POEMA
Cantaremos o desencontro:
o limiar e o linear perdidos
Cantaremos o desencontro:
a vida errada num país errado
Novos ratos mostram a avidez antiga
Sophia de Mello Breyner Andresen
A FARSA CONTINUA
Desculpem a insistência, mas é minha opinião que nunca é demais denunciar o papel desempenhado pelos média dominantes na desinformação organizada ao serviço dos interesses do grande capital.
Ontem, deixei aqui alguns exemplos da farsa informativa em torno das eleições iranianas.
Hoje, é necessário dizer que a farsa continua - e que, pela forma como está a decorrer, é bem possível que estejamos perante uma daquelas operações em que o imperialismo norte-americano e os seus vassalos são especialistas.
Senão, vejamos:
Numa primeira fase, os média espalharam a ideia de que Ahmadinejad ia ser derrotado. A ideia era fundamentada nos resultados de vária sondagens - e, certamente, no facto de Obama, numa atitude de inédito desaforo, ter feito apelo público ao voto na «mudança», isto é contra Ahmadinejad...
Contados os votos, e sendo clara a vitória de Ahmadinejad, os média espalharam a ideia de que as eleições foram (ou talvez tivessem sido...) fraudulentas - pelo que era mais do que legítimo contestá-las recorrendo a todos os métodos possíveis.
E lá surgiram, no momento próprio, os contestários: 2000 no cumprimento da democrática tarefa de «incendiar automóveis, autocarros e pneus; de gritar «morte ao ditador!» e de atirar pedras aos polícias». 2000: a «multidão» que, segundo os média, enchia as ruas de Teerão», num poderoso «levantamento popular»... - «brutalmente reprimidos à bastonada e com gases lacrimogénios» e impedidos, assim, de concretizar a tal democrática e incendiária tarefa...
E lá surgiram os iranianos professores em universidades dos EUA, entrevistados pelos média para dizerem coisas do género: «nunca duvidei de que Ahmadinejad venceria, mas não esperava uma tão avassaladora maioria», por isso - porque «não esperava»... - «este universo de eleitores só pode ter sido conseguido com fraude»...
E lá surgiram os inevitáveis chefes de Estado do costume, todos repetindo as «preocupações» do governo dos EUA em relação à «repressão» - «preocupações» que atormentam o vice-presidente Joe Biden, pobre do homem, que nem dorme a pensar «na forma como eles reprimem a liberdade de expressão, no modo como reprimem a multidão, na maneira como as pessoas são tratadas»...
E aí estão todos - governo dos EUA, chefes dos Estados vassalos, professores em universidades dos EUA... - a repetir, a repetir, a repetir, para que os média difundam que:
Teerão é, «até agora», a única cidade em que os contestários sairam às ruas...
Este «até agora», expressa um claro sentimento de frustração (de quem contava com contestatários em todas as cidades...) e uma esperança em que os contestários prometidos apareçam nas outras cidades....
Assim como quem diz, irritado: se tudo estava programado para que a contestação fosse generalizada e massiva, de forma a que a «mudança» acontecesse - como o Presidente Obama desejava - por que raio é que só aparecem estes dois mil e só em Teerão?...
Aguardemos para ver se a contestação generalizada e massiva acontece...
Ou - o que, bem vistas as coisas, é o mesmo - se o «mundo» responde ao lancinante apelo de Reza Pahlavi, filho do último Xá e exilado nos EUA: «Já é tempo de os meus compatriotas serem apoiados mundialmente no seu combate pela liberdade, pelos direitos humanos e pela democracia»....
Ontem, deixei aqui alguns exemplos da farsa informativa em torno das eleições iranianas.
Hoje, é necessário dizer que a farsa continua - e que, pela forma como está a decorrer, é bem possível que estejamos perante uma daquelas operações em que o imperialismo norte-americano e os seus vassalos são especialistas.
Senão, vejamos:
Numa primeira fase, os média espalharam a ideia de que Ahmadinejad ia ser derrotado. A ideia era fundamentada nos resultados de vária sondagens - e, certamente, no facto de Obama, numa atitude de inédito desaforo, ter feito apelo público ao voto na «mudança», isto é contra Ahmadinejad...
Contados os votos, e sendo clara a vitória de Ahmadinejad, os média espalharam a ideia de que as eleições foram (ou talvez tivessem sido...) fraudulentas - pelo que era mais do que legítimo contestá-las recorrendo a todos os métodos possíveis.
E lá surgiram, no momento próprio, os contestários: 2000 no cumprimento da democrática tarefa de «incendiar automóveis, autocarros e pneus; de gritar «morte ao ditador!» e de atirar pedras aos polícias». 2000: a «multidão» que, segundo os média, enchia as ruas de Teerão», num poderoso «levantamento popular»... - «brutalmente reprimidos à bastonada e com gases lacrimogénios» e impedidos, assim, de concretizar a tal democrática e incendiária tarefa...
E lá surgiram os iranianos professores em universidades dos EUA, entrevistados pelos média para dizerem coisas do género: «nunca duvidei de que Ahmadinejad venceria, mas não esperava uma tão avassaladora maioria», por isso - porque «não esperava»... - «este universo de eleitores só pode ter sido conseguido com fraude»...
E lá surgiram os inevitáveis chefes de Estado do costume, todos repetindo as «preocupações» do governo dos EUA em relação à «repressão» - «preocupações» que atormentam o vice-presidente Joe Biden, pobre do homem, que nem dorme a pensar «na forma como eles reprimem a liberdade de expressão, no modo como reprimem a multidão, na maneira como as pessoas são tratadas»...
E aí estão todos - governo dos EUA, chefes dos Estados vassalos, professores em universidades dos EUA... - a repetir, a repetir, a repetir, para que os média difundam que:
Teerão é, «até agora», a única cidade em que os contestários sairam às ruas...
Este «até agora», expressa um claro sentimento de frustração (de quem contava com contestatários em todas as cidades...) e uma esperança em que os contestários prometidos apareçam nas outras cidades....
Assim como quem diz, irritado: se tudo estava programado para que a contestação fosse generalizada e massiva, de forma a que a «mudança» acontecesse - como o Presidente Obama desejava - por que raio é que só aparecem estes dois mil e só em Teerão?...
Aguardemos para ver se a contestação generalizada e massiva acontece...
Ou - o que, bem vistas as coisas, é o mesmo - se o «mundo» responde ao lancinante apelo de Reza Pahlavi, filho do último Xá e exilado nos EUA: «Já é tempo de os meus compatriotas serem apoiados mundialmente no seu combate pela liberdade, pelos direitos humanos e pela democracia»....
CHE
Se fosse vivo, faria hoje 81 anos.
Se fosse vivo, continuaria a ocupar a primeira fila da luta contra «o inimigo número um da humanidade: o imperialismo norte-americano».
Se fosse vivo, continuaria a ocupar a primeira fila da luta por uma sociedade sem exploradores nem explorados.
Por isso, o seu exemplo é uma referência para milhões de homens, mulheres e jovens que, em todo o planeta, continuam a sua luta - até à vitória final.
CHE
Che, tu conheces tudo,
as voltas da Sierra,
a asma na erva fria,
a tribuna
as ondas da noite
até como se fazem
os frutos e os bois se jungem.
Não é que eu queira dar-te
caneta por pistola
mas o poeta és tu.
Miguel Barnet
ELEGIA DAS ÁGUAS NEGRAS PARA CHE GUEVARA
Atado ao silêncio, o coração ainda
pesado de amor, jazes de perfil,
escutando, por assim dizer, as águas
negras da nossa aflição.
Pálidas vozes procuram-te na bruma;
de prado em prado procuram
um potro, a palmeira mais alta
sobre o lago, um barco talvez
ou o mel entornado da nossa alegria.
Olhos apertados pelo medo
aguardam na noite o sol onde cresces,
onde te confundes com os ramos
de sangue do verão ou o rumor
dos pés brancos da chuva nas areias.
A palavra, como tu dizias, chega
húmida dos bosques: temos que semeá-la;
chega húmida da terra: temos que defendê-la;
chega com as andorinhas
que a beberam sílaba a sílaba na tua boca.
Cada palavra tua é um homem de pé,
cada palavra tua faz do orvalho uma faca,
faz do ódio um vinho inocente
para bebermos contigo
no coração em redor do fogo.
Eugénio de Andrade
Se fosse vivo, continuaria a ocupar a primeira fila da luta contra «o inimigo número um da humanidade: o imperialismo norte-americano».
Se fosse vivo, continuaria a ocupar a primeira fila da luta por uma sociedade sem exploradores nem explorados.
Por isso, o seu exemplo é uma referência para milhões de homens, mulheres e jovens que, em todo o planeta, continuam a sua luta - até à vitória final.
CHE
Che, tu conheces tudo,
as voltas da Sierra,
a asma na erva fria,
a tribuna
as ondas da noite
até como se fazem
os frutos e os bois se jungem.
Não é que eu queira dar-te
caneta por pistola
mas o poeta és tu.
Miguel Barnet
ELEGIA DAS ÁGUAS NEGRAS PARA CHE GUEVARA
Atado ao silêncio, o coração ainda
pesado de amor, jazes de perfil,
escutando, por assim dizer, as águas
negras da nossa aflição.
Pálidas vozes procuram-te na bruma;
de prado em prado procuram
um potro, a palmeira mais alta
sobre o lago, um barco talvez
ou o mel entornado da nossa alegria.
Olhos apertados pelo medo
aguardam na noite o sol onde cresces,
onde te confundes com os ramos
de sangue do verão ou o rumor
dos pés brancos da chuva nas areias.
A palavra, como tu dizias, chega
húmida dos bosques: temos que semeá-la;
chega húmida da terra: temos que defendê-la;
chega com as andorinhas
que a beberam sílaba a sílaba na tua boca.
Cada palavra tua é um homem de pé,
cada palavra tua faz do orvalho uma faca,
faz do ódio um vinho inocente
para bebermos contigo
no coração em redor do fogo.
Eugénio de Andrade
A BANDALHEIRA DO COSTUME
Obviamente, o «Ocidente» e os «média do Ocidente» não gostaram do resultado das eleições no Irão.
Por isso, à sua maneira, reagem como reagiram alguns apoiantes do candidato derrotado: indo para a rua incendiar e destruir tudo o que puderam...
Eis alguns títulos do Público e do Diário de Notícias:
«Teerão em fúria»; «Uma vaga de protestos»; «Contestação desce à rua»; «Motins nas ruas»; «As ruas de Teerão foram tomadas por protestos».
Pelas «reportagens» ficamos a saber que os manifestantes - «alguns milhares», segundo o DN - desceram à rua e «incendiaram pneus, motorizadas, caixotes do lixo», e atiraram «pedras contra os agentes».
E diz o Público que, «à hora a que estavam a ser anunciados os resultados oficiais, a polícia carregava sobre os mais de dois mil manifestantes - quase todos jovens - que tinham ocupado a Praça Vanak».
São evidentes as simpatias do DN e do Público pelos jovens incendiários, e o desejo e a esperança que têm em que aos dois mil se juntem mais, muitos mais, e façam... o que se espera deles...
Sobre a participação do eleitorado e os resultados, o pitoresco Público saiu-se com esta pérola analítica: «Umas eleições que foram as mais participadas de sempre, com uma taxa de 85 por cento, mas nas quais Ahmadinejad só recolheu um pouco mais de 62 por cento dos votos»!!!
Sublinhe-se que o Público, sempre demonstrando a sua isenção, imparcialidade e seriedade informativas, quando se refere a Ahmadinajed designa-o, regra geral, por «o ultraconservador»...
