolhi uma frase - e desde já confesso o embaraço da escolha, tanta era a oferta disponível...
É seu autor o jornalista do Diário de Notícias que acompanha o BE, Luís Naves, e aqui fica, sem comentários, como FRASE DO DIA:
«O BE faz uma campanha onde não parece haver grande preocupação de mediatização»
POEMA
VIAGEM ATRAVÉS DE UNS CABELOS TODOS BRANCOS
Estamos a vê-lo todos e sabemos.
Foram anos de fome, quantas vezes
à beira dos mercados e das feiras.
Foram anos com o perigo a escorrer das paredes.
Foram anos de todas as esquinas vigiadas.
Anos de encontros mais cronometrados
do que o fio-de-prumo sobre a lâmina.
Foram anos eternos de prisão
numa ilha de mar, de guardas, de muralhas
e de silêncio com o olhar feroz
de grades sobre o dia.
Foi toda a vida com o coração
sem nunca se esquecer por que batia.
Mário Castrim
Estamos a vê-lo todos e sabemos.
Foram anos de fome, quantas vezes
à beira dos mercados e das feiras.
Foram anos com o perigo a escorrer das paredes.
Foram anos de todas as esquinas vigiadas.
Anos de encontros mais cronometrados
do que o fio-de-prumo sobre a lâmina.
Foram anos eternos de prisão
numa ilha de mar, de guardas, de muralhas
e de silêncio com o olhar feroz
de grades sobre o dia.
Foi toda a vida com o coração
sem nunca se esquecer por que batia.
Mário Castrim
COMO ESTAVA PREVISTO
Ei-los: os ex.
Chegaram quando estava previsto chegarem: logo após a abertura oficial da campanha para as legislativas.
Como de costume, quem chegou não disse nada de novo ou de inesperado: foi a habitual carta «dirigida à direcção do PCP» - mas, de facto, dirigida aos média propriedade do grande capital; foi o tradicional blá-blá-blá do «sectarismo» e do «isolacionismo» que leva ao «definhamento do Partido» e ao «afastamento de milhares de militantes e dirigentes» - querendo com isto dizer que 1 que parte vale por milhares...; foi todo o ódio e toda a frustração de quem não se conforma com o facto de o PCP continuar a ser o que os seus militantes querem que seja e não o que os seus inimigos desejariam que fosse; foi, enfim, como estava previsto, a tradicional operação anticomunista de tempo de eleições.
Nada de novo, também, no que respeita à difusão da notícia: ela foi entregue a um jornal (calhou ser o órgão da Sonae mas poderia ter sido qualquer outro, tirado ao acaso de entre os média propriedade do grande capital); esse jornal destacou, para bem tratar o assunto, um dos seus muitos peritos em anticomunismo; a notícia teve honras de primeira página e de mais uma página inteira - e, como também estava previsto, saltou para todos os chamados noticiários de rádios e televisões propriedade do grande capital.
E aposto com quem quiser que, nos dias que aí vêm, esta coisa vai ser a notícia em tudo quanto se diz órgão de informação.
E aposto, também, que o que agora anunciou a partida, vai ser entrevistado e entrevistado e entrevistado - e que, nessas entrevistas, vai repetir e repetir e repetir tudo o que anda a dizer desde que, há vários anos, partiu de facto.
E aposto, ainda, que outros ex serão chamados a dar opinião - e que opinarão de acordo com o que está previsto.
Aposto, finalmente, que o secretário-geral do PCP - intensamente envolvido na campanha eleitoral - vai ser metralhado, todos os dias e a todas as horas, com perguntas provocatórias sobre o assunto.
Chegaram quando estava previsto chegarem: logo após a abertura oficial da campanha para as legislativas.
Como de costume, quem chegou não disse nada de novo ou de inesperado: foi a habitual carta «dirigida à direcção do PCP» - mas, de facto, dirigida aos média propriedade do grande capital; foi o tradicional blá-blá-blá do «sectarismo» e do «isolacionismo» que leva ao «definhamento do Partido» e ao «afastamento de milhares de militantes e dirigentes» - querendo com isto dizer que 1 que parte vale por milhares...; foi todo o ódio e toda a frustração de quem não se conforma com o facto de o PCP continuar a ser o que os seus militantes querem que seja e não o que os seus inimigos desejariam que fosse; foi, enfim, como estava previsto, a tradicional operação anticomunista de tempo de eleições.
Nada de novo, também, no que respeita à difusão da notícia: ela foi entregue a um jornal (calhou ser o órgão da Sonae mas poderia ter sido qualquer outro, tirado ao acaso de entre os média propriedade do grande capital); esse jornal destacou, para bem tratar o assunto, um dos seus muitos peritos em anticomunismo; a notícia teve honras de primeira página e de mais uma página inteira - e, como também estava previsto, saltou para todos os chamados noticiários de rádios e televisões propriedade do grande capital.
E aposto com quem quiser que, nos dias que aí vêm, esta coisa vai ser a notícia em tudo quanto se diz órgão de informação.
E aposto, também, que o que agora anunciou a partida, vai ser entrevistado e entrevistado e entrevistado - e que, nessas entrevistas, vai repetir e repetir e repetir tudo o que anda a dizer desde que, há vários anos, partiu de facto.
E aposto, ainda, que outros ex serão chamados a dar opinião - e que opinarão de acordo com o que está previsto.
Aposto, finalmente, que o secretário-geral do PCP - intensamente envolvido na campanha eleitoral - vai ser metralhado, todos os dias e a todas as horas, com perguntas provocatórias sobre o assunto.
POEMA
MÃE
De noite
ouvi barulho
na cozinha.
Levantei-me.
Fui ver.
A mãe passava a ferro
os calções que eu devia
levar à escola.
Sentada, mal podia
com o ferro. Longe
um galo nos dizia «o dia aí vai».
Esfrego os olhos estremunhado.
E a mãe:
- O que é, filho? Cuidado
não acordes o pai.
Mário Castrim
De noite
ouvi barulho
na cozinha.
Levantei-me.
Fui ver.
A mãe passava a ferro
os calções que eu devia
levar à escola.
Sentada, mal podia
com o ferro. Longe
um galo nos dizia «o dia aí vai».
Esfrego os olhos estremunhado.
E a mãe:
- O que é, filho? Cuidado
não acordes o pai.
Mário Castrim
ser leal ao meu amor, se ele assim para mim fosse!
Estes são, também, os meus dias. entre gente boa que me ensina, momento a momento, que as coisas simples são as mais profundas de amar. não imagino os meus dias sem estes camaradas. não sei que seria da minha alegria se não houvesse a quinta-feira, dia marcado na memória de todos, para o encontro do Cante. nele, neste som profundo vulcanizado nas dores e alegrias de uma classe, o alentejo inteiro ergue-se para dizer ao silêncio do latifúndio que mesmo quem sofre não se resigna e se levanta, no abraço solidário que o colectivo atira às consciências, mesmo as mais solitárias. na taberna do Lota, meu mestre e meu amigo - tantas e tantas as pescarias na nossa cumplicidade! - entre um medronho e um tinto, entrançados com uma fatia de pão com linguiça, os vermelhos da terra juntam-se para cantar a revolução. sei de cor os caminhos que lá nos levam. como conheço cada um dos corações que por lá habita. quando dão conta da minha chegada riem-se e «picam» logo uma moda... daquelas que sabem que eu muito gosto. ou o «cabelo entrançado», ou esta - da qual vos deixo um bocadinho - «diz a laranja ao limão/ qual de nós será mais doce/ ser leal ao meu amor/ se ele assim para mim fosse».
POEMA
A LIÇÃO
Francisco Miguel estava na prisão.
Todos os dias guardava do seu pão
pra dar ao pombos
que vinham até ali
das velhas casas.
Ele sabia
que o dever
de todo o homem
é defender as asas.
Mário Castrim
Francisco Miguel estava na prisão.
Todos os dias guardava do seu pão
pra dar ao pombos
que vinham até ali
das velhas casas.
Ele sabia
que o dever
de todo o homem
é defender as asas.
