POEMA
(Saltimbancos.)
Ao som dum sol-e-dó
vão dois maltrapilhos
a ensinar os filhos
a dançar no pó.
Que pena esta gente sem pão
não ter
imaginação
para sofrer!
José Gomes Ferreira
Por
Fernando Samuel
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31.5.11
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VOTO, A QUANTO OBRIGAS!...
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Fernando Samuel
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30.5.11
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POEMA
(Ao porco que todo o dia e toda a noite
grunhe em forma de símbolo debaixo
do meu quarto, na casa da senhora Rosinha.)
Eh! vizinho porco
todo o dia de borco
a foçar na terra onde nasceu!
Ensine ao aldeão
a sua lição
de pensar menos no céu
e mais no chão.
(Na terra, camponês,
também há estrelas
que tu não vês...
Mas hás-de vê-las.)
José Gomes Ferreira
Por
Fernando Samuel
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30.5.11
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BASTA-LHE SER O QUE É
Por
Fernando Samuel
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29.5.11
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POEMA
(A um morto soviético.)
A ave da morte
cantou numa bala
e o homem tombou
no silêncio de trapos...
Eh! morto: não fiques aí
deitado de costas
à espera que o céu
te caia nos olhos!
Volta-te e olha para a terra
- a carne da tua sombra
de flores acesa.
Céu para quê?
O céu é para os que esperam
e tu morreste por uma certeza.
José Gomes Ferreira
Por
Fernando Samuel
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29.5.11
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O LÍDER E O COLECTIVO
Por
Fernando Samuel
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28.5.11
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POEMA
(À Eterna Criança que me persegue a pedir esmola.
Grito de cólera.)
Ouve, Não-sei-quem:
recuso-me a viver
num mundo assim de lua podre
disfarçado de flores
com repetições de esqueletos
e a Eterna Voz Faminta
aqui na minha frente
- pálida de existir!
Ouve, Não-sei-quem:
e se, depois de tudo isto,
ainda há céu e inferno
ou outra sombra intermédia,
recuso-me terminantemente a morrer
e a entrar nessa comédia!
José Gomes Ferreira
Por
Fernando Samuel
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28.5.11
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A QUESTÃO MAIOR
Por
Fernando Samuel
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27.5.11
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POEMA
(Um jovem comunista, recém-saído da cadeia,
procurou-me para me dizer: «vou para Espanha
bater-me ao lado dos republicanos».)
Adeus!
Tu que arrancaste da treva dos dias e das noites
o sol subterrâneo das flores ocultas nas raízes.
Tu que nunca viste o luar completar os olhos das mulheres
- e a tua mãe só te beijava em fotografia.
Tu que vais morrer pelos outros com vinte anos de desdém ardente
e o futuro nunca saberá o teu nome para maior glória.
Tu que vais conhecer finalmente a verdadeira morte: a nossa.
Não a vida covarde atirada para as nuvens,
mas sombra sem frestas,
frio sem portas...
Tu: adeus!
Morre orgulhosamente
o teu destino de relâmpago
que afoga nos abismos
o eco longo
do silêncio das águias.
José Gomes Ferreira
Por
Fernando Samuel
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27.5.11
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POETA MILITANTE - POETA CAMARADA (2)
Por
Fernando Samuel
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26.5.11
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POEMA
UMA CERTA MANEIRA DE CANTAR
Nunca ouvi um alentejano cantar sozinho
com egoísmo de fonte.
Quando sente voos na garganta
desce ao caminho
da solidão do monte
e canta
em coro com a família do vizinho.
Não me parece pois necessária
outra razão
- ou desejo
de arrancar o sol do chão -
para explicar
a reforma agrária
no Alentejo.
É apenas uma certa maneira de cantar.
José Gomes Ferreira
Por
Fernando Samuel
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26.5.11
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POETA MILITANTE - POETA CAMARADA (1)
Por
Fernando Samuel
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25.5.11
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POEMA
(UM MOMENTO DE FILOSOFIA BARATA)
Para além do «ser ou não ser» dos problemas ocos,
o que importa é isto:
- Penso nos outros.
Logo existo.
(ARTE POÉTICA)
Liberdade
é também vontade.
Benditas roseiras
que em vez de rosas
dão nuvens e bandeiras.
(XLII)
E se eu se súbito gritasse
nesta voz de lágrimas sem face:
Eh! companheiros da plataforma
presos ao apagar do mesmo pavio!