E é também pelo Público que ficamos a saber que o que o New York Times e o Los Angeles Times dizem sobre o assunto - e o que dizem é, no essencial, o mesmo que o Público diz...
E, ainda pelo Público, ficamos a saber que os «especialistas do costume» - isto é, os propagandistas do imperialismo norte-americano - dizem que estão satisfeitos com os «motins», mas querem mais, muito mais... e que esperam mais, muito mais, porque «o potencial para a agitação é elevado»...
De resto, continua a informar o prestimoso Público, «o Ocidente está a acompanhar a situação».
Obama, no próprio dia das eleições e quando a votação estava em curso - disse:
«Nós tentámos fazer passar a mensagem de que as eleições são sempre uma possibilidade de mudança».
E, porque afinal não houve «mudança», a Clinton já veio dizer que «os EUA estão a seguir muito de perto os últimos desenvolvimentos no Irão»... («os último desenvolvimentos», ou seja: os motins... que, ao que parece, até agora não foram tão participados como se esperava - e como a «mudança» exigia...)
Quanto ao governo francês, diz que «tomou nota dos resultados anunciados e da contestação».
Quanto ao governo britânico, diz que «está a seguir com atenção a situação na capital iraniana».
Quanto ao governo do Canadá, diz que «está extremamente preocupado com a informação sobre irregulariadades e com os actos de intimidação que se lhe seguiram».
Três formas de dizer que, tal como a Clinton, estão a «seguir muito de perto os últimos desenvolvimentos»...
E prontos para o que for necessário e possível...
E criando as condições para fazer o que for necessário e possível - como se vê pela divulgação de uma sondagem de última hora que garante que «75% dos iranianos querem retomar as relações com os EUA»...
Enfim, a bandalheira do costume - com os perigos que, normalmente, a acompanham.
Por isso, à sua maneira, reagem como reagiram alguns apoiantes do candidato derrotado: indo para a rua incendiar e destruir tudo o que puderam...
Eis alguns títulos do Público e do Diário de Notícias:
«Teerão em fúria»; «Uma vaga de protestos»; «Contestação desce à rua»; «Motins nas ruas»; «As ruas de Teerão foram tomadas por protestos».
Pelas «reportagens» ficamos a saber que os manifestantes - «alguns milhares», segundo o DN - desceram à rua e «incendiaram pneus, motorizadas, caixotes do lixo», e atiraram «pedras contra os agentes».
E diz o Público que, «à hora a que estavam a ser anunciados os resultados oficiais, a polícia carregava sobre os mais de dois mil manifestantes - quase todos jovens - que tinham ocupado a Praça Vanak».
São evidentes as simpatias do DN e do Público pelos jovens incendiários, e o desejo e a esperança que têm em que aos dois mil se juntem mais, muitos mais, e façam... o que se espera deles...
Sobre a participação do eleitorado e os resultados, o pitoresco Público saiu-se com esta pérola analítica: «Umas eleições que foram as mais participadas de sempre, com uma taxa de 85 por cento, mas nas quais Ahmadinejad só recolheu um pouco mais de 62 por cento dos votos»!!!
Sublinhe-se que o Público, sempre demonstrando a sua isenção, imparcialidade e seriedade informativas, quando se refere a Ahmadinajed designa-o, regra geral, por «o ultraconservador»...
E é também pelo Público que ficamos a saber que o que o New York Times e o Los Angeles Times dizem sobre o assunto - e o que dizem é, no essencial, o mesmo que o Público diz...
E, ainda pelo Público, ficamos a saber que os «especialistas do costume» - isto é, os propagandistas do imperialismo norte-americano - dizem que estão satisfeitos com os «motins», mas querem mais, muito mais... e que esperam mais, muito mais, porque «o potencial para a agitação é elevado»...
De resto, continua a informar o prestimoso Público, «o Ocidente está a acompanhar a situação».
Obama, no próprio dia das eleições e quando a votação estava em curso - disse:
«Nós tentámos fazer passar a mensagem de que as eleições são sempre uma possibilidade de mudança».
E, porque afinal não houve «mudança», a Clinton já veio dizer que «os EUA estão a seguir muito de perto os últimos desenvolvimentos no Irão»... («os último desenvolvimentos», ou seja: os motins... que, ao que parece, até agora não foram tão participados como se esperava - e como a «mudança» exigia...)
Quanto ao governo francês, diz que «tomou nota dos resultados anunciados e da contestação».
Quanto ao governo britânico, diz que «está a seguir com atenção a situação na capital iraniana».
Quanto ao governo do Canadá, diz que «está extremamente preocupado com a informação sobre irregulariadades e com os actos de intimidação que se lhe seguiram».
Três formas de dizer que, tal como a Clinton, estão a «seguir muito de perto os últimos desenvolvimentos»...
E prontos para o que for necessário e possível...
E criando as condições para fazer o que for necessário e possível - como se vê pela divulgação de uma sondagem de última hora que garante que «75% dos iranianos querem retomar as relações com os EUA»...
Enfim, a bandalheira do costume - com os perigos que, normalmente, a acompanham.
POEMA
VOSSOS NOMES
No chumbo, no terror, na morte, com sangue escrevo,
Alfredo e Catarina,
vossos nomes.
Na pedra, no ácido, neste branco muro escrevo,
Humberto e Militão,
vossos nomes.
Nas trevas, no medo, na raiz da aurora, escrevo,
Maria e Lourenço,
vossos nomes.
No sonho, nos ventos, na flor do trigo escrevo,
Pedro e Guilherme,
vossos nomes.
No aço das duras tarefas, no relâmpago escrevo,
Álvaro e Rui,
vossos nomes.
No amor, na cólera, na fome desta ave escrevo,
Virgínia e António,
vossos nomes.
No sol que levamos, na verde esperança escrevo,
Paula e Dinis,
vossos nomes.
No riso, nas lágrimas, no coração da pátria escrevo
e semeio
vossos nomes.
No ventre em flor da minha amada semeio, escrevo
e multiplico
vossos nomes.
Papiniano Carlos
No chumbo, no terror, na morte, com sangue escrevo,
Alfredo e Catarina,
vossos nomes.
Na pedra, no ácido, neste branco muro escrevo,
Humberto e Militão,
vossos nomes.
Nas trevas, no medo, na raiz da aurora, escrevo,
Maria e Lourenço,
vossos nomes.
No sonho, nos ventos, na flor do trigo escrevo,
Pedro e Guilherme,
vossos nomes.
No aço das duras tarefas, no relâmpago escrevo,
Álvaro e Rui,
vossos nomes.
No amor, na cólera, na fome desta ave escrevo,
Virgínia e António,
vossos nomes.
No sol que levamos, na verde esperança escrevo,
Paula e Dinis,
vossos nomes.
No riso, nas lágrimas, no coração da pátria escrevo
e semeio
vossos nomes.
No ventre em flor da minha amada semeio, escrevo
e multiplico
vossos nomes.
Papiniano Carlos
O CHEFE É QUE MANDA!
Diz o Diário de Notícias de hoje que «Manuela Ferreira Leite volta a escolher as listas sozinha».
Assim é que é!
A chefe é que manda. Sozinha.
A chefe é que decide. Sozinha.
E viva a democracia interna do partido!
A notícia não surpreende. Aliás, aquele «volta a escolher» é por demais elucidativo do que a casa gasta - a confirmar que sempre assim foi no passado deste partido e sempre assim será no seu futuro.
E o mesmo pode dizer-se de todos os partidos burgueses - todos praticantes de uma «democracia interna» assente num férreo centralismo antidemocrático - nos quais às bases partidárias está distribuído o papel de espectadoras e... O CHEFE É QUE MANDA!.
Por isso os propagandistas da ideologia dominante lhes chamam «partidos democráticos»...
E é esse conceito de democracia partidária interna que leva esses mesmos propagandistas a classificar o PCP como partido «não democrático» ou «antidemocrático» - porque, no PCP, os militantes de base desempenham um papel crucial na definição das orientações do Partido e na aplicação dessas orientações; porque, no PCP, o centralismo é democrático; porque no PCP o colectivo é quem mais ordena; porque, no PCP, o funcionamento democrático interno é uma fonte de força essencial do Partido.
(Digam lá se passa pela cabeça de alguém ver num jornal uma notícia assim: «Jerónimo de Sousa escolhe as listas sozinho»? Absurdo, não é?
E digam lá em que outro partido é que isso seria absurdo?...)
Assim é que é!
A chefe é que manda. Sozinha.
A chefe é que decide. Sozinha.
E viva a democracia interna do partido!
A notícia não surpreende. Aliás, aquele «volta a escolher» é por demais elucidativo do que a casa gasta - a confirmar que sempre assim foi no passado deste partido e sempre assim será no seu futuro.
E o mesmo pode dizer-se de todos os partidos burgueses - todos praticantes de uma «democracia interna» assente num férreo centralismo antidemocrático - nos quais às bases partidárias está distribuído o papel de espectadoras e... O CHEFE É QUE MANDA!.
Por isso os propagandistas da ideologia dominante lhes chamam «partidos democráticos»...
E é esse conceito de democracia partidária interna que leva esses mesmos propagandistas a classificar o PCP como partido «não democrático» ou «antidemocrático» - porque, no PCP, os militantes de base desempenham um papel crucial na definição das orientações do Partido e na aplicação dessas orientações; porque, no PCP, o centralismo é democrático; porque no PCP o colectivo é quem mais ordena; porque, no PCP, o funcionamento democrático interno é uma fonte de força essencial do Partido.
(Digam lá se passa pela cabeça de alguém ver num jornal uma notícia assim: «Jerónimo de Sousa escolhe as listas sozinho»? Absurdo, não é?
E digam lá em que outro partido é que isso seria absurdo?...)
POEMA
EPIGRAMA
Há só mar no meu País.
Não há terra que dê pão:
mata-me de fome
a doce ilusão
de frutos como o sol.
Uma onda, outra onda,
o ritmo das ondas me embalou.
Há só mar no meu País:
e é ele quem diz,
é ele quem sou.
Afonso Duarte
Há só mar no meu País.
Não há terra que dê pão:
mata-me de fome
a doce ilusão
de frutos como o sol.
Uma onda, outra onda,
o ritmo das ondas me embalou.
Há só mar no meu País:
e é ele quem diz,
é ele quem sou.
Afonso Duarte
A GRANDE QUESTÃO
O futebolista Cristiano Ronaldo foi comprado pelo Real Madrid, onde ficará a ganhar 30 mil euros por dia (segundo o Público) ou 25 mil euros por dia (segundo o Diário de Notícias).
É evidente que esta diferença de cinco mil euros/dia é irrisória: para o caso, mais cinco mil menos cinco mil não aquenta nem arrefenta.
Todavia, essa diferença, esses mais (ou menos) cinco mil euros/dia de Ronaldo, adquirem uma nova significância se os compararmos, por exemplo, com os cinco mil euros/ano de grande parte dos portugueses...
A notícia da fabulosa compra ocupou, destacadamente, as primeiras páginas dos jornais de hoje, sagrando-se como a grande notícia do dia - com o Ronaldo, em grande plano, de dedo indicador no nariz, a mandá-los calar...
E presumo que assim tenha acontecido em toda a União Europeia - «somos europeus», não é verdade?...
O primeiro-ministro e o ministro do Desporto da Grã-Bretanha pronunciaram-se sobre o assunto: contristados, lamentaram a perda que é, para o Manchester, a saída de Ronaldo, mas, eufóricos, congratularam-se com o «bom negócio» feito pelo clube inglês, já que, como pragmaticamente registou o ministro do Desporto, o Manchester «vende Ronaldo por 80 milhões de libras, depois de o ter comprado por 12».