Mário Castrim
VAMOS A ISSO!
Foram mais de 6 000 os que se juntaram em Évora, no Templo de Diana, naquele que foi um dos maiores comícios de sempre em terras do Alentejo.
Ali, ouviram discursos claros, simples, verdadeiros - e canções claras, simples, verdadeiras.
Foi, no que respeita à CDU, uma excelente abertura oficial da campanha para as legislativas, nas quais, no dia 27, o eleitorado deveria (deverá...) pronunciar-se sobre a grande alternativa que lhe é colocada: ou votar na continuação da política com que, há 33 anos, o PS e o PSD (às vezes com o CDS/PP) têm vindo a flagelar a imensa maioria dos portugueses; ou optar pela ruptura com essa política de direita e por uma política de esquerda ao serviço dos interesses da imensa maioria dos portugueses.
«Nenhum voto de esquerda é útil na mão do PS», disse Jerónimo de Sousa - verdade incontestável, confirmada pela prática concreta desse partido ao longo de mais de três décadas em que, falando e caçando votos em nome da «esquerda», utilizou sempre esses votos em favor da política de direita.
É claro que, para a generalidade dos média dominantes, as «mais de 6 000» pessoas presentes em Évora, são sempre «segundo contas da CDU», ou «segundo disse Jerónimo de Sousa»...
Ou seja, os jornalistas não sabem contar... - ao contrário do que aconteceu com as presenças na iniciativa do BE em Lisboa: «2 500 pessoas» - segundo os jornalistas, que neste caso já sabiam contar...
Mas isso é o habitual mais do mesmo em que os média do grande capital são especialistas...
E o que mais interessa agora é que, daqui até ao dia 27, há ainda muitos votos a conquistar - e que é necessário conquistar - para a CDU.
VAMOS A ISSO!
Ali, ouviram discursos claros, simples, verdadeiros - e canções claras, simples, verdadeiras.
Foi, no que respeita à CDU, uma excelente abertura oficial da campanha para as legislativas, nas quais, no dia 27, o eleitorado deveria (deverá...) pronunciar-se sobre a grande alternativa que lhe é colocada: ou votar na continuação da política com que, há 33 anos, o PS e o PSD (às vezes com o CDS/PP) têm vindo a flagelar a imensa maioria dos portugueses; ou optar pela ruptura com essa política de direita e por uma política de esquerda ao serviço dos interesses da imensa maioria dos portugueses.
«Nenhum voto de esquerda é útil na mão do PS», disse Jerónimo de Sousa - verdade incontestável, confirmada pela prática concreta desse partido ao longo de mais de três décadas em que, falando e caçando votos em nome da «esquerda», utilizou sempre esses votos em favor da política de direita.
É claro que, para a generalidade dos média dominantes, as «mais de 6 000» pessoas presentes em Évora, são sempre «segundo contas da CDU», ou «segundo disse Jerónimo de Sousa»...
Ou seja, os jornalistas não sabem contar... - ao contrário do que aconteceu com as presenças na iniciativa do BE em Lisboa: «2 500 pessoas» - segundo os jornalistas, que neste caso já sabiam contar...
Mas isso é o habitual mais do mesmo em que os média do grande capital são especialistas...
E o que mais interessa agora é que, daqui até ao dia 27, há ainda muitos votos a conquistar - e que é necessário conquistar - para a CDU.
VAMOS A ISSO!
POEMA
ESTOU AQUI
Pai, então!
Tens de aprender a andar.
Vou-te ensinar
a ti.
Segura a minha mão
ou o meu dedo.
Vá, não tenhas medo.
Eu estou aqui.
Mário Castrim
Pai, então!
Tens de aprender a andar.
Vou-te ensinar
a ti.
Segura a minha mão
ou o meu dedo.
Vá, não tenhas medo.
Eu estou aqui.
Mário Castrim
DROGAS
Droga quer dizer, por exemplo, Colômbia - que é o maior produtor de cocaína e o principal fornecedor do país que mais a consome em todo o mundo: os EUA.
Onde há droga, há combate à droga. Embora em muitos casos esse «combate» não passe de um disfarce por detrás do qual se escondem outros e bem diferentes «combates» - como acontece na Colômbia...
São muitas e muito diversificadas as rotas da droga colombiana rumo aos EUA.
Casos há em que a droga sai da Colômbia com a maior das facilidades e sem qualquer perigo para os traficantes - é o que acontece com duas «insuspeitas» instituições que, soube-se agora, funcionam como autênticos cartéis da droga: a DAS (Serviços Secretos da Colômbia) e a DEA (Agência dos Estados Unidos contra a droga)...
Mas há mais drogas. Na Colômbia e em todo o lado, Portugal incluído.
Por exemplo: uma coisa que diz chamar-se «Fundação Coração Verde» acaba de organizar uma coisa a que chamou «IV Temporada de Arte de Bogotá» e que consta de uma coisa a que chamam «exposição de artes plásticas».
Das «obras de arte» expostas consta uma droga bem reveladora de quem a produziu: uma pintura dos presidentes da Venezuela e do Equador «a beijarem-se na boca».
É claro que o recurso a tais drogas só confirma o medo que a cambada tem da força e do apoio popular aos processos revolucionários em curso na Venezuela, no Equador e em vários outros países da América Latina.
Drogas semelhantes a esta «Fundação» e à sua «exposição», abundam por cá.
Exemplos disso, são a revista Tabu, do Sol, e uma droga abjecta, pornográfica, nojenta, ali vomitada por um tal Nuno Saraiva - neste caso a confirmar a raiva da cambada face ao êxito da Festa do Avante.
Onde há droga, há combate à droga. Embora em muitos casos esse «combate» não passe de um disfarce por detrás do qual se escondem outros e bem diferentes «combates» - como acontece na Colômbia...
São muitas e muito diversificadas as rotas da droga colombiana rumo aos EUA.
Casos há em que a droga sai da Colômbia com a maior das facilidades e sem qualquer perigo para os traficantes - é o que acontece com duas «insuspeitas» instituições que, soube-se agora, funcionam como autênticos cartéis da droga: a DAS (Serviços Secretos da Colômbia) e a DEA (Agência dos Estados Unidos contra a droga)...
Mas há mais drogas. Na Colômbia e em todo o lado, Portugal incluído.
Por exemplo: uma coisa que diz chamar-se «Fundação Coração Verde» acaba de organizar uma coisa a que chamou «IV Temporada de Arte de Bogotá» e que consta de uma coisa a que chamam «exposição de artes plásticas».
Das «obras de arte» expostas consta uma droga bem reveladora de quem a produziu: uma pintura dos presidentes da Venezuela e do Equador «a beijarem-se na boca».
É claro que o recurso a tais drogas só confirma o medo que a cambada tem da força e do apoio popular aos processos revolucionários em curso na Venezuela, no Equador e em vários outros países da América Latina.
Drogas semelhantes a esta «Fundação» e à sua «exposição», abundam por cá.
Exemplos disso, são a revista Tabu, do Sol, e uma droga abjecta, pornográfica, nojenta, ali vomitada por um tal Nuno Saraiva - neste caso a confirmar a raiva da cambada face ao êxito da Festa do Avante.
POEMA
AVÔ
O avô estava a olhar para longe
longe
para tão longe daqui
- Para onde estás a olhar, avô?
- Estou a olhar para ti.
Mário Castrim
O avô estava a olhar para longe
longe
para tão longe daqui
- Para onde estás a olhar, avô?
- Estou a olhar para ti.
Mário Castrim
«PAI DA DEMOCRACIA»
De um qualquer livro escrito por Mário Soares sabe-se, antes de o ler, que é um esgoto de blá-blá-blá demagógico a correr para a fossa que é a intensa actividade ao serviço do capitalismo desenvolvida pelo autor ao longo de muitos anos.
Foi enquanto homem de mão do capitalismo internacional que Soares - pago pelos serviços secretos dos EUA, da Alemanha, da França, da Grã-Bretanha, etc, etc - encabeçou e dirigiu a acção contra-revolucionária que viria a liquidar a Revolução de Abril e a recolocar Portugal nas mãos do capitalismo nacional e internacional.
