milhares de minutos de ausência... embalado pelas horas que me trouxeram a dor de uma morte que me abalou no mais profundo de mim... dias amargos, ou talvez apenas justificações para um abandono que nunca existiu na realidade. não escrevo há dias, meses, anos na minha consciência de revolucionário comprometido com Abril, com os homens e com os leitores/amigos que aqui, teimosamente, vão permanecendo. mas sou militante dedicado ao Partido e nem o maior hecatombe me proíbe a foice e o martelo, sinónimo da mais bela aliança do mundo. aprendi com a espuma dos dias que nos aniquilam todos os preconceitos, que os homens amam, mas a natureza dispõe. e volto talvez mais manso, embora ainda mais afincado no que acredito. e, nestes dias, perdoem não trazer aqui a lembrança vermelha. trago-vos, talvez a mais bela de todas as revoluções... lembro hoje que a juventude, o fogo do corpo exuberante na vitalidade que nada parece derrubar, por vezes nos cega para o mais óbvio das coisas sensíveis. arrependo-me desse dia com tanta intensidade como não me arrependo de mais nenhum passo ou desalinho. vinte anos feitos no fulgor do que acreditamos. e a vida inteira na imortalidade dos dias que não passam. perdi-a na teimosia do meu orgulho. hoje beijei-a novamente. mesmo que sonhando. (terá sido real?) e de novo os meus dedos se abriram para deixar escorrer a impossibilidade da minha condição. sou forasteiro nos dias que são meus. estamos de acordo no nosso amor. não o concretizamos. porque nunca nos magoámos e sabemos que, à maneira do caetano, amor é dor. será justo? propus-lhe a fuga a tudo o que nos afasta e nos torna impossíveis. e a proposta passou para a categoria da impossibilidade. Comunistas que aqui passam, gente sensível, para que lado é que me viro? para que lado?
até já.
até já.