Porque não nos amamos uns aos outros
e damos as mãos
- sim, as nossas mãos
onde apodrecem aranhas de bafio?
Eh! companheiros da plataforma!
(Não empurrem, Irmãos.)
José Gomes Ferreira
(três poemas de Eléctrico)
Por
Fernando Samuel
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25.5.11
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ISTO ANDA TUDO LIGADO
Por
Fernando Samuel
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24.5.11
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POEMA
BANDEIRINHAS
Parei a olhar o mapa da guerra; tinham-no afixado
na frontaria dos escritórios do jornal.
Bandeirinhas - vermelhas e amarelas bandeirinhas,
azuis e pretas bandeirinhas - são deslocadas para trás
e para diante sobre o mapa.
Um rapaz sorridente, cheio de sardas,
sobe a escada, atira uma piada
a alguém que está entre a multidão,
depois espeta uma bandeirinha amarela
uma polegada para oeste
e atrás da amarela espeta uma preta, uma polegada para oeste.
(Dez mil rapazes contorcem-se num lago de sangue
à margem de um rio,
feridos, em convulsões, implorando água,
alguns já no estertor da morte).
Quem perguntará a si mesmo
quanto custou deslocar uma polegada
duas bandeirinhas aqui, no mapa da guerra,
na frontaria do jornal,
onde um jovem sardento nos sorri?
Carl Sandburg
Por
Fernando Samuel
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24.5.11
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O NOVO FUHRER
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Fernando Samuel
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23.5.11
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POEMA
CANÇÃO BURGUESA
Consolo e delícia
da vida burguesa...
Sete horas em ponto
o jantar na mesa;
café bem quentinho,
conversa tranquila,
e um lençol de linho
esperando o seu dono
para um belo sono...
(Que bom não ter sonhos,
dormir sossegado!)
Já estou acordado,
já salto da cama,
- Maria, Maria,
traga os meus chinelos,
traga o meu pijama...
A alma lavada,
o corpo limpinho,
- Bom dia, vizinha!
- Bom dia, vizinho!
Consolo e delícia
da vida burguesa...
Se isto continua,
morro, com certeza!
Raul de Carvalho
Por
Fernando Samuel
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23.5.11
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TENHO DITO
Por
Fernando Samuel
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22.5.11
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POEMA
AMOSTRA SEM VALOR
Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém.
Cada um tem o seu, pessoal e intransmissível;
com ele se entretém
e se julga intangível.
Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu,
sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito,
que o respirar de um só, mesmo que seja o meu,
não pesa num total que tende para infinito.
Eu sei que as dimensões impiedosas da Vida
ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo,
nesta insignificância, gratuita e desvalida,
Universo sou eu, com nebulosas e tudo.
António Gedeão
Por
Fernando Samuel
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22.5.11
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ISTO ANDA TUDO LIGADO...
O presidente da Confederação Empresarial Portuguesa (CIP) diz que é necessário que os trabalhadores tenham menos dias de férias e mais horas de trabalho - e, certamente, salários mais baixos, despedimentos mais fáceis e todas essas coisas a que os comentadores de serviço nos média do grande capital chamam de «modernidade» e «inevitabilidade»...
O presidente da CIP sabe que, para concretizar o seu objectivo, conta com todo o apoio do governo: do actual e, como tudo parece indicar, do próximo - seja ele PS; ou PSD; ou dos dois de braço dado; ou de qualquer um deles com o CDS atrelado.
Os trabalhadores sabem que, para se defenderem de mais esta ofensiva, contam consigo próprios, com a sua luta, e com o apoio das forças que, hoje como sempre, ocupam a primeira dila da luta pela defesa dos interesses e direitos de que trabalha e vive do seu trabalho: no plano social, a CGTP-IN; no plano político, o PCP.
Nós todos sabemos que a luta vai ser dura; que ela se trava nas empresas e locais de trabalho, nas ruas, nas escolas, nos campos, nas localidades.
E é preciso que todos saibamos que no dia 5 de Junho, a arma de luta a utilizar é o voto - e que o voto deve ser dado a quem o merece.
Diz o jornal que o «número de pensões douradas do Estado aumentou 400% na última década».
Assim: o número de aposentados com pensões superiores a 2 500 euros aumentou sete vezes desde 2000, enquanto o contingente de aposentados com 4 000 euros ou mais aumentou, no mesmo período, quase cinco vezes.
