POEMA
POEMA XVII (A POESIA CONTINUA)
(ESPERAREMOS CEM ANOS...
Em frente da estação do Rossio, quando os
ponteiros se aproximam da meia-noite.)
Amigos: vai passar mais um ano no relógio luminoso do Rossio.
E a nossa Revolução
cada vez mais sonho frio,
eterna paisagem
de merda sem canos
em que os homens continuam como são
com bocas de granizo
numa repetição de poços de ecos.
Deixá-lo!
Se for preciso
teremos a coragem
de esperar mais cem anos
pela transformação do mundo
no relógio dos Séculos.
(Cem anos que voem nos relógios com asas de um segundo.)
José Gomes Ferreira
Por
Fernando Samuel
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31.12.11
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A LIBERDADE É ISTO...
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Fernando Samuel
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30.12.11
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POEMA
ODE À AMIZADE
Por teu verbo em passes de mágica
eu te louvo
quando pões «o coração nas mãos»
ou entre
os dentes
«o coração na boca»
Por tua palavra gesto e fruto
que nos tempos dos tempos renovas
eu te louvo
não pelo gesto que és
mas pelo fruto que provas
Por tua faca e suas artes
por teu punho a romper do seio
eu te louvo
pão único que repartes
migalha cortada ao meio
Fome nenhuma fica impune
Teu gume é como golpe na água:
a lâmina que a retalha
é a mesma que a reúne.
Luís Veiga Leitão
Por
Fernando Samuel
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30.12.11
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35 ANOS CONSECUTIVOS...
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Fernando Samuel
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29.12.11
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POEMA
Voltemos ao ano da graça de 1991: em Dezembro, o Tal & Qual informava:
«Maria João Saviotti deu uma festa de anos, em Lisboa, orçada em 100 mil contos. Ou mais...»
Pela mesma altura, Mário Castrim escreveu esta
ORGIA
Foi uma festa de truz.
Música, alegria, cor.
Cada vestido era luz
de riqueza, de esplendor.
Vendo tantos risos nobres
numa pergunta me fico:
Quantos milhares de pobres
nos custará este rico?
(Recorda-se este episódio de há vinte anos neste ano de 2011 em que o fosso entre ricos e pobres, em Portugal, atingiu o nível mais elevado dos últimos 30 anos...)
Por
Fernando Samuel
em
29.12.11
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A CAMBADA
Títulos nos jornais:
«Função pública perde 17, 4% de salário»
«Lista de espera para exames em hospitais ultrapassa os 100 dias?
«Crise fechou, este ano, 12 empresas por dia»
Assim vai o reino da política de direita... que, não esqueçamos, começou em 1976, pela pata de Mário Soares e foi diligentemente prosseguida, de então para cá, por cavacos, guterres, barrosos, sócrates, passos & Cia. - a cambada.
(quem anda muito falado nos últimos dias é o Luís Fazenda do BE: entrevista no Público, entrevista no DN...
Por que será?...)
Por
Fernando Samuel
em
28.12.11
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POEMA
EPIGRAMA
O país tem de ter juízo
poupar mais, menos gastar.
Aí está o que é preciso.
Por isso os salários devem baixar.
A economia manda aviso.
Emprego tem de aumentar.
Aí está o que é preciso.
Por isso os salários devem baixar.
A inflação é prejuízo.
Há que mandá-la ao ar.
Aí está o que é preciso.
Por isso os salários devem baixar.
«Dói-me a queixada direita,
doutor, o que faço a isto?
(diz Cavaco), o que receita?
- «Baixar os salários, está visto»
Por
Fernando Samuel
em
28.12.11
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ISTO ANDA TUDO LIGADO...
Títulos de jornais:
«Pensões inferiores a 247 euros arriscam-se a ficar congeladas»
«Imposto das casas duplicará em 2013»
«Em Portugal o fosso entre ricos e pobres atingiu o nível mais elevado dos últimos trinta anos»
Título da Biografia de Luiz Pacheco, acabada de publicar:
«PUTA QUE OS PARIU!»
E em verdade vos digo, meus amigos: isto anda tudo ligado...
Por
Fernando Samuel
em
27.12.11
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POEMA
(E ENTÃO?)
Todos já vimos
nos livros, nos jornais, no cinema e na televisão
retratos de meninas e meninos
a defender a liberdade de armas na mão.
Todos já vimos
nos livros, nos jornais, no cinema e na televisão
retratos de cadáveres de meninos e meninas
que morreram a defender a liberdade de armas na mão.
Todos já vimos!
E então?
Fernando Sylvan
Por
Fernando Samuel
em
27.12.11
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PUDERA!...
