POEMA
(Morreu Picasso, que não se limitou a
mostrar com génio nos seus quadros as coisas
e os homens destruídos pelo sistema capitalista...)
Mais nos ensinou Picasso:
que não se é jovem apenas biologicamente,
em virtude
da força com que se luta, o vigor do passo,
o sangue ardente,
nenhuma ruga na face,
o punho agreste e rude.
Na opinião dele
a juventude
nada tem a ver com a pele.
é um sonho mais profundo.
Constrói-se, faz-se
hora a hora, dia a dia,
segundo a segundo.
Sobretudo quando se é comunista
como ele era,
e se ambiciona um Novo Mundo
em que exista
a imaginação, a alegria
e a dupla primavera
nos homens e na Terra.
José Gomes Ferreira
Por
Fernando Samuel
em
30.9.11
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O «FUNDO DO CORAÇÃO» DO PASTOR ALEMÃO
Por
Fernando Samuel
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29.9.11
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POEMA
VIAGEM ATRAVÉS DE UMA LÁGRIMA
Nós, comunistas,
não habitamos
o deserto
nunca.
Há sempre
alguma coisa
alguém
uma palavra
uma canção
um nome
que de repente
se transforma em lágrima.
A lágrima
ao sol
é um pequeno punho
de cristal.
Mário Castrim
Por
Fernando Samuel
em
29.9.11
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O «LÍDER DA OPOSIÇÃO»...
Por
Fernando Samuel
em
28.9.11
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POEMA
IDIOTAS, PALHAÇOS E BANDIDOS...
Idiotas, palhaços e bandidos,
enfatuados, ocos, ignorantes,
do capital humildes servidores,
ante os trabalhadores majestosos,
melífluos, devotos, afectados,
hipócritas, sem escrúpulos, grosseiros,
no apetite à solta insaciáveis,
na total desvergonha sem remédio,
agiotas vorazes para os pobres,
para os ricos mãos rotas sem medida,
impávidos na asneira triunfal,
relapsos no logro e na mentira,
useiros e vezeiros na traição,
são os que nos governam e eu desprezo.
Armindo Rodrigues
Por
Fernando Samuel
em
28.9.11
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O «PIOR» E O «MELHOR»...
Por
Fernando Samuel
em
26.9.11
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POEMA
COMEI VOSSOS PERUS
Comei vosso perus
burgueses anafados
e dai esmolinha aos pobres
que tende esfomeados.
Um dia há-de chegar
em que sereis assados
não para subir ao céu.
Jorge de Sena
Por
Fernando Samuel
em
26.9.11
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A INTRÉPIDA
Por
Fernando Samuel
em
24.9.11
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POEMA
PREFERIR O NEBULOSO...
Preferir o nebuloso ao evidente,
por ser feio o evidente e belo o nebuloso,
é um defeituoso gozo
de doente.
Armindo Rodrigues
Por
Fernando Samuel
em
24.9.11
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OS «NÃO» DE OBAMA
Por
Fernando Samuel
em
23.9.11
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POEMA
SEMEARÁS O VENTO
semearás o vento
o trigo a sede
sentirás o grão
amadurecer
ao longo do teu corpo
escutarás no teu peito
o largo silêncio
da seara
colherás outro tempo
uma romã
uma fonte
semearás o vento
com o amor
que cria a tempestade
Rui Namorado
Por
Fernando Samuel
em
23.9.11
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ISTO ANDA TUDO LIGADO...
Por
Fernando Samuel
em
21.9.11
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POEMA
ATÉ AMANHÃ
agachados na cova da noite
pequeninos e enormes
esperávamos o homem da bicicleta
embrulhados em papel de jornal
ele transportava uma foicinha
e um martelo
mal chegado
um minuto de silêncio conspirativo
e logo o trabalho
sobre o chão húmido e rugoso
ensinava a construir
e a semear
na inteligência dos homens
no coração dos homens
na coragem dos homens
quando partia
e montava a tosca e fiel bicicleta
sabia
que na próxima vez
vinha encontrar a terra semeada de esperanças
e mais uma telha
e mais uma trave
na casa da construção
foi ontem
e amanhã se for preciso
Francisco Gonçalves de Oliveira
Por
Fernando Samuel
em
21.9.11
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IMPUNIDADES...