E é por isso que os propagandistas ao serviço do grande capital lhe chamam «pai da democracia».
Vem isto a propósito de um anúncio - que acabei de ler na revista do Círculo dos Leitores - a um livro de Mário Soares: «Um Mundo em Mudança».
É claro que quem diz «mudança» diz Obama e quem diz Obama diz... Soares - e, de facto, lá estão eles na capa do livro anunciado: em cima à direita, Soares, de bochechas; e em baixo, à esquerda, Obama, de sorriso.
Sobre o livro, diz o anúncio que Soares «deposita a sua confiança na capacidade política de Barack Obama para conduzir e liderar não só os Estados Unidos, mas também o mundo, em direcção uma nova era»...
O chefe supremo do imperialismo a liderar o mundo: eis o grande sonho de Soares, o sonho maior de toda a sua vida, o objectivo principal de toda a sua actividade.
É por isso que os propagandistas ao serviço do grande capital têm instruções para lhe chamar «pai da democracia».
Foi enquanto homem de mão do capitalismo internacional que Soares - pago pelos serviços secretos dos EUA, da Alemanha, da França, da Grã-Bretanha, etc, etc - encabeçou e dirigiu a acção contra-revolucionária que viria a liquidar a Revolução de Abril e a recolocar Portugal nas mãos do capitalismo nacional e internacional.
E é por isso que os propagandistas ao serviço do grande capital lhe chamam «pai da democracia».
Vem isto a propósito de um anúncio - que acabei de ler na revista do Círculo dos Leitores - a um livro de Mário Soares: «Um Mundo em Mudança».
É claro que quem diz «mudança» diz Obama e quem diz Obama diz... Soares - e, de facto, lá estão eles na capa do livro anunciado: em cima à direita, Soares, de bochechas; e em baixo, à esquerda, Obama, de sorriso.
Sobre o livro, diz o anúncio que Soares «deposita a sua confiança na capacidade política de Barack Obama para conduzir e liderar não só os Estados Unidos, mas também o mundo, em direcção uma nova era»...
O chefe supremo do imperialismo a liderar o mundo: eis o grande sonho de Soares, o sonho maior de toda a sua vida, o objectivo principal de toda a sua actividade.
É por isso que os propagandistas ao serviço do grande capital têm instruções para lhe chamar «pai da democracia».
POEMA
NOME DE FLOR
Liberdade.
Um nome
de flor
ou de voar.
A gota
em qualidade
de suor
que apaga a fome
e se põe a cantar.
Mário Castrim
Liberdade.
Um nome
de flor
ou de voar.
A gota
em qualidade
de suor
que apaga a fome
e se põe a cantar.
Mário Castrim
SÓ NÃO PERCEBE QUEM NÃO QUER
Organizadamente, os média do grande capital prosseguem a operação de silenciamento sobre a situação nas Honduras.
Lendo, ouvindo, vendo os jornais, as rádios e as televisões... as Honduras não existem, nada se passa naquele país onde há cerca de três meses, um golpe de estado, levado a cabo por forças reaccionárias apoiadas pelo Governo de Obama, depôs o Presidente Manuel Zelaya e o seu Governo e impôs um governo reaccionário composto por lacaios do imperialismo norte-americano.
Sublinhe-se que o único jornal nacional que informa e exprime opinião sobre as Honduras - inequivocamente contra os golpistas e inequivocamente com o povo hondurenho em luta - é o Avante! («o jornal que dá o nome à Festa», também ela alvo de uma organizada operação de silenciamento por parte dos média do grande capital...)
No entanto, apesar de silenciada, a luta do povo hondurenho não pára, pelo contrário: todos os dias, por todo o País, prosseguem as diversificadas acções exigindo a reposição da democracia ali onde agora impera a democracia made in USA
No fim de semana passado, ocorreram poderosas manifestações em Tegucigalpa e em todas as principais cidades hondurenhas.
Na quinta-feira iniciou-se uma greve geral de 48 horas no sector estatal, convocada pelas três centrais sindicais das Honduras. Para amanhã, estão previstas novas manifestações e caravanas.
E tudo indica que assim continuará a ser até que os golpistas sejam derrubados e presos - ou entregues ao seu patrono Obama.
Entretanto, foi anunciado que o Presidente Manuel Zelaya, usará da palavra na Assembleia Geral da ONU, no próximo dia 23 - e ontem o Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega dirigiu-se à comunidade internacional sublinhando ser seu dever e sua batalha prioritária o restabelecimento da ordem constitucional nas Honduras.
Isto enquanto, o Governo Obama - que nos primeiros dias fingiu, hipocritamente, condenar o golpe, e, hipocritamente, declarou a suspensão de toda a cooperação militar com o governo golpista - mostra a sua verdadeira face e anuncia manobras militares conjuntas com as forças armadas dos golpistas.
Sempre a mostrar o que é, o Governo de Obama declarou publicamente que os direitos humanos são respeitados na Colômbia do narcofascista Uribe.
Tal declaração era indispensável para que o Congresso dos EUA aprovasse os fundos para o Plano Colômbia, ou seja: para, a partir das sete bases militares dos EUA na Colômbia, desenvolver a prevista operação terrorista contra os países que, na América Latina, ousaram libertar-se das garras do imperialismo norte-americano.
É, aliás, neste contexto que se explica o apoio de facto do Governo dos EUA ao golpe fascista das Honduras.
E tudo se torna mais claro, se tivermos em conta que, com a ocupação consentida da Colômbia, este país está em vias de se transformar no Israel da América Latina - e que Israel foi, até agora, o único país que reconheceu o governo golpista das Honduras...
Face a tudo isto, é fácil perceber a operação de silenciamento da situação nas Honduras por parte dos média propriedade do grande capital...
Só não percebe quem não quer.
Lendo, ouvindo, vendo os jornais, as rádios e as televisões... as Honduras não existem, nada se passa naquele país onde há cerca de três meses, um golpe de estado, levado a cabo por forças reaccionárias apoiadas pelo Governo de Obama, depôs o Presidente Manuel Zelaya e o seu Governo e impôs um governo reaccionário composto por lacaios do imperialismo norte-americano.
Sublinhe-se que o único jornal nacional que informa e exprime opinião sobre as Honduras - inequivocamente contra os golpistas e inequivocamente com o povo hondurenho em luta - é o Avante! («o jornal que dá o nome à Festa», também ela alvo de uma organizada operação de silenciamento por parte dos média do grande capital...)
No entanto, apesar de silenciada, a luta do povo hondurenho não pára, pelo contrário: todos os dias, por todo o País, prosseguem as diversificadas acções exigindo a reposição da democracia ali onde agora impera a democracia made in USA
No fim de semana passado, ocorreram poderosas manifestações em Tegucigalpa e em todas as principais cidades hondurenhas.
Na quinta-feira iniciou-se uma greve geral de 48 horas no sector estatal, convocada pelas três centrais sindicais das Honduras. Para amanhã, estão previstas novas manifestações e caravanas.
E tudo indica que assim continuará a ser até que os golpistas sejam derrubados e presos - ou entregues ao seu patrono Obama.
Entretanto, foi anunciado que o Presidente Manuel Zelaya, usará da palavra na Assembleia Geral da ONU, no próximo dia 23 - e ontem o Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega dirigiu-se à comunidade internacional sublinhando ser seu dever e sua batalha prioritária o restabelecimento da ordem constitucional nas Honduras.
Isto enquanto, o Governo Obama - que nos primeiros dias fingiu, hipocritamente, condenar o golpe, e, hipocritamente, declarou a suspensão de toda a cooperação militar com o governo golpista - mostra a sua verdadeira face e anuncia manobras militares conjuntas com as forças armadas dos golpistas.
Sempre a mostrar o que é, o Governo de Obama declarou publicamente que os direitos humanos são respeitados na Colômbia do narcofascista Uribe.