Não tenho nada contra pensões altas - mas tenho muito contra as pensões baixas.
E a propósito, recorde-se que há cerca de 1 milhão e 900 mil reformados que recebem uma pensão média de 369, 29 euros - e que o pacto que a troika indígena assinou com a troika estrangeira vem trazer, entre outras «prendas, o congelamento e corte nos valores das pensões; mais cortes nos apoios sociais; agravamentos nos custos da saúde (taxas moderadoras, medicamentos e transportes); aumento do IVA e do IRS, etc.
Também neste caso, os resultados das eleições de 5 de Junho são decisivos na medida em que decidem se as injustiças das troikas vão continuar ou se o voto irá dar mais força aos que se batem contra essas injustiças e contra essas troikas - e estes quase 2 milhões de reformados e pensionistas devem pensar bem... em si próprios, nos seus interesses pessoais, nas suas vidas, na injustiça de que são vítimas... e votar em si próprios, nos seus interesses, contra a injustiça de que são vítimas... votar CDU.
Ontem falei-vos dos jornalistas hondurenhos assassinados pela repressão fascista -e do silêncio absoluto sobre o assunto por parte dos média e jornalistas portugueses.
Hoje falo-vos do destaque especial dado por esse mesmos média dominantes ao caso do fotojornalista espanhol, Manu Brabo, que esteve «sequestrado na Líbia, durante mês e meio, pelos fiéis ao regime de Kadhafi».
Pelas notícias ficamos a saber, ao pormenor, «os dias de cativeiro» do fotojornalista que anteontem regressou a casa - após ter sido julgado por um tribunal administrativo de Tripoli - e «condenado a um ano de prisão com pena suspensa e uma multa de 150 euros por entrada ilegal no país».
No aeroporto tinha à sua espera «uma vasta multidão composta por familiares, amigos e jornalistas que estavam ansiosos pela sua chegada».
Nada tenho contra a solidariedade dos média para com o fotojornalista espanhol, antes pelo contrário - mas tenho tudo contra a ausência absoluta de solidariedade desses mesmos média para com os jornalistas assassinados nas Honduras.
E também neste caso, os resultados das eleições de 5 de Junho têm alguma coisa a dizer... porque, como muito bem sabemos, meus amigos, isto anda tudo ligado...
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Fernando Samuel
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21.5.11
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POEMA
ACENDA-SE NA NOITE...
Acenda-se na noite o facho silencioso.
Enquanto sobre a terra impere a iniquidade,
ninguém poderá ser inteiramente livre.
Armindo Rodrigues
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Fernando Samuel
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21.5.11
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BANDALHOS
Mais um jornalista foi assassinado nas Honduras.
Chamava-se Hector Polanco e tinha denunciado negócios escuros envolvendo políticos e agrário de São Pedro de Sula.
Hector Polanco é mais uma vítima da brutal repressão que se instalou nas Honduras após o golpe militar, concebido pelo Governo de Obama e executado por fascistas locais.
As Honduras são, hoje, um dos países mais perigosos para jornalistas: em 2010 foram assassinados 11 profissionais da informação.
Sobre estes crimes, os média dominantes portugueses lançaram uma cerrada cortina de silêncio: nem uma referência, nem uma palavra, nada.
Nem sequer a notícia do crime.
Os jornalistas assassinados nas Honduras são colegas de profissão dos jornalistas portugueses e, destes, não há um único - um único! - que tenha a coragem de um gesto solidário, de denunciar os crimes brutais que ali estão a ser praticados.
Não há um único!
Bandalhos!
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Fernando Samuel
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20.5.11
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POEMA
NO FIM
Quando terminarmos à dentada
esta tão longa, salitrosa noite,
os sorrisos descerão nos rios,
darão flor na oliveira as lágrimas.
Quando se firmem as águas movediças
a alegria cunhará moeda;
vozes longínquas abrirão janelas;
estaremos vestidos sob o céu.
Egito Gonçalves
Por
Fernando Samuel
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20.5.11
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CATARINA
«Foi a 19 de Maio de 1954, no começo das ceifas, numa luta por melhores jornas, nas redondezas de Baleizão, que o famigerado Carrajola, um tenente da GNR, num acto de ódio criminoso, assassinou Catarina com uma rajada de metralhadora.
Os trabalhadores agrícolas de Baleizão estavam em greve, reivindicavam melhores jornas nas ceifas.
