POEMA
ANTRO - 1966
Este é o Homem de Java,
o Pitecantropo,
há uns 600 mil anos!
Este é o Homem de Neanderthal,
há 60 a 70 mil anos!
Este é o Homem-Sequestrado
há já quarenta anos.
Francisco Viana
ANTRO - 1966
Este é o Homem de Java,
o Pitecantropo,
há uns 600 mil anos!
Este é o Homem de Neanderthal,
há 60 a 70 mil anos!
Este é o Homem-Sequestrado
há já quarenta anos.
Francisco Viana
Por
Fernando Samuel
em
31.5.09
8
comentários
Por
Fernando Samuel
em
31.5.09
10
comentários
O TEMPO É NOSSO
Espancaste-me.
Cegaste-me.
Olho por olho? dente por dente?
Talião perdeu a pena
que embora cheia de penas
o tempo é nosso, da nossa gente.
E mal na noite que dura
a dura dor permanece
já a canção amanhece.
Francisco Viana
Por
Fernando Samuel
em
30.5.09
4
comentários
Por
Fernando Samuel
em
29.5.09
7
comentários
SOLIDARIEDADE
Vamos, dêem as mãos.
Porquê esse ar de eterna desconfiança?
esse ,medo, essa raiva?
Porquê esssa imensa barreira
entre o Eu o Nós na natural conjugação do verbo ser?
Vamos, dêem as mãos.
Para quê esses bons-dias, boas-noites,
se é um grunhido apenas e não uma saudação?
Para quê esse sorriso
se é um simples contrair de pele e nada mais?
Vamos, dêem as mãos.
Já que a nossa amargura é a mesma amargura,
já que a miséria para nós tem as mesmas sete letras,
já que o sangrar dos nossos corpos é o vergão da mesma chicotada,
fiquemos juntos,
sejamos juntos.
Porquê esse ar de eterna desconfiança?
esse medo, essa raiva?
Vamos, dêem as mãos.
Mário Dionísio
Por
Fernando Samuel
em
29.5.09
6
comentários
Por
Fernando Samuel
em
28.5.09
7
comentários
(SER FIEL A UMA IDEIA)
Ser fiel a uma ideia
custa mais do que parece.
Quem o é logo se enleia
nas próprias teias que tece.
Por isso há quem a afirmar
no que esconde não repara,
e quem só com perguntar
já a resposta põe clara.
Só quem não pensa não erra.
Erro não é falsidade.
Quanto mais perto da terra,
mais uma ideia é verdade.
Armindo Rodrigues
Por
Fernando Samuel
em
28.5.09
6
comentários
Por
Fernando Samuel
em
27.5.09
6
comentários
EXORTAÇÃO
Não te escondas em vão
por detrás do teu véu,
rosto velado!
A luz suprema, o sol que se levanta
deste lado,
apenas desencanta
o que de si é já desencantado.
Miguel Torga
Por
Fernando Samuel
em
27.5.09
5
comentários
Por
Fernando Samuel
em
26.5.09
7
comentários
SONETO DO TRABALHO
Das prensas dos martelos das bigornas
das foices dos arados das charruas
das alfaias dos cascos e das dornas
é que nasce a canção que anda nas ruas.
Um povo não é livre em águas mornas
não se abre a liberdade com gazuas
à força do teu braço é que transformas
as fábricas e as terras que são tuas.
Abre os olhos e vê. Sê vigilante
a reacção não passará diante
do teu punho fechado contra o medo.
Levanta-se meu Povo. Não é tarde.
Agora é que o mar canta é que o sol arde
pois quando o povo acorda é sempre cedo.
José Carlos Ary dos Santos
Por
Fernando Samuel
em
26.5.09
6
comentários
Por
Fernando Samuel
em
26.5.09
10
comentários
(POR MAIS QUE CALEM...)
Por mais que calem
por mais voltas que dê o mundo
por mais que neguem os acontecimentos;
por mais repressão que o estado instaure;
por mais que lavem a cara com a democracia burguesa;
por mais assassinatos de estado que cometam e calem;
por mais greves da fome que silenciem;
por mais que tenham saturados os cárceres;
por mais pactos que engendrem os controladores de classe;
por mais guerras e repressão que imponham;
por mais que tentem negar a história e a memória da nossa classe
Mais alto diremos:
assassinos de povos
miséria de fome e liberdade
negociadores de vidas alheias
mais alto do que nunca, em grito ou em silêncio,
recordaremos os vossos assassinatos
de gentes, vidas, povos e natureza.