Tal declaração era indispensável para que o Congresso dos EUA aprovasse os fundos para o Plano Colômbia, ou seja: para, a partir das sete bases militares dos EUA na Colômbia, desenvolver a prevista operação terrorista contra os países que, na América Latina, ousaram libertar-se das garras do imperialismo norte-americano.
É, aliás, neste contexto que se explica o apoio de facto do Governo dos EUA ao golpe fascista das Honduras.
E tudo se torna mais claro, se tivermos em conta que, com a ocupação consentida da Colômbia, este país está em vias de se transformar no Israel da América Latina - e que Israel foi, até agora, o único país que reconheceu o governo golpista das Honduras...
Face a tudo isto, é fácil perceber a operação de silenciamento da situação nas Honduras por parte dos média propriedade do grande capital...
Só não percebe quem não quer.
POEMA
VIAGEM ATRAVÉS DE UMA INSCRIÇÃO A LÁPIS EM CAXIAS
«Encontramo-nos
nesta sala
setenta e dois camponeses
do Couço
e de Montemor.
Sempre
sempre nos demos
como irmãos.
Vocês devem continuar
a fazer o mesmo.»
Mário Castrim
«Encontramo-nos
nesta sala
setenta e dois camponeses
do Couço
e de Montemor.
Sempre
sempre nos demos
como irmãos.
Vocês devem continuar
a fazer o mesmo.»
Mário Castrim
O ESTADO DA VISÃO
A Visão está preocupada com o voto dos portugueses.
Ou seja: a Visão quer que os portugueses votem e votem bem no dia 27.
Explicando melhor: a Visão acha que «as eleições» são um tempo de «escolhas» e que as «escolhas» devem ser reflectidas, pensadas, de modo a que o voto seja bem «decidido».
Para isso, a Visão ensina que é preciso «olhar, de forma o mais objectiva possível, para o país que temos e para o percurso que fizemos ao longo dos últimos tempos. E, em especial, dos últimos quatro anos».
Como se vê, não há melhor forma de ensinar as pessoas a votar bem do que, de forma objectiva, desviar-lhes a atenção daquela que é a questão central destas eleições, a saber: que PS e PSD (às vezes com o CDS/PP) estão no Governo há 33 anos, tempo e mais do que tempo para mostrarem, ambos, que não prestam.
Para melhor ensinar os seus leitores a votar bem, a Visão produziu e ofereceu-lhes (por 2,85 euros) um «especial de 40 páginas» sobre «O Estado da Nação»: dados e mais dados, números e mais números, que o Director, Pedro Camacho, sintetiza enaltecendo «as reformas consideráveis, de substância», as «reformas de bandeira», realizadas por Sócrates: «na Saúde, na Educação, na área do Trabalho, na Justiça, na Segurança Social, na Energia».O mal todo está em que, ensina o Director, o Governo «não soube explicar à sociedade» as imensas bondades dessas reformas.
E assim, «a sociedade» não percebeu que, com essas reformas, o Governo lhe estava a abrir as portas do Paraíso - e ignorante e ingrata, concluiu que era o Inferno que estava a entrar portas dentro...
Com tais ensinamentos, não há leitor da Visão que não fique a saber como votar bem...
Registe-se ainda que também para a Visão, a Festa do Avante! não existiu: nas suas 172 páginas, aí incluídas as 32 dedicadas a espectáculos, etc, não há uma linha dedicada ao maior acontecimento cultural, artístico, político, de massas, realizado em Portugal.
Este silenciamento é tão significativo como o barulho das 40 páginas sobre «O Estado da Nação» - e ambos mostram, a quem quiser ver, o estado da Visão...
Ou seja: a Visão quer que os portugueses votem e votem bem no dia 27.
Explicando melhor: a Visão acha que «as eleições» são um tempo de «escolhas» e que as «escolhas» devem ser reflectidas, pensadas, de modo a que o voto seja bem «decidido».
Para isso, a Visão ensina que é preciso «olhar, de forma o mais objectiva possível, para o país que temos e para o percurso que fizemos ao longo dos últimos tempos. E, em especial, dos últimos quatro anos».
Como se vê, não há melhor forma de ensinar as pessoas a votar bem do que, de forma objectiva, desviar-lhes a atenção daquela que é a questão central destas eleições, a saber: que PS e PSD (às vezes com o CDS/PP) estão no Governo há 33 anos, tempo e mais do que tempo para mostrarem, ambos, que não prestam.
Para melhor ensinar os seus leitores a votar bem, a Visão produziu e ofereceu-lhes (por 2,85 euros) um «especial de 40 páginas» sobre «O Estado da Nação»: dados e mais dados, números e mais números, que o Director, Pedro Camacho, sintetiza enaltecendo «as reformas consideráveis, de substância», as «reformas de bandeira», realizadas por Sócrates: «na Saúde, na Educação, na área do Trabalho, na Justiça, na Segurança Social, na Energia».O mal todo está em que, ensina o Director, o Governo «não soube explicar à sociedade» as imensas bondades dessas reformas.
E assim, «a sociedade» não percebeu que, com essas reformas, o Governo lhe estava a abrir as portas do Paraíso - e ignorante e ingrata, concluiu que era o Inferno que estava a entrar portas dentro...
Com tais ensinamentos, não há leitor da Visão que não fique a saber como votar bem...
Registe-se ainda que também para a Visão, a Festa do Avante! não existiu: nas suas 172 páginas, aí incluídas as 32 dedicadas a espectáculos, etc, não há uma linha dedicada ao maior acontecimento cultural, artístico, político, de massas, realizado em Portugal.
Este silenciamento é tão significativo como o barulho das 40 páginas sobre «O Estado da Nação» - e ambos mostram, a quem quiser ver, o estado da Visão...
POEMA
ALENTEJO
O camponês alargou o braço
à cintura redonda da distância.
As palavras que tinha
subiam da cisterna da memória
encontraram a saliva na boca
todas se desfizeram na saliva.
Depois, José Luís cuspiu-as para a terra
brandamente
como se entregasse um filho
a sua mãe.
Mário Castrim
O camponês alargou o braço
à cintura redonda da distância.
As palavras que tinha
subiam da cisterna da memória
encontraram a saliva na boca
todas se desfizeram na saliva.
Depois, José Luís cuspiu-as para a terra
brandamente
como se entregasse um filho
a sua mãe.
Mário Castrim
A FESTA DO LIVRO
A Festa do Livro é marcada, todos os anos, pelo lançamento de vários livros - que vale a pena comprar e ler.
Um dos livros lançados este ano - da autoria de António Gervásio - diz em título e demonstra com fotos e textos que «A Reforma Agrária é Necessária».
As cerca de trezentas fotografias, complementadas com textos de Álvaro Cunhal e de António Gervásio, contam-nos a história da Reforma Agrária:
o tempo negro do fascismo, em que A Terra a quem a Trabalha era um sonho que alimentava a luta heróica do proletariado rural do Sul contra o latifúndio sustentáculo do fascismo;
o tempo luminoso da Revolução de Abril, em que, sempre através da luta, esse sonho se concretizou e produziu a mais bela conquista da Revolução;
o tempo sombrio da brutal ofensiva contra-revolucionária, em que, não obstante a corajosa resistência dos trabalhadores, as forças reaccionárias - encabeçadas pelo PS/Mário Soares e pelo PPD/Sá Carneiro/Cavaco Silva - destruíram a Reforma Agrária, impondo o passado ali onde o futuro estava a ser construído.
E concluem: a Reforma Agrária, com a entrega da Terra a quem a trabalha ou a queira trabalhar, é necessária, porque ela é parte integrante e indispensável da Democracia.
Um dos livros lançados este ano - da autoria de António Gervásio - diz em título e demonstra com fotos e textos que «A Reforma Agrária é Necessária».