Por
Fernando Samuel
em
20.9.11
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POEMA
A ÚNICA SABEDORIA
Toda a crença
pressupõe uma pretensa sabedoria
revelada.
Eu quero-a conquistada
dia a dia.
Armindo Rodrigues
Por
Fernando Samuel
em
20.9.11
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E ANDAM NISTO HÁ 35 ANOS!
Por
Fernando Samuel
em
19.9.11
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POEMA
OS PRAZERES DA JUVENTUDE
Ao fim de 24 jogos perdidos,
o time ganhou o desafio.
O público inundou o campo, desceu à cidade,
e durante horas interrompeu o trânsito, bebeu na rua,
quebrou montras, partiu mesmo os faróis dos carros
da polícia que, risonha, comungava
naquele entusiasmo regional e jovem
por um triunfo tão longamente ansiado.
Uma centena de pessoas manifesta-se na rua
(contra uma «vitória» que não se vê no Viet-Nam),
e os cacetes desabam, a prisão enche-se,
porque interromperam o trânsito, incitaram à desordem,
e resistiram malignamente à autoridade
que os mandou dispersar.
Jorge de Sena
Por
Fernando Samuel
em
19.9.11
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HOJE NÃO HÁ POST!
Por
Fernando Samuel
em
18.9.11
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POEMA
NÃO NOS DEIXAM CANTAR
Não nos deixam cantar, Robeson,*
meu canário com asas de águia,
meu irmão negro com dentes de pérola,
não nos deixam cantar as nossas canções.
Têm medo, Robeson,
medo da aurora, medo de olhar
medo de ouvir, medo de tocar.
Têm medo de amar,
medo de amar como amou Ferhat, apaixonadamente.
(Decerto que também vocês, irmãos negros,
têm um Ferhat, como é que lhe chamas, Robeson?)
Têm medo da semente e da terra,
medo da água que corre,
medo da lembrança.
A mão de um amigo que não deseja
nem desconto nem comissão nem moratória
igual a um pássaro quente,
não apertou nunca a sua mão.
Têm medo da esperança, Robeson, medo da esperança!
Têm medo, meu canário com asas de águia,
têm medo das nossas canções, Robeson...
Nazim Hikmet
* Paul Robeson, cantor negro norte-americano. Do seu reportório faziam parte cantos espirituais negros e outras canções tradicionais, de combate e de luta. A dada altura foi proibido de fazer espectáculos nos EUA: ficou célebre o espectáculo que realizou no Canadá, no limite da fronteira com os EUA, ouvido por milhares de compatriotas seus...
Por
Fernando Samuel
em
18.9.11
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NÃO SE PODE SER MAIS CLARO...
Por
Fernando Samuel
em
17.9.11
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POEMA
UM FANTASMA PERCORRE A EUROPA
... E as velhas famílias fecham as janelas,
reforçam a segurança das portas,
e o pai corre às escuras para os Bancos
e o pulso pára-lhe na Bolsa
e sonha de noite com fogueiras,
com reses a arder,
que em vez de trigais tem chamas,
em vez de grãos, chispas,
caixas,
caixas de ferro, cheias de faúlhas.
Onde estás,
onde estás?
Os camponeses passam e calcam-nos o sangue.
O que é isto?
Fechemos,
fechemos depressa as fronteiras.
Vede como avança rápido no vento de Leste,
das estepes vermelhas da fome.
Que os operários não lhe ouçam a voz,
que o seu silvo não penetre nas fábricas,
que não divisem a sua foice erguida os homens dos campos.
Detende-o!
Porque transpõe os mares,
percorrendo toda a geografia,
porque se esconde nos porões dos barcos
e fala com os fogueiros
e trá-los tisnados para a coberta,
e faz com que o ódio e a miséria se sublevem
e as tripulações se levantem.