De boca em boca, passo a passo, pouco a pouco.
Salvador Puig Antich
(poema escrito na cela por este jovem anarquista
pouco antes de ser assassinado pelo regime franquista,
em 2 de Março de 1974)
Por
Fernando Samuel
em
25.5.09
8
comentários
Por
Fernando Samuel
em
25.5.09
9
comentários
ESMAGADOS SOB AS PATAS...
Esmagados sob as patas
das bestas taciturnas
os nosso peitos ansiosos,
que havemos nós de fazer senão, irados,
mesmo imprudentemente,
erguer-nos contra quanto
é ordem truculenta,
crença mutiladora,
ou crime sistemático?
Armindo Rodrigues
Por
Fernando Samuel
em
24.5.09
6
comentários
Por
Antonio Lains Galamba
em
24.5.09
13
comentários
Éramos 85 000.
E a pergunta a fazer é esta:
que outra força política seria capaz de erguer uma iniciativa com aquela dimensão e aquela força?
E a resposta é esta: nenhuma!
Por isso, os média dominantes têm feito (e continuarão a fazer) tudo para menorizar, desvalorizar, silenciar, a Marcha - apresentando-a como uma «coisita» muito inferior a umas tantas dezenas ou centenas de pessoas em sessões do PS, do PSD, do CDS/PP e do BE.
Não surpreende que assim façam: é para isso que existem, já que, como é sabido, são propriedade do grande capital.
No que nos diz respeito, é simples: A MARCHA CONTINUA!
Por
Fernando Samuel
em
24.5.09
12
comentários
PRIMEIRO RETRATO DO NATURAL
Ela queria perceber o que se passa.
Queria?
Passa a rua às risadas.
«Uscumunistas?»
Gritam flores da jarra.
Estão inocentes?
O telefone terrinta.
É o destino?
Na bandeja de prata, o sedativo.
Por tomar?
Na sala das porcelanas, a senhora.
Por viver.
*
De sentinela à porcelana
está Inês ou Teresa ou Ana
(Maria, deixa-se ver).
Tem à mão uma bengala
para o que der ou vier:
«Se os bolchevistas entrarem,
vão ver, vão ver!
As porcelanas inteiras
é que eles não hão-de ter!»
*
Porcelana implora
Senhora insiste.
Até que a levam prà cama,
pauzinho em riste, zangada.
É uma terrina vazia
que em sonhos se suicida
à bengalada.
Alexandre O'Neill
Por
Fernando Samuel
em
24.5.09
4
comentários
A FÁBRICA
Da alavanca ao tear da roda ao torno
da linha de montagem ao cadinho
do aço incandescente a entrar no forno
à agulha a trabalhar devagarinho.
Da prensa que se fez para esmagar
à tupia no corpo da madeira
do formão que nasceu a golpear
à força bruta de uma britadeira.
Do ferro e do cimento até ao molde
que é quase um esgar de plástico sereno
do maçarico humano que nos solda
à luz da luta e não do acetileno
nasce este canto imenso e universal
sincopado enérgico fabril
sereia que soou em Portugal
à hora de pegarmos por Abril.
Transformar a matéria é transformar
a própria sociedade que nós fomos
ser operário é apenas saber dar
mais um pouco de nós ao que nós somos.
Um braço é muito mas por si não chega
por trás da nossa mão há uma razão
que faz de cada gesto sempre a entrega
de um pouco mais de força. De mais pão.
Estamos todos num único universo
e não há uns abaixo outros acima
pois se um poema é uma obra em verso
um parafuso é uma obra-prima.
Operários das palavras ou do aço
da terra do minério do cimento
em cada um de nós há um pedaço
da força que só tem o sofrimento.
Vamos cavá-la com a pá das mãos
provar que em cada um nós somos mil
é tempo de alegria meus irmãos
é tempo de pegarmos por Abril.
José Carlos Ary dos Santos
Por
Fernando Samuel
em
23.5.09
5
comentários
Por
Fernando Samuel
em
23.5.09
4
comentários
UM DIA DE MAIO
Recordo esse momento, esse
terrível entusiasmo. Eram
milhares, dezenas de milhar
e todos se esticavam, todos
tentavam ver o carro, sentiam
o solene momento, gritavam
da alegria mais pura. Era
um som de pólvora liberta,
uma explosão de esperança,
de loucura, de vida - sim,
por uma vez, a vida -. Lembro
esse gosto de pão, o corte
brusco na inércia, o fogo
da presença em oferenda,
a compressão da ira vinculada
agora a um caminho. Hoje
contemplo esta praça, estas
ruas que a tristeza semeou
de novo e espero a multidão
que uma vez aqui floresceu.