A GNR tinha a aldeia cercada. Próximo dali, um rancho arregimentado pelo agrário, "furou" a greve. Catarina e mais 14 companheiras romperam o esquema da GNR e foram ao encontro do grupo que ceifava. Foram interceptadas pelo tenente Carrajola que as questionou, cheio de ódio, sobre o que queriam elas. Catarina respondeu: "Quero pão para matar a fome aos meus filhos!".
Em resposta, o criminoso Carrajola disparou uma rajada de metralhadora, matando Catarina...
Este bárbaro crime provocou profunda dor e revolta no País, em particular na região de Beja e na terra baleizoeira. O fascismo matava homens e mulheres por lutarem por Pão e Trabalho, pela Liberdade e pela Democracia.
Uma das fortalezas alentejanas da resistência antifascista, Baleizão era onde o PCP, na clandestinidade, contava com forte influência e onde as mulheres comunistas tinham uma activa militância na luta revolucionária contra a ditadura salazarista, na luta pela Liberdade.
Há gente que não gosta do PCP e procura negar que Catarina fosse militante do Partido. É necessário dar luta contra essas mentiras.
Catarina Eufémia era não só militante, desde 1953, como era também membro do Comité Local de Baleizão do PCP e um dos seus membros mais activos».
(António Gervásio - Dirigente do PCP na clandestinidade, nos anos 50, no Alentejo)
«Catarina morreu como deve saber morrer um membro do Partido. Morreu à frente das massas, encabeçando a luta de classe, defendendo os interesses vitais dos trabalhadores. Enquanto viva, Catarina serviu, com a sua actividade, a classe trabalhadora. Morta, continuou a servi-la pelo seu exemplo, inspirando sucessivas gerações no espírito de combatividade e de abnegação.
Catarina tornou-se uma lendária heroína popular, orgulho do glorioso proletariado rural alentejano, orgulho de todos os trabalhadores portugueses, orgulho do Partido.
(...) O Partido Comunista Português, o Partido de Catarina Eufémia, é uma criação do povo trabalhador e existe para servi-lo. Nós, comunistas, onde quer que estejamos, nos locais de trabalho ou o Governo, não pouparemos esforços e daremos a vida se necessário, na defesa dos interesses, das aspirações, dos objectivos do povo trabalhador.»
(Álvaro Cunhal - discurso em Baleizão, 19 de Maio de 1974)
CATARINA
Por
Fernando Samuel
à(s)
19.5.11
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POEMA
RETRATO DE CATARINA EUFÉMIA
Da medonha saudade da medusa
que medeia entre nós e o passado
dessa palavra polvo da recusa
de um povo desgraçado.
Da palavra saudade a mais bonita
a mais prenha de pranto a mais novelo
da língua portuguesa fiz a fita encarnada
que ponho no cabelo.
Trança de trigo roxo
Catarina morrendo alpendurada
do alto de uma foice.
Soror Saudade Viva assassinada
pelas balas do sol
na culatra da noite.
Meu amor. Minha espiga. Meu herói.
Meu homem. Meu rapaz. Minha mulher
de corpo inteiro como ninguém foi
de pedra e alma como ninguém quer.
José Carlos Ary dos Santos
Por
Fernando Samuel
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19.5.11
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DESINFORMAÇÃO ORGANIZADA
As pessoas que têm como única fonte de informação os média dominantes não sabem que amanhã os trabalhadores virão para a rua, em Lisboa e no Porto - convocados pela sua Central Sindical, a CGTP-IN - lutar pelos direitos que a troika da política de direita lhes tem vindo a roubar há 35 anos - e aos quais a troika do grande capital financeiro veio, agora, dar uma machada fatal.
Sobre essas manifestações, a generalidade desses média disse... nada.
O que não surpreende, aliás, já que, como é sabido, manifestações e outras lutas dos trabalhadores não são tema que se enquadre nas preferências - nem nos «critérios informativos»... - dos média propriedade do grande capital.
Assim, participarão nas manifestações apenas os trabalhadores informados - a informação gera a lucidez e a coragem - ou seja, aqueles que se inteiram do que se passa no país e no mundo recorrendo à informação alternativa ou que são contactados pessoalmente, e informados, nas empresas onde trabalham, pelos activistas sindicais.
Quanto ao outros - os que apenas lêem, ouvem e vêem os jornais, rádios e têvês - esses ficarão a saber o que as direcções desses jornais, rádios e têvês querem que eles saibam sobre o que se passa por cá e lá fora.
