POEMA
Do chão sabemos que se levantam as searas e as árvores,
levantam-se os animais que correm os campos
ou voam por cima deles,
levantam-se os homens e as suas esperanças.
Também do chão
pode levantar-se um livro,
como uma espiga de trigo
ou uma flor brava.
Ou uma ave.
Ou uma bandeira.
José Saramago
(com este poema em prosa tirado do romance Levantado do Chão, encerramos o ciclo José Saramago.
O mês de Fevereiro será dedicado a Brecht. Por duas razões: porque é o mês do nascimento de grande dramaturgo, poeta e ensaísta e porque... sim)
Por
Fernando Samuel
em
31.1.11
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Deolinda "Parva que Sou"
Sou da geração sem remuneração e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar, já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar, que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração casinha dos pais, se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar, que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração vou queixar-me pra quê? Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração eu já não posso mais que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar, que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar.
Por
João Filipe Rodrigues
em
31.1.11
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Marcadores: Música
AS MASSAS EM MOVIMENTO
Por
Fernando Samuel
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30.1.11
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POEMA
NEGÓCIO
Quanto de mim é ouro, não se vende.
O resto desprezado, com o ouro,
eu o darei a quem o ouro entende.
José Saramago
Por
Fernando Samuel
em
30.1.11
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«DEMOCRACIA EXEMPLAR»
Por
Fernando Samuel
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29.1.11
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POEMA
DISPOSTOS EM CRUZ...
Dispostos em cruz desfeitos em cruz
em cada caminho três portas fechadas
um vento de faca um resto de luz
o espanto da morte nas águas cortadas
Um corpo estendido um ramo de frutos
um travo na boca da boca do outro
o branco dos olhos o negro dos lutos
o grito o relincho e o dente do potro
As feridas do vento as portas abertas
os cantos da boda no ventre macio
as notas do canto nas linhas incertas
e o lago do sangue ao largo do rio
O céu descoberto da nuvem da chuva
e o grande arco-íris na gota de esperma
o espelho e a espada o dedo e a luva
e a rosa florida na borda na berma
E a luz que se expande no pino do Verão
e o corpo encontrado no corpo disperso
e a força do punho na palma da mão
e o espanto da vida na forma do verso
José Saramago
Por
Fernando Samuel
em
29.1.11
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A LUTA DE MASSAS
Por
Fernando Samuel
em
28.1.11
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POEMA
CAVALARIA
Cheguei esporas ao cavalo
e os sentimentos exaustos
deram saltos no regalo
das gualdrapas e dos faustos
A relva cheirava a palha
desmanchei rosas vermelhas
mas pasto foi maravalha
sabia ao sarro das selhas
Porque o cavalo era eu
o cansaço e as esporas
tudo eu e a cor do céu
mais o sonho das amoras
Relinchos eram os versos
com jeito de ferradura
que fazia por dar sorte
mas tantos foram reversos
que o ventre de serradura
deu o estoiro e deu a morte
Cai a montada no chão
cai por terra o cavaleiro
que era eu (como se viu)
da escola de equitação
vim ao saber verdadeiro
das transparências do rio
Agora dentro do barco
nos remos brancas grinaldas
tenho os teus braços em arco
como um colar de esmeraldas
José Saramago
Por
Fernando Samuel
em
28.1.11
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VALHA-NOS A LUTA DE MASSAS
Por
Fernando Samuel
em
27.1.11
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POEMA
TENHO A ALMA QUEIMADA...
Tenho a alma queimada
por saliva de sapo
Fingindo que descubro
tapo
A palavra me infecta
sob a pele da aparência
Deito o remédio certo
paciência
Neste mal não se vive
mas também ninguém morre
Quando a ave não voa
corre
Quem às estrelas não chega
pode vê-las da terra
Quem não tem voz de cantar
berra
José Saramago
Por
Fernando Samuel
em
27.1.11
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GATOS - PINGADOS
Por
Fernando Samuel
em
26.1.11
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POEMA
NEM SEMPRE A MESMA RIMA
Bem couraçado na pele
não sou eu mas aparência
e se me rasgo e me mostro
nem assim sou evidência
Porque os acertos em mim
são cartas de paciência
baralho caído ao chão
levantado sem prudência
Sobre a mesa verde-negra
corre um jogo de demência
passo corto pego e bato
com um parceiro de ausência
Assim jogava e perdia
que perder é uma ciência
a que a gente se habitua
sem temor nem violência
Agora que o vento arrasta
as cartas e os vícios delas
ficaram-me as mãos libertas
é manhã abro as janelas
José Saramago
Por
Fernando Samuel
em
26.1.11
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VERDADE ESSENCIAL
Por
Fernando Samuel
em
25.1.11
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POEMA
AQUI A PEDRA CAI...