Fechai,
fechai os cárceres!
A sua voz estilhaçar-se-á contra os muros.
Que é isto?
Mas nós seguimo-lo,
fazemo-lo baixar do vento Leste que o traz,
perguntamos-lhe pelas estepes vermelhas da paz e do triunfo,
sentamo-lo à mesa do camponês pobre,
apresentamo-lo ao dono da fábrica,
fazemo-lo presidir às greves e às manifestações,
falar com os soldados e os marinheiros,
visitar os pequenos empregados nas oficinas
e erguer o punho aos gritos nos Parlamentos do ouro e do sangue.
Um fantasma percorre a Europa,
o mundo.
Nós chamamos-lhe camarada.
Rafael Alberti
Por
Fernando Samuel
em
17.9.11
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ANTI-AMERICANISTA PRIMÁRIO ME CONFESSO
Por
Fernando Samuel
em
16.9.11
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POEMA
SONETO ESCRITO NA MORTE DE TODOS OS ANTIFASCISTAS ASSASSINADOS PELA PIDE
Vararam-te no corpo e não na força
E não importa o nome de quem eras
naquela tarde foste apenas corça
indefesa morrendo às mãos das feras
Mas feras é demais. Apenas hienas
tão pútridas tão fétidas tão cães
que na sombra farejam as algemas
do nome agora morto que tu tens
Morreste às mãos da tarde mas foi cedo
Morreste por que não às mãos do medo
que a todos pôs calados e cativos
Por essa tarde havemos de vingar-te
por essa morte havemos de cantar-te:
Para nós não há mortos. Só há vivos.
José Carlos Ary dos Santos
Por
Fernando Samuel
em
16.9.11
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SUBLINHO APENAS...
Por
Fernando Samuel
em
15.9.11
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POEMA
REVOLUÇÃO
Entre tu e mim
há um montão de contradições
que se juntam
para fazer de mim o sobressalto
que fica de testa suada
e te edifica.
Miguel Barnet
Por
Fernando Samuel
em
15.9.11
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DEMOCRATICAMENTE QUÊ?...
Por
Fernando Samuel
em
14.9.11
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POEMA
HOMEM COM ESPERANÇA
Acabaremos algum dia, talvez amanhã,
com as palavras inúteis e bonitas,
com o tinir da porcelana fina,
e com as marionetes de escuras cores.
E ensinaremos aos nossos filhos, paridos sem dor,
o como e o porquê de cada coisa,ẽ deixamo-los ir para a rua, sem medo,
e brincarão a construir povos.
E tocarão na terra,
e fá-la-ão sua e de todos,
e escreverão, com novas palavras,
novas leis, nova história e nova vida.
Também virá um barco de ágil vela,
esquivando tempestades e altivas rochas,
e levará todo o ouro da terra, mitos e falsos deuses,
e deixar-nos-á quedo o mar e uma pequena barca.
Com ela iremos saudar os povos,
às costas uma mochila com ferramentas e livros,
nos olhos um brilho de alegria,
e a esperança nos homens e nos dias.
Joaquim Horta
Por
Fernando Samuel
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14.9.11
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E ETC. E TAL...
Por
Fernando Samuel
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13.9.11
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POEMA
QUADRAS
Tu fazes a vida inteira
esgares junto ao altar,
porque vês nisso a maneira
de viver sem trabalhar.
O padre não mostra cor
política na contenda:
é apenas o defensor
do governo que o defenda.
Se os homens dum deus precisam,
não me deixa satisfeito
o que os padres utilizam
apenas em seu proveito.
Se gostas de bem fazer
com qualquer interesse em vista,
não és quem pretendes ser
és simplesmente egoísta.
Se cá voltasse Jesus,
o mártir, filho do homem,
escorraçava os que comem
à sombra da sua cruz.
Quando a noção do dever
nos der ampla liberdade,
acabará por esquecer
a palavra «caridade».
António Aleixo
Por
Fernando Samuel
em
13.9.11
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CARTAS DE COMUNISTAS (6)
JURDAN LUTIBRODSKI
Por
Fernando Samuel
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12.9.11
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POEMA
A LUTA
A luta é implacável e cruel.