Sobre o que se passa por cá, os jornais de hoje, dia 18 de Maio, véspera das grandes manifestações de Lisboa e do Porto, dedicam a parte maior das suas edições ao jogo de futebol FCPorto/SCBraga que esta noite terá lugar em Dublin.
E não poupam espaço, antes pelo contrário: o DN dedica ao acontecimento nada mais nada menos do que 10-páginas-10; e o Público e o JN meia dúzia cada um - todos fazendo da notícia manchete de primeira página.
E sobre o assunto fica o leitor a saber tudo-tudinho - inclusive que os «padres de Braga, nas missas de hoje, vão orar» pelo clube local, com isso procurando «juntar adeptos bracarenses e convidá-los a orar»...
Tudo-tudinho, excepto talvez o mais significativo, a saber: o facto de se tratar de um jogo entre dois clubes de um País recém- ocupado pelas hordas do FMI, realizado na capital de um País que já está a sofrer na carne e na pele os efeitos de uma ocupação semelhante.
Sobre o que se passa lá fora, o destaque vai para a prisão do número 1 do FMI nos EUA - para onde a «nossa» RTP enviou uma brigada especial para acompanhar a par e passo tudo-tudinho..., como o Cantigueiro oportunamente registou ontem.
Hoje ficámos a saber que - segundo uma «sondagem»... - 57% dos franceses acham que Strauss-Kahn está a ser vítima de uma cabala... (onde é que eu já ouvi isto?...)
Uma pequena notícia dá nota, entretanto, que a defesa de Strauss-Kahn admite que terá ocorrido algo do foro sexual entre o chefe do FMI e a camareira do hotel: não o que a mulher diz que aconteceu, mas... «uma relação sexual consentida»...
Se assim foi... 57% dos franceses estão errados, está visto...
Voltando à matéria de primeiro: amanhã é dia de luta.
Nas ruas.
Em Lisboa e no Porto.
Luta contra a política de direita e os que a vêm praticando há 35 anos.
Luta, também - isto digo eu - contra os que, através de uma prática sistemática de desinformação organizada - a desinformação organizada gera a falta de lucidez e de coragem - têm dado um contributo decisivo para que a situação de Portugal e dos portugueses tenha chegado ao desgraçado estado a que chegou.
Por
Fernando Samuel
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18.5.11
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POEMA
INSTRUÇÕES PARA OS SUPERIORES
No dia em que o soldado desconhecido morto na guerra
foi enterrado com salvas de canhão,
de Londres a Singapura parou
ao meio dia ao mesmo tempo,
das doze horas e dois às doze horas e quatro,
durante dois minutos completos,
todo o trabalho,
só com o fim de honrar o
Soldado Desconhecido Morto na Guerra.
Mas, apesar disso tudo, talvez
se devesse ordenar
que ao Trabalhador Desconhecido
das grandes cidades dos Continentes povoados
se prestassem também honras finalmente.
Um homem qualquer da rede do tráfico,
cuja face não fora notada,
cujo ser secreto passara despercebido,
cujo nome não fora ouvido distintamente,
um tal homem devia,
no interesse de todos nós,
ser contemplado com honras de excepção,
com uma alocução na rádio
«Ao Trabalhador Desconhecido»
e
com um pausa no trabalho de todos os homens
por todo o Planeta.
Bertolt Brecht
Por
Fernando Samuel
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18.5.11
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E CHEGARÁ O DIA DAS SURPRESAS...
O procurador-geral do Tribunal Penal Internacional (TPI) - Luís Ocampo-Moreno - pediu a emissão de mandatos da captura para Khadafi e mais dois dirigentes líbios.
Diz ele que as provas que já recolheu - junto dos «rebeldes» líbios, naturalmente... - «mostram que Khadafi ordenou pessoalmente ataques contra civis», pelo que vai ser acusado de «crimes contra a humanidade».
Ocampo-Moreno diz ainda que tantas são as provas de que dispõe já que «estamos prontos para ir a julgamento» - assim como quem diz: prendam lá o gajo que eu trato-lhe da saúde... democraticamente...
Registe-se a preocupação do procurador-geral do TPI com os «civis líbios». Registe-se, ainda, que ouvi-lo a falar sobre o assunto é ouvir a voz do dono Obama...
Por isso, não fico à espera que ele considere civis líbios as crianças, mulheres e homens esfacelados pelas bombas da NATO.