Confio em que virá. O vento
fala já nos seus passos, faz
da espera alimento; o ar
vai encher-se de vozes, vai
ver-nos todos juntos, livres,
respirando através das mãos
unidas, através do ardente
fluido de alegria que liberta
as raízes do canto estagnado.
Egito Gonçalves
Por
Fernando Samuel
em
22.5.09
7
comentários
Por
Fernando Samuel
em
22.5.09
9
comentários
ENCORAJAMENTO
... E a poesia lá vai - tão amada e detestada -
livre, como se marchasse nua contra o vento,
vai levar aos que se cansam da longa caminhada
a água pura e fresca do encorajamento.
E ela lá vai... Lá vai, e luta, quer queiram ou não,
contra a lassidão e a doença do sono,
e a quem tiver sede oferece a canção
do futuro sem grades e dos homens sem dono.
Sidónio Muralha
Por
Fernando Samuel
em
21.5.09
5
comentários
Por
Fernando Samuel
em
21.5.09
8
comentários
ALEMANHA: UM CONTO DE INVERNO
Amigos, quero compor para vós uma canção,
uma canção nova, uma canção melhor!
Queremos instaurar aqui na terra,
agora mesmo,o reino dos céus.
Queremos ser felizes nesta terra,
aqui queremos derrotar a fome
e que o ventre preguiçoso não devore
o que mãos trabalhadoras produziram.
Cresce, aqui em baixo, pão que chega
para os filhos dos homens.
E ainda há rosas e mirtos,
beleza, alegria e ervilhas-de-cheiro.
Sim, ervilhas-de-cheiro para todos.
Logo ao abrir das vagens!
O céu, não o queremos para nada,
fiquem com ele os anjos e os pardais.
Uma nova canção, uma canção melhor!
Dir-se-iam flautas e violinos...
O miserere terminou,
calou-se o dobre fúnebre dos sinos.
Heinrich Heine
Por
Fernando Samuel
em
20.5.09
6
comentários
Por
Fernando Samuel
em
20.5.09
8
comentários
VIAGEM ATRAVÉS DE CATARINA
Não quiseste ser valente
não quiseste o amor do perigo
que tanta gente
conquista
- quiseste apenas estar de bem contigo
ser comunista.
E não quiseste a aventura
o gesto da eterna face
de Graça pura vestido
- quiseste apenas estar onde mandasse
o teu Partido.
Novas searas aqui
se levantaram.
Nós falamos de ti porque não te mataram.
Mário Castrim
Por
Fernando Samuel
em
19.5.09
9
comentários
Por
Fernando Samuel
em
19.5.09
13
comentários
OS HOMENS AMO POR RESPEITO MEU
Os homens amo por respeito meu
e não por mentirosa obrigação
da piedade a que uns subtis se dão
dessa ficção a que se chama céu.
Mais exigente que esses sou-o eu,
senhor da minha determinação.
De que paz é penhor uma explosão?
Que luz acende a escuridão de breu?
Vale-me quanto com trabalho ganho
aleivosia, inveja, ódio, arreganho,
incompreensão, repúdio, sangue, fel.
Ao destino cruel não me submeto.
Enquanto o mundo for assim abjecto
me esforçarei em submetê-lo a ele.
Armindo Rodrigues
Por
Fernando Samuel
em
18.5.09
5
comentários
Por
Fernando Samuel
em
18.5.09
7
comentários
(Pastoral escrita de propósito para uma
canção de protesto de Fernando Lopes-Graça
que mantém, inflexível, um coro de canções
populares e revolucionárias.)
Ó pastor que choras,
o teu rebanho onde está?
- Deita as mágoas fora,
carneiros é o que mais há.
Uns de finos modos,
outros vis por desprazer...
Mas carneiros todos
com carne de obedecer.
Quem te pôs na orelha
essas cerejas, pastor?
São de cor vermelha,
vai pintá-las de outra cor.
Vai pintar os frutos,
as amoras, os rosais...
vai pintar de luto
as papoilas dos trigais.
José Gomes Ferreira
Por
Fernando Samuel
em
17.5.09
7
comentários
Por
Fernando Samuel
em
16.5.09
10
comentários
(A gente da mesa vizinha só fala
em dinheiro, negócios de compra e venda...
E, no entanto, temos de salvar o mundo,
homens. Dar-lhe outro sentido.)