A luta, como se diz, é épica.
Já tombei. Outro me tomará o posto.
Nada mais. O que conta a vida dum qualquer?
Fuzilamento: e depois os vermes,
tudo isso é lógico e simples.
Nas tempestades estaremos sempre juntos,
meu povo, porque te amámos tanto.
Nicola Vaptzarov
Por
Fernando Samuel
em
12.9.11
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OS OUTROS «11 DE SETEMBRO»
Por
Fernando Samuel
em
11.9.11
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POEMA
HOMENAGEM AO POVO DO CHILE
Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que tombaram pelo Chile
morrendo de corpo inteiro.
Nas suas almas abertas
traziam o sol da esperança
e nas duas mãos desertas
uma pátria ainda criança.
Gritavam Neruda Allende
davam vivas ao Partido
que é a chama que se acende
no povo jamais vencido.
- o povo nunca se rende
mesmo quando morre unido.
Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que tombaram pelo Chile
morrendo de corpo inteiro.
Alguns traziam no rosto
um rictus de fogo e dor
fogo vivo fogo posto
pelas mãos do opressor.
Outros traziam os olhos
rasos de silêncio e água
maré-viva de quem passa
uma vida à beira-mágoa.
Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que tombaram pelo Chile
morrendo de corpo inteiro.
Mas não termina em si próprio
quem morre de pé. Vencido
é aquele que tentar
separar o povo unido.
Por isso os que ontem caíram
levantam de novo a voz.
Mortos são os que traíram
e vivos ficamos nós.
Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que nasceram para o Chile
morrendo de corpo inteiro.
José Carlos Ary dos Santos
Por
Fernando Samuel
em
11.9.11
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POLITOLOGIAS...
Por
Fernando Samuel
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10.9.11
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POEMA
A SOCIEDADE DE CONSUMO
A sociedade de consumo é um balcão.
Nela se vende o pão,
se vende o amor,
se vende o sonho, se vende a bondade,
se vende a justiça, se vende o favor,
se vende o acesso à informação,
se vende a modéstia, se vende a vaidade,
se vende a honra, se vende a fé,
se vende a vontade, que é uma ilusão,
se vende a morte, que não o é.
Armindo Rodrigues
Por
Fernando Samuel
em
10.9.11
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O SONHO E O PESADELO
Por
Fernando Samuel
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9.9.11
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POEMA
O COMBOIO DE SERVIÇO
1
Por ordem expressa do Fuhrer,
o comboio de luxo expressamente feito para o Congresso do Partido em Nuremberga
recebeu o nome de COMBOIO DE SERVIÇO.
O que quer dizer que
os que o tomam prestam com isso um serviço
ao povo alemão.
2
O comboio de serviço
é uma obra-prima da técnica ferroviária. Os passageiros
têm apartamentos privativos. Pelas largas janelas
vêem os camponeses alemães mourejar pelos campos.
Se por acaso transpirassem nesse momento
poderiam tomar banho
em cabines cobertas de ladrilhos.
Um subtil sistema de luzes permite-lhes
ler à noite, de pé, sentados ou deitados, os jornais
com as grandes reportagens sobre os benefícios do regime.
Os vários apartamentos
comunicam entre si por linhas telefónicas
tal como as mesas dos grandes dancings cujos clientes
podem perguntar às mulheres das mesas vizinhas
o preço que cobram.
Sem sair da cama os passageiros também podem
ligar o rádio, que transmite as grandes reportagens
sobre os erros dos outros regimes. Jantam,
se assim o desejarem, no respectivo apartamento,
e fazem as respectivas necessidades
em privadas privativas revestidas de mármore.
Cagam
Na Alemanha.
Brecht
Por
Fernando Samuel
em
9.9.11
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ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA...
Uma muito, muito difícil batalha - a exigir-nos muitos esforços, muita perseverança, muita paciência, muito, muito trabalho.
Por
Fernando Samuel
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8.9.11
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