As cerca de trezentas fotografias, complementadas com textos de Álvaro Cunhal e de António Gervásio, contam-nos a história da Reforma Agrária:
o tempo negro do fascismo, em que A Terra a quem a Trabalha era um sonho que alimentava a luta heróica do proletariado rural do Sul contra o latifúndio sustentáculo do fascismo;
o tempo luminoso da Revolução de Abril, em que, sempre através da luta, esse sonho se concretizou e produziu a mais bela conquista da Revolução;
o tempo sombrio da brutal ofensiva contra-revolucionária, em que, não obstante a corajosa resistência dos trabalhadores, as forças reaccionárias - encabeçadas pelo PS/Mário Soares e pelo PPD/Sá Carneiro/Cavaco Silva - destruíram a Reforma Agrária, impondo o passado ali onde o futuro estava a ser construído.
E concluem: a Reforma Agrária, com a entrega da Terra a quem a trabalha ou a queira trabalhar, é necessária, porque ela é parte integrante e indispensável da Democracia.
POEMA
VIAGEM ATRAVÉS DA CAMPANHA DOS 50 MIL CONTOS
Os camaradas de Portimão foram ao mar
por sua conta. Chegaram de madrugada
melhor dizendo: de manhã.
Os camaradas meteram o peixe
em grandes selhas. Escamaram,
estriparam, escalaram,
levaram os caldeirões ao lume
sopraram o lume
levantavam as tampas de quando em quando.
Sabiamente cortaram
sardinhas, lulas, polvo, tamboril,
ruivo, raia, safio.
Os camaradas salgaram, temperaram, provaram
de colher na boca, os olhos longe,
à procura do gosto perfeito dos séculos.
Os camaradas traziam os pratos que as companheiras
repartiam ponderadamente
com a ciência das velhas mães.
Os camaradas vieram servir à mesa
deixavam os pratos, levavam as senhas
perguntavam: está bom ou não está, camarada?
Os camaradas ficaram a fazer as contas.
Os camaradas ficaram a arrumar a casa.
Alguns camaradas adormeceram durante o Canto Livre.
Mário Castrim
Os camaradas de Portimão foram ao mar
por sua conta. Chegaram de madrugada
melhor dizendo: de manhã.
Os camaradas meteram o peixe
em grandes selhas. Escamaram,
estriparam, escalaram,
levaram os caldeirões ao lume
sopraram o lume
levantavam as tampas de quando em quando.
Sabiamente cortaram
sardinhas, lulas, polvo, tamboril,
ruivo, raia, safio.
Os camaradas salgaram, temperaram, provaram
de colher na boca, os olhos longe,
à procura do gosto perfeito dos séculos.
Os camaradas traziam os pratos que as companheiras
repartiam ponderadamente
com a ciência das velhas mães.
Os camaradas vieram servir à mesa
deixavam os pratos, levavam as senhas
perguntavam: está bom ou não está, camarada?
Os camaradas ficaram a fazer as contas.
Os camaradas ficaram a arrumar a casa.
Alguns camaradas adormeceram durante o Canto Livre.
Mário Castrim
POEMA
VIAGEM ATRAVÉS DE UMA LÁGRIMA
Nós, comunistas,
não habitamos
o deserto
nunca.
Há sempre
alguma coisa
alguém
uma palavra
uma canção
um nome
que de repente
se transforma em lágrima.
A lágrima
ao sol
é um pequeno punho
de cristal.
Mário Castrim
Nós, comunistas,
não habitamos
o deserto
nunca.
Há sempre
alguma coisa
alguém
uma palavra
uma canção
um nome
que de repente
se transforma em lágrima.
A lágrima
ao sol
é um pequeno punho
de cristal.
Mário Castrim
POR ISSO
A Festa é o Partido.
Por isso, era o Partido que ali estava - o Partido da Juventude, da Esperança e do Futuro.
Por isso, na Festa, a Juventude é esperança, a Esperança é futuro e o Futuro é certeza.
Por isso, a cidade que é a Festa é a «Cidade perfeita no País imperfeito».
Por isso, milhares de não-comunistas se encontram na Festa dos comunistas, construída por comunistas, e ali se sentem como se estivessem em suas casas.
Por isso, quando Jerónimo de Sousa, na tribuna do Palco 25 de Abril, disse que «Somos o que somos e o que queremos ser - um Partido Comunista digno desse nome», a multidão de comunistas e não-comunistas entendeu e aplaudiu.
Por isso - porque é o Partido - a Festa é indestrutível.
Por isso - porque é obra do ideal comunista - é a Festa da Juventude, da Esperança e do Futuro.
Por isso, NÃO HÁ FESTA COMO ESTA!
Por isso, era o Partido que ali estava - o Partido da Juventude, da Esperança e do Futuro.
Por isso, na Festa, a Juventude é esperança, a Esperança é futuro e o Futuro é certeza.
Por isso, a cidade que é a Festa é a «Cidade perfeita no País imperfeito».
Por isso, milhares de não-comunistas se encontram na Festa dos comunistas, construída por comunistas, e ali se sentem como se estivessem em suas casas.
Por isso, quando Jerónimo de Sousa, na tribuna do Palco 25 de Abril, disse que «Somos o que somos e o que queremos ser - um Partido Comunista digno desse nome», a multidão de comunistas e não-comunistas entendeu e aplaudiu.
Por isso - porque é o Partido - a Festa é indestrutível.
Por isso - porque é obra do ideal comunista - é a Festa da Juventude, da Esperança e do Futuro.
Por isso, NÃO HÁ FESTA COMO ESTA!
POEMA
VIAGEM ATRAVÉS DE UMA TIPOGRAFIA CLANDESTINA
Gritar Liberdade, é fácil
quando existe liberdade.
É fácil defender a liberdade de expressão
num off-set sofisticado
com ar condicionado, telex, telefones,
salário, hora para almoço, avales bancários,
protecção das leis e do governo,
amplas janelas para o Sol, quebrado
por estores de alumínio, docemente.
Assim
ser pela liberdade de expressão
é cómodo e é fácil.
Mas do que estou a falar é doutra coisa.
Se entendeste, o poema está cumprido.
Se não, o poema espera
com a paciência tradicional de todos os poemas.
Mário Castrim
Gritar Liberdade, é fácil
quando existe liberdade.
É fácil defender a liberdade de expressão
num off-set sofisticado
com ar condicionado, telex, telefones,
salário, hora para almoço, avales bancários,
protecção das leis e do governo,
amplas janelas para o Sol, quebrado
por estores de alumínio, docemente.
Assim
ser pela liberdade de expressão
é cómodo e é fácil.
Mas do que estou a falar é doutra coisa.
Se entendeste, o poema está cumprido.
Se não, o poema espera
com a paciência tradicional de todos os poemas.
Mário Castrim
QUE GRANDE!...
Mário Soares prossegue a tarefa - bem remunerada, presumo - de preencher, todas as terças-feiras, uma página do Diário de Notícias - a confirmar que os média do grande capital dão espaço e pagam bem a quem serve os interesses dos seus donos.
Nesses textos de Soares, os temas abordados são sempre três. Isto é: um. Melhor dizendo: três em um. A saber: a defesa do capitalismo; a defesa da política de direita; a defesa do PS como o mais eficaz executante dessa política.
Isto numa prosa trapalhona, sebenta, aporcalhada, sempre tendo como música de fundo a banda sonora de arrotos à democracia, à liberdade e aos direitos humanos made in USA.
Ontem, Soares escreveu sobre as eleições legislativas.
Trata-se de um texto de propaganda à política de direita praticada pelo PS/Sócrates.
Assim, começa por garantir
- que «o eleitorado já percebeu que só tem duas alternativas: o PS ou o PSD»;
- que «a escolha é entre o PS (Esquerda democrática) e o PSD (Direita ou Centro-Direita);
- que o resto é tudo «voto de protesto ou voto ideológico-partidário? que não conta para nada;
- que quem não votar no PS/Sócrates está a fazer o jogo da «direita»...
A seguir, Soares desencabresta numa galopada de elogios a Sócrates: à sua «inteligência», à sua «tolerância», à sua «moderação», ao seu «conhecimento da realidade nacional», à sua «combatividade, coragem e determinação», e compara Sócrates, o seu herói nacional, a Obama, o seu herói internacional...