Tudo vendem e compram: sonhos, estátuas de sebo,
palácios para idílios de espectros,
sorrisos de crocodilo,
frio arrancado das lanças...
Só não percebo
porque não vendem o luar a metro
e as estrelas a quilo
(para caixões de crianças).
José Gomes Ferreira
Por
Fernando Samuel
em
16.5.09
8
comentários
Por
Fernando Samuel
em
16.5.09
10
comentários
(Saltimbancos)
Ao som dum sol-e-dó
vão dois maltrapilhos
a ensinar os filhos
a dançar no pó.
Que pena esta sem gente sem pão
não ter
imaginação
para sofrer!
José Gomes Ferreira
Por
Fernando Samuel
em
16.5.09
4
comentários
Por
Fernando Samuel
em
15.5.09
10
comentários
UM FANTASMA PERCORRE A EUROPA
...E as velhas famílias fecham as janelas,
reforçam a segurança das portas,
e o pai corre às escuras para os Bancos
e o pulso pára-lhe na Bolsa
e sonha de noite com fogueiras,
com reses a arder,
que em vez de trigais tem chamas,
em vez de grãos, chispas
caixas,
caixas de ferro, cheias de faúlhas.
Onde estás,
onde estás?
Os camponeses passam e calcam-nos o sangue.
O que é isto?
- Fechemos,
fechemos depressa as fronteiras.
Vede como avança rápido no vento de Leste,
das estepes vermelhas da fome.
Que os operários não lhe ouçam a voz,
que o seu silvo não penetre nas fábricas,
que não divisem a sua foice erguida os homens dos campos.
Detende-o!
Porque transpôs os mares,
percorrendo toda a geografia,
porque se esconde nos porões dos barcos
e fala com os fogueiros
e trá-los tisnados para a coberta
e faz com que o ódio e a miséria se sublevem
e as tripulações se levantem.
Fechai,
fechai os cárceres!
A sua voz estilhaçar-se-á contra os muros.
Que é isto?
- Mas nós seguimo-lo,
fazemo-lo baixar do vento Leste que o traz,
perguntamos-lhe pelas estepes vermelhas da paz e do triunfo,
sentamo-lo à mesa do camponês pobre,
apresentamo-lo ao dono da fábrica,
fazemo-lo presidir às greves e às manifestações,
falar com os soldados e os marinheiros,
visitar os pequenos empregados nas oficinas
e erguer o punho aos gritos nos Parlamentos do ouro e do sangue.
Um fantasma percorre a Europa,
o mundo.
Nós chamamos-lhe camarada.
Rafael Alberti
Por
Fernando Samuel
em
14.5.09
6
comentários
Por
Fernando Samuel
em
14.5.09
8
comentários
AVISO
A noite que precedeu a sua morte
foi a mais breve de toda a sua vida
Pensar que estava vivo ainda
era um fogo no sangue até aos punhos
A sua força era tal que ele gemia
Foi quando atingia o fundo deste horror
que o seu rosto num sorriso se lhe abriu
Não tinha apenas um único camarada
mas sim milhões e milhões de camaradas
para o vingarem sim bem o sabia
E então para ele ergue-se a alvorada
Paul Éluard
Por
Fernando Samuel
em
13.5.09
6
comentários
Por
Fernando Samuel
em
13.5.09
8
comentários
DE PÉ, OH COMPANHEIRO
Cantar aqueles que partiram
é dar força à liberdade
as flores vermelhas que os cobriram
tornaram alegre a saudade.
Foi naquela tarde de Maio
que lhes dissemos adeus
quem disser adeus em Maio
nunca se afasta dos seus.
De pé, de pé oh companheiro!
De pé e punho levantado
o que morreu é o primeiro
a estar de pé ao nosso lado.
Quem tombar no caminho
continua ao nosso lado
partir não é estar sozinho
é lutar acompanhado.
Por isso os que não ficaram
nem calados nem cativos
em Maio não nos deixaram
pois para nós só há vivos.
Na batalha que travamos
não há tristeza nem morte
a bandeira que levamos
é a razão do mais forte.
Baixando à terra com ela
quem morre devolve à terra
a semente ainda mais bela
contra a fome e contra a guerra.
José Carlos Ary dos Santos
Por
Fernando Samuel
em
13.5.09
8
comentários
Por
Antonio Lains Galamba
em
11.5.09
9
comentários
BALANÇA
No prato da balança um verso basta
para pesar no outro a minha vida.
Eugénio de Andrade
Por
Fernando Samuel
em
11.5.09
6
comentários
Por
Fernando Samuel
em
11.5.09
8
comentários
SEMPRE
Éramos muitos...