A Rainha, por enquanto, ainda não se pronunciou sobre a ocorrência.
Que eu saiba, José Sócrates também ainda não disse nada.
Nem o Presidente da República.
(consta que Francisco Louçã proferirá a todo o momento uma oração pública sobre o tema.)
O comprador - um tal Florentino Pérez, que é o «sexto homem mais rico de Espanha» e «presidente da maior construtora espanhola»... - está satisfeito com o negócio e vai comprar mais: segundo disse, tem 300 milhões de euros destinados à compra de futebolistas e, até agora, apenas gastou 163 milhões.
Posto isto, eis a grande questão que se me coloca:
Donde vêm e para onde vão tantos milhões de euros?
É evidente que esta diferença de cinco mil euros/dia é irrisória: para o caso, mais cinco mil menos cinco mil não aquenta nem arrefenta.
Todavia, essa diferença, esses mais (ou menos) cinco mil euros/dia de Ronaldo, adquirem uma nova significância se os compararmos, por exemplo, com os cinco mil euros/ano de grande parte dos portugueses...
A notícia da fabulosa compra ocupou, destacadamente, as primeiras páginas dos jornais de hoje, sagrando-se como a grande notícia do dia - com o Ronaldo, em grande plano, de dedo indicador no nariz, a mandá-los calar...
E presumo que assim tenha acontecido em toda a União Europeia - «somos europeus», não é verdade?...
O primeiro-ministro e o ministro do Desporto da Grã-Bretanha pronunciaram-se sobre o assunto: contristados, lamentaram a perda que é, para o Manchester, a saída de Ronaldo, mas, eufóricos, congratularam-se com o «bom negócio» feito pelo clube inglês, já que, como pragmaticamente registou o ministro do Desporto, o Manchester «vende Ronaldo por 80 milhões de libras, depois de o ter comprado por 12».
A Rainha, por enquanto, ainda não se pronunciou sobre a ocorrência.
Que eu saiba, José Sócrates também ainda não disse nada.
Nem o Presidente da República.
(consta que Francisco Louçã proferirá a todo o momento uma oração pública sobre o tema.)
O comprador - um tal Florentino Pérez, que é o «sexto homem mais rico de Espanha» e «presidente da maior construtora espanhola»... - está satisfeito com o negócio e vai comprar mais: segundo disse, tem 300 milhões de euros destinados à compra de futebolistas e, até agora, apenas gastou 163 milhões.
Posto isto, eis a grande questão que se me coloca:
Donde vêm e para onde vão tantos milhões de euros?
POEMA
O MINEIRO E O DIAMANTE
Mineiro pobre e viúvo.
De volta do turno da noite, ao descalçar as botas,
encontrou, em uma delas,
um pequeno diamante. Tão breve no tamanho
que alembrava a mais pequena das estrelas
na escuridão da noite.
Não se conteve. Chamou a filha.
E no azul dos olhos dela viu
o pequeno diamante mais crescido
que a estrela, que a estrela de alva.
De repente, mergulhou a cabeça entre as mãos
e pensou:
Entregá-lo à empresa das minas?
Não.
Ninguém devolve uma estrela. Sobretudo,
uma estrela que fugiu da Via-Láctea
e na bota de um mineiro se escondeu.
Luís Veiga Leitão
Mineiro pobre e viúvo.
De volta do turno da noite, ao descalçar as botas,
encontrou, em uma delas,
um pequeno diamante. Tão breve no tamanho
que alembrava a mais pequena das estrelas
na escuridão da noite.
Não se conteve. Chamou a filha.
E no azul dos olhos dela viu
o pequeno diamante mais crescido
que a estrela, que a estrela de alva.
De repente, mergulhou a cabeça entre as mãos
e pensou:
Entregá-lo à empresa das minas?
Não.
Ninguém devolve uma estrela. Sobretudo,
uma estrela que fugiu da Via-Láctea
e na bota de um mineiro se escondeu.
Luís Veiga Leitão
RAZÕES PARA ESTAR SATISFEITO
«Oposição aplaude Cavaco, Sócrates não vê ali recados»: eis o título de uma peça do Público sobre «apreciações ao discurso do Presidente».
Título manipulador, visto que, lida a notícia, constatamos que o Público ouviu, para além de Sócrates, Manuela Ferreira Leite e Diogo Feio - e é a estes que, manipulador, designa por «oposição».
É óbvio que o órgão da Sonae está farto de saber que PSD e CDS/PP não são oposição à política do Governo - pelo que, tratá-los como se fossem, é manipular conscientemente a realidade.
É óbvio que o órgão da Sonae está farto de saber que a política de direita - que há 33 anos consecutivos tem vindo a destruir a democracia de Abril e a instaurar a ditadura do grande capital - tem sido levada à prática, sempre, pelo PS e pelo PSD (sozinhos, de braço dado ou com o CDS/PP atrelado) - pelo que, fingindo que cada um destes partidos é alternativa ao outro, está a manipular conscientemente o eleitorado.
É óbvio que o órgão da Sonae está farto de saber que, para o seu patrão, o que interessa é que a política de direita prossiga; e tanto lhe faz que ela seja praticada por um governo PS como por um governo PSD (sozinhos ou com companhia) - pelo que, fingindo ignorar isso e mascarando-se de isento, imparcial e independente, está a insultar conscientemente a inteligência sos seus leitores.
Reconheça-se, no entanto, que - porque sabe que é para isso que foi criado e existe - o órgão da Sonae tem razões para estar satisfeito consigo próprio...
Título manipulador, visto que, lida a notícia, constatamos que o Público ouviu, para além de Sócrates, Manuela Ferreira Leite e Diogo Feio - e é a estes que, manipulador, designa por «oposição».
É óbvio que o órgão da Sonae está farto de saber que PSD e CDS/PP não são oposição à política do Governo - pelo que, tratá-los como se fossem, é manipular conscientemente a realidade.
É óbvio que o órgão da Sonae está farto de saber que a política de direita - que há 33 anos consecutivos tem vindo a destruir a democracia de Abril e a instaurar a ditadura do grande capital - tem sido levada à prática, sempre, pelo PS e pelo PSD (sozinhos, de braço dado ou com o CDS/PP atrelado) - pelo que, fingindo que cada um destes partidos é alternativa ao outro, está a manipular conscientemente o eleitorado.
É óbvio que o órgão da Sonae está farto de saber que, para o seu patrão, o que interessa é que a política de direita prossiga; e tanto lhe faz que ela seja praticada por um governo PS como por um governo PSD (sozinhos ou com companhia) - pelo que, fingindo ignorar isso e mascarando-se de isento, imparcial e independente, está a insultar conscientemente a inteligência sos seus leitores.
Reconheça-se, no entanto, que - porque sabe que é para isso que foi criado e existe - o órgão da Sonae tem razões para estar satisfeito consigo próprio...
POEMA
QUEM ESCOLHE O CAMINHO DAS PEDRAS
Quem escolhe o caminho das pedras
foge à fascinação do fácil
Quem escolhe o caminho das pedras
sabe de cor a cor do sangue
Quem escolhe o caminho das pedras
nada quer para tudo ser
Quem escolhe o caminho das pedras
ama o amor na raiz do lume
Quem escolhe o caminho das pedras
equilibra-se nos fios da morte
Luís Veiga Leitão
Quem escolhe o caminho das pedras
foge à fascinação do fácil
Quem escolhe o caminho das pedras
sabe de cor a cor do sangue
Quem escolhe o caminho das pedras
nada quer para tudo ser
Quem escolhe o caminho das pedras
ama o amor na raiz do lume
Quem escolhe o caminho das pedras
equilibra-se nos fios da morte
Luís Veiga Leitão
CAVACO & BARRETO, SARL...
Nem de propósito: a primeira das quatro quadras de António Aleixo do meu último post, podia ter sido escrita ontem, em Santarém, após os discursos de Barreto & Cavaco:
«Acho uma moral ruim
trazer o vulgo enganado:
Mandarem fazer assim
e eles fazerem assado.»
De facto, a «crítica» de Cavaco aos «políticos» e o «conselho» de Barreto aos «portugueses», não passam de indecorosos «sermões», que assentam como luvas no «crítico» e no «conselheiro»...
Cavaco & Barreto pertencem, embora fingindo que não, aos «políticos» que ontem criticaram - e ambos integram, por direito próprio, o grupo de responsáveis pela situação a que Portugal chegou.
Olhando para a prática política de ambos, o que vemos é de fugir...
Um, enquanto primeiro-ministro e Presidente da República; outro, enquanto ministro e escriba ao serviço da política de direita, estão ligados aos mais brutais atentados à democracia de Abril: destruição da Reforma Agrária e das nacionalizações; entrega do poder político ao grande capital; desprezo pelos direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores e dos cidadãos - enfim, por tudo o que está na origem daquilo que, ontem, criticaram, falando do alto de uma pretensa postura moral, e sacudindo a água dos respectivos capotes.
Hipócritas. Hipócritas. Hipócritas.
A hipocrisia esteve presente, também, na pretensa «homenagem» ao Capitão de Abril, Salgueiro Maia - a confirmar que Cavaco é um exemplo acabado desses políticos que critica, desses políticos que «pela forma como actuam no desempenho das suas funções», minam «a confiança dos cidadãos nas instituições democráticas»...
Ah!, e houve as condecorações: 35 - homens e mulheres - 35! - quase todos escolhidos a dedo, e uns poucos escolhidos para disfarçar... isto para além de uma coisa inominável que, tendo como padrinhos Mário Soares, Sá Carneiro, Freitas do Amaral e a CIA, diz ser UGT.
Não há dúvida: em matéria de condecorações, Cavaco é um daqueles exemplos que Barreto nos aconselha... e que, por isso e para fechar, está mesmo a pedir... António Aleixo outra vez:
«Condecoro o Presidente...
E sabem por que razões?...
- Por ter posto a tanta gente
tantas condecorações!»
«Acho uma moral ruim
trazer o vulgo enganado:
Mandarem fazer assim
e eles fazerem assado.»
De facto, a «crítica» de Cavaco aos «políticos» e o «conselho» de Barreto aos «portugueses», não passam de indecorosos «sermões», que assentam como luvas no «crítico» e no «conselheiro»...
Cavaco & Barreto pertencem, embora fingindo que não, aos «políticos» que ontem criticaram - e ambos integram, por direito próprio, o grupo de responsáveis pela situação a que Portugal chegou.
Olhando para a prática política de ambos, o que vemos é de fugir...
Um, enquanto primeiro-ministro e Presidente da República; outro, enquanto ministro e escriba ao serviço da política de direita, estão ligados aos mais brutais atentados à democracia de Abril: destruição da Reforma Agrária e das nacionalizações; entrega do poder político ao grande capital; desprezo pelos direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores e dos cidadãos - enfim, por tudo o que está na origem daquilo que, ontem, criticaram, falando do alto de uma pretensa postura moral, e sacudindo a água dos respectivos capotes.
Hipócritas. Hipócritas. Hipócritas.
A hipocrisia esteve presente, também, na pretensa «homenagem» ao Capitão de Abril, Salgueiro Maia - a confirmar que Cavaco é um exemplo acabado desses políticos que critica, desses políticos que «pela forma como actuam no desempenho das suas funções», minam «a confiança dos cidadãos nas instituições democráticas»...