Finalmente, depois de todos estes apelos ao voto no PS/Sócrates, Soares faz o que se julgava impossível nele: superando-se a si próprio em descaro e em desvergonha, termina assim:
«Os leitores sabem que não sou incondicional de ninguém. Nunca fui. Não o sou de Sócrates. Digo-o em consciência e como observador atento e à distância».
Que grande aldrabão! Que grande parlapatão! Que grande pantomineiro!
Que grande!...
Nesses textos de Soares, os temas abordados são sempre três. Isto é: um. Melhor dizendo: três em um. A saber: a defesa do capitalismo; a defesa da política de direita; a defesa do PS como o mais eficaz executante dessa política.
Isto numa prosa trapalhona, sebenta, aporcalhada, sempre tendo como música de fundo a banda sonora de arrotos à democracia, à liberdade e aos direitos humanos made in USA.
Ontem, Soares escreveu sobre as eleições legislativas.
Trata-se de um texto de propaganda à política de direita praticada pelo PS/Sócrates.
Assim, começa por garantir
- que «o eleitorado já percebeu que só tem duas alternativas: o PS ou o PSD»;
- que «a escolha é entre o PS (Esquerda democrática) e o PSD (Direita ou Centro-Direita);
- que o resto é tudo «voto de protesto ou voto ideológico-partidário? que não conta para nada;
- que quem não votar no PS/Sócrates está a fazer o jogo da «direita»...
A seguir, Soares desencabresta numa galopada de elogios a Sócrates: à sua «inteligência», à sua «tolerância», à sua «moderação», ao seu «conhecimento da realidade nacional», à sua «combatividade, coragem e determinação», e compara Sócrates, o seu herói nacional, a Obama, o seu herói internacional...
Finalmente, depois de todos estes apelos ao voto no PS/Sócrates, Soares faz o que se julgava impossível nele: superando-se a si próprio em descaro e em desvergonha, termina assim:
«Os leitores sabem que não sou incondicional de ninguém. Nunca fui. Não o sou de Sócrates. Digo-o em consciência e como observador atento e à distância».
Que grande aldrabão! Que grande parlapatão! Que grande pantomineiro!
Que grande!...
POEMA
VIAGEM ATRAVÉS DE UM COMÍCIO
O sol em chapa ou o aperto da sala.
O camarada que fala
a pesar as palavras numa balança de precisão
multiplicada cem mil vezes a atenção.
O comício é muito importante.
Vezes sem conta dissemos PCP.
Comprámos o emblema, o autocolante.
Gritámos as palavars de ordem correctas
e ainda outras que enfim...
A nossa força torna-se evidente, real.
A nossa consciência sabe melhor porquê.
Cantar o «Avante», mesmo desafinado
mas em coro, levanta-nos o moral.
Os camaradas que ficaram de vigilância
aos Centros de Trabalho, aguardam ansiosos
que venha alguém: «Correu tudo bem?
Estava cheio?, Não houve novidade?»
Ouvem tudo, recolhem dos nossos gestos
o eco da alegria. À sua guarda
o Centro de Trabalho é uma enorme colmeia.
Mário Castrim
O sol em chapa ou o aperto da sala.
O camarada que fala
a pesar as palavras numa balança de precisão
multiplicada cem mil vezes a atenção.
O comício é muito importante.
Vezes sem conta dissemos PCP.
Comprámos o emblema, o autocolante.
Gritámos as palavars de ordem correctas
e ainda outras que enfim...
A nossa força torna-se evidente, real.
A nossa consciência sabe melhor porquê.
Cantar o «Avante», mesmo desafinado
mas em coro, levanta-nos o moral.
Os camaradas que ficaram de vigilância
aos Centros de Trabalho, aguardam ansiosos
que venha alguém: «Correu tudo bem?
Estava cheio?, Não houve novidade?»
Ouvem tudo, recolhem dos nossos gestos
o eco da alegria. À sua guarda
o Centro de Trabalho é uma enorme colmeia.
Mário Castrim
A mais bonita Festa!
às nove e meia da manhã aljustrel estava vestida de gala para receber a alegria matinal do manel. o meu amigo aguardava-me com alegria pueril. os seus olhos - velhos e cegos - estavam plenos de luminosidade talvez só explicável pelo reflexo vermelho do nosso sonho comum! a viagem até ao seixal foi feita entre cantorias e animadas conversas, entre amigos que sabiam ser aquele domingo um domingo diferente, mais belo, mais cheio de abril e maio ainda que setembro, mais profundo na funda comoção de dois amigos que rumavam à mais bonita festa do mundo! à entrada, parecia que a cadeira de rodas tinha ganho meia tonelada, de repente, tamanha a ânsia que transportávamos na garganta, de tanto e tanto querer ver, cá de cima, as pessoas, as bandeiras, a beleza de um ideal materializado no trabalho e dedicação que fez erguer - junto com o mais justo ideal - a mais bonita festa do mundo! passeámos, rimos, comovemo-nos juntos. almoçámos junto de milhares e milhares de camaradas. à hora do lanche, juntou-se-nos o meu irmão tiago e um amigo de infância. Logo houve abraços e festas, e o sorriso transbordante do manel, quando nos dizia: vocês são excelentes criaturas! Somos todos manel, meu querido amigo. São assim os comunistas, como bem prova o mais bonito símbolo, prova de união de operários e camponeses. Antes do comício, da grandiosa e fenomenal carvalhesa, o meu irmão, entre duas imperiais, ofereceu-te um pin onde em letras nós materializamos o sonho. PCP. colocaste-o na lapena, no bolso onde, minutos depois, iria habitar o rubro de um cravo! rente à noite comemos uma sopa de peixe em Santarém. quando entrámos para o carro, para o regresso que adiámos enquanto pudemos, disseste-me: antónio, muito obrigado. Devolvendo-te as lágrimas disse-te obrigado eu! muito sinceramente manel, meu amigo lindo e velho, obrigado eu!
esta foi, esta é, a mais bonita festa do mundo!
POEMA
VIAGEM ATRAVÉS DA FESTA
Reivindicamos a alegria.
Reivindicamos as canções de liberdade.
Reivindicamos a música ordenadora do universo.
Reivindicamos as mãos dadas dos amantes.
Reivindicamos o sabor descoberto de todas as coisas.
Reivindicamos as pontes tranquilas.
Reivindicamos a invenção das cidades habitáveis.
Reivindicamos a palavra, o poema, o livro.
Reivindicamos a festa.
Reivindicamos esta arma.
Mário Castrim
Com esta «Viagem através da festa», o Cravo de Abril inicia a publicação de um conjunto de poemas de Mário Castrim, publicados em dois pequenos livros - «Viagens» e «Nome de Flor» - editados por ocasião das Festas do Avante! de 1977 e 1979, por iniciativa da «célula dos trabalhadores da Renascença Gráfica/Diário de Lisboa».
É a nossa homenagem - pequena, modesta, simples, mas feita de muita amizade, camaradagem e admiração e, por isso, nascida no fundo do coração - ao grande escritor, poeta, cronista, homem da cultura e militante comunista que foi o Mário Castrim.
Reivindicamos a alegria.
Reivindicamos as canções de liberdade.
Reivindicamos a música ordenadora do universo.
Reivindicamos as mãos dadas dos amantes.
Reivindicamos o sabor descoberto de todas as coisas.
Reivindicamos as pontes tranquilas.
Reivindicamos a invenção das cidades habitáveis.
Reivindicamos a palavra, o poema, o livro.
Reivindicamos a festa.
Reivindicamos esta arma.
Mário Castrim
Com esta «Viagem através da festa», o Cravo de Abril inicia a publicação de um conjunto de poemas de Mário Castrim, publicados em dois pequenos livros - «Viagens» e «Nome de Flor» - editados por ocasião das Festas do Avante! de 1977 e 1979, por iniciativa da «célula dos trabalhadores da Renascença Gráfica/Diário de Lisboa».
É a nossa homenagem - pequena, modesta, simples, mas feita de muita amizade, camaradagem e admiração e, por isso, nascida no fundo do coração - ao grande escritor, poeta, cronista, homem da cultura e militante comunista que foi o Mário Castrim.