Aqui a pedra cai com outro som
porque a água é mais densa, porque o fundo
tem assento e firmeza sobre os arcos
da fornalha da terra.
Aqui o sol reflecte e tange à superfície
uma rubra canção que o vento espalha.
Nus, na margem, convulsos acendemos
a fogueira mais alta.
Nascem aves no céu, brilham os peixes,
toda a sombra se foi, que mais nos falta?
José Saramago
Por
Fernando Samuel
em
25.1.11
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O CAMINHO DA VITÓRIA
Por
Fernando Samuel
em
24.1.11
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POEMA
PASSO NUM GESTO...
Passo num gesto que eu sei
deste mundo agoniado para o espaço
onde sou quanto serei
no tempo que sobra escasso
No outro mundo sou rei
e o meu rosto de cristal e puro aço
é o espelho que forjei
com suor pena e cansaço
E se o mundo que deixei
tem as marcas desenhadas do meu passo
são baralhas que enredei
são teias de vidro baço
Tantas provas cá terei
tantas vezes do pescoço solto o laço
se me sagraram em rei
aceitem a lei que eu faço
Vem a ser que o homem novo
está na verdade que movo
José Saramago
Por
Fernando Samuel
em
24.1.11
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«FIZ HOJE O QUE DEVIA SER FEITO»
Por
Fernando Samuel
em
23.1.11
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UMA ETAPA DA LUTA
Por
Fernando Samuel
em
23.1.11
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POEMA
O BEIJO
Hoje, não sei porquê, mas o vento teve um
grande gesto de renúncia, e as árvores acei-
taram a imobilidade. No entanto (e é bem que
assim seja) obstinadamente uma viola organiza
o espaço da solidão. Ficamos sabendo que as
flores se alimentam na fértil humidade. É essa
a verdade da saliva.
José Saramago
Por
Fernando Samuel
em
23.1.11
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CAVACO NÃO É SÓ ISTO
Por
Fernando Samuel
em
22.1.11
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POEMA
PARÁBOLA
Num caroço de mentiras
trouxe a verdade escondida
pus o caroço na terra
nasceu verdade fingida
Não faltou água dos olhos
ao viço desta palmeira
que frutos daria o ramo
de tão ruim sementeira
Se do sal que nela morde
um sabor amargo sobra
é coisa que vai no rasto
que ficou depois da cobra
Lá em cima onde a verdade
tem a franqueza do vento
negam ninhos as raízes
porque é outro o seu sustento
E o tronco tão levantado
sobre o caroço partido
não é tronco mas é homem
alto firme e decidido
José Saramago
Por
Fernando Samuel
em
22.1.11
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TOMAR O FUTURO NAS MÃOS
Jerónimo de Sousa, ontem, em Almada:
«Sem a candidatura de Francisco Lopes, estas eleições seriam um deserto de projectos alternativos e um mero confronto entre candidatos mais "assim" ou mais "assado", que rodopiavam à volta da mesma opção da política económica e social formatada e tutelada pela Europa do grande capital monopolista e pelo directório das grandes potências»
A afirmação é incontestável.
Na verdade, a candidatura de Francisco Lopes - deixando bem claro o seu conceito do exercício dos poderes presidenciais definidos pela Constituição da República Portuguesa - foi, de facto, a única que:
abordou os problemas reais dos trabalhadores, do povo e do País;
sinalizou e denunciou as causas e os causadores desses problemas;
apontou caminhos e protagonistas para a superação da dramática situação existente.
Por isso, a candidatura de Francisco Lopes - seja qual for o resultado eleitoral que vier a obter - é a candidatura da esperança e do futuro.
Como afirmou Francisco Lopes, ontem, também em Almada:
«Será a mobilização dos trabalhadores e do povo, tomando o futuro nas mãos, que construirá o futuro do nosso País»
Tomemos, então, o futuro nas nossas mãos: lutando com o voto no dia 23 e prosseguindo, ampliando e intensificando a luta de massas nos dias seguintes.
Por
Fernando Samuel
em
21.1.11
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POEMA
TENHO UM IRMÃO SIAMÊS...