Ah!, e houve as condecorações: 35 - homens e mulheres - 35! - quase todos escolhidos a dedo, e uns poucos escolhidos para disfarçar... isto para além de uma coisa inominável que, tendo como padrinhos Mário Soares, Sá Carneiro, Freitas do Amaral e a CIA, diz ser UGT.
Não há dúvida: em matéria de condecorações, Cavaco é um daqueles exemplos que Barreto nos aconselha... e que, por isso e para fechar, está mesmo a pedir... António Aleixo outra vez:
«Condecoro o Presidente...
E sabem por que razões?...
- Por ter posto a tanta gente
tantas condecorações!»
POEMA
QUATRO QUADRAS
Acho uma moral ruim
trazer o vulgo enganado:
mandarem fazer assim
e eles fazerem assado.
Negas a escola à criança
p'ra toda a vida ser cega...
e ter sempre confiança
em quem a vista lhe nega.
Quem trabalha e mata a fome
não come o pão de ninguém;
mas quem não trabalha e come,
come sempre o pão de alguém.
Esta mascarada enorme
com que o mundo nos aldraba,
dura enquanto o povo dorme.
Quando ele acordar, acaba.
António Aleixo
Acho uma moral ruim
trazer o vulgo enganado:
mandarem fazer assim
e eles fazerem assado.
Negas a escola à criança
p'ra toda a vida ser cega...
e ter sempre confiança
em quem a vista lhe nega.
Quem trabalha e mata a fome
não come o pão de ninguém;
mas quem não trabalha e come,
come sempre o pão de alguém.
Esta mascarada enorme
com que o mundo nos aldraba,
dura enquanto o povo dorme.
Quando ele acordar, acaba.
António Aleixo
PR QUER ACABAR COM A FESTA
Nem mais: o Presidente da República quer acabar com a Festa do Avante!.
Vinda de quem vem, tal intenção não surpreende:
basta pensar na governação antidemocrática e antipatriótica de Cavaco nos dez anos em que foi primeiro-ministro.
O «argumento» utilizado por Cavaco para acabar com a Festa do Avante! tem raízes numa questão a que o Cravo de Abril já fez várias referências: o conceito de lucro.
Como estamos lembrados, aqui há tempos a Entidade das Contas e Financiamentos dos Partidos considerou a Festa do Avante! ilegal e enviou o seu parecer para o Tribunal Constitucional (TC).
A «ilegalidade» decorria do facto de o PCP considerar - vejam bem! - que o lucro da Festa é a diferença entre as receitas e as despesas, enquanto que a Entidade considerava - vejam bem! - que o lucro é as receitas...
O TC, sensatamente, não apenas não declarou a Festa ilegal, como considerou correcto o conceito de lucro do PCP e errado o conceito que a Entidade queria impor.
Recentemente, nas alterações à Lei do Financiamento dos Partidos aprovadas pela Assembleia da República, esse critério foi especificamente adoptado - daí o voto favorável do PCP.
Recorde-se, entretanto, a intensa campanha de mistificação posta em andamento nos média do grande capital. A campanha girava em torno de duas questões centrais dessas alterações: o aumento das subvenções do Estado aos partidos e o aumento dos limites para a angariação de fundos por parte dos partidos.
Recorde-se, ainda, que essa campanha de mistificação tinha como alvo preferencial o PCP, de tal forma que lendo os textos produzidos pelos comentadores de serviço, só podia concluir-se que o PCP vivia, e queria viver, à custa das subvenções do Estado - quando, como a verdade mostra, o PCP sempre esteve, e votou, contra o aumento das subvenções do Estado aos partidos.
Enfim a habitual chafurdice em que os média dominantes se sentem como peixes na água.
Agora foi, então, a vez de o Presidente da República dar a sua opinião.
E fê-lo vetando as alterações à Lei aprovada na Assembleia da República.
E entre as razões para o veto invocadas por Cavaco, lá está, uma vez mais o celebérrimo conceito de lucro.
Com efeito, Cavaco veta, entre outras razões, porque, nas alterações, «o limite da angariação de fundos passa a ter por referencial, não as receitas, mas a diferença entre receitas e despesas».
Ou seja: para Cavaco, o lucro da Festa do Avante! é a totalidade das receitas da Festa e não a diferença entre as receitas e as despesas.
Este Cavaco já deu abundantes provas de que não gosta da Democracia, abomina Abril e não tolera o PCP.
Juntando a Festa do Avante! aos seus ódios de estimação, Cavaco está apenas a ser igual a si próprio...
Vinda de quem vem, tal intenção não surpreende:
basta pensar na governação antidemocrática e antipatriótica de Cavaco nos dez anos em que foi primeiro-ministro.
O «argumento» utilizado por Cavaco para acabar com a Festa do Avante! tem raízes numa questão a que o Cravo de Abril já fez várias referências: o conceito de lucro.
Como estamos lembrados, aqui há tempos a Entidade das Contas e Financiamentos dos Partidos considerou a Festa do Avante! ilegal e enviou o seu parecer para o Tribunal Constitucional (TC).
A «ilegalidade» decorria do facto de o PCP considerar - vejam bem! - que o lucro da Festa é a diferença entre as receitas e as despesas, enquanto que a Entidade considerava - vejam bem! - que o lucro é as receitas...
O TC, sensatamente, não apenas não declarou a Festa ilegal, como considerou correcto o conceito de lucro do PCP e errado o conceito que a Entidade queria impor.
Recentemente, nas alterações à Lei do Financiamento dos Partidos aprovadas pela Assembleia da República, esse critério foi especificamente adoptado - daí o voto favorável do PCP.
Recorde-se, entretanto, a intensa campanha de mistificação posta em andamento nos média do grande capital. A campanha girava em torno de duas questões centrais dessas alterações: o aumento das subvenções do Estado aos partidos e o aumento dos limites para a angariação de fundos por parte dos partidos.
Recorde-se, ainda, que essa campanha de mistificação tinha como alvo preferencial o PCP, de tal forma que lendo os textos produzidos pelos comentadores de serviço, só podia concluir-se que o PCP vivia, e queria viver, à custa das subvenções do Estado - quando, como a verdade mostra, o PCP sempre esteve, e votou, contra o aumento das subvenções do Estado aos partidos.
Enfim a habitual chafurdice em que os média dominantes se sentem como peixes na água.
Agora foi, então, a vez de o Presidente da República dar a sua opinião.
E fê-lo vetando as alterações à Lei aprovada na Assembleia da República.
E entre as razões para o veto invocadas por Cavaco, lá está, uma vez mais o celebérrimo conceito de lucro.
Com efeito, Cavaco veta, entre outras razões, porque, nas alterações, «o limite da angariação de fundos passa a ter por referencial, não as receitas, mas a diferença entre receitas e despesas».
Ou seja: para Cavaco, o lucro da Festa do Avante! é a totalidade das receitas da Festa e não a diferença entre as receitas e as despesas.
Este Cavaco já deu abundantes provas de que não gosta da Democracia, abomina Abril e não tolera o PCP.
Juntando a Festa do Avante! aos seus ódios de estimação, Cavaco está apenas a ser igual a si próprio...
POEMA
ÁRVORE QUE NÃO CANSA
Sabes o que é a luta? Embora pises
areias ardendo e cimentos
aflorando pontas de lança?
- É a ÁRVORE QUE NÃO SE CANSA
de dar folhas, frutos, rebentos,
com lanhos no tronco e nas raizes.
Luta em ti, fora de ti, na rua,
porque lutando
a ÁRVORE QUE NÃO SE CANSA SERÁ TUA.
E enquanto a vida queira e possa,
lura sempre, porque lutando
a ÁRVORE QUE NÃO SE CANSA será NOSSA!
Luís Veiga Leitão
Sabes o que é a luta? Embora pises
areias ardendo e cimentos
aflorando pontas de lança?
- É a ÁRVORE QUE NÃO SE CANSA
de dar folhas, frutos, rebentos,
com lanhos no tronco e nas raizes.
Luta em ti, fora de ti, na rua,
porque lutando
a ÁRVORE QUE NÃO SE CANSA SERÁ TUA.
E enquanto a vida queira e possa,
lura sempre, porque lutando
a ÁRVORE QUE NÃO SE CANSA será NOSSA!
Luís Veiga Leitão
O QUE OS PREOCUPA
Analistas, politólogos e outras aves de capoeira continuam a debruçar-se sobre a «derrota histórica do PCP» nas eleições de domingo.
Tal tarefa foi iniciada, como estamos lembrados, logo na noite das eleições, antes mesmo de serem conhecidos os resultados concretos da CDU... e, de então para cá, a ideia do «fracasso da CDU», da «meia derrota da CDU», etc., tem sido amplamente difundida em tudo quanto é média, de modo a assegurar que nenhum português fique sem a «informação».
E é espantoso como, após a divulgação dos dados oficiais, esse galináceos foram adaptando as suas prosas à, para eles, desagradável realidade que é o magnífico resultado eleitoral da CDU.
Ainda hoje, uma dessas luminárias, não podendo ocultar a subida da CDU, disparatava um texto significativamente intitulado «Ganhar perdendo», no qual considerava que «o crescimento da CDU teve um sabor amargo» - porquê?: porque «passou para 4ª força partidária»...
E é aqui - na passagem da CDU para 4ª força e do BE para 3ª - que eles mordem e mordem e mordem. Aparentemente sem se terem colocado a si próprios interrogações tão comezinhas como estas: o BE passou para 3ª força porque foi buscar votos à CDU?; ou: a CDU passou para 4ª força porque perdeu votos para o BE?
As respostas são óbvias.
E os resultados da CDU não deixam margem para dúvidas: comparativamente com as anteriores eleições para o Parlamento Europeu, a CDU subiu mais de 70 mil votos; cresceu 1,6 pontos percentuais; aumentou em 23% a sua massa eleitoral; aumentou o número de votos e a percentagem em todos os distritos e nas regiões autónomas; foi primeira força em três distritos (Beja, Évora e Setúbal) e em mais de três dezenas de concelhos, enfim, obteve os seus melhores resultados dos últimos quinze anos...
Ora, CDU mais forte significa lutas mais fortes...
E estou em crer que é isso que preocupa os analistas, politólogos e outras aves de capoeira - tudo gente cuja tarefa, certamente bem remunerada, é a de servir fielmente, caninamente, os interesses do grande capital.
Tal tarefa foi iniciada, como estamos lembrados, logo na noite das eleições, antes mesmo de serem conhecidos os resultados concretos da CDU... e, de então para cá, a ideia do «fracasso da CDU», da «meia derrota da CDU», etc., tem sido amplamente difundida em tudo quanto é média, de modo a assegurar que nenhum português fique sem a «informação».
E é espantoso como, após a divulgação dos dados oficiais, esse galináceos foram adaptando as suas prosas à, para eles, desagradável realidade que é o magnífico resultado eleitoral da CDU.
Ainda hoje, uma dessas luminárias, não podendo ocultar a subida da CDU, disparatava um texto significativamente intitulado «Ganhar perdendo», no qual considerava que «o crescimento da CDU teve um sabor amargo» - porquê?: porque «passou para 4ª força partidária»...
E é aqui - na passagem da CDU para 4ª força e do BE para 3ª - que eles mordem e mordem e mordem. Aparentemente sem se terem colocado a si próprios interrogações tão comezinhas como estas: o BE passou para 3ª força porque foi buscar votos à CDU?; ou: a CDU passou para 4ª força porque perdeu votos para o BE?
As respostas são óbvias.