FOI BONITA A FESTA, PÁ!
Pode dizer-se, mesmo - e sem receio de errar - que foi a mais bonita e a maior de sempre.
E também sem receio de errar, pode dizer-se que mais bonita e maior do que a Festa do Avante!/2009, só... a Festa do Avante!/2010.
Quem lá esteve, viu como foi.
Quem lá não esteve, e tenha procurado saber, pelos jornais (Público, Diário de Notícias, Jornal de Notícias e Correio da Manhã) o que foi a Festa, saberá apenas que a Festa do Avante! foi... um local onde o secretário-geral do PCP fez dois discursos, um na abertura outro no encerramento.
E mesmo sobre esses discursos - aos quais é dado, regra geral, muito menos espaço do que aos comícios do PS, do CDS e do BE - ficar-se-á a saber que, no de abertura, estavam «centenas de pessoas empunhando bandeiras do PCP e da CDU» e que, no de encerramento, «a multidão que encheu o campo defronte do Palco 25 de Abril reagiu obedientemente às palavras de Jerónimo de Sousa»...
Sobre a Festa do Avante! - a Gala da Ópera, os espectáculos diversificados realizados nos diversos palcos, a Exposição de Artes Plásticas, o Teatro, as actividades desportivas, os debates, as exposições, a alegria, o ambiente de convívio a confirmar que «a Festa do Avante! é o espaço com maior índice de fraternidade por metro quadrado existente em Portugal»... sobre isso, nada disseram os referidos jornais, remetendo-se a um silêncio tão unânime que dir-se-ia ter sido decidido por um qualquer serviço de censura...
Silenciando assim o maior acontecimento político, cultural, artístico, convivial, de massas realizado no nosso País, esses jornais - cujos directores não se cansam de exaltar a «liberdade de informação» existente... - exibiram a sua verdadeira dimensão enquanto órgãos de informação.
Mas, para raiva deles, foi bonita a Festa, pá!
E também sem receio de errar, pode dizer-se que mais bonita e maior do que a Festa do Avante!/2009, só... a Festa do Avante!/2010.
Quem lá esteve, viu como foi.
Quem lá não esteve, e tenha procurado saber, pelos jornais (Público, Diário de Notícias, Jornal de Notícias e Correio da Manhã) o que foi a Festa, saberá apenas que a Festa do Avante! foi... um local onde o secretário-geral do PCP fez dois discursos, um na abertura outro no encerramento.
E mesmo sobre esses discursos - aos quais é dado, regra geral, muito menos espaço do que aos comícios do PS, do CDS e do BE - ficar-se-á a saber que, no de abertura, estavam «centenas de pessoas empunhando bandeiras do PCP e da CDU» e que, no de encerramento, «a multidão que encheu o campo defronte do Palco 25 de Abril reagiu obedientemente às palavras de Jerónimo de Sousa»...
Sobre a Festa do Avante! - a Gala da Ópera, os espectáculos diversificados realizados nos diversos palcos, a Exposição de Artes Plásticas, o Teatro, as actividades desportivas, os debates, as exposições, a alegria, o ambiente de convívio a confirmar que «a Festa do Avante! é o espaço com maior índice de fraternidade por metro quadrado existente em Portugal»... sobre isso, nada disseram os referidos jornais, remetendo-se a um silêncio tão unânime que dir-se-ia ter sido decidido por um qualquer serviço de censura...
Silenciando assim o maior acontecimento político, cultural, artístico, convivial, de massas realizado no nosso País, esses jornais - cujos directores não se cansam de exaltar a «liberdade de informação» existente... - exibiram a sua verdadeira dimensão enquanto órgãos de informação.
Mas, para raiva deles, foi bonita a Festa, pá!
POEMA
LETREIRO
Porque não sei mentir,
não vos engano:
nasci subversivo.
A começar por mim - meu principal motivo
de insatisfação -,
diante de qualquer adoração,
ajuízo.
Não me sei conformar.
E saio, antes de entrar,
de cada paraíso.
Miguel Torga
Porque não sei mentir,
não vos engano:
nasci subversivo.
A começar por mim - meu principal motivo
de insatisfação -,
diante de qualquer adoração,
ajuízo.
Não me sei conformar.
E saio, antes de entrar,
de cada paraíso.
Miguel Torga
TRAZER A VERDADE AO DE CIMA
Por uma vez, Sócrates falou verdade!
Disse ele, citado pelo Correio da Manhã: «A verdade vem sempre ao de cima».
Assim é, de facto: pode demorar tempo, às vezes tanto tempo que há quem desespere com os avanços da mentira e desista de lutar pela verdade - mas a verdade é que a verdade, mais tarde ou mais cedo, acaba (ou acabará) por triunfar.
Assim, por exemplo, à mentira dos «avanços sociais» anunciados por Sócrates e pelos seus propagandistas, responde a verdade exibindo crescentes retrocessos sociais que atingem a imensa maioria dos portugueses.
À mentira sobre as promessas de emprego («150 mil», lembram-se?) e sobre a evolução do número de desempregados («o desemprego baixou», lembram-se?) responde a verdade, inequívoca, mostrando que o número de desempregados é, hoje, o mais elevado desde o 25 de Abril: 635 mil - e à mentira que propala um número bastante inferior a esse, responde a verdade esclarecendo que «as estatísticas oficiais ignoram 125 mil desempregados».
E ainda em matéria de «avanços sociais», à mentira de Sócrates responde a verdade com a informação de que 230 mil desses desempregados (metade dos existentes) não recebe qualquer subsídio.
É claro que desmascarar a mentira, sendo importante, não é suficiente para mudar as coisas: é necessário que a verdade triunfe plenamente, que os fazedores da mentira e a política com que há 33 vêm devastando o País, sejam substituídos por quem fala verdade e contrapõe a essa política de direita uma política alternativa - de esquerda, portanto.
E é bem possível que no próximo dia 27, o eleitorado dê um significativo passo em frente nesse sentido: trazendo a verdade ao de cima e começando a correr com a cambada que há 33 anos se alimenta e vive â custa da mentira.
Disse ele, citado pelo Correio da Manhã: «A verdade vem sempre ao de cima».
Assim é, de facto: pode demorar tempo, às vezes tanto tempo que há quem desespere com os avanços da mentira e desista de lutar pela verdade - mas a verdade é que a verdade, mais tarde ou mais cedo, acaba (ou acabará) por triunfar.
Assim, por exemplo, à mentira dos «avanços sociais» anunciados por Sócrates e pelos seus propagandistas, responde a verdade exibindo crescentes retrocessos sociais que atingem a imensa maioria dos portugueses.
À mentira sobre as promessas de emprego («150 mil», lembram-se?) e sobre a evolução do número de desempregados («o desemprego baixou», lembram-se?) responde a verdade, inequívoca, mostrando que o número de desempregados é, hoje, o mais elevado desde o 25 de Abril: 635 mil - e à mentira que propala um número bastante inferior a esse, responde a verdade esclarecendo que «as estatísticas oficiais ignoram 125 mil desempregados».
E ainda em matéria de «avanços sociais», à mentira de Sócrates responde a verdade com a informação de que 230 mil desses desempregados (metade dos existentes) não recebe qualquer subsídio.
É claro que desmascarar a mentira, sendo importante, não é suficiente para mudar as coisas: é necessário que a verdade triunfe plenamente, que os fazedores da mentira e a política com que há 33 vêm devastando o País, sejam substituídos por quem fala verdade e contrapõe a essa política de direita uma política alternativa - de esquerda, portanto.
E é bem possível que no próximo dia 27, o eleitorado dê um significativo passo em frente nesse sentido: trazendo a verdade ao de cima e começando a correr com a cambada que há 33 anos se alimenta e vive â custa da mentira.
POEMA
A BANDEIRA COMUNISTA
Foi como se não bastasse
tudo quanto nos fizeram
como se não lhes chegasse
todo o sangue que beberam
como se o ódio fartasse
apenas os que sofreram
como se a luta de classe
não fosse dos que a moveram.