Por isso não fico à espera que ele peça mandatos de captura para os que ordenaram (e continuam a ordenar) pessoalmente esses bombardeamentos contra civis líbios - bombardeamentos que constituem brutais crimes contra a humanidade.
Isto é: não fico à espera que o procurador-geral do TPI mande prender aqueles que deviam ser presos, julgados e severamente condenados, a saber: Obama, Cameron, Sarkozy, Merkel, entre muitos outros criminosos.
Porque não é para fazer justiça que o TPI existe, bem pelo contrário.
Porque não foi para fazer justiça que o procurador-geral foi escolhido para o cargo, bem pelo contrário.
Mas fico à espera, isso sim!... do «dia das surpresas»...
Que, mais dia menos dia, «chegará».
Por
Fernando Samuel
à(s)
17.5.11
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POEMA
CANTIGA DO ÓDIO
O amor de guardar ódios
agrada ao meu coração,
se o ódio guardar o amor
de servir a servidão.
Há-de sentir o meu ódio
quem o meu ódio mereça:
Ó vida, cega-me os olhos
se não cumprir a promessa.
E venha a morte depois
fria como a luz dos astros:
Que nos importa morrer
se não morrermos de rastros?
Carlos de Oliveira
Por
Fernando Samuel
à(s)
17.5.11
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INJUSTIÇAS!
Mário Soares manifestou-se «surpreendido» com a detenção do seu amigo Dominique Strauss-Kahn - chefe máximo do famigerado FMI - acusado de «brutal agressão sexual a uma camareira» do hotel onde estava hospedado.
Comecei por ficar surpreendido com a surpresa manifestada por Soares - tanto mais que como o próprio Soares reconhece, Strauss-Kahn tem antecedentes na matéria: «ele já tinha tido uma coisa desse estilo»... (e eu acrescento: pelo menos, tanto quanto se sabe, duas coisas desse estilo...)
Depois percebi: Soares está «surpreendido» não pelo acto praticado pelo número 1 do FMI, mas por este, desta vez, ter sido preso...
Pensa Soares,, certamente, que pessoas como Strauss-Kahn - generosas, solidárias, amigas do seu amigo, sempre prontas a ajudar quem está com a corda na garganta... - não deviam ser presas por «coisas deste estilo»..
Soares disse o que disse na Feira do Livro, onde se deslocou para autografar o seu mais recente livro, «No Centro do Furacão», composto por algumas das crónicas que tem vindo a publicar no Diário de Notícias.
(Sim, aquelas prosas chatas, chatérrimas, intragáveis, com as quais Soares vai cumprindo as tarefas que lhe competem enquanto homem de toda a confiança do capitalismo - e especialmente do imperialismo norte-americano.)
Diz o DN que as pessoas fizeram fila para conseguir o autógrafo e a fotografia com o autor - «para a posteridade»...
Mas não desesperemos:tenho para mim como coisa certa que a maioria dessas pessoas, do livro apenas lerá... o autógrafo.
Com tudo isto, no entanto, fico a pensar que Soares é uma pessoa cheia de sorte, daquelas de quem é costume dizer-se que nasceram com o cu virado para a lua...
Senão vejamos: por se meter em «coisas deste estilo», Strauss-Kahn foi preso - e lá está, segundo se diz sujeito a ser condenado a 20 anos de prisão...
Enquanto isso, Soares, por se meter noutro estilo de coisas - destruiu o regime democrático de Abril e entregou Portugal ao capitalismo internacional - assina autógrafos na Feira do Livro e vê o DN chamar-lhe «figura maior do regime democrático»...
INJUSTIÇAS! - grito eu: ou os dois na prisão ou os dois a assinar autógrafos.
JÁ!
Por
Fernando Samuel
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16.5.11
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POEMA
AS CRIANÇAS E OS MONSTROS
A criança entrou numa casa de brinquedos e perguntou:
- Tem carícias para vender?
E o homem respondeu: - Essas coisas não temos,
mas vendemos revólveres, metralhadoras
e canhões para crianças subdesenvolvidas
e bombas atómicas
em miniatura
para meninos de fino trato
pagáveis em dez prestações
e com entrega mensal de um monstro
mais ou menos domesticado
ao cliente que tiver praticado o crime atómico
em miniatura
mais horrível do mundo.
Sidónio Muralha
Por
Fernando Samuel
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16.5.11
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POEMA
A BOMBA
O primeiro sopro arrancou-lhe a roupa;
o imediato levou também a carne.