Por
Fernando Samuel
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26.12.11
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POEMA
NÃO ESPERES O TEMPO
Camarada poeta: se puderes
pega na palavra e não te cales
mais. Digo que não esperes,
para cantar, o tempo da colheita.
Agora a fome é tanta
que a palavra pão também se come.
Quem diz pão diz fome e a fome de a não ter não é sobeja.
Digo que a palavra seara faz crescer
o grão da raiva de a não ter.
Digo que a palavra fonte faz jorrar
rios de sede até ao mar.
A palavra trabalho, a palavra suor,
a palavra amiga, a palavra amor.
A palavra precisa, de vendaval ou brisa:
a que denuncia, a que profetiza.
Digo que a palavra que disseres
se pode desfolhar como os malmequeres:
ou muito ou pouco ou tudo ou nada.
O que não pode é ficar calada.
Carlos Aboim Inglês
Por
Fernando Samuel
em
26.12.11
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POEMA
NATAL
Hoje é dia de Natal.
O jornal fala dos pobres
em letras grande e pretas,
traz versos e historietas
e desenhos bonitinhos,
e traz retratos também
dos bodos, bodos e bodos,
em casa de gente bem.
Hoje é dia de Natal.
- Mas quando será de todos?
Sidónio Muralha
Por
Fernando Samuel
em
25.12.11
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O FUTURO
Por
Fernando Samuel
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24.12.11
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POEMA
SURDINA DE NATAL PARA OS MEUS NETOS
Ó David Ó Inês
vamos ver o menino
inda mais pequenino que vocês
Vamos vê-lo tapado
sob o céu do futuro
com a sombra de um muro
a seu lado
Vamos vê-lo nós três
novamente a nascer
vamos ver se vai ser
desta vez
David Mourão Ferreira
Por
Fernando Samuel
em
24.12.11
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MAIS CEDO OU MAIS TARDE
Por
Fernando Samuel
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23.12.11
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POEMA
(MAIS ALTO DIREMOS...)
Por mais que calem
por mais voltas que dê o mundo
por mais que neguem os acontecimentos;
por mais repressão que o estado instaure;
por mais que lavem a cara com a democracia burguesa;
por mais assassinatos de estado que cometam e calem;
por mais greves de fome que silenciem;
por mais que tenham saturado os cárceres;
por mais pactos que engendrem os controladores de classe;
por mais guerras e repressão que imponham;
por mais que tentem negar a história e a memória da nossa classe
Mais alto diremos:
assassinos de povos
miséria de fome e liberdade
negociadores de vidas alheias,
mais alto que nunca, em grito ou em silêncio,
recordaremos os vossos assassinatos
de gentes, vidas, povos e natureza.
De boca em boca, passo a passo, pouco a pouco.
Salvador Puig Antich
(Jovem anarquista, executado pelo regime franquista, em 2 de Março de 1974. Este poema foi escrito na cela, pouco antes de ele ser garrotado)
Por
Fernando Samuel
em
23.12.11
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O CAMINHO FAZ-SE CAMINHANDO
Por
Fernando Samuel
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22.12.11
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POEMA
AFORISMO
Havia uma formiga
compartilhando comigo o isolamento
e comendo juntos.
Estávamos iguais
com duas diferenças:
Ela não era interrogada
e por descuido podiam pisá-la.
Mas aos dois intencionalmente
podiam pôr-nos de rastos
mas não podiam
ajoelhar-nos.
José Craveirinha
Por
Fernando Samuel
em
22.12.11
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VENEZUELANOS, PONHAM-SE A PAU!
Por
Fernando Samuel
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21.12.11
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POEMA
COMEI OS VOSSOS PERUS
Comei os vossos perus
burgueses anafados
e dai esmolinha aos pobres
que tendes esfomeados.
Um dia há-de chegar
em que sereis assados
não para subir ao céu.
Jorge de Sena
Por
Fernando Samuel
em
21.12.11
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«VAMOS FAZER CARIDADE»...
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Fernando Samuel
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20.12.11
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POEMA
MENINA FÚTIL
A menina fútil deu um bodo aos pobres;
pela primeira vez pôs avental...
Falou do gesto e seus intuitos nobres,
com palavrinhas brandas, o jornal...
- Os pobres ficaram pobres
e a menina fútil nunca mais pôs avental...
A menina fútil tem um cão de raça
que nunca saiu do quintal
e nunca viu uma cadela...
- Para a menina fútil, o seu cão de raça
deixou de ser um animal
e é um cãozinho de flanela...
... e a menina fútil tem um namorado
e atira-lhe promessas da janela...