E os resultados da CDU não deixam margem para dúvidas: comparativamente com as anteriores eleições para o Parlamento Europeu, a CDU subiu mais de 70 mil votos; cresceu 1,6 pontos percentuais; aumentou em 23% a sua massa eleitoral; aumentou o número de votos e a percentagem em todos os distritos e nas regiões autónomas; foi primeira força em três distritos (Beja, Évora e Setúbal) e em mais de três dezenas de concelhos, enfim, obteve os seus melhores resultados dos últimos quinze anos...
Ora, CDU mais forte significa lutas mais fortes...
E estou em crer que é isso que preocupa os analistas, politólogos e outras aves de capoeira - tudo gente cuja tarefa, certamente bem remunerada, é a de servir fielmente, caninamente, os interesses do grande capital.
POEMA
(Chama que nenhum vento apaga...)
A Revolução
parece às vezes que pára
ou que recua
tornando mais funda a escuridão
e a noite menos clara
- como se qualquer Mágica Mão
apagasse o sol dentro da lua.
Mas só os medrosos temem
que a viagem
para a Manhã do Renovo
com limpidez de sémen
termine
- antes que cheguem à paisagem
sonhada para o povo por Lenine.
Não. A nossa Revolução
ainda não acabou
nem tão cedo acaba
- como no alto mar
não gela nenhuma vaga
ao sol de Verão.
Não. A nossa Revolução
continuará,
chama que nenhum vento apaga
- enquanto no coração
dos rico-senhores
doer a ameaça
de os cavadores vermelhos
(o tojo inútil, os estevais, o rasto
das lebres e dos coelhos)
- guiados pelo malogro,
o asco
e a esperança
da sombra de fogo
da Voz do Vasco
colérica e doce.
José Gomes Ferreira
A Revolução
parece às vezes que pára
ou que recua
tornando mais funda a escuridão
e a noite menos clara
- como se qualquer Mágica Mão
apagasse o sol dentro da lua.
Mas só os medrosos temem
que a viagem
para a Manhã do Renovo
com limpidez de sémen
termine
- antes que cheguem à paisagem
sonhada para o povo por Lenine.
Não. A nossa Revolução
ainda não acabou
nem tão cedo acaba
- como no alto mar
não gela nenhuma vaga
ao sol de Verão.
Não. A nossa Revolução
continuará,
chama que nenhum vento apaga
- enquanto no coração
dos rico-senhores
doer a ameaça
de os cavadores vermelhos
(o tojo inútil, os estevais, o rasto
das lebres e dos coelhos)
- guiados pelo malogro,
o asco
e a esperança
da sombra de fogo
da Voz do Vasco
colérica e doce.
José Gomes Ferreira
HOJE, DIA 8
Hoje, dia 8, como prometemos, continuamos a luta.
Hoje, dia 8, como desejámos, a luta é mais forte - porque somos mais fortes, porque nos fortalecemos com os votos que obtivemos.
Tudo isto a confirmar que a CDU avança com toda a confiança.
E esse é o dado mais relevante destas eleições, e certamente o que mais preocupa aqueles que tudo fizeram para impedir o reforço eleitoral da CDU - e que foram, ao fim e ao cabo, eles sim, grandes derrotados.
Na verdade, a CDU não apenas não foi derrotada como eles queriam, mas aumentou o número de votos e subiu em 1,5 pontos a sua percentagem, alcançando o seu melhor resultado dos últimos quinze anos.
Os «comentadores» de serviço nas televisões na noite de ontem (repararam que a RTP e a SIC, excluiram, cirurgicamente, representantes da CDU?...), salvo raras e circunstanciais excepções, primaram pelo desconchavo, pela toleima, pelo despautério, às vezes pela provocação soez - sendo de registar a deprimente figura dessa lastimável criatura que dá pelo nome de António Barreto - o qual, em total descompostura, de olhos demenciais a saltar-lhe das órbitas e de cabelos demencialmente desgrenhados, mais parece um possesso saído do romance de Dostoievski...
De resto, os resultados das eleições constituem uma flagrante condenação da política do Governo de Sócrates - com o PS, ao que parece, a perder votos para todos: PSD, BE, CDS/PP e CDU...
O que não significa que todos os votos que o PS perdeu venham a ser utilizados na luta contra a política de direita.
Bem pelo contrário: grande parte deles vão continuar a servir - por portas travessas... - essa mesma política.
O que é seguro e certo é que a CDU vai utilizar nessa luta todos os votos que obteve: os que já tinha mais os que, agora, se lhes juntaram.
O que é seguro e certo é que os mais de 70 mil novos votos ganhos pela CDU - os mais de 70 mil homens, mulheres e jovens que juntaram o seu ao nosso voto - constituem um poderoso reforço para as lutas futuras.
Hoje, dia 8, como desejámos, a luta é mais forte - porque somos mais fortes, porque nos fortalecemos com os votos que obtivemos.
Tudo isto a confirmar que a CDU avança com toda a confiança.
E esse é o dado mais relevante destas eleições, e certamente o que mais preocupa aqueles que tudo fizeram para impedir o reforço eleitoral da CDU - e que foram, ao fim e ao cabo, eles sim, grandes derrotados.
Na verdade, a CDU não apenas não foi derrotada como eles queriam, mas aumentou o número de votos e subiu em 1,5 pontos a sua percentagem, alcançando o seu melhor resultado dos últimos quinze anos.
Os «comentadores» de serviço nas televisões na noite de ontem (repararam que a RTP e a SIC, excluiram, cirurgicamente, representantes da CDU?...), salvo raras e circunstanciais excepções, primaram pelo desconchavo, pela toleima, pelo despautério, às vezes pela provocação soez - sendo de registar a deprimente figura dessa lastimável criatura que dá pelo nome de António Barreto - o qual, em total descompostura, de olhos demenciais a saltar-lhe das órbitas e de cabelos demencialmente desgrenhados, mais parece um possesso saído do romance de Dostoievski...
De resto, os resultados das eleições constituem uma flagrante condenação da política do Governo de Sócrates - com o PS, ao que parece, a perder votos para todos: PSD, BE, CDS/PP e CDU...
O que não significa que todos os votos que o PS perdeu venham a ser utilizados na luta contra a política de direita.
Bem pelo contrário: grande parte deles vão continuar a servir - por portas travessas... - essa mesma política.
O que é seguro e certo é que a CDU vai utilizar nessa luta todos os votos que obteve: os que já tinha mais os que, agora, se lhes juntaram.
O que é seguro e certo é que os mais de 70 mil novos votos ganhos pela CDU - os mais de 70 mil homens, mulheres e jovens que juntaram o seu ao nosso voto - constituem um poderoso reforço para as lutas futuras.
POEMA
A QUEIMADA
A erva daninha era o escalracho.
NÓS o arrancámos.
Depois botámos fogo à planície.
Nada houve tão necessário
desde o fundo dos tempos.
Cresceram chamas até aos astros
e o clamor da nossa voz
foi um cântico de certeza
na boca do vento.
Agora o nosso olhar possui a planície.
NÓS trazemos as águas,
NÓS trazemos o arado e as sementes
e suamos sangue:
Irmãos, a planície é nossa!
Papiniano Carlos
A erva daninha era o escalracho.
NÓS o arrancámos.
Depois botámos fogo à planície.
Nada houve tão necessário
desde o fundo dos tempos.
Cresceram chamas até aos astros
e o clamor da nossa voz
foi um cântico de certeza
na boca do vento.
Agora o nosso olhar possui a planície.
NÓS trazemos as águas,
NÓS trazemos o arado e as sementes
e suamos sangue:
Irmãos, a planície é nossa!
Papiniano Carlos
HOJE, DIA 7
Hoje, dia 7, decidi, com o meu voto,
HOMENAGEAR os milhões de soviéticos mortos durante a II Guerra Mundial, lutando pela causa da Liberdade, do Socialismo, do Comunismo; e
SAUDAR, os milhões de comunistas e seus aliados que, todos os dias, em todo o mundo, prosseguem a luta por essa mesma causa - e não desistem de construir um mundo novo.
Hoje, dia 7, depois de votar,
CONCLUÍ que, sejam quais forem os resultados destas eleições, a vitória é nossa.
Pela simples razão de que, para nós, amanhã, segunda-feira, A LUTA CONTINUA.
HOMENAGEAR os milhões de soviéticos mortos durante a II Guerra Mundial, lutando pela causa da Liberdade, do Socialismo, do Comunismo; e
SAUDAR, os milhões de comunistas e seus aliados que, todos os dias, em todo o mundo, prosseguem a luta por essa mesma causa - e não desistem de construir um mundo novo.
Hoje, dia 7, depois de votar,
CONCLUÍ que, sejam quais forem os resultados destas eleições, a vitória é nossa.
Pela simples razão de que, para nós, amanhã, segunda-feira, A LUTA CONTINUA.
POEMA
TELEGRAMA DE MOSCOU
Pedra por pedra reconstruiremos a cidade.
Casa e mais casa se cobrirá o chão.
Rua e mais rua o trânsito ressurgirá.
Começaremos pela estação da estrada de ferro
e pela usina de energia eléctrica.
Outros homens, em outras casas,
continuarão a mesma certeza.
Sobraram apenas algumas árvores
com cicatrizes, como soldados.
A neve baixou, cobrindo as feridas.
O vento varreu a dura lembrança.
Mas o assombro, a fábula
gravam no ar o fantasma da antiga cidade
que penetrará o corpo da nova.
Aqui se chamava
e se chamará sempre Stalingrado
- Stalingrado: o tempo responde.
Carlos Drummond de Andrade
Pedra por pedra reconstruiremos a cidade.
Casa e mais casa se cobrirá o chão.
Rua e mais rua o trânsito ressurgirá.
Começaremos pela estação da estrada de ferro
e pela usina de energia eléctrica.
Outros homens, em outras casas,
continuarão a mesma certeza.
Sobraram apenas algumas árvores
com cicatrizes, como soldados.
A neve baixou, cobrindo as feridas.
O vento varreu a dura lembrança.
Mas o assombro, a fábula
gravam no ar o fantasma da antiga cidade
que penetrará o corpo da nova.
Aqui se chamava
e se chamará sempre Stalingrado
- Stalingrado: o tempo responde.
Carlos Drummond de Andrade
DIA D - DIA DAS MENTIRAS
As comemorações do 65º aniversário do desembarque na praia de Omaha Beach, na Normandia, foram o que se esperava:
Sarkozy a falar da «eterna dívida de gratidão da França para com os Estados Unidos da América»;
Brown a falar da «aliança transatlântica, para se prolongar por séculos, selada por milhares de vidas na praia de Omaha Beach (que ele rebaptizou de Obama Beach...) ;
e Obama, o Chefe, a falar do «Dia D, que não podemos esquecer, porque foi um momento e um lugar onde a bravura e o altruísmo de uns poucos mudaram o curso de um século»;
enfim, todos, mais os jornalistas que os acompanhavam, a concluir o que desde há muito concluíram: que o desembarque na Normandia «marcou o ponto de viragem da II Guerra Mundial» - e, assim, todos a fazerem do Dia D, um dia de mentiras.
Permito-me discordar da conclusão dos oradores e escribas, contrapondo-lhe esta:
o que, de facto, marcou o ponto de viragem da II Guerra Mundial não foi o Dia D - 6 de Junho de 1944 - mas sim a batalha de Stalinegrado, iniciada em 17 de Setembro de 1942 e terminada a 2 de Fevereiro de 1943 - portanto dezasseis meses antes do desembarque na Normandia.
De facto, foi essa batalha - na qual o Exército Vermelho e o povo de Stalinegrado, derrotaram o exército nazi - que marcou o ponto de viragem da II Guerra Mundial.