Tenho um irmão siamês
(Há quem tenha, mas o meu,
ligado à sola dos pés,
anda espalhado no chão,
todo mordido de raiva
de ser mais raso do que eu.)
Tenho um irmão siamês
(É a sombra, cão rafeiro,
vai à frente ou de viés,
conforme a luz e a feição,
de modo que sempre caiba
nos limites do ponteiro.)
Tenho um irmão siamês
(Minha morte antecipada,
já deitada,
à espera da minha vez.)
José Saramago
Por
Fernando Samuel
em
21.1.11
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PROFISSÃO: DIGAMOS-ASSIM-JORNALISTA
Por
Fernando Samuel
em
20.1.11
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POEMA
PAISAGEM COM FIGURAS
Não há muito que ver nesta paisagem:
campinas alagadas, ramos nus
de choupos e salgueiros eriçados:
raízes descobertas que trocaram
o natural do chão pelo céu vazio.
Aqui damos as mãos e vamos indo
a romper nevoeiros.
Jardim do paraíso, obra nossa,
somos nós os primeiros.
José Saramago
Por
Fernando Samuel
em
20.1.11
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O NOBEL DA ESTUPIDEZ
Por
Fernando Samuel
em
19.1.11
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POEMA
AO INFERNO, SENHORES...
Ao inferno, senhores, ao inferno do homem,
lá onde não fogueiras, mas desertos.
Vinde todos comigo, irmãos ou inimigos,
a ver se povoamos esta ausência
chamada solidão.
E tu, meu claro amor, nova palavra,
que a tua mão não deixe a minha mão.
José Saramago
Por
Fernando Samuel
em
19.1.11
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SEM COMENTÁRIOS
Por
Fernando Samuel
em
18.1.11
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POEMA
ALEGRIA
Já ouço gritos ao longe
já vem a voz do amor
Ó alegria do corpo
Ó esquecimento da dor
Já os ventos recolheram
já o Verão se nos oferece
Quantos frutos quantas fontes
Mais o Sol que nos aquece
Já colho jasmins e nardos
já tenho colares de rosas
E danço no meio da estrada
as danças prodigiosas
Já os sorrisos se dão
já se dão as voltas todas
Ó certeza ó certeza
Ó alegria das bodas
José Saramago
Por
Fernando Samuel
em
18.1.11
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O VOTO QUE CONTA
Por
Fernando Samuel
em
17.1.11
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POEMA
PROVAVELMENTE
Provavelmente, o campo demarcado
não basta ao coração, nem o exalta:
provavelmente, o traço da fronteira
contra nós o riscámos, amputados.
Que rosto se desenha e se promete?
Que viagem esquecida nos aguarda?
São asas (que só duas fazem voo),
ou solitário arder da labareda?
José Saramago
Por
Fernando Samuel
em
17.1.11
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O GRANDE AMOR DE CAVACO, O ESCLARECEDOR
Por
Fernando Samuel
em
16.1.11
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POEMA
JOGO DO LENÇO
Trago no bolso do peito
um lenço de seda fina,
dobrado de certo jeito.
Não sei quem tanto lhe ensina
que quanto faz é bem feito.
Acena nas despedidas,
quando a voz já lá não chega
por distâncias desmedidas.
Depois, no bolso aconchega
as saudades permitidas.
Também o suor salgado,
às vezes, enxuto a medo,
que o lenço é mal empregado.
E quando me feri um dedo,
com ele o trouxe ligado.
Nunca mais chegava ao fim
se as graças todas dissesse
deste meu lenço e de mim,
mas uma coisa acontece
de que não sei porque sim:
Quando os meus olhos molhados
pedem auxílio do lenço,
são pedidos escusados.
E é bem por isso que penso
que os meus olhos, se molhados,
só se enxugam no teu lenço.
José Saramago
Por
Fernando Samuel
em
16.1.11
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CHIÇA!
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Fernando Samuel
em
15.1.11
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POEMA
BARALHO
Lanço na mesa as cartas de jogar:
os amores de cartão e as espadas,
os losangos vermelhos de ouro falso,
a trilobada folha que ameaça.
Caso e descaso as damas e os valetes.
Andam os reis pasmados nesta farsa.
E quando conto os pontos da derrota,
sai-me de lá a rir, como perdido,
na figura do bobo o meu retrato.
José Saramago
Por
Fernando Samuel
em
15.1.11
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AS ACÇÕES FICAM COM QUEM AS PRATICA
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Fernando Samuel
em
14.1.11
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