Promessas... porque o resto era pecado
e pecar não é com ela...
(Fica sempre na rua, o namorado,
e é tão distante a janela...)
Mas a menina fútil tem um namorado;
tem um cão como feito de flanela;
e anda feliz por dar um bodo aos pobres
e ter descido a pôr um avental...
Lê e relê os seus intuitos nobres;
recorta o seu retrato do jornal;
- e os pobres continuam pobres,
e a menina fútil nunca mais põe avental...
Sidónio Muralha
Por
Fernando Samuel
em
20.12.11
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MEMÓRIA BREVE DE UMA NOITE LONGA
Por
Fernando Samuel
em
19.12.11
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POEMA
VIAGEM ATRAVÉS DE UMA FATIA DE BOLO-REI
Corria o ano de 1961.
Estávamos à porta do Natal.
Eram quase duas horas da manhã
e eu perguntei-lhe
se queria comer alguma coisa.
Disse que sim. Mas que
estava com muita pressa.
Enquanto vestia a gabardina, trouxe-lhe
uma sanduíche de fiambre
um copo de vinho
uma fatia de bolo-rei.
Estava de pé
comia como se fosse a primeira vez
desde a infância.
-Há quantos anos
deixa cá ver
há quantos anos é que eu não comia
bolo-rei?
Este é bom, sabe a erva-doce
e a ovos.
(Caíam-lhe migalhas
aparava-as com a outra mão
em concha)
- Comes outra fatia, camarada?
- Isso não.
Estou atrasado já.
Mas se ma embrulhasses...
Através da janela
do quarto às escuras
fico a vê-lo atravessar a Rua da Creche
seguir pela Rua dos Lusíadas.
Nenhum de nós sabia
que estava já erguida a pirâmide do silêncio
à espera dele
num breve prazo.
Quando talvez o gosto do bolo-rei
mais forte do que nunca
tivesse ainda na boca.
Mário Castrim
Por
Fernando Samuel
em
19.12.11
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ALGURES EM PORTUGAL...
Por
Fernando Samuel
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18.12.11
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POEMA
«DE CADA VEZ QUE UM GOVERNO...»
De cada vez que um governo necessita de segredos,
por segurança do Estado, ou para melhor êxito
das negociações internacionais, é o mesmo que negar,
como negaram sempre desde que o mundo é mundo,
a liberdade.
Sempre que um povo aceita que o seu governo,
ainda que eleito com quantas tricas já se sabe,
invoque a lei e a ordem para calar alguém,
como fizeram sempre desde que o mundo é mundo,
nega-se
a liberdade.
Porque, se há algum segredo na vida pública,
que todos não podem saber, é porque alguém,
sem saber, é o preço do negócio feito.
E, se há uma ordem e uma lei que não inclua
mesmo que seja o último dos asnos e dos pulhas
e o seu direito a ser como nasceu ou fizeram,
a liberdade
é uma farsa,
a segurança
é uma farsa,
a ordem
é uma farsa,
não há nada que não seja uma farsa,
a mesma farsa representada sempre
desde que o mundo é mundo,
por aqueles que se arrogam ser
empresários dos outros e nem pagam
decentemente senão aos maus actores.
Jorge de Sena
Por
Fernando Samuel
em
18.12.11
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É PRECISO, IMPERIOSO E URGENTE...
Por
Fernando Samuel
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16.12.11
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POEMA
FÁBULA
O lobo foi ter
com a galinha
e disse-lhe:
«Devíamos conhecer-nos
melhor para vivermos
com amor e confiança.»
A galinha achou bem
e foi com o lobo.
Foi por isso que as suas
penas ficaram espalhadas
por todo o lado.
Bertolt Brecht
Por
Fernando Samuel
em
16.12.11
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«LIBERDADE DE INFORMAÇÃO»...
Por
Fernando Samuel
em
15.12.11
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POEMA
A United Fruit Co.
Quando soou a trombeta, estava
tudo preparado na terra
e Jeová repartiu o mundo
entre a Coca-Cola Inc., a Anaconda,
a Ford Motors e outras entidades:
a Compañia Frutera Inc.
reservou para si o mais suculento,
a costa central da minha terra,
a doce cintura da América.
Baptizou de novo as suas terras
como «Repúblicas das Bananas»
e sobre os mortos adormecidos,
sobre os heróis inquietos
que conquistaram a grandeza,
a liberdade e as bandeiras,
estabeleceu a ópera bufa:
alienou os arbítrios,
ofereceu coroas de césar,
desembainhou a inveja, atraíu
a ditadura das moscas,
moscas Trujillo, moscas Tachos,
moscas Carias, moscas Martinez,
moscas Ubico, moscas húmidas
de sangue humilde e melaço,
moscas bêbedas que zumbem
por cima das campas populares,
moscas de circo, sábias moscas
entendidas em tirania.