E foi na sequência dessa vitória que se iniciou a contra-ofensiva soviética, que - impulsionada por nova e decisiva vitória do Exército Vermelho em Kursk, em Julho de 1943, na «maior batalha de tanques da história» - só terminaria com a entrada do Exército Vermelho em Berlim e com a consequente derrota do nazismo, em Maio de 1945.
E a verdade é que, na altura em que mais de um milhão e meio de soviéticos morriam em Stalinegrado, pela Democracia, pela Liberdade, pela Vida, os protagonistas do futuro desembarque na Normandia, deitavam contas à sua vida... umas contas muito ao seu jeito democrático: à hipótese, considerada por Roosevelt, de ajudar os soviéticos, que suportavam todo o peso do exército nazi, Truman, então ainda senador, respondia assim: «Se virmos que a Alemanha está em vias de ganhar a guerra, daremos uma ajuda à Rússia; se virmos que a Rússia vai ganhar, então teremos que ajudar a Alemanha» - e acrescentava: «Para que os russos e os alemães se matem, o mais possível, uns aos outros».
E foi na base dessas contas à vida deles que o desembarque na Normandia aconteceu - menos de um ano antes da derrota do nazi-fascismo, sublinhe-se - e, portanto, forçado pelo desenvolvimento da guerra.
Ou seja: o dia D ocorreu quando - e porque - o avanço impetuoso e imparável do Exército Vermelho, Europa fora - libertando a Roménia, a Bulgária, a Polónia... e aproximando-se de Berlim - não oferecia a mínima dúvida sobre o desfecho da guerra.
Sabe-se hoje que cerca de trinta milhões de soviéticos deram as suas vidas na luta contra o nazi-fascismo em cuja derrota tiveram um papel determinante e decisivo.
Que nenhum dos oradores de ontem, na praia de Ohama (ou de Obama?...), tenha feito a mínima alusão a esses mortos, não surpreende: na verdade, eles foram lá para manter vivas as mentiras com que alimentam o seu sonho de domínio do mundo - que é muito semelhante ao sonho nazi que o heróico povo soviético derrotou na II Guerra Mundial.
Sarkozy a falar da «eterna dívida de gratidão da França para com os Estados Unidos da América»;
Brown a falar da «aliança transatlântica, para se prolongar por séculos, selada por milhares de vidas na praia de Omaha Beach (que ele rebaptizou de Obama Beach...) ;
e Obama, o Chefe, a falar do «Dia D, que não podemos esquecer, porque foi um momento e um lugar onde a bravura e o altruísmo de uns poucos mudaram o curso de um século»;
enfim, todos, mais os jornalistas que os acompanhavam, a concluir o que desde há muito concluíram: que o desembarque na Normandia «marcou o ponto de viragem da II Guerra Mundial» - e, assim, todos a fazerem do Dia D, um dia de mentiras.
Permito-me discordar da conclusão dos oradores e escribas, contrapondo-lhe esta:
o que, de facto, marcou o ponto de viragem da II Guerra Mundial não foi o Dia D - 6 de Junho de 1944 - mas sim a batalha de Stalinegrado, iniciada em 17 de Setembro de 1942 e terminada a 2 de Fevereiro de 1943 - portanto dezasseis meses antes do desembarque na Normandia.
De facto, foi essa batalha - na qual o Exército Vermelho e o povo de Stalinegrado, derrotaram o exército nazi - que marcou o ponto de viragem da II Guerra Mundial.
E foi na sequência dessa vitória que se iniciou a contra-ofensiva soviética, que - impulsionada por nova e decisiva vitória do Exército Vermelho em Kursk, em Julho de 1943, na «maior batalha de tanques da história» - só terminaria com a entrada do Exército Vermelho em Berlim e com a consequente derrota do nazismo, em Maio de 1945.
E a verdade é que, na altura em que mais de um milhão e meio de soviéticos morriam em Stalinegrado, pela Democracia, pela Liberdade, pela Vida, os protagonistas do futuro desembarque na Normandia, deitavam contas à sua vida... umas contas muito ao seu jeito democrático: à hipótese, considerada por Roosevelt, de ajudar os soviéticos, que suportavam todo o peso do exército nazi, Truman, então ainda senador, respondia assim: «Se virmos que a Alemanha está em vias de ganhar a guerra, daremos uma ajuda à Rússia; se virmos que a Rússia vai ganhar, então teremos que ajudar a Alemanha» - e acrescentava: «Para que os russos e os alemães se matem, o mais possível, uns aos outros».
E foi na base dessas contas à vida deles que o desembarque na Normandia aconteceu - menos de um ano antes da derrota do nazi-fascismo, sublinhe-se - e, portanto, forçado pelo desenvolvimento da guerra.
Ou seja: o dia D ocorreu quando - e porque - o avanço impetuoso e imparável do Exército Vermelho, Europa fora - libertando a Roménia, a Bulgária, a Polónia... e aproximando-se de Berlim - não oferecia a mínima dúvida sobre o desfecho da guerra.
Sabe-se hoje que cerca de trinta milhões de soviéticos deram as suas vidas na luta contra o nazi-fascismo em cuja derrota tiveram um papel determinante e decisivo.
Que nenhum dos oradores de ontem, na praia de Ohama (ou de Obama?...), tenha feito a mínima alusão a esses mortos, não surpreende: na verdade, eles foram lá para manter vivas as mentiras com que alimentam o seu sonho de domínio do mundo - que é muito semelhante ao sonho nazi que o heróico povo soviético derrotou na II Guerra Mundial.
POEMA
(Todo o dia e toda a noite grunhe
em forma de símbolo debaixo
do meu quarto)
Eh! vizinho porco,
todo o dia de borco
a foçar na terra onde nasceu!
Ensine ao aldeão
a sua lição
de pensar menos no céu
e mais no chão.
(Na terra, camponês,
também há estrelas
que tu não vês...
Mas hás-de vê-las.)
José Gomes Ferreira
em forma de símbolo debaixo
do meu quarto)
Eh! vizinho porco,
todo o dia de borco
a foçar na terra onde nasceu!
Ensine ao aldeão
a sua lição
de pensar menos no céu
e mais no chão.
(Na terra, camponês,
também há estrelas
que tu não vês...
Mas hás-de vê-las.)
José Gomes Ferreira
DIA 7
Na quarta-feira - a dois dias do termo da campanha eleitoral - a SIC resolveu entrevistar Miguel Portas.
Trata-se de um favorecimento particular e especial ao BE por parte da cadeia televisiva de Balsemão - favorecimento que seria surpreendente numa situação de democracia mediática, mas que não surpreende ninguém nesta bandalheira antidemocrática que é a prática da comunicação social dominante.
Para o dono da SIC, tal como para todos os donos dos média dominantes - que são os donos dos grandes grupos económicos e financeiros - o critério informativo tem como objectivo exclusivo, sempre, a salvaguarda dos seus interesses.
E é à luz desse critério que essa entrevista deve ser entendida.
Os grandes grupos económicos e financeiros têm previamente assegurada a sua vitória nestas eleições - já que, quer ganhe o PS quer ganhe o PSD, é o grande capital que ganha.
O que eles não querem - e os traz apavorados - é que a CDU suba, designadamente captando votos de segmentos do eleitorado do PS descontentes com a política de direita.
Porque se esses votos se deslocarem do PS para qualquer outra força política que não seja a CDU, não há problema: ficam em casa...
O problema, para eles, é se esses votos se deslocam para a CDU, única força que, de facto, combate a política de direita e lhe contrapõe uma alternativa de esquerda.
Ora, é para tentar impedir isso que o BE existe.
E é por isso que os média, propriedade do grande capital, tratam o BE com carinhos maternais.
E é por isso que a entrevista da SIC ao BE não surpreende.
Mas é bem possível que, dia 7, o eleitorado lhes troque as voltas.
Trata-se de um favorecimento particular e especial ao BE por parte da cadeia televisiva de Balsemão - favorecimento que seria surpreendente numa situação de democracia mediática, mas que não surpreende ninguém nesta bandalheira antidemocrática que é a prática da comunicação social dominante.
Para o dono da SIC, tal como para todos os donos dos média dominantes - que são os donos dos grandes grupos económicos e financeiros - o critério informativo tem como objectivo exclusivo, sempre, a salvaguarda dos seus interesses.
E é à luz desse critério que essa entrevista deve ser entendida.
Os grandes grupos económicos e financeiros têm previamente assegurada a sua vitória nestas eleições - já que, quer ganhe o PS quer ganhe o PSD, é o grande capital que ganha.
O que eles não querem - e os traz apavorados - é que a CDU suba, designadamente captando votos de segmentos do eleitorado do PS descontentes com a política de direita.
Porque se esses votos se deslocarem do PS para qualquer outra força política que não seja a CDU, não há problema: ficam em casa...
O problema, para eles, é se esses votos se deslocam para a CDU, única força que, de facto, combate a política de direita e lhe contrapõe uma alternativa de esquerda.
Ora, é para tentar impedir isso que o BE existe.
E é por isso que os média, propriedade do grande capital, tratam o BE com carinhos maternais.
E é por isso que a entrevista da SIC ao BE não surpreende.
Mas é bem possível que, dia 7, o eleitorado lhes troque as voltas.
POEMA
AMIGO
Mal nos conhecemos
inaugurámos a palavra «amigo».
«Amigo» é um sorriso
de boca em boca,
um olhar bem limpo,
uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
um coração pronto a pulsar
na nossa mão!
«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!
«Amigo» é o erro corrigido,
não o erro perseguido, explorado,
é a verdade partilhada, praticada.
«Amigo» é a solidão derrotada!
«Amigo» é uma grande tarefa,
um trabalho sem fim,
um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!
Alexandre O'Neill
Mal nos conhecemos
inaugurámos a palavra «amigo».
«Amigo» é um sorriso
de boca em boca,
um olhar bem limpo,
uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
um coração pronto a pulsar
na nossa mão!
«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!
«Amigo» é o erro corrigido,
não o erro perseguido, explorado,
é a verdade partilhada, praticada.
«Amigo» é a solidão derrotada!
«Amigo» é uma grande tarefa,
um trabalho sem fim,
um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!
Alexandre O'Neill
sei do porto da ternura...

venho aqui contar-vos de uma amizade sem fim... fruto de uma outra que me levou até ao melhor que «lá tem por casa». a Alice é uma mulher! com toda a força contida nas letras que o alfabeto dos Homens usa para escrever o feminino. toda ela é um vulcão fervente de beijos, ternura, igualdade, fraternidade... ela é a mulher que o rogério ribeiro sempre pintou quando quis falar da mulher alentejana... e comunista. a Alice é minha amiga. sinto-o na forma como me olha cheia de paixão maternal e no gesto carinhoso com que me oferta tudo o que de melhor lá habita pelo ninho. hoje convidou-me para o almoço. o Herlander, vindo de Beja, passou pela Vila onde me apanhou a caminho de Mil Fontes - onde a Alice, sua irmã, e o companheiro de longa data (devo dizer de sempre?), o João, passam agora os dias merecidos do seu descanso. O caminho, com este camarada, como todas as viagens, foi feito de abraços em linhas de palavras, confidências, confissões. à nossa espera (esta é a fotografia tirada enquanto nos esperava, ainda sem saber que já lá haviamos chegado!) um lume aceso prometendo sardinhada... e um abraço tamanho do mundo, quase maior que a mulher que nos esperava, e que nos havia de mostrar a sua praia secreta, quase tão bonita como o seu coração de alentejana. tudo na sua fala são ondas, aves marítimas, espuma. sempre que sai à rua traz atrelada a si a sua condição de sonhadora e comunista. ve-la falar com quem conhece (quem não conhece esta amiga de todos???) é presenciar a um comicio ambulante do nosso Partido... com tudo o que de belo as palavras têm. a Alice não esquece que cada acção sua é acção de uma comunista. a Alice traz agarrada a si a mensagem de igualdade e justiça que exige para todos. cada passo é menos um que falta no caminho dos outros. brisa húmida e fresca de água, de mar, nos corações incendiados pelo capitalismo. hoje, talvez mesmo sem o saber, a Alice mostrou a muitos - com quem se cruzou ela nas ruas das suas férias??? - que domingo há um voto que conta mais... um voto dos trabalhadores, agricultores, pescadores... a Alice sabe o caminho. a Alice é uma mulher de certezas... a Alice é comunista! eu gosto muito dela? ela saber-lo-á?