De vós só restam a lenda
e as cruzes espalhadas
pela vinha
de cepas mutiladas.
E agora enchemos o vosso silêncio
de novas palavras,
palavras a que os vossos lábios
não estavam afeiçoados.
Sois a lenda que surge e teima
em vestir-se com as luzes
que mal se adivinham.
Sois o destino já cumprido,
a história enraizada na vinha
de cepas mutiladas.
Éramos muitos...
e somos mais,
apesar das cruzes
que apodrecem ao relento,
apesar das palavras que nunca chegam
a ser iguais para toda a gente,
apesar da sufocante espera.
Éramos muitos.
E somos mais.
Félix Cucurull
Por
Fernando Samuel
em
11.5.09
4
comentários

Recepção aos convidados pelo Exmo. Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Ervidel.
.
.
Na abertura da sessão, actuou o Grupo Coral As Margens do Roxo
.
.

O público presente.
.
.

A sessão de autógrafos.
Por
João Filipe Rodrigues
em
10.5.09
15
comentários
(No Eléctrico)
E se eu de súbito gritasse
nesta voz de lágrimas sem face!:
Eh! companheiros da plataforma
presos ao apagar do mesmo pavio!
Por que não nos amamos uns aos outros
e damos as mãos
- sim, as nossas mãos
onde apodrecem aranhas de bafio?
Eh! companheiros da plataforma!
(Não empurrem, Irmãos.)
José Gomes Ferreira
Por
Fernando Samuel
em
9.5.09
6
comentários
Por
Fernando Samuel
em
8.5.09
10
comentários
O INIMIGO
Grandes olhos frios espiam esta calma
fictícia em que vives. Olhos de inimigo
que chove sobre ti a sua areia,
migalha-te o futuro, cobiça-te os joelhos,
oferece longas jornas de fome, salários
feitos de medo e asco.
Sobre os campos, as fábricas, o inimigo
sopra no teu querer uma paralisia.
Inventa sombras, disfarça a sua imagem;
a linha que o define, fugidia,
em vão a pensarás, em vão teu lápis
tentará aprisionar o seu contorno.
Mas se avanças um passo logo o vês
nesses olhos que tentam fascinar-te.
Egito Gonçalves
Por
Fernando Samuel
em
8.5.09
5
comentários
Por
Fernando Samuel
em
8.5.09
5
comentários
A BOMBA
O primeiro sopro arrancou-lhe a roupa;
o imediato levou também a carne.
Ao longo da rua
durante alguns segundos correu o esqueleto.
Mas a rua já não estava,
estava toda no ar;
de lá caíam bocados de prédios, bocados
de crianças, restos de cadilaques...
O esqueleto não compreendia sozinho
aquela situação:
deixou-se tombar sobre algumas pedras radioactivas
e permitiu na queda o extravio de alguns ossos.
(Caso curioso: o coração
pulsou ainda três ou quatro vezes
entre o gradeamento das costelas.)
Egito Gonçalves
Por
Fernando Samuel
em
8.5.09
6
comentários
Por
Fernando Samuel
em
7.5.09
13
comentários
JOEIRA!
Até quando te calarás, povo?
Até quando te quedarás irresoluto?
Até quando te verei receoso?
Até quando serás ingénuo?
Até quando escutarás
os pregadores
que exploram
a tua inefável candura?
Mestres e guias infalíveis...?
Há-os de voz potente
e de botas ferradas;
há-os mais suaves,
até angélicos
e muito sábios...
Há os que usam, com palavras demasiado escolhidas,
a tua língua.
Joeira, povo,
com uma peneira finíssima
e esfrega a pele
nos cardos que te rodeiam
até que a dor se torne insuportável,
até sentires a dor soar
como um clarim de combate.
Félix Cucurull
Por
Fernando Samuel
em
6.5.09
8
comentários
Por
Fernando Samuel
em
6.5.09
11
comentários
É traço de união
E crítico mordaz
Espelho da convicção
Fruto da Revolução
Interveniente pela paz
Exímio a analisar
As manobras capitalistas
Certeiro a denunciar
Os que nos querem tramar
Travestidos de socialistas
É notícia, é informação
Poesia revolucionária
É apelo aos que não
Vislumbram a voz da razão
É uma força libertária
Revolucionário a mobilizar
Convicto e subtil
Eficaz a argumentar
Democraticamente exemplar
Parabéns CRAVO DE ABRIL.
Manangão