Entre as moscas sanguinárias
a Frutera desembarca,
nivelando o café e as frutas
nos seus barcos que deslizarão
como bandejas o tesouro
das nossas terras submersas.
Entretanto, pelos abismos
açucarados dos portos,
caíam índios sepultados
no vapor da manhã:
um corpo roda, uma coisa
sem nome, um número caído,
uma raiz de fruta morta
derramada no monturo.
Pablo Neruda
Por
Fernando Samuel
em
15.12.11
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AQUI ESTÁ!

Para adquirir enviar um email para antonio.galamba@gmail.com ou pelo telefone 962898578 (das 10h às 14h e das 20 às 23h)
Por
Antonio Lains Galamba
em
14.12.11
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QUE GRANDE CAMBADA!
Por
Fernando Samuel
em
14.12.11
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POEMA
RESOLUÇÃO DOS COMUNEIROS
Considerando a nossa debilidade,
fazeis leis para nos avassalar.
No futuro as leis não serão cumpridas
considerando que não queremos continuar a ser vassalos.
Considerando pois que
nos ameaçais com fuzis e canhões,
concordámos em temer, mais do que à morte,
esta vida amarga que levamos.
Considerando que ficamos com fome
enquanto permitimos que nos roubem,
vamos comprovar que só as montras
no separam do bom pão que nos falta.
Considerando pois que
nos ameaçais com fuzis e canhões,
concordámos em temer, mais do que à morte,
esta vida amarga que levamos.
Considerando que estão aqui as casas
enquanto nos deixais sem abrigo,
concordámos em mudar-nos para elas
porque não estamos cómodos nestes casebres.
Considerando pois que
nos ameaçais com fuzis e canhões,
concordámos em temer, mais do que à morte,
esta vida amarga que levamos.
Considerando que existe demasiado carvão
enquanto nós, sem carvão, gelamos,
concordámos em ir buscá-lo agora mesmo
considerando que assim podemos aquecer-nos.
Considerando pois que
nos ameaçais com fuzis e canhões,
concordámos em temer, mais do que à morte,
esta vida amarga que levamos.
Considerando que não conseguis
oferecer-nos um bom salário,
tomámos a nosso cargo as fábricas
considerando que sem vós podemos bastar-nos.
Considerando pois que
nos ameaçais com fuzis e canhões,
concordámos em temer, mais do que à morte,
esta vida amarga que levamos.
Considerando que não confiamos
no que sempre promete o governo,
acordámos, sob nossa própria direcção,
tornar a nossa vida feliz a partir deste momento.
Considerando que só obedeceis aos canhões
- não conseguis compreender outra linguagem -
vemo-nos obrigados, e isso sim, valerá a pena,
a assestar contra vós os canhões!
Bertolt Brecht
Por
Fernando Samuel
em
14.12.11
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SEMANA DE LUTA!
Por
Fernando Samuel
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12.12.11
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POEMA
O MESMO CORAÇÃO E A MESMA CABEÇA
Não é para me gabar,
mas atravessei de um jacto, como uma bala,
os meus dez anos de prisão.
E se deixarmos de lado as dores no fígado
o coração está igual e a cabeça é a mesma de antes.
Nazim Hikmet
Por
Fernando Samuel
em
12.12.11
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AS VOLTAS QUE O MUNDO DÁ!...
Por
Fernando Samuel
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9.12.11
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POEMA
OS PRAZERES DA JUVENTUDE
Ao fim de 24 jogos perdidos,
o time ganhou o desafio.
O público inundou o campo, desceu à cidade,
e durante horas interrompeu o trânsito, bebeu na rua,
quebrou montras, partiu mesmo os faróis dos carros
da polícia que, risonha, comungava
naquele entusiasmo regional e jovem
por um triunfo tão longamente ansiado.
Uma centena de pessoas manifesta-se na rua
(contra uma «vitória» que não se vê no Viet-Nam),
e os cacetes desabam, a prisão enche-se,
porque interromperam o trânsito, incitaram à desordem,
e resistiram malignamente à autoridade
que os mandou dispersar.
(13/Out./1969)
Jorge de Sena
Por
Fernando Samuel
em
9.12.11
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IGUAL A SI PRÓPRIO
Por
Fernando Samuel
em
8.12.11
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POEMA
DIVISA
Olhos, olhai em frente!
É convencer-se a gente
de que tudo o que fica para trás
serve, apenas, de ponto de partida
e nada mais!