«ARQUIVE-SE!»
O DCIAP (Departamento Central de Investigação e de Acção Penal) decidiu ARQUIVAR o inquérito relacionado com a passagem de aviões da CIA por Portugal.
Quer isto dizer que não há provas que confirmem a aterragem (e a descolagem) desses aviões em aeroportos portugueses?
Pelo contrário: o DCIAP diz que tais aterragens (e descolagens) não oferecem dúvidas, estão claramente confirmadas.
Então porquê o arquivamento do processo?
Bom... porque... não há indícios de que os prisioneiros que seguiam nos referidos aviões, estivessem algemados, e não havendo provas disso... não há processo, está tudo nos conformes, a democracia pode respirar fundo (tal como os governos PS e PSD), não se fala mais nisso, em suma: «ARQUIVE-SE!».
E os aviões da benemérita CIA podem continuar a visitar-nos... desde que os presos que transportam não estejam algemados...
Mais um - a juntar a vários outros processos arquivados.
Mais um - ao qual se irão juntar... sabe-se lá quantos mais: provavelmente todos os que envolvem praticantes da política de direita...
A confirmar que Portugal é um país arquivado.
P.S.: a eurodeputada Ana Gomes, instada a pronunciar-se sobre este arquivamento, declarou que por enquanto não tem nada a dizer; mais tarde, sim. - «mais tarde» significa, certamente, depois de passadas as eleições...
Quer isto dizer que não há provas que confirmem a aterragem (e a descolagem) desses aviões em aeroportos portugueses?
Pelo contrário: o DCIAP diz que tais aterragens (e descolagens) não oferecem dúvidas, estão claramente confirmadas.
Então porquê o arquivamento do processo?
Bom... porque... não há indícios de que os prisioneiros que seguiam nos referidos aviões, estivessem algemados, e não havendo provas disso... não há processo, está tudo nos conformes, a democracia pode respirar fundo (tal como os governos PS e PSD), não se fala mais nisso, em suma: «ARQUIVE-SE!».
E os aviões da benemérita CIA podem continuar a visitar-nos... desde que os presos que transportam não estejam algemados...
Mais um - a juntar a vários outros processos arquivados.
Mais um - ao qual se irão juntar... sabe-se lá quantos mais: provavelmente todos os que envolvem praticantes da política de direita...
A confirmar que Portugal é um país arquivado.
P.S.: a eurodeputada Ana Gomes, instada a pronunciar-se sobre este arquivamento, declarou que por enquanto não tem nada a dizer; mais tarde, sim. - «mais tarde» significa, certamente, depois de passadas as eleições...
POEMA
O SONHO
Pelo Sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo Sonho é que vamos,
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia-a-dia.
Chegamos? Não chegamos?
- Partimos. Vamos. Somos.
Sebastião da Gama
Pelo Sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo Sonho é que vamos,
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia-a-dia.
Chegamos? Não chegamos?
- Partimos. Vamos. Somos.
Sebastião da Gama
Agarra com as tuas mãos, o nosso futuro!
Durante os últimos anos, milhares lutaram nos seus locais de trabalho e de estudo, encheram praças e avenidas de protesto em defesa dos seus direitos, afirmaram a sua indignação para com as políticas de direita, contrárias aos interesses e aspirações deste povo.
Está a chegar a hora dos trabalhadores, dos reformados, dos intelectuais, dos pequenos e médios empresários, dos jovens e das mulheres do nosso país tomarem nas suas mãos a decisão de contribuir, com o voto na CDU, para a construção de um caminho de mudança e de ruptura com a política de direita. Não deixes fugir das tuas mãos a oportunidade já no dia 7 de Junho de contribuir para a transformação que é preciso realizar na sociedade portuguesa.
Votando na CDU no próximo domingo, estás a defender os teus interesses, os interesses dos trabalhadores, do povo e do país. Estás a dar voz às aspirações e aos anseios do nosso povo, a dizer BASTA de exploração, a afirmar a nossa soberania nacional, a contribuir para uma ampla frente de resistência e ruptura que o nosso país precisa.
No próximo domingo, tens nas tuas mãos o futuro. Com confiança vamos construir um ABRIL DE NOVO!
No próximo domingo, dia 7 de Junho, leva a tua luta até ao voto. VOTA CDU!
Nota: transposição na íntegra de e-mail recebido.
Está a chegar a hora dos trabalhadores, dos reformados, dos intelectuais, dos pequenos e médios empresários, dos jovens e das mulheres do nosso país tomarem nas suas mãos a decisão de contribuir, com o voto na CDU, para a construção de um caminho de mudança e de ruptura com a política de direita. Não deixes fugir das tuas mãos a oportunidade já no dia 7 de Junho de contribuir para a transformação que é preciso realizar na sociedade portuguesa.
Votando na CDU no próximo domingo, estás a defender os teus interesses, os interesses dos trabalhadores, do povo e do país. Estás a dar voz às aspirações e aos anseios do nosso povo, a dizer BASTA de exploração, a afirmar a nossa soberania nacional, a contribuir para uma ampla frente de resistência e ruptura que o nosso país precisa.
No próximo domingo, tens nas tuas mãos o futuro. Com confiança vamos construir um ABRIL DE NOVO!
No próximo domingo, dia 7 de Junho, leva a tua luta até ao voto. VOTA CDU!
Nota: transposição na íntegra de e-mail recebido.
POEMA
QUEREM O CÉU
Querem o céu, a mística mansão
da alma.
E, se estivessem lá,
queriam a terra, a sórdida morada
da raiz.
Mas é o céu que lhes diz
eternidade,
verdade,
santidade
e descanso.
Assim se pode mistificar
a preguiça,
o pecado,
a mentira
e a transitória vida natural.
O grande tecto azul, porém, não dá sinal
de acolher o aceno.
Afaga as nuvens, e a luz solar
faz o dia maior ou mais pequeno.
Miguel Torga
Querem o céu, a mística mansão
da alma.
E, se estivessem lá,
queriam a terra, a sórdida morada
da raiz.
Mas é o céu que lhes diz
eternidade,
verdade,
santidade
e descanso.
Assim se pode mistificar
a preguiça,
o pecado,
a mentira
e a transitória vida natural.
O grande tecto azul, porém, não dá sinal
de acolher o aceno.
Afaga as nuvens, e a luz solar
faz o dia maior ou mais pequeno.
Miguel Torga
CHEIRAM MAL: CHEIRAM A... MÉDIA
Volto ao tema.
A desfaçatez e a desvergonha dos média dominantes - de todos, sem excepção! - ultrapassaram, nesta campanha eleitoral, todos os limites conhecidos e imagináveis.
Nunca esses média desceram tão baixo, nunca foram tão longe na prática da desinformação organizada e da propaganda enganosa e suja, nunca exibiram tão ostensiva e descaradamente o desprezo pelo direito à informação dos seus utentes, nunca mergulharam tão profundamente na degradação e na abjecção.
Em consequência disso:
nunca a propaganda ao BE foi tão ostensiva, descarada e assumida;
e nunca a propaganda contra a CDU foi tão ostensiva, descarada e assumida - especialmente a partir da Marcha Protesto, Confiança e Luta! que, mostrando as potencialidades de aumento da influência eleitoral da CDU, provocou autêntico pânico nos arraiais do grande capital e dos seus serventuários.
Abundam os exemplos do que acima é dito: são aos milhares - sublinho: aos milhares!
Aqui ficam dois:
1 - Há dias, a SIC resolveu fazer uma peça sobre a Marinha Grande e para lá deslocou a respectiva equipa que começou por ouvir gente da terra a falar da história de luta do povo marinhense e dos seus históricos vidreiros.
Pela força das circunstâncias, lá tiveram que ouvir alguns militantes comunistas - vidreiros - os únicos aliás que, com conhecimento de causa, podem falar dessa luta.
Mas cedo ficou claro que a SIC não queria falar com comunistas, que não fora à Marinha Grande para ouvir marinhenses a falar das suas lutas.
Cedo ficou claro que o que a SIC queria era fazer propaganda ao BE numa localidade onde é conhecida a influência dominante do PCP - e onde, por isso, a SIC queria forjar a ideia (e divulgá-la como verdade) de um ascenso da influência do BE... a pedir votos, é claro...
Como é que a SIC fez isso?
Muito simples: primeiro pôs o conhecido vidreiro Miguel Portas a dizer que sim e mais que também, blá-blá-blá.
Depois tomou a palavra um «jornalista» que, entre outras pertinentes afirmações, disse, mais coisa menos coisa, que a Marinha Grande das grandes tradições de luta, continuava a ser uma referência para as forças de esquerda: o PS, o POUS e o BE!!!
Entretanto, enquanto o «jornalista» debitava as suas estórias, a câmara ia-se deslocando... cirurgicamente... até parar, milimetricamente... num cartaz de campanha eleitoral do BE, com Miguel Portas a pedir o voto...
Que grande órgão de informação é esta SIC!
2 - Ontem, o DN publicou, com grande destaque, uma peça intitulada «Os pretensos candidatos à Europa».
Tratava-se de duas cartas de dois leitores do jornal com «duras críticas à forma como está a decorrer a campanha eleitoral», em matéria de intervenção demagógica, oportunista e desonesta dos candidatos - e, claro, metendo todos os candidatos no mesmo saco escuro da demagogia, do oportunismo e da desonestidade.
Até aqui, nada a comentar, a não ser para dizer que os referidos leitores têm todo o direito de expressar as suas opiniões (ou melhor: as opiniões que julgam ser suas...) e que o DN tem todo o direito de publicar essa opiniões (fingindo que nada fez para que os leitores pensassem o que pensam...).
Só que, a peça é ilustrada com uma fotografia... adivinhem...
Exactamente: uma fotografia de um comício da CDU! - como que a dizer aos leitores: aqui estão os candidatos demagogos, oportunistas e desonestos: não votem neles...
Que grande órgão de informação é este DN!
Obviamente, num caso como no outro, nada daquilo tem a ver com jornalismo nem com informação.
Trata-se de propaganda baixa, de manipulação rasteira, de descaro sujo, de desinformação porca, de... acrescentem o que quiserem - que eu não suporto mais este cheiro nauseabundo: estes média cheiram mal: cheiram a... média...
A desfaçatez e a desvergonha dos média dominantes - de todos, sem excepção! - ultrapassaram, nesta campanha eleitoral, todos os limites conhecidos e imagináveis.
Nunca esses média desceram tão baixo, nunca foram tão longe na prática da desinformação organizada e da propaganda enganosa e suja, nunca exibiram tão ostensiva e descaradamente o desprezo pelo direito à informação dos seus utentes, nunca mergulharam tão profundamente na degradação e na abjecção.