Ao longo da rua
durante alguns segundos correu o esqueleto.
Mas a rua já não estava,
estava toda no ar;
de lá caíam bocados de prédios, bocados
de crianças, restos de cadilaques...
O esqueleto não compreendia sozinho
aquela situação:
deixou-se tombar sobre algumas pedras radioactivas
e permitiu na queda o extravio de alguns ossos.
(Caso curioso: o coração
pulsou ainda três ou quatro vezes
entre o gradeamento das costelas.)
Egito Gonçalves
Por
Fernando Samuel
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15.5.11
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UM FACÍNORA CHAMADO BARACK OBAMA
Como estamos lembrados, a intervenção da NATO na Líbia - ordenada pelo governo de Obama e apoiada pelos seus lacaios europeus - tinha como preocupação primeira a «humanitária» tarefa de «proteger civis»...
Após dois meses de «protecção a civis», constata-se que as principais cidades líbias foram exaustivamente bombardeadas.
Para além de um número não quantificado de «civis protegidos» - isto é, mortos ou feridos - os prédios e as infra-estruturas de água, esgotos, luz e gás estão seriamente danificadas.
Estes bombardeamentos «humanitários» são complementados com um bloqueio marítimo e aéreo com o qual é impedida a entrada no país de medicamentos e de alimentos - sempre tendo presente, obviamente, a preocupação de «proteger civis» que Obama e o seu bando não se cansam de apregoar...
Por efeito de todas estas «acções humanitárias», a imensa maioria da população da Líbia - mais de 60% - vive, hoje, uma situação de extrema gravidade decorrente da falta de água, de alimentos, de medicamentos...
Presume-se, é claro, que esta maioria da população líbia não é «civil» - porque esses, os «civis», estão bem «protegidos» pelos bombardeamentos e pelo bloqueio decretados pelo Nobel da Paz...
As multidões que, em condições dramáticas, procuram abandonar o país - e, assim, livrar-se das bombas, das carências, da morte provocadas pela «protecção de civis» - são outra consequência da «acção humanitária» em curso na Líbia...
Também neste caso é óbvio que não se trata de «civis» - se o fossem estariam «protegidos» por Obama & Cia...
Como sempre acontece em situações semelhantes, as crianças são as principais vítimas. Mas não há problema: para os cruzados «protectores de civis líbios», as crianças também não são «civis», logo não podem beneficiar da «humanitária protecção»...
Que sofram, portanto, que passem todas as privações, que fiquem sepultadas nos escombros das suas casas destruídas pelos bombardeamentos, que morram à fome e à sede: Obama e os seus sicários, se tiverem tempo e se lembrarem, talvez rezem por elas uma breve, brevíssima oração...
Entretanto, a Alemanha abriu uma «missão em Bengazi» - chefiada por um «diplomata experimentado» e a União Europeia anunciou ir «abrir um gabinete na capital dos rebeldes» - capital que já recebeu a visita do senador norte-americano John McCain e do ministro dos negócios estrangeiros da Polónia.
Por seu lado, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, recebeu o «líder dos rebeldes líbios e convidou-o a abrir uma missão em Londres».
É claro que em Bengazi a «protecção de civis» é um êxito... dir-se-ia, até, que todos os «civis» líbios vivem na «capital dos rebeldes»...
Estamos, assim, perante uma tragédia humanitária provocada por um bando de criminosos - o maior e mais responsável dos quais é o presidente dos EUA.
Estamos, assim, perante um crime hediondo que urge denunciar - e exigir o fim da criminosa agressão à Líbia e ao seu povo; e exigir o julgamento e a condenação dos responsáveis por essa tragédia - mesmo sabendo que tal acto de justiça não é, na situação actual, exequível.
E gritar, até que a voz nos doa - e mesmo para além disso - que o principal responsável por todos estes crimes é um facínora chamado Barack Obama.
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Fernando Samuel
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15.5.11
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POEMA
(SERENATA CÍNICA PARA O BETTENCOURT CANTAR)
Menino que vais na rua,
não cantes nem chores: berra!
Cospe no chão e na lua
e aprende a pisar a terra.
Aprende a pisar o mundo,
deixa a lua aos violinos
dos olhos dos vagabundos
e dos poetas caninos.
Aprende a pisar a vida.
Deixa a lua às costureiras
- pobre moeda caída
de quem não tem algibeiras.