Foi como se as mãos partidas
ou as unhas arrancadas
fossem outras tantas vidas
outra vez incendiadas.
À voz de anticomunista
o patrão surgiu de novo
e com a miséria à vista
tentou dividir o povo.
E falou à multidão
tal como estava previsto
usando sem ter razão
falsa ideia de Cristo.
Pois quando o povo é cristão
também luta ao nosso lado
nós repartimos o pão
não temos o pão guardado.
Por isso quando os burgueses
nos quiserem destruir
encontram os portugueses
que souberam resistir.
E a cada novo assalto
cada escalada fascista
subirá sempre mais alto
a bandeira comunista.
José Carlos Ary dos Santos
Foi como se não bastasse
tudo quanto nos fizeram
como se não lhes chegasse
todo o sangue que beberam
como se o ódio fartasse
apenas os que sofreram
como se a luta de classe
não fosse dos que a moveram.
Foi como se as mãos partidas
ou as unhas arrancadas
fossem outras tantas vidas
outra vez incendiadas.
À voz de anticomunista
o patrão surgiu de novo
e com a miséria à vista
tentou dividir o povo.
E falou à multidão
tal como estava previsto
usando sem ter razão
falsa ideia de Cristo.
Pois quando o povo é cristão
também luta ao nosso lado
nós repartimos o pão
não temos o pão guardado.
Por isso quando os burgueses
nos quiserem destruir
encontram os portugueses
que souberam resistir.
E a cada novo assalto
cada escalada fascista
subirá sempre mais alto
a bandeira comunista.
José Carlos Ary dos Santos
O MAIS BELO DE TODOS OS IDEAIS
Os militantes comunistas foram - são - sempre os alvos preferenciais da repressão capitalista. É assim em todo o mundo.
Em Portugal, a repressão aos comunistas começou logo que o Partido foi criado, em 1921.
Assumindo proporções maiores e mais graves no quase meio século de ditadura fascista, há sinais bem visíveis da repressão na acção anti-operária dos governos republicanos, que funcionavam, aliás, como autênticos conselhos de administração dos interesses do grande capital de então.
Nesses anos da Iª República, que antecederam a instauração da ditadura fascista, muitos foram os militantes comunistas presos, nalguns casos deportados sem julgamento para as colónias, noutros casos assassinados.
O registo das primeiras prisões de comunistas portugueses remonta precisamente ao dia 1 de Setembro de 1921 - faz hoje 88 anos.
Foi em Lisboa.
Nesse dia - então Dia Mundial da Juventude - a organização da Juventude Comunista, recentemente criada, promoveu uma colagem de cartazes alusivos à data, nas ruas e fábricas da capital.
12 desses jovens comunistas foram presos na zona de Alcântara e enviados para a Cadeia do Limoeiro e para o Forte de São Julião da Barra.
Foram eles, tanto quanto se sabe, os primeiros militantes comunistas portugueses a ser presos.
Por isso o Cravo de Abril os homenageia hoje - recordando o acontecimento e divulgando os seus nomes:
ARMANDO DOS SANTOS
ARMANDO RAMOS
GUILHERME DE CASTRO
JOAQUIM JOSÉ GODINHO
JOAQUIM RODRIGUES
JORGE DA SILVA PINHEIRO
JOSÉ MADEIRA RODRIGUES
MANUEL DA SILVA COSTA
MANUEL FRANCISCO ROQUE JÚNIOR
SEBASTIÃO LOURENÇO
JOSÉ DE SOUSA
MATIAS JOSÉ SEQUEIRA.
Certamente haverá diferenças várias entre os jovens que hoje integram a JCP e esses jovens que há 88 anos foram presos.
Há, no entanto - seguramente - uma característica comum a todos eles: é que os jovens presos em 1921 e os jovens que 88 anos depois dão continuidade à luta então iniciada, eram - são - todos eles, portadores do mesmo ideal de liberdade, de justiça social, de paz, de solidariedade, de fraternidade, de camaradagem, de amizade - o mais justo, o mais humano, o mais belo de todos os ideais: o ideal comunista.
E é nesse ideal que residia - há 88 anos; que reside - hoje; e que residirá - amanhã - a fonte de força essencial que há-de construir o mundo novo a que a Humanidade tem direito - um mundo liberto de todas as formas de opressão e de exploração.
Em Portugal, a repressão aos comunistas começou logo que o Partido foi criado, em 1921.
Assumindo proporções maiores e mais graves no quase meio século de ditadura fascista, há sinais bem visíveis da repressão na acção anti-operária dos governos republicanos, que funcionavam, aliás, como autênticos conselhos de administração dos interesses do grande capital de então.
Nesses anos da Iª República, que antecederam a instauração da ditadura fascista, muitos foram os militantes comunistas presos, nalguns casos deportados sem julgamento para as colónias, noutros casos assassinados.
O registo das primeiras prisões de comunistas portugueses remonta precisamente ao dia 1 de Setembro de 1921 - faz hoje 88 anos.
Foi em Lisboa.
Nesse dia - então Dia Mundial da Juventude - a organização da Juventude Comunista, recentemente criada, promoveu uma colagem de cartazes alusivos à data, nas ruas e fábricas da capital.
12 desses jovens comunistas foram presos na zona de Alcântara e enviados para a Cadeia do Limoeiro e para o Forte de São Julião da Barra.
Foram eles, tanto quanto se sabe, os primeiros militantes comunistas portugueses a ser presos.
Por isso o Cravo de Abril os homenageia hoje - recordando o acontecimento e divulgando os seus nomes:
ARMANDO DOS SANTOS
ARMANDO RAMOS
GUILHERME DE CASTRO
JOAQUIM JOSÉ GODINHO
JOAQUIM RODRIGUES
JORGE DA SILVA PINHEIRO
JOSÉ MADEIRA RODRIGUES
MANUEL DA SILVA COSTA
MANUEL FRANCISCO ROQUE JÚNIOR
SEBASTIÃO LOURENÇO
JOSÉ DE SOUSA
MATIAS JOSÉ SEQUEIRA.
Certamente haverá diferenças várias entre os jovens que hoje integram a JCP e esses jovens que há 88 anos foram presos.
Há, no entanto - seguramente - uma característica comum a todos eles: é que os jovens presos em 1921 e os jovens que 88 anos depois dão continuidade à luta então iniciada, eram - são - todos eles, portadores do mesmo ideal de liberdade, de justiça social, de paz, de solidariedade, de fraternidade, de camaradagem, de amizade - o mais justo, o mais humano, o mais belo de todos os ideais: o ideal comunista.
E é nesse ideal que residia - há 88 anos; que reside - hoje; e que residirá - amanhã - a fonte de força essencial que há-de construir o mundo novo a que a Humanidade tem direito - um mundo liberto de todas as formas de opressão e de exploração.
POEMA
(-Concerto nº 4» de Paganini.
Espectáculo em que a peça principal foi
a «música concreta» das palmas)
O arco
do violinista
apareceu de súbito enfeitado
com fitas, bandeirinhas, cores de música,
laços, harmónicas, faúlhas...
E entre foguetes de pizzicatos
e apoteoses de faíscas
romperam dos subterrâneos da rabeca,
enroladas em serpentinas
de carnaval,
pombas com caudas em leque
e aplausos nos bicos
misturados com suor e cabelos
de acorde perfeito
final.
(bravo! Bravo! Bis!)
José Gomes Ferreira
Espectáculo em que a peça principal foi
a «música concreta» das palmas)
O arco
do violinista
apareceu de súbito enfeitado
com fitas, bandeirinhas, cores de música,
laços, harmónicas, faúlhas...
E entre foguetes de pizzicatos
e apoteoses de faíscas
romperam dos subterrâneos da rabeca,
enroladas em serpentinas
de carnaval,
pombas com caudas em leque
e aplausos nos bicos
misturados com suor e cabelos
de acorde perfeito
final.
(bravo! Bravo! Bis!)
José Gomes Ferreira
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