Em consequência disso:
nunca a propaganda ao BE foi tão ostensiva, descarada e assumida;
e nunca a propaganda contra a CDU foi tão ostensiva, descarada e assumida - especialmente a partir da Marcha Protesto, Confiança e Luta! que, mostrando as potencialidades de aumento da influência eleitoral da CDU, provocou autêntico pânico nos arraiais do grande capital e dos seus serventuários.
Abundam os exemplos do que acima é dito: são aos milhares - sublinho: aos milhares!
Aqui ficam dois:
1 - Há dias, a SIC resolveu fazer uma peça sobre a Marinha Grande e para lá deslocou a respectiva equipa que começou por ouvir gente da terra a falar da história de luta do povo marinhense e dos seus históricos vidreiros.
Pela força das circunstâncias, lá tiveram que ouvir alguns militantes comunistas - vidreiros - os únicos aliás que, com conhecimento de causa, podem falar dessa luta.
Mas cedo ficou claro que a SIC não queria falar com comunistas, que não fora à Marinha Grande para ouvir marinhenses a falar das suas lutas.
Cedo ficou claro que o que a SIC queria era fazer propaganda ao BE numa localidade onde é conhecida a influência dominante do PCP - e onde, por isso, a SIC queria forjar a ideia (e divulgá-la como verdade) de um ascenso da influência do BE... a pedir votos, é claro...
Como é que a SIC fez isso?
Muito simples: primeiro pôs o conhecido vidreiro Miguel Portas a dizer que sim e mais que também, blá-blá-blá.
Depois tomou a palavra um «jornalista» que, entre outras pertinentes afirmações, disse, mais coisa menos coisa, que a Marinha Grande das grandes tradições de luta, continuava a ser uma referência para as forças de esquerda: o PS, o POUS e o BE!!!
Entretanto, enquanto o «jornalista» debitava as suas estórias, a câmara ia-se deslocando... cirurgicamente... até parar, milimetricamente... num cartaz de campanha eleitoral do BE, com Miguel Portas a pedir o voto...
Que grande órgão de informação é esta SIC!
2 - Ontem, o DN publicou, com grande destaque, uma peça intitulada «Os pretensos candidatos à Europa».
Tratava-se de duas cartas de dois leitores do jornal com «duras críticas à forma como está a decorrer a campanha eleitoral», em matéria de intervenção demagógica, oportunista e desonesta dos candidatos - e, claro, metendo todos os candidatos no mesmo saco escuro da demagogia, do oportunismo e da desonestidade.
Até aqui, nada a comentar, a não ser para dizer que os referidos leitores têm todo o direito de expressar as suas opiniões (ou melhor: as opiniões que julgam ser suas...) e que o DN tem todo o direito de publicar essa opiniões (fingindo que nada fez para que os leitores pensassem o que pensam...).
Só que, a peça é ilustrada com uma fotografia... adivinhem...
Exactamente: uma fotografia de um comício da CDU! - como que a dizer aos leitores: aqui estão os candidatos demagogos, oportunistas e desonestos: não votem neles...
Que grande órgão de informação é este DN!
Obviamente, num caso como no outro, nada daquilo tem a ver com jornalismo nem com informação.
Trata-se de propaganda baixa, de manipulação rasteira, de descaro sujo, de desinformação porca, de... acrescentem o que quiserem - que eu não suporto mais este cheiro nauseabundo: estes média cheiram mal: cheiram a... média...
POEMA
DE MÃOS DADAS
Era um carreiro,
era um atalho,
era um caminho,
é uma estrada larga por onde
caminhamos de mãos dadas.
Era um fio de água,
era uma fonte,
era um ribeiro,
é um rio imenso de sangue correndo
nas veias dos homens de mãos dadas.
Era um sopro,
era uma aragem,
era um vento,
é um vendaval levando-nos
por sobre o mundo de mãos dadas.
Era uma chama,
era uma faísca subtil,
era uma fogueira,
é um incêndio, é uma aurora cobrindo
os que marcham invencíveis de mãos dadas.
Papiniano Carlos
Era um carreiro,
era um atalho,
era um caminho,
é uma estrada larga por onde
caminhamos de mãos dadas.
Era um fio de água,
era uma fonte,
era um ribeiro,
é um rio imenso de sangue correndo
nas veias dos homens de mãos dadas.
Era um sopro,
era uma aragem,
era um vento,
é um vendaval levando-nos
por sobre o mundo de mãos dadas.
Era uma chama,
era uma faísca subtil,
era uma fogueira,
é um incêndio, é uma aurora cobrindo
os que marcham invencíveis de mãos dadas.
Papiniano Carlos
GENTE DE CLASSE...
Mais de 1 600 delegados e dirigentes sindicais e membros de comissões de trabalhadores tornaram público um apelo ao voto na CDU.
É muita gente: 1 600 dirigentes de estruturas representativas dos trabalhadores, uns militantes comunistas, outros apartidários, outros, até, oriundos de áreas políticas bem distantes das forças que integram a CDU.
E, sobretudo, é gente de classe... que, por isso mesmo, e sabendo que no dia 7, a luta de classes se trava nas assembleias de voto, apela ao voto no seu partido de classe.
Como se esperava, os analistas de serviço, com lugar cativo nos média propriedade do grande capital, assobiaram para o lado - e continuaram a tecer elogios e apelos ao voto no... BE (agora fazendo-o já às claras, sem sombra de pudor nem ponta de vergonha)
Percebe-se o silêncio dos analistas: na verdade, se analisassem este apelo ao voto na CDU - mesmo à sua maneira de criados do grande patronato - ser-lhes-ia difícil fugir, em primeiro lugar, à constatação de que nenhuma outra força política foi objecto de apoio semelhante;
e, em segundo lugar, que isso se deve ao facto de, entre as forças componentes da CDU, estar o PCP - o único partido que esses representantes dos trabalhadores viram sempre, sempre, sempre a seu lado nas muitas lutas que têm desenvolvido.
(Só falta, agora, que o esbracejante Sócrates, ou algum dos seus ecos, venha dizer que viu dirigentes sindicais a apelar ao voto na CDU, alertando as suas polícias para a gravíssima ocorrência...)
É muita gente: 1 600 dirigentes de estruturas representativas dos trabalhadores, uns militantes comunistas, outros apartidários, outros, até, oriundos de áreas políticas bem distantes das forças que integram a CDU.
E, sobretudo, é gente de classe... que, por isso mesmo, e sabendo que no dia 7, a luta de classes se trava nas assembleias de voto, apela ao voto no seu partido de classe.
Como se esperava, os analistas de serviço, com lugar cativo nos média propriedade do grande capital, assobiaram para o lado - e continuaram a tecer elogios e apelos ao voto no... BE (agora fazendo-o já às claras, sem sombra de pudor nem ponta de vergonha)
Percebe-se o silêncio dos analistas: na verdade, se analisassem este apelo ao voto na CDU - mesmo à sua maneira de criados do grande patronato - ser-lhes-ia difícil fugir, em primeiro lugar, à constatação de que nenhuma outra força política foi objecto de apoio semelhante;
e, em segundo lugar, que isso se deve ao facto de, entre as forças componentes da CDU, estar o PCP - o único partido que esses representantes dos trabalhadores viram sempre, sempre, sempre a seu lado nas muitas lutas que têm desenvolvido.
(Só falta, agora, que o esbracejante Sócrates, ou algum dos seus ecos, venha dizer que viu dirigentes sindicais a apelar ao voto na CDU, alertando as suas polícias para a gravíssima ocorrência...)
POEMA
OS OLHOS DAS CRIANÇAS
Atrás dos muros altos com garrafas partidas
bem para trás das grades do silêncio imposto
as crianças de olhos de espanto e de medo transidas
as crianças vendidas alugadas perseguidas
olham os poetas com lágrimas no rosto.
Olham os poetas as crianças das vielas
mas não pedem cançonetas mas não pedem baladas
o que elas pedem é que gritemos por elas
as crianças sem livros sem ternura sem janelas
as crianças dos versos que são como pedradas.
Sidónio Muralha
Atrás dos muros altos com garrafas partidas
bem para trás das grades do silêncio imposto
as crianças de olhos de espanto e de medo transidas
as crianças vendidas alugadas perseguidas
olham os poetas com lágrimas no rosto.
Olham os poetas as crianças das vielas
mas não pedem cançonetas mas não pedem baladas
o que elas pedem é que gritemos por elas
as crianças sem livros sem ternura sem janelas
as crianças dos versos que são como pedradas.
Sidónio Muralha
RENOVAÇÃO QUÊ?
A auto-designada «Renovação Comunista» - associação criada por ex membros do PCP depois de verem derrotada a sua tentativa de liquidar o Partido - pronunciou-se sobre a «crise económica».
E apontou responsáveis.
Diz a dita associação que a responsabilidade da crise, a nível europeu, está na «deriva dos governos e instituições europeias».
Postas as coisas assim, somos levados a pensar que o sistema capitalista nada tem a ver com a crise: a culpada é «a deriva», ou, dito de outra forma, se «os governos e instituições europeias» não tivessem derivado e tivessem aplicado o capitalismo como deve ser, não haveria crise nenhuma...
No plano nacional, a supra citada associação opina que «há fortes responsabilidades dos partidos portugueses de direita, mas igualmente a cumplicidade do PS oficial».
Espantoso!: «fortes responsabilidades», no primeiro caso, e «igualmente a cumplicidade», no caso do PS...
Como se o PS não fosse, desde 1976, o chefe de fila da contra-revolução; o principal responsável pela destruição da democracia de Abril e pela restituição do poder ao grande capital; o mais fiel servidor do capitalismo; enfim, como se o PS não fosse o iniciador e o protagonista mais destacado da política de direita - aplicada sempre com o apoio do PSD (quando o PS é governo); e aplicada sempre com o apoio do PS (quando o PSD é governo), numa sintonia absoluta com os interesses dos grande grupos económicos e financeiros.
Quanto à referência ao «PS oficial», apetece perguntar se há algum PS não oficial... e se há, o que é?; o que é que tem feito?; e, especialmente, onde é que está?...
«Renovação Comunista» se chama a coisa.
E também neste caso, apetece perguntar: renovação quê?...
E apontou responsáveis.
Diz a dita associação que a responsabilidade da crise, a nível europeu, está na «deriva dos governos e instituições europeias».
Postas as coisas assim, somos levados a pensar que o sistema capitalista nada tem a ver com a crise: a culpada é «a deriva», ou, dito de outra forma, se «os governos e instituições europeias» não tivessem derivado e tivessem aplicado o capitalismo como deve ser, não haveria crise nenhuma...
No plano nacional, a supra citada associação opina que «há fortes responsabilidades dos partidos portugueses de direita, mas igualmente a cumplicidade do PS oficial».
Espantoso!: «fortes responsabilidades», no primeiro caso, e «igualmente a cumplicidade», no caso do PS...
Como se o PS não fosse, desde 1976, o chefe de fila da contra-revolução; o principal responsável pela destruição da democracia de Abril e pela restituição do poder ao grande capital; o mais fiel servidor do capitalismo; enfim, como se o PS não fosse o iniciador e o protagonista mais destacado da política de direita - aplicada sempre com o apoio do PSD (quando o PS é governo); e aplicada sempre com o apoio do PS (quando o PSD é governo), numa sintonia absoluta com os interesses dos grande grupos económicos e financeiros.
Quanto à referência ao «PS oficial», apetece perguntar se há algum PS não oficial... e se há, o que é?; o que é que tem feito?; e, especialmente, onde é que está?...
«Renovação Comunista» se chama a coisa.
E também neste caso, apetece perguntar: renovação quê?...
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