São ruínas e as ruínas
lembram as coisas que foram
e já não são.
Mas em frente
há a vastidão inculta e inabitada,
a vastidão que espera e que deseja
alguém.
Em frente!... O que não é
mas que vai ser
por nossas mãos!
Olhos, olhai em frente!
Atrás de nós
há Sodomas inúteis
e Gomorras em brasa!
Álvaro Feijó
Por
Fernando Samuel
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8.12.11
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A VOZ DOS QUE NÃO TÊM VOZ
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Fernando Samuel
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7.12.11
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POEMA
SEGADOR
Aguça a tua foice!
Na terra
que o sangue
rega e aquece,
a semente germina
e a seara cresce.
A seara está madura, segador
Aguça a tua foice!
Joaquim Namorado
Por
Fernando Samuel
em
7.12.11
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UM ACTO DE CORAGEM
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Fernando Samuel
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6.12.11
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POEMA
LIBERDADE...
Liberdade sem pão não é liberdade.
Sem liberdade, o pão é escuro e amargo.
Enquanto a alvorada é uma rosa branca,
o pino da tarde é um toiro bravo.
Entre o destino aceite e o escolhido,
é o mais custoso o que mais me quadra.
Pode viver-se preso e ser-se livre.
Pode viver-se livre e ser-se escravo.
Armindo Rodrigues
Por
Fernando Samuel
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6.12.11
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UM BOM PRESENTE DE NATAL
Por
Fernando Samuel
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5.12.11
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POEMA
INTERROGATÓRIO
- Fala! A Dor lhe grita (impuro
seu grito branco que de rastos medra)
- Nunca! Quero quebrar de corpo duro
como as estátuas de pedra.
Luís Veiga Leitão
Por
Fernando Samuel
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5.12.11
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A FUGA DE CAXIAS
Por
Fernando Samuel
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4.12.11
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POEMA
HINO DE CAXIAS
Longos corredores nas trevas percorremos
sob o olhar feroz dos carcereiros
mas nem a luz dos olhos que perdemos
nos faz perder fé nos companheiros
Vá camarada, mais um passo,
já uma estrela se levanta,
cada fio de vontade são dois braços
e cada braço uma alavanca.
Oiço ruírem os muros,
quebrarem-se as grades de ferro da nossa prisão,
treme carrasco que a morte te espera
na aurora de fogo da libertação
Cortam o sol por sobre os nossos olhos,
muros e grades fecham horizontes,
mas nós sabemos onde a vida passa,
o nosso olhar é o mais alto dos montes.
Vá camarada, mais um passo,
já uma estrela se levanta,
cada fio de vontade são dois braços
e cada braço é uma alavanca
Oiço ruírem os muros,
quebrarem-se as grades de ferro da nossa prisão,
treme carrasco que a morte te espera
na aurora de fogo da libertação
Podem rasgar meu corpo à chicotada,
podem calar meu grito enrouquecido,
para viver de alma ajoelhada
vale bem mais morrer de rosto erguido.
Vá, camarada, mais um passo,
já uma estrela se levanta,
cada fio de vontade são dois braços
e cada braço uma alavanca.
Oiço ruírem os muros,
quebrarem-se as grades de ferro da nossa prisão,
treme carrasco que a morte te espera
na aurora de fogo da libertação.
Por
Fernando Samuel
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4.12.11
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SEM SURPRESA, A OCUPAÇÃO CONTINUA
Por
Fernando Samuel
em
3.12.11
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POEMA
A QUE MORREU ÀS PORTAS DE MADRID
A que morreu às portas de Madrid,
com uma praga na boca
e a espingarda na mão,
teve a morte que quis.
teve o fim que escolheu.
Nunca, passiva e aterrada, ela rezou.
E antes de flor, foi, como tantas, pomo.
Ninguém a virgindade lhe roubou
depois dum saque - antes a deu
a quem lha desejou,
na lama dum reduto,
sem náusea, mas sem cio,
sob a manta comum,
a pretexto do frio.
Não quis na retaguarda aligeirar,
entre champagne, aos generais senis,
as horas de lazer.
Não quis, activa e boa, tricotar
agasalhos pueris,
no sossego dum lar.
Não sonhou minorar,
num heroísmo branco,
de bicho de hospital,
a aflição dos aflitos.
Uma noite, às portas de Madrid,
com uma praga na boca
e a espingarda na mão,
à hora tal, atacou e morreu.
Teve a sorte que quis.
Teve o fim que escolheu.
Reinaldo Ferreira
Por
Fernando Samuel
em
3.12.11
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MUITO BEM!
Por
Fernando Samuel
em
2.12.11
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