Aprende a pisar no chão
o silêncio do luar
sem sentir no coração
outras pedras a gritar.
Pisa a lua sem remorsos,
estatelada no solo...
Não hesites! Quebra os ossos
dessa criança de colo.
Pisa-a, frio, com coragem,
sem olhos de serenata:
que isso que vês na paisagem
não é ouro nem é prata.
Menino que vais na rua,
não chores, nem cantes: berra!
ou, então, salta prá lua
e mija de lá na terra.
José Gomes Ferreira
Por
Fernando Samuel
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14.5.11
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RECONQUISTAR A LUZ E O SOL
Estamos em tempo de apagões.
Anteontem e ontem foi o blogger: deixou-nos às escuras, roubou-nos posts (e comentários), com isso suscitando uma avalanche de leituras diversificadas do que (cada um pensava que) estava a acontecer.
Felizmente - faça-se luz! - a luz voltou.
É certo que muitos dos posts (e dos comentários) «temporariamente retirados» não regressaram ainda às respectivas bases - mas os chefes garantem que, mais dia menos dia, hão-de voltar. E se eles garantem...
Estava a blogosfera assim mergulhada na escuridão e eis que outro apagão ocorria: este de tipo e dimensão e significado diferentes, já que tinha como protagonista principal o Sol - que nos dá luz a todos e não apenas aos bloggers - e como assistentes os 200 mil fiéis que, em Fátima, adoravam Nossa Senhora e o beato João Paulo II.
Foi assim: no momento em que «os fiéis assistiam a um vídeo sobre a ligação de João Paulo II ao Santuário», eis que «uma auréola» surge no céu, rodeando o Sol: «Só pode ser um sinal de João Paulo II», dizia uma fiel; e dizia outra: «Nos minutos em que Fátima revive a vida do beato João Paulo II aconteceu isto. Foi algo especial»; e «muita gente chorava, em comoção e lembrava a aparição de Fátima aos pastorinhos, o milagre do Sol»; e diziam muitos fiéis: «Milagre!», «Milagre!».
Milagre?: por enquanto, «ninguém da hierarquia da Igreja Católica portuguesa quis prestar qualquer depoiamento».
Por isso, aguardemos... tanto mais que a «auréola», tal como a «falha técnica» do Blogger, já passou...
Ainda em matéria de apagões, está o País às escuras por efeito da «crise» - nome dado às consequências de 35 anos de política de direita praticada pela troika indígena e às medidas de afundamento agora decretadas pela troika ocupante.
Neste caso, estamos perante um apagão mais complicado, muito mais demorado e de muito mais difícil solução.
Com efeito, se os posts foram «temporariamente retirados» dos respectivos blogues, e se a «aureóla» de Fátima foi à vida dela após os breves momentos que durou a sua «aparição», o mesmo não podemos dizer dos direitos dos trabalhadores - direito ao emprego, a um salário justo, a pensões e reformas dignas, a serviços públicos essenciais, etc, etc. - que há 35 anos têm vindo a ser roubados e que as duas troikas se preparam, agora, apagar completamente.
Quer isto dizer que, se em relação ao apagão do Blogger, esperámos - e a luz voltou;
e se em relação à «auréola» de Fátima, esperámos - e o Sol voltou;
no que toca ao apagão do País, não podemos esperar mais: temos que reconquistar a luz e o Sol que nos estão a roubar.
Lutando: manifestando-nos nas ruas de Lisboa e do Porto na próxima quinta-feira; votando na CDU no dia 5 de Junho.
E ganhando força para dar mais força à luta nos dias 6, 7, 8...
Por
Fernando Samuel
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14.5.11
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POEMA
UM CONTO DE INVERNO
Amigos, quero compor para vós uma canção,
uma canção nova, uma canção melhor!
Queremos instaurar aqui na terra,
agora mesmo, o reino dos céus.
Queremos ser felizes nesta terra,
aqui queremos derrotar a fome
e que o ventre preguiçoso não devore
o que mãos trabalhadoras produziram.
Cresce, aqui em baixo, pão que chega
para os filhos dos homens
e ainda há rosas e mirtos,
beleza, alegria e ervilha-de-cheiro.
Sim, ervilhas-de-cheiro para todos.
Logo ao abrir das vagens!
O céu, não o queremos para nada,
fiquem com ele os anjos e os pardais.
Heinrich Heine
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Fernando Samuel
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